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[Fic Interativa] Earth Kills

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51 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Out 30 2016, 16:48

Josh

Olha, acompanho seu desenvolvimento em escrever fics desde 2012 e vejo que você evoluiu muito. Se já na tão antiga "Project Fórum Geek" eu já achava sua escrita boa, agora sim tá bem legal. Desde o Night's Watch, deu para perceber uma enorme evolução, que acompanhei você se esforçando para alcançar, enquanto ficávamos treinando descrever lugares e situações. Acredito que isso tudo ajudou, junto com a prática, para que você conseguisse agora descrever tão bem e manter as pessoas focadas na história e além de tudo causar sentimentos nelas.

E eu sei que você vai conseguir evoluir ainda mais, ao longo que pratica. Já consigo ver que a Season 2 será tão boa ou melhor que essa, e a season 3 melhor que as outras duas. Com tudo nos trilhos e as ideias que têm em mente, acredito que vai fazer um ótimo trabalho.

Essa season finale também me surpreendeu. Achei que seria apenas um episódio calmo de finalização enquanto eles descobririam algo que seria mostrado mais afundo na próxima temporada, mas gostei de toda essa desgraça que você fez o grupo passar. Já estava curioso para ver a parte medieval que você pretende implantar na fic em breve, agora fiquei mais ainda. Quero ver em breve o tipo de sociedade que o grupo ainda vai encontrar com essas características.

Falando sobre os personagens, acho que você os desenvolveu muito bem, principalmente a parte emocional, na qual se focou bastante. Jeremy está o cara irritante e misterioso que você quis passar, para que os leitores tenham alguém do grupo para odiar. Ainda é um pouco imprevisível, mas dá para ver que dificilmente algo bom vai sair desse cara.

Alice teve o desenvolvimento mais sombrio, com um passado bem triste e uma convivência próxima com um grupo tribal canibal. Apesar disso tudo, ela ainda consegue sorrir, mesmo que não sinceramente, mas pelo menos não está totalmente quebrada e superou todas as dificuldades. Ainda espero muito dela, principalmente quando a parte medieval e de outras sociedades chegar, e por isso é uma das minhas favoritas do grupo.

O Adam teve uma evolução bem linear. O peso e a culpa fez ele largar uma personalidade babaca para se tornar alguém que se importa com os outros, mesmo que ele não queira que pensem isso dele. Adam e Caterine estão desenvolvendo um bom relacionamento, que parece que vai se tornar um romance no futuro. Mas ainda não sei muito bem o que esperar do Hunt, principalmente por parecer meio instável às vezes.

Fico feliz em ver que a Caterine encontrou o seu irmão, bem estilo Rick & Carl mesmo. O que parecia ser uma garota quebrada com todos os problemas que havia passado, acredito que agora ela se tornará mais forte e esperançosa, tendo um grande motivo para seguir em frente e dar exemplo para o irmão.

Peter é a energia e esperança do grupo, como Chris bem disse. Também é um dos meus favoritos. Assim como gosto do Quicksilver nos X-Men, ver ele em uma fic assim é bastante interessante, principalmente quando você desenvolve uma parte mais sentimental dele, fazendo ele ser forte e tomar decisões importantes, como ter matado um homem e bolar planos. Acredito que tem bastante potencial para se tornar um personagem excelente.

Tyler está sendo um bom líder e tomando boas decisões. Apesar do personagem não ser bem o que eu desejava, acredito que está muito bom e você deu o seu melhor para ser fiel a algumas características da ficha. Tyler tem um grande sentimento de protecionismo e parece estar disposto a fazer tudo pelo grupo, o que o torna um bom líder. Por ser mais good que o Jeremy, é mais sensato e um encorajador melhor. Os dois parecem rivais e que vão brigar em breve, mas acredito que o Jeremy não tenha nada de muito evil, só loucura mesmo que o consome aos poucos. Se for muito para o lado evil a ponto de prejudicar o grupo, não duvido que o Tyler seja o cara que vá enfrentá-lo até a morte.

Enfim, a história está muito bem desenvolvida e fico surpreso ao ver que você consegue fazer capítulos tão grandes e tão envolventes ao mesmo tempo, sem serem cansativos ou com enrolação. Por isso, o parabenizo por ter escrito toda essa obra e lhe digo que você tem a crescer, meu rapaz.




 
Spoiler:

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52 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Out 30 2016, 22:41

Babi

Eu so quero saber de uma coisa: Quando é a próxima temporada?

Mitou como sempre na escrita, Gabriel. Tenho que ressaltar mais uma vez a forma como acho foda você ligando os flashbacks ao presente deles. E também falar como sua escrita é muito facilmente interpretada e imaginada. Sem contar que o enredo dessa temporada merece 10 estrelas msm, já que foi muito bem desenvolvido. E por fim queria dizer que você levou a Alice exatamente da forma que eu imaginava, muito boa, jovem.

Agr seguindo, vou falar o que achei de cada personagem.

Adam: Sempre tenta salvar alguém e se fode no caminho não conseguindo, mas achei muito foda ele no final ter conseguido salvar a Catarine e escolhendo não ser um peso, mesmo que ainda tenha se fodido no final. Achei o desenvolvimento dele algo mais interno, já que sempre perder as pessoas fez com que ele fosse um pouco menos babaquinha, sem contar que agr ele ta só amor e ama nois. Shippo com a Catarine.

Alice: Como eu disse antes gostei muito da forma que você mostrou ela e desenvolveu a historia dela. Fiquei o capitulo todo na expectativa de ver se ela tinha se fodido, e quando vi que tinha so mais uma parte e ela não tinha aparecido ainda, pensei que vc deixaria o misterio dela pra próxima junto com os outros, deu vontade de te matar, mas relevemos ja que ela apareceu Laughing . Enfim, gostei de como ela encontrou a Caterine e ficou sabendo das paradas, e também da forma que as duas formaram uma parceria pelos outros. Só achei que faltou saber o que o conselho achou de eu ter matado meu pai hihihi. Mas espero que na proxima temporada mostre a relação dela com o conselho, ja que eles não devem ser muito fãs da mina. Gostaria de saber também qual vai ser a reação dos amigos quando ouvirem que ela queimou uma vila dos canibais e mostrou o lado frio dela. E por fim pra ver o reencontro dela com os migos. Agora nos resta esperar pra ver o que toda essa temporada fez ela virar e ver se o circo vai pegar fogo de novo.

Catarine: Gostei muito de como tu mostrou toda a fadiga mental de saber da morte do irmão trouxe pra ela e como no momento necessário ela se manteve firme. Apesar de ela ter se tornado meio fria tbm, fico curiosa pra o que vão fazer pra salvar os outros, momento que rezamos pelo girl power. Curti muito o reencontro dela com o irmão tbm, foi uma cena bonitinha e a trilha sonora colaborou. Espero que o irmão dê pra ela animo pra salvar os maninho. E vamos torcer pro conselho não comer nosso cu, amém. Shippo com o Adam

Jeremy: Esse mano é mais louco que o Batman e não confio nem um pouco nele, espero que a Alice não confie nesse cara pq ele não ta nem ai pra ninguem.

Peter: "Ela era minha amiga, merece ser enterrada" , Awesome . Melhor bromance que ja teve, bjs e como o chris disse gostei pakas das partes dos dois sendo migos, ansiosa por esse reencontro. Um dos melhores personagens da temporada, teve um desenvolvimento daora com aquela parada do Toddynho la. Espero que eu não tenha que enterra-lo também, afinal é a unica pessoa que não acha a Alice irritante, por ser tão irritante quanto, sem contar que é um dos mais carismaticos. Ainda bem que foi sem atitude e não beijou a Lily, pq essa mina é muito muito suspeita. Mas agr resta a gente bolar um plano mirabolante para salva-los.

Tyler: Não tenho muito o que dizer dele, a não ser fato de ser um lider daora e ter um gosto daora pra musica.

Enfim, nao demora pra postar a segunda temporada, viado. Ja sinto saudades.



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53 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Qui Nov 03 2016, 02:40

Dwight

Desculpa pela demora, Chris Gabriel, quis fazer um comentário bem elaborado e sincero, não algo apressado.

Então, vamos lá. Sei lá por onde começar esse caralho, vou dividir a porra toda msm, e é bom que leia. Cat

Escrita: Falar da escrita é chover no molhado, você já conseguiu desenvolver uma identidade própria de escrita e acho que isso é muito importante (ok que talvez não faça o ato de escrever menos estressante, mas definitivamente o resultado final tem personalidade). As descrições são bastante satisfatórias, tanto de ambientes quanto de sentimentos e situações (em alguns momentos, devo dizer, sua obcecação em colocar merda nas paradas me dá certo nojo, mas como já disse antes é um talento seu descrever situações fodidas), as descrições de aparência muitas vezes foram deixadas de lado, salvo para fazer distinção ou pontuar (usar "ruiva" para não repetir "Caterine", por exemplo), mas por mais que eu ache algo importante de se ter, em 90% dos casos isso foi substituído pelo uso da imagem, então entendo abrir mão disso por já termos uma "imagem mental" pré-estabelecida. Seu texto realmente prende a quem lê; e sem dúvidas, comparando do PFG até o EK, a evolução é monstruosa. :grin:

Desenvolvimento da história: Isso é o que, desde antes do primeiro capítulo, eu tinha certeza que seria bem feito; e creio ser a parte mais importante de qualquer fic. Tinha essa certeza principalmente por saber (e ter participado) do que você já fez no NW e F&B, onde criou histórias provavelmente até mais complexas do que essa com o adicional de nós cagando o desenvolvimento delas, então aqui certamente não teria problemas; e realmente não teve. Introduziu história e personagens, estipulou personalidade para cada um, criou laços, apresentou adversidades, "vilões" e aliados, colocou situações de perigo e viradas inesperadas (e matou pra krl tbm), dosou bem o tempo de cada e desenvolveu seus arcos próprios, solucionou os problemas apresentados e ainda deixou uma conclusão satisfatória, mas com pontos de interrogação para a continuidade. Acho muito interessante, inclusive, no meio da história ter tido um capítulo desanexado, como foi o dos flashbacks (outra coisa bem usada em vários momentos) do Jeremy. Enfim, em questão de desenvolvimento, por mim é completamente só elogios.

Desenvolvimento de personagens: Assim como o desenvolvimento da história, acho que foi bem feito pra caralho, apresentou e explorou muito bem as nuances de cada um (dos principais, claro), com arcos bem definidos nesse primeiro... arco. Acho que desde o início a interação e as relações interpessoais foram muito bem colocadas, em cada um de sua maneira. Mas como os Wi kuwat!, vamos por partes:

Jason: Rapaz foi cedo, surpreendeu por isso, gostei. Minha única decepção fica por ter levado o ship junto, mas ainda assim, Tyson viverá para sempre em nossos corações;
Spoiler:
Tyler: Entre os seis é o mais "no lugar", e provavelmente por isso ocupe o posto de líder, mas teve um bom arco tomando as rédeas. Foi o único que teve um probleminha de mudança brusca na personalidade (de good fella para malandrilson), mas natural quando se tem que interpretar um personagem que não criou, ainda assim é um personagem surpreendentemente empático vindo do Josh (*provocação gratuita porque eu sei que atinge ele*), e eu realmente gostei bastante do cara (teria gostado mais se tivesse ficado com o Jason, mas ok). Umas das coisas mais maneiras desse primeiro arco, para mim, foi a interação dele com o Jeremy; acho que (e espero que) tenha MUITO à vir disso ainda, rola até algum conflito por ele ter virado o líder e um dia o Jeremy já ter sido um para um grupo parecido, e parte dele ainda querer ser esse líder, o que pode gerar algo do caralho. (Duvido que vc tenha pensado nisso antes, ctz que foi na cagada, mas o que importa é que tá aí).
Peter: Creio que foi o personagem com o desenvolvimento mais aprofundado nessa primeira parte, ele é inicialmente a alegria do grupo, puro carisma e o que gera mais empatia, o cara que mantém o astral mesmo em qualquer adversidade (mesmo que seja ele o ferido). Naturalmente, pela personalidade, é o que criou mais laços (Jason, Monty v2, Alice, Tyler, Lily), e ele certamente tem fácil identificação com todos, sendo o mais suscetível a sofrer; então obviamente ele eventualmente quebra pós-morte do Jason/sequestro da Alice. Ele se recuperou mais rápido do que eu esperava, admito (Muito pela introdução da Lily, acho) mas ele ter recuperado o humor não significou ter esquecido o que passou; e acho que se tornou mais ciente da realidade em que está vivendo, principalmente por ter tido de matar para salvar alguém.
Lily: Continuou com a opinião anterior: Acho que ela serviu para "recuperar" o Peter, e pode ser que venha a ter algum arco relacionado à ele no futuro, ou como o Gabriel que tá escrevendo só vai ser brutalizada pra ele sofrer mais. Apesar de não ver motivos para desconfiar ainda, se ela for uma intrusa escondida, eu já vi esse recurso antes, companheiro.
Alice: É a que passou pelos momentos e transformações mais radicais, se o Peter foi quebrado pelo "luto" que sentia, ela foi quebrada de todos os modos, caminhos e formas possíveis (menos estupro, pq agora temos um mestre controlado Wink), passando por várias situações extremas e literalmente lutando para superar elas. Como já citei antes, foi bastante recompensador ver ela fodendo com os Wi kuwat. Gostei bastante da forma como o passado dela se ligou com o presente, de forma que tudo que ela viveu até então fez ela agir quase como um animal violento, e mesmo segura agora, quero muito ver como esses eventos e toda tortura/humilhação vão afetar a cabeça dela daqui para frente. Gostarei de ver como vai ser a interação, pelo menos inicial, dela com a Caterine; se forem salvar os outros.
Caralho já nem lembro mais quem falta.
Jeremy spoke in claaaaaaaaaaaaass today: Já falei bastante dele nos posts anteriores, inútil do Guliel fez um personagem interessante, e o Gabriel explorou bem ele. Não vou me estender mt pq realmente já falei bastante do que acho do conceito do personagem e o potencial fodido que ele tem para servir à história, para o bem ou para o mal (dependendo de qual personalidade); e apesar de achar que ele funciona melhor desprendido, é inevitável ele estar perto do grupo para continuar na história, então espero muito ver a relação/confronto dele com o Tyler, já que os dois já tiverem boas interações e ambos tem estofo de líder, por motivos diferentes.
Caterine (sem h): O arco dela foi, quase totalmente, desenvolvido em questões internas. Não foi algo explicitamente dito (ou foi), mas senti que ela acabou se sentindo isolada no decorrer dos 9 capítulos, especialmente depois de ouvir que o irmão estava morto. Esse sentimento de estar sozinha em local desconhecido + canibais atacando o grupo + os avanços do guarda de um relacionamento pouco saudável (quem diria que teríamos uma temática feminista na fic do mestre-estuprador Surprised) + a possível morte do irmão foram, parte por parte, despedaçando ela também. Mesmo assim, como já disse antes, ela juntou os cacos e levantou (personagens femininas fortes é outro elemento comum de apreciação feminista, você criou duas (ou desenvolveu, foda-se), e com a parte final você deve ter até mesmo passado no teste de bechdel, parabéns! Very Happy). Ela é a que no momento final tem os caminhos mais definidos daqui para frente, acho interessante a presença de uma criança no grupo e quero ver a relação dele tanto com ela, quanto com os outros, além de ver como ela e a Alice "darão um jeito".
Adam: Porra, aleluia. Finalmente, o que mais posso falar: Acho que no geral você pegou muito bem o conceito do Adam, um cara que age com a razão e de certo modo pensa em si mesmo, mas o que não exclui o fato de se importar com os outros (e gostei de você ter posto isso como algo que nem ele sabe o porquê de se importar tanto); não tive nenhum motivo para reclamar ou falar algo para ser mudado. Eu admito que achei que ele ia fazer mais merda e ser mais babaca, mas acho bom que não tenha exagerado isso, até pra não dificultar uma integração no grupo que já se formou. Me surpreendi por ele só ter cagalhado com a Lysa, mas foi uma ideia interessante, e que conversa diretamente com o background que eu criei, desenvolver o arco dele em cima de sentimentos de culpa e impotência de ajudar. O cerne da história dele era ter causado a morte dos pais e não poder ter feito nada sobre isso (e isso ser a causa do seu comportamento errático, inclusive), e se foi cagada ou não eu não sei, mas transpôr o mesmo sentimento em diferentes situações foi bem pensado para cacete: ele falhou com a Lysa, falhou com a Alice e falhou com o moleque que tinha brigado. Graças à Deus no final ele conseguiu mandar o i got this e salvar a Caterine, mesmo que tenha se fodido completamente depois, tenho certeza que não morreria dessa maneira. Smile
Os Wi kuwat! Wi kuwat!: Já falei disso trocentas vezes e tô cansado, então vou ser breve, mas achei a ideia dos vilões foda pra cacete, e a "mitologia" que você criou ao redor deles foi bem maneira, só precisam de um linguista melhor. Razz Kuru oh, nate oh!

Expectativas: Enfim, não sei o que pensar/esperar desses caras à cavalo (não entendi se os cavalos dos contos que eram cavalos-dragões ou se os deles), eles não pareceram ter muita coerência matando uns e capturando outros, e pouco foi dito da aparência deles, então não tenho nenhuma ideia do que possa acontecer. Provavelmente Alice/Caterine vão ter que cooperar por um tempo, talvez até mesmo com a ajuda (ou o oposto) do povo da Arca (essas pessoas creio que serão um elemento importante na segunda parte); e mesmo com Peter/Adam apagados, Tyler e Jeremy ainda estavam conscientes, e o primeiro provavelmente com uma granada, então qualquer coisa pode ter acontecido (depois reclama do cliffhanger de TWD). Mas admito que tô curioso pra caralho com o próximo capítulo, que infelizmente deve demorar um pouco. De qualquer maneira, parabéns pela fic.

Considerações finais:

Eu quando pensei em revisar meu post:
Spoiler:

Sobre o significado da vida:
Spoiler:
Wi kuwat! Wi kuwat!



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54 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Ter Abr 04 2017, 00:21

Luckwearer


S02E01 - Breath Before the Storm:

Spoiler:
Naquela noite, Jeremy Cross fechou o livro com alívio. Passou diversas páginas cobertas de texto de um livro velho para um mais novo, um papel que resistiria mais alguns anos. Espreguiçou-se na cadeira e olhou para seu pequeno quarto que passava a maior parte do seu dia: um lugar modesto com algumas prateleiras com livros, uma cama bagunçada num canto e um armário onde suas roupas e algumas lembranças ficavam. Era pequeno porque servira para as coisas que Alfred não tinha onde colocar e não queria jogar fora também, mas Jeremy não tinha nada a reclamar do lugar, era bem ao lado da biblioteca.

O processo de reescrever livros a mão, com tinta e uma pena, era tortuoso. Demorava séculos, era tedioso, era cansativo e de vez em quando acaba errando alguma palavra no final da página, tendo que recomeçar tudo do zero. Mas, apesar de tudo, Jeremy tinha um certo prazer fazendo aquilo. Seus olhos olharam para fileira de livros no topo da prateleira, a única que era bastante vazia até, ali tinham os dois principais livros para ele no momento. A Bíblia que era o motivo de estar vivo e as anotações sobre seu passado. O livro religioso precisava urgentemente ser passado para outras folhas e sua principal tarefa, desde o primeiro dia que tinha botado os pés de volta ao castelo, era exatamente aquela. Era complicado e o mais estressante de todos livros, seu número de folhas era irritantemente gigante e estava há quase um mês nele, mas ainda não tinha acabado. Já o segundo livro, que estava em cima da bíblia, só tinha algumas páginas com conteúdo, que eram mais anotações do que textos. Jeremy não tinha decidido ainda o que faria com aquilo, tinha prometido que escreveria sobre eles, mas sua cabeça estava uma confusão, ao mesmo tempo que queria escrever uma narrativa sobre eles, um conto, também queria transformar tudo que tinham vivido em fatos históricos.

Ficou observando as chamas da vela dançando com as pequenas brisas da noite, as vezes parecia que ia apagar, mas nunca apagava. Suspirou, levantou-se e foi até a prateleira, pegando o livro de anotações e jogando-o na mesa. Aproximou a vela mais um pouco e abriu o livro, deparando-se logo de cara com a foto do grupo, tirada muito tempo atrás, quando todos da foto estavam vivos e juntos. Parecia outra vida, de outra pessoa, mas era a dele e aquelas pessoas fizeram parte.


Quando a bomba finalmente impactou-se no chão, o resultado foi uma explosão que fez todos em volta, perto suficiente, voarem para longe, a maioria com alguma ferida séria, fosse a perda de uma perna ou a força da explosão em seu corpo. Tyler não se deu tempo de observar os cavalos rolando no chão e os corpos voando, cambaleou por alguns metros até ajustar-se e iniciar uma corrida de verdade. Em sua volta havia apenas confusão e caos, o chão estava coberto de adolescentes, canibais, cavalos e alguns daqueles guerreiros, todos mortos e a grande maioria mutilada. E aquilo doía muito para Tyler. Conhecia praticamente todos jovens no chão, desde crianças a adolescentes, aqueles que não tinham sido sequestrados foram mortos sem piedade alguma. Era uma lista de nomes grande demais.

Queria ajudar alguém, mas ele não conseguia entender nada do que estava acontecendo em sua volta. Poderia parar, olhar em volta, procurar algum conhecido e ajudá-lo, mas Tyler não era um herói. Nunca fora, toda sua vida tinha feito as coisas por dinheiro e apenas na Terra fizera por bondade... mas era realmente bondade ou apenas seu instinto de sobrevivência? Não tinha um coração negro, mas também não tinha um coração coberto de flores. No momento, tudo que via era famosa luz no fim do túnel, o fim daquela multidão de confusão. Mas, por ironia do destino, de todas pessoas que poderia ter topado e ajudado, encontrou logo Jeremy de joelhos no chão e com os braços abertos. Sorrindo.


Pela primeira vez depois de muito tempo, a voz de Cross diminuiu tanto que os ouvidos de Jeremy mal podiam captar suas palavras, muito menos entendê-las. Talvez ele estivesse orgulhoso, o cadáver ambulante que sempre tinha que chutar para fazer as coisas finalmente tomara uma decisão sozinho, uma decisão firme e que realmente acreditava ser a melhor. Sentiu um arrepio, pensou que era a morte aproximando-se, mas a única coisa que sentiu logo depois foi um fortíssimo tapa que recebeu no rosto, acordando-o.

— Acorda, seu fodido! — berrou Tyler, puxando-o pela gola.

Jeremy processou tudo em sua volta numa velocidade assustadoramente rápida para quem tinha entrado num transe e ele podia perfeitamente ter escolhido separar-se do puxão de Tyler, voltar os joelhos à grama e abrir os braços novamente, mas seu corpo foi coberto de medo e adrenalina, fazendo com que suas pernas tropeçassem um pouco, só um pouco, até que começasse correr tanto quanto o rapaz ao seu lado. Com tudo acontecendo de uma vez, Jeremy não notou que a vontade de viver, o desespero para continuar respirando, tinha lhe estapeado com mais força que Tyler. No fundo, a última coisa que queria era morrer.

Ele e Tyler adentraram na floresta rapidamente, correndo o mais rápido que podiam. Diferente do outro rapaz, seu fôlego era bem maior, mas com todo aquele desespero, Tyler só notaria a falta do mesmo quando desmaiasse em algum canto, centenas de quilômetros de onde estavam. Escutaram alguns cavalos e alguns homens, olharam para trás e viram dois homens a cavalo vindo atrás deles, aproximando-se velozmente. Vinham sedentos em direção aos dois, ambos com armas que pareciam mais porretes do que espadas, mesmo tendo o formato de uma. Tyler parou de correr, sabendo que era inútil, a velocidade de um cavalo era o dobro da deles. A última pessoa que carregava sangue de um irlandês vivo, olhou em volta procurando alguma arma, quaisquer que fosse, justamente para que continuasse com aquele título por mais tempo, mas no final não encontrou nada.

Seria o fim para ambos, se um dos homens não tivesse caído do cavalo, morto por uma bala de pistola, dentro de seu peito. O outro diminuiu a velocidade do cavalo, olhou em volta e tão rápido quanto o companheiro, caiu no chão sem vida.

Tyler e Jeremy olharam para direção que veio o som dos tiros e encontraram Pietro com a arma ainda apontada para o homem que tinha acabado de matar. O homem soltou um gemido, abaixou os braços e apertou levemente a área do seu machucado, sentia que tinha voltado a sangrar por ter corrido tanto. Aquela ferida tinha salvado a vida da dupla, se não fosse pela dor que Pietro sentira, ele nunca teria parado ali por perto.

— Vocês estão bem? — perguntou Pietro, aproximando-se.

— Valeu, mano — agradeceu Tyler quando o homem ficou perto suficiente. — Estamos bem, sim.
A conversa foi curta e direta, sabiam que o som dos disparos atrairia muita atenção, por isso o trio saiu dali o mais rápido que puderam.


Caterine não fazia ideia de como sentia saudades de um bom banho até sentir a água escorrendo pelo seu corpo, uma sensação tão deliciosa e libertadora que a deixou paralisada embaixo do chuveiro por um bom tempo. Também não tinha percebido como estava fedorenta até tirar suas roupas. Fedorenta e suja, observou. Aquele banho proporcionava a ela tantas sensações boas que nem mesmo podia contá-las, mas o sentimento de lavar a sujeira de seus ombros, o peso que carregava com aquilo, era o mais reconfortante.

Ao terminar de secar-se, enrolou uma toalha em seu corpo e outra em seu cabelo. Foi até a pia e escovou os dentes, também era muito bom tirar o gosto de peixe da boca, o hálito terrível que carregava faziam semanas. Quando terminou de escovar e guardou a escova na gaveta, viu a pulseira que sua mãe lhe dera em cima da pia, coberta de sangue seco. Agarrou-a no mesmo instante, ligou a torneira novamente e esfregou a pulseira por vários minutos, com toda força que podia colocar nos dedos, mas o sangue não saía, a marca carmesim não sumia. Soltou um grito sufocado e jogou a pulseira num canto do banheiro, apoiando-se na pia e respirando fundo. Queria deixar tudo que tinha acontecido para trás, no passado, mas não conseguia.

Colocou novas roupas: uma camisa com a cor vermelhada já desbotada e uma imagem de uma guitarra nela, uma calça jeans rasgada nos joelhos e um colar que Pietro lhe dera, pensou em não usar, mas o pedaço de metal em formato de águia era bonito demais para desperdiçar por mágoa.

Escutou o irmão chamando-a e colocou a mão na maçaneta para sair do banheiro, mas olhou uma última vez para pulseira num canto do banheiro, refletiu se deveria pegá-la ou não, e acabou decidindo deixá-la ali mesmo.

— Me solta! — berrou Brandon, desesperado.

Caterine o abraçava com tanta força que faltava pouco para que os ossos do menino começassem se rachar.

— Eu tava morrendo de saudades de você, seu nanico! — rebateu Caterine, apertando-o mais ainda e levantando-o do chão, não muito, pois era baixinha. — Eu pensei que você tinha morrido!

— Eu vou morrer agora se você não me soltar! — implorou ele mais uma vez.

Caterine não sorria de forma tão verdadeira desde que tinha sido presa e ao encarar seu irmão mais novo, não podia evitar de voltar a sorrir daquela maneira. Ela amava tanto aquele pirralho, tudo sobre ele. Seu jeito carinhoso e fofo que as vezes tentava disfarçar sendo marrento e frio, envergonhado de se mostrar tão meloso com a irmã em frente dos amigos; o cabelo da mesma cor que o dela, só que mais escuro, que nunca estava arrumado, pois Caterine sempre certificava-se de desarrumá-lo esfregando com sua mão, algo que o irritava; os olhos tão parecidos com o de sua mãe que a acalmava sempre e as bochechas que tanto amava apertar, torturando o rapaz. O sorriso era da mãe também, era a recompensa da garota ao fazê-lo feliz na Arca, ver aquele mesmo sorriso novamente.

— Tudo bem, irmã? — perguntou ele, preocupado.

Caterine acordou de seu transe e abraçou ele novamente, tirando um gemido do irmão. Dessa vez, o abraçava mais levemente, sorrindo mais uma vez ao vê-lo devolver o abraço. Separou-se do rapaz e olhou em volta, sentia saudades de seu quarto também. Viu que algumas de suas roupas continuavam largadas pelo chão e viu o livro O Pequeno Príncipe em cima da cama.

— Eu estava lendo esses dias — explicou Brandon ao vê-la encarando o livro.

Ela costumava ler para seu irmão sempre. Na Arca, havia uma biblioteca cheia de livros antigos, todos dentro de vitrines sem oxigênio para que as folhas se degradassem muito lentamente, por isso era proibido ficar com algum deles fora da vitrine por muito tempo e mais ainda levá-los para fora do local. Como ela sempre ia até o lugar, não demorou para que descobrisse um jeito de sair sem que fosse descoberta e aquele livro se tornara uma obrigação diária dos irmãos, antes de irem dormir.

— Tem algo que eu não faço há muito tempo e quero fazer de novo — falou de repente, virando-se para o irmão.

— O que? — perguntou ele, curioso.

Caterine apenas sorriu de uma orelha a outra, maliciosamente.


Adam teve a sensação de nascer pela segunda vez ao finalmente acordar. Seus pulmões se encheram de uma só vez e seus olhos esbugalharam-se como se tivesse visto seu pior pesadelo bem em sua frente. O desespero começou dominar todo seu corpo e olhou para todas direções possíveis, sentindo-se num caixão, começou mover os braços com dificuldade pelo que estava em cima dele, ao seu redor, e quando finalmente conseguiu tatear aquelas coisas, descobriu o que eram. Cadáveres. Olhou para o seu lado esquerdo e viu o homem que estava lhe enforcando, olhou para o direito e viu um outro homem, e ao olhar bem o que havia em cima dele próprio, encontrou uma mulher grávida, com a cabeça estourada por uma marretada. Soltou um grito de horror e começou cavar entre os corpos, tentando levantar-se e sair daquela pilha. Demorou um pouco e até sair seu coração estava disparado como nunca, sentiu-se sufocado como se estivesse afogando-se, mas quando finalmente conseguiu sair da pilha, por um de seus cantos, pôde inalar o mundo exterior novamente. Mas não aproveitou aquilo, sua visão estava turva e sua cabeça explodindo, estava mais perdido e aterrorizado que nunca. Arrastou-se para longe da pilha, desesperado, e ao olhar em volta, deparou-se com mais cadáveres espalhados. A grande maioria eram mulheres, crianças e jovens. Todos descalços, o próprio Adam também se tivesse parado para reparar. A atenção de Hunt foi focada logo nas crianças e jovens que conhecia, os tantos que agora estavam caidos na grama, mortos. Seu coração parecia prestes a saltar de sua boca e ele não conseguia controlar a respiração, estava tendo uma ataque de pânico, um desespero tão agoniante que sentiu vontade de chorar, mas também não conseguia. Virou-se e tentou sair dali desesperado, tropeçando e caindo muitas vezes pela perna ferida, soltando gemidos de desespero, tentava pedir por ajuda, mas não conseguia. Escutava o som das patas dos cavalos em volta dele, os gritos dos adolescentes que brigara, das pessoas que mal tratara e agora estavam todas mortas, dos desconhecidos que atacaram sem remorso algum. Tudo parecia estar bem atrás dele, esperando que ele se virasse para levá-lo de volta a pilha de cadáveres, dessa vez sem vida.

Ao finalmente chegar nas árvores da floresta e sair da clareira, Adam caiu de costas no chão e começou a respirar com mais calma, sentindo o coração desacelerar. Escutou algumas vozes e quando abriu os olhos, viu um homem e um menino em pé ao seu lado, nem teve tempo de reagir, pois o pé do homem logo acertou seu rosto, desacordando-o mais uma vez.


As vezes, Alice tinha a impressão de apenas seu corpo ter escapado da vila dos canibais, enquanto sua alma ainda estava por lá, em volta de uma piscina de sangue e merda. Desde que havia chegado no acampamento, encontrava-se, regularmente, olhando o nada, distraída, perdida em seus pensamentos, nas poucas boas memórias que tinha. E isso tinha chamado atenção de Alana, uma das psicologas da Arca. Caterine teve a liberdade de fazer o que bem entender, mas para Alice era diferente. Seu crime era assassinato, por isso era obrigada a ir todo dia em Alana, ver como estava seu estado mental. Tinha contado uma versão bem resumida do que acontecera com ela desde que pusera os pés na Terra e por isso o Conselho teve a humanidade de deixá-la vagar pela estação, acompanhada de um guarda.

Para o Conselho e a mulher, a garota tinha sido raptada junto com outros adolescentes, que morreram todos antes dela, que escapou por sorte, quando os guardas esqueceram de trancar a porta da cabana que estava presa. Para ela, lembrava-se de cada detalhe, de cada sofrimento, de cada humilhação, de cada pessoa que poupou ou simplesmente matou. Das crianças fugindo, gritando de dor, enquanto o fogo as consumiam. E nunca percebia, que ao lembrar-se daquilo, sempre acabava sorrindo involuntariamente, como fizera naquela noite.

— Você está bem, Alice? — perguntou Alana.

A garota virou-se para mulher e deu um meio sorriso, o mais sincero que conseguiu dar.

— Estou, Alana. Melhorando a cada dia que passa. — Mentira, as duas sabiam.

A estação caída projetava-se de forma poderosa para todo campo em volta dela, em sua volta haviam cercas improvisadas e um portão feito de algum setor da Arca. Tinham várias barracas naquele espaço exterior, algumas plantações que começaram a dar frutos recentemente e pela cerca, pôde ver vários túmulos também, no lado de fora. Alice estava encostada num pedaço de madeira qualquer, que servia como poste, aproveitava a brisa suave, cheirosa e um pouco quente dali de fora, de olhos fechados e tentando evitar qualquer pensamento ruim. Mas tudo que lhe vinha em mente era Peter e a possibilidade de estar vivo, inteiro se realmente não fossem canibais. Queria encontrá-lo e salvá-lo o mais rápido possível.

Abriu os olhos ao escutar inúmeras risadas de crianças, elas que brincavam por ali, um pouco distante dela, brigando com alguns gravetos na mão como se fossem espadas. Cada risada era um arrepio nela, cada risada trazia medo e terror nela. Ergueu-se apoiada no poste, respirando fundo, tentando se acalmar, mas as crianças continuavam rindo. Fechou os olhos e foi como se tivesse abrido outros, pois via as malditas crianças rindo, acertando-a com varadas, jogando bosta e pedras nela, e rindo, e rindo. E rindo. Colocou as mãos nos ouvidos para tampá-los, mas ainda as escutava, parecia que mais alto.

— Por favor, para, por favor — implorava em voz baixa, quase chorando, mas não paravam e só parecia aumentar. — Calem a boca, porra! Calem a boca! Calem a boca!

Todas pessoas ali olharam para ela assustadas, as crianças mais ainda. Alice tirou as mãos dos ouvidos e abriu os olhos, ignorou os olhares e fugiu dali correndo, empurrando o guarda para longe. Só parou quando chegou na cantina, onde encontrou Caterine e seu irmão disputando quem comia mais rápido, com várias bandejas cheias de comida em frente aos dois. Enfiavam as colheres cheias na boca e bebiam água desesperadamente para ajudar descer. Caterine parecia outra pessoa ao lado de seu irmão, quando a conhecera era séria e de certa forma mal humorada, com o passar do tempo abrira-se mais um pouco, mas agora estava completamente feliz ao lado de seu irmão, tão feliz, sorridente, brincalhona, animada e carimástica que chegava impressionar um pouco Alice.
Ficou observando-os de longe, em pé no meio das mesas, triste. Queria ter um irmão também, alguém para ficar e fazê-la feliz, mas estava sozinha. Seu irmão era Peter e até mesmo seu amigo Thomas com quem fizera amizade também, mas ambos estavam sumidos e não fazia ideia onde.

— Alice, vem cá! — gritou Caterine, sorrindo, ao finalmente vê-la, acenando com a mão.

Alice acordou e olhou para garota acenando com o braço, viu o irmãozinho dela acenando também, não pensou duas vezes e foi correndo para mesa.

— Perdeu, otária — falou o irmão de Caterine enfiando várias colheres na boca e continuando a comer enquanto a irmã continuou acenando pra Alice.

Caterine ficou furiosa com aquilo e começou a encher a boca novamente, e Alice que sentou-se com eles, adorou observar aquilo, sentiu-se alegre e distraída, de forma boa pela primeira vez. E não demorou para que entrasse na competição também.


Tyler estava ansioso, não parava quieto onde estava sentado, queria que o sol nascesse logo e pudesse sair da caverna que tinham encontrado, a chuva que estava caindo lá fora era leve, mas os ventos fortes compensavam. Estava de noite, então o frio era bastante e por mais que os ventos batessem nas chamas da pequena fogueira, ela nunca apagava. Dançava na brisa, parecia prestes a apagar, mas nunca morria. E isso era agoniante para ele, queria agir, queria partir, queria fazer algo que não fosse ficar sentado. Durante o ataque e pelo resto do dia, ele tinha se culpado e colocado um peso gigantesco nas suas costas. A verdade era que nunca quisera ser líder, tampouco tinha gosto ou jeito para aquilo, era bom sim em organizar as coisas, conversar e convencer as pessoas, afinal vivera disso na Arca por um tempo, mas ter dezenas de vidas em seus ombros, precisar ser um herói e um exemplo para eles, a âncora de segurança, não era para ele. Mas mesmo assim, criara um sentimento com todas aquelas crianças e jovens, tinha sobrevivido as piores coisas de sua vida ao lado delas, ajudando-as e eles o ajudando. Eram como amigos para ele, mesmo os que pouco conhecia. E não podia esconder ou apagar a dor de ver tantos deles mortos, mas também não podia ignorar o fato de tantas terem sido levadas pelos desconhecidos. Se fosse para serem mortas, estariam no campo e não no colo de um cavalo, por isso, todo sentimento de que Jeremy estava certo sumira. Ele tinha esperança e continuaria com esperança, encontraria aqueles adolescentes e os salvaria, então, depois disso, afastaria-se completamente de qualquer cargo que pudessem querer dar à ele.

— Algum de vocês viram a Caterine na confusão? — questionou Pietro, cutucando a lenha com um graveto.

— Vi ela no começo, mas depois, não — respondeu Tyler. Percebeu que não a vira sendo uma das que tinham levado e com toda certeza Adam não fora levado também, suspirou internamente, rezando para que estivessem vivos... pensar na morte da garota era triste, sentia tristeza até mesmo de imaginar Adam morto. Também esperava que os gêmeos estivessem vivos, eram jovens demais para terem morrido de forma tão terrível. Doía imediatamente pensar naquelas crianças, mas colocava na cabeça logo em seguida que não os vira entre os cadáveres, então a chance de estarem vivos em algum lugar era bem maior do que a de estarem mortos.

Jeremy continuou mudo, como estava desde que tinha tomado o tapa na clareira.

— Será que ela está viva?

— Cara, mesmo que ela esteja, pelo que eu vi ela claramente não quer que você esteja — retrucou Tyler, sem paciência. Tinha esperanças, mas o estresse continuava. — Então, larga dela e se preocupa com outra coisa.

Pietro nem se deu ao trabalho de responder, não estava com saco para aquilo naquele momento. Mas continuava pensando na garota, queria consertar as coisas com ela. Sentia algo por ela e acima de tudo queria tê-la de volta.

O resto da noite passaram em silêncio, até que chegado a manhã, saíram da caverna, voltando a caminhar, em busca da Arca como originalmente pretendiam. O problema era que estavam perdidos e Jeremy pouco ajudava, do jeito que estava.


Peter tinha acordado muitas vezes no caminho para sabe-se lá onde, mas só pôde ver algo mesmo, ao tirarem o saco de sua cabeça, ao acordar num grande quarto, grande suficiente para caber ele e outros vinte e seis adolescentes. Parecia um fim de mundo, as paredes estavam descascadas e muito velhas a ponto de terem buracos, o chão estava coberto de poeira e sujeira, nos cantos das paredes haviam diversos entulhos de madeira e coisas assim. Tinham portas duplas para sair do local e na direção contrária uma janela que dava a uma visão que chocou todos eles, uma cidade viva e bem movimentada, cercada por uma floresta. Nada moderno e sim medieval, mas mesmo assim admirável por tão pouco que Peter e o resto tinham visto até aquele ponto. Era impossível ver os detalhes da cidade, pois pareciam estar num tipo de torre, num andar bem alto. As únicas saídas eram aquelas: as portas trancadas e a varanda que dava para cidade, que só serviria de saída se fosse direto para o inferno.

Tentaram arrombar as portas e elas foram abertas rapidamente por vários guardas que entraram com lanças e espadas, vestidos de couro e trapos. Jogaram frutas e carne no chão, pouco importando-se com a sujeira. Jarros de água foram deixados ao lado da porta, antes de a fecharem. Carne era algo estranho para os jovens da Arca, acostumados com comida feita nas estações e plantações, a carne que comiam no espaço era tão falsa quando o oxigênio e a gravidade que tentavam simular da Terra e falharam miseravelmente. Quando foram obrigados a comer carne, ao chegarem na Terra, todos passaram mal, forçando-se a comer aquilo e muitos vomitaram. Peter foi um deles.

Todos seguraram a vontade de ir ao banheiro o máximo que podiam, mas quem não conseguira, foram num tipo de quarto que havia num canto do "salão" onde estavam, tendo que prender a respiração e fazer ali mesmo, em algum canto.

Nos dias seguintes, vieram menos guardas para trazer os alimentos. Eram dois guardas trazendo a comida, ambos armados, enquanto mais os esperavam fora do salão, de olho em todos adolescentes.
Era a oportunidade que precisavam.


Aproveitariam-se de uma daquelas entregas de comida para escaparem dali. Os vinte e sete adolescentes, contando com Peter, se espalhariam em grupos e pelo menos um dos grupos chegaria ao exterior, fugiria pela cidade, voltaria para floresta e encontraria a Arca, pediria ajuda para que o restante fosse salvo também. Era esse o plano.

Peter e o restante estavam sentados, guardavam armas improvisadas debaixo das pernas. Pegaram pedaços de madeira que transformaram em pequenas estacas, tinha também canos, pedras e barras de ferro. Tudo que poderia ser usado para machucar ou desacordar. Não matar, isso Peter tinha pedido que não fizesse, ele não queria matar ninguém ali, não queria sujar suas mãos de sangue novamente.

— Estou com medo, Peter — disse Lily, tremendo ao seu lado.

Peter sorriu, agarrou as mãos dela e as apertou com carinho.

— Não se preocupe, vai dar tudo certo, okay?

— Eu também estou, Peter — disse Thomas numa voz chorosa, se agarrando em Peter.

— Vai se foder — respondeu Peter, empurrando o amigo rindo para longe.

— Eu também — disse Norman, um rapaz com cerca de quinze anos, de cabelo liso e bagunçado que lhe dava uma aparência um tanto quanto descuidada, com olhos muito juntos que não o agradavam e, aparentemente, outras pessoas também não.

— Eu também — ecoou Izzie.

— Porra, gente, desse jeito vamos morrer — reclamou Peter.

— Vamos morrer? — exclamou surpreso um outro adolescente.

— Provavelmente — admitiu Peter, com sinceridade.

Thomas lançou um olhar de desaprovação para Peter.

— Obviamente eu estava brincando, cara — falou, animando o rapaz. — Eu daria 70% de chances de morrermos, mas 30% de chances de sobrevivermos! — falou, desanimando o rapaz.

Thomas colocou a mão na testa e suspirou.

— 60%? — Virou-se para Lily esperando que daquela vez funcionasse, mas ela deixou claro que não balançando a cabeça negativamente. — Ah, eu tenho cara de Caterine e Tyler? Não sei fazer discurso, não sou líder.

Por mais que tivesse dito aquilo, era exatamente o trabalho que Peter fizera desde que acordaram. Acalmou os jovens, fez piadas para que se alegrassem, tentou animar o clima, ajudou quem estava com muito medo, deu sua própria comida e bebida para quem estava ferido ou fraco demais. Peter estava cuidado muito bem daqueles sobreviventes há dias.


Foram horas até que as portas se abrissem e os guardas entrassem. Eram dois como de costume carregando as comidas, enquanto três ficavam a espera na entrada. A grande maioria dos adolescentes estavam sentados, conversando entre si, para disfarçar, mas havia alguns em pé também, estes para que pudessem alcançar as portas antes de serem trancadas. O ataque quase não começou, pois Peter estava muito nervoso também, mas tinha que fazer aquilo, precisavam arrumar alguma maneira de escaparem dali e a única oportunidade seria aquela, então reuniu toda coragem que tinha e começou.

— Agora! — gritou Peter, com uma barra de ferro, acertando um golpe na perna do soldado mais próximo.

Os adolescentes em pé serviram ao seu propósito, alcançaram as portas e os guardas nelas, começando brigar com eles, sendo derrotados poucos instantes depois. Um deles foi perfurado por uma lança, caindo de joelhos no chão, com a morte cravada em seu destino. Isso enfureceu os jovens. Peter gritou para que não fizessem, mas uma barra de ferro desceu na cabeça do homem que ele tinha acabado de atacar, esmagando seu crânio e matando-o na hora. O outro que tentara escapar foi acertado na perna e perfurado por várias estacas de madeira, antes de receber uma barra de ferro na cabeça também. O rapaz de cabelos prateados, que já estava perdendo a cor e voltando ao loiro, observou aquilo sem reação, chocado. E, mesmo que não fosse exatamente sua mão a suja de sangue, sentiu o peso da morte dos homens de qualquer maneira.

Os dois outros guardas da entrada tiveram reações diferentes, um foi esperto e fugiu dali, o outro tentou trancar as portas, mas foi engolido pelos adolescentes e morreu tão rápido quanto os outros. Naquele ponto, Peter já tinha notado que era inútil tentar impedi-los. O massacre no acampamento tinha se tornado algo comum para aqueles jovens, matar era algo diário, bobo, sem peso. Talvez Peter fosse o único que não quisesse.

Mas ele não teve tempo para perder lamentando-se, deixaria aquela dor para depois, agora que já tinham completado metade do plano, tinham de fugir da torre. Então, dividiram-se em grupos e espalharam-se pelos corredores. A aparência não era tão diferente do salão, tudo ali tinha semelhança com as casas abandonadas e assombradas dos livros de terror da Arca, mesmo com toda iluminação por velas em cima de pequenas plataformas de madeira fincadas na parede e a própria luz do sol.

O grupo de Peter basicamente era ele, Lily, Thomas, Norman e Izzie. Não demorou para que todo o lugar fosse alertado do que fizeram e vários guardas se espalhassem pelo andar, buscando-os. O primeiro pego foi Norman que tropeçou e o segundo foi Izzie que separou-se deles.

Viram algumas pessoas fugirem ao os verem chegando, já outras nem mesmo se moviam. Eram pessoas sujas com roupas surradas, com cabelos bagunçados e os rostos tristes, todos eles carregavam algemas, tanto nos pulsos quanto nos tornozelos, tinham correntes largas que facilitavam o movimento, mas ainda assim era limitado. Peter viu quatro deles, dois homens, uma mulher e uma criança. Sua corrida chegou diminuir ao ver a criança olhando-o como se estivesse implorando para que a ajudasse escapar. A garotinha tinha os beiços feridos e um olho um pouco inchado, e tinha os olhos mais tristes que Peter vira na vida. Eram escravos, sabia.

— Vamos, Peter — chamou Lily, puxando-lhe pelo braço para que continuassem a correr.

A perna de Peter ainda estava sarando, por isso ele corria sentindo dor e com dificuldades.

Continuaram até que Thomas não aguentou mais e travou. Desde o começo do ataque, ele não tinha atacado ninguém, por medo, coisa que deu oportunidade do outro guarda atacar Peter que desviou da espada por pouco. Estava mais correndo pelos amigos do que por si mesmo, pois se fosse por ele pararia nos primeiros passos, de tanto medo. Conforme foram cercados e mais guardas apareciam, mais medo tinha de prosseguir e menos esperança de conseguir escapar, até que finalmente travou.
— Que porra, Thomas? — exclamou Peter ao perceber o amigo parando de repente.

— Eu não consigo — falou Thomas, triste e culpado.

— Você consegue. Qual é, cara, eles vão nos alcançar!

Thomas apenas olhou pra baixo e aquilo foi a resposta definitiva para Peter.

— Precisamos continuar, Peter! — pediu Lily, puxando-lhe pelo braço.

Mas já era tarde demais, naquele tempo perdido, tinham alcançado o trio e tudo que puderam fazer foi erguer os braços, demonstrando estarem rendidos.


O trio foi jogado de joelhos em outro salão, menor do que o primeiro, mas muito mais bonito e enfeitado. Bem no fundo tinham grandes janelas, uma em cada lado do que devia ser uma porta dupla sem as portas, que dava uma visão bem clara para floresta lá muito embaixo e a cidade que não puderam enxergar direito. Alguns passos em frente à eles, havia uma mesa com algumas cadeiras e pessoas nelas. Todos bem vestidos, se estivessem na Idade Média, seriam nobres, chutou Peter.

Virou os olhos para Thomas que estava de cabeça baixa, muito triste e decepcionado com si mesmo, mas por mais que estivesse chateado com o amigo, não podia culpá-lo. Thomas nunca brigara na vida, mesmo nos piores momentos na Terra, ele estava fora da carnificina. Suspirou, já era tarde demais, chorar pelo leite derramado não serviria de nada, só rezava para que algum grupo tivesse escapado.

Observou o grupo na mesa, notando que a principal entre eles era uma mulher bonita com algumas cicatrizes no rosto, todos pareciam se dirigir à ela e respeitá-la. Outra pessoa que chamou-lhe atenção foi uma garota ao lado da mulher, silenciosa e observando-os também. Trocaram um olhar de alguns segundos, ela parecia enxergar através de sua alma, algo que o fez desviar os olhos. E quanto mais conversavam e lançavam olhares para eles, alguns ali que pareciam bem irritados, mais aquilo o enfurecia. Aprisionaram uma parte de seus amigos, mataram uma parte muito maior. Seus principais amigos não tinha nem noção se estavam vivos, e rezava para que estivessem. Sua melhor amiga fora morta por um povo que acreditava fazer parte daquele, mesmo que aquele fosse diferente dos canibais. E agora falavam, provavelmente, sobre eles numa calma e serenidade, como se fossem objetos.

— Isso, continuem conversando, seus filhos da puta. Vocês são um monte de esterco, que espero um dia poder matar todos. Vão se foder, seus arrombados.

Alguns deles olharam para ele.

— Sua mãe devia ser um tolete de bosta pra sair um cara feio que nem você — disse Peter encarando um dos homens na mesa que fechou o rosto ao escutar aquilo. — Vai tomar no cu.

— Peter — chamou Lily.

— Vocês todos são uns merdas, seus filhos da puta! — gritou Peter.

— Peter — chamou Lily novamente, percebendo algo.

— Vão se foder! E você também sua piranha do caralho, eu espero que você seja fodida por todos seus guardas, sua vagabunda do caralho!

— Você sabe que podemos te entender, não é? — questionou a mulher que notara, com um sorriso maroto.

Peter ficou sem reação, Thomas ficou surpreso e Lily engoliu em seco.

— É... — falou Peter, tentando pensar em algo para dizer. — Desculpa, gente.


— Você tá bem? — perguntou Caterine para Alice.

Ambas estavam sentadas num canto da parede, em frente ao sala de reunião do Conselho, esperando que as chamasse.

— Sim — respondeu Alice, hesitando por alguns segundos novamente. — E você?

Caterine parou para pensar, mas no final disse que estava bem também e ficaram em silêncio até que os chamassem para dentro. Contou sobre tudo que aconteceu no campo e sua teoria, esperando que enviassem um grupo de soldados em busca dos amigos no mesmo momento, mas infelizmente não foi como esperado.

— Por mais que eu goste da ideia de seus amigos estarem vivos, eu não posso mandar nenhum de nossos guardas para fora desse acampamento — disse Chanceler Bryan.

— Então nos deixe ir! — pediu Alice. — Nos dê armas e nos deixe ir atrás deles!

O velho e gordo Leon riu do pedido.

— Nós? Dar armas à vocês? — zombou.

Alice dirigiu um olhar furioso à ele. Estava mais irritada com o pai do que com o velho gordo, aquele maldito além de roubar sua infância e adolescência, roubar a felicidade de sua mãe, tinha roubado a imagem de Alice também, ao obrigá-la a matá-lo. Ninguém naquele maldito lugar confiaria a ela um simples garfo.

— Sua amiga não parece muito afim de sair desse acampamento — observou ele, apontando para Caterine que estava quieta.

— Ela está! — afirmou Alice. Virou-se para Caterine quando a mesma não a apoiou. — Você está, não é?

— No mês que vocês passaram fora, recebemos muitos ataques pela floresta. Semana retrasada, enviamos um grupo com vários guardas e no dia seguinte que saíram, suas cabeças estavam nos portões. O único motivo de terem encontrado Caterine, foi porque ela chegou no perímetro que os guardas estavam checando. Não podemos deixar nem nossos homens, nem vocês saírem, exatamente para que sobrevivam. Foi por isso que atiramos os fogos de artifício, pelo perigo de sair desse acampamento — explicou Lauren, a preocupação em sua voz era notável. — Você acabou de ter seu irmão de volta, Caterine, não desperdice isso. Nem você Alice, vocês duas estão livres das grades agora, estão livres de qualquer perigo também. Não corram de volta para ele.

Chanceler Bryan notou o desespero das garotas e disse:

— Prometo que quando tivermos a oportunidade e a segurança para enviar um grupo, faremos isso no mesmo instante.

Alice vendo que não conseguiria tirar mais nada dali, saiu do salão chutando as portas, enquanto Caterine apenas acenou com a cabeça lentamente e saiu dali de forma mais sútil.

— Alice, calma! — chamou a garota ao chegar no corredor que ela já saia, bem distante.

— Vai se foder, sua piranha traidora! — gritou a garota, enfurecida, dando o dedo do meio, antes de sumir dali.

Toda determinação que tinha de ir atrás dos seus amigos tinha ido ralo a baixo ao ter a chance de viver novamente com seu irmão, de brincar e rir com ele, de sentir-se feliz e completa de novo. Mas o sentimento era agridoce. Cada dia que passava com ele, a fazia sentir mais vergonha e culpa de simplesmente estar ignorando seus amigos. E não era só aquilo. As vezes o irmão a fazia rir tanto, que em meios as risadas, ela soltava soluços de quem estava pronto para chorar, disfarçando-os rapidamente para o menino não notar.

Mas o que a lhe perturbava de verdade, era nunca ter dado importância para o massacre que participara, para o tanto de sangue que derramara. Nunca tinha dado importância até reencontrar seu irmão e sua vida antiga. Naquele momento, ela notou que sua vida poderia continuar como a antiga, mas ela não era mais a mesma. Nunca seria.


Estava de volta no campo, cercado de crianças e adolescentes, os jovens prisioneiros da Arca que o acompanharam durante aquele mês na Terra, todos sendo mortos, todos lhe sujando do próprio sangue que espirrava das feridas, até mesmo quem estava distante, as tripas que saiam deles iam em sua direção, o sujava também. Adam queria gritar, mas não conseguia. Queria pedir ajudar, mas não tinha ninguém. Estava sozinho, e aquilo o estava sufocando. Então, encontrou-se cercado por todos lados pelos homens em cavalo que aproximaram-se e ficaram as espadas nele.

Acordou berrando, assustando as crianças que correram para fora do quarto com os gravetos nas mãos, que cutucavam no rapaz dormindo. Respirava desesperadamente com a mão no peito, com uma grande vontade de chorar. Virou-se para ver onde estava e encontrou-se num quarto modesto, feito de madeira, cipos e outras coisas que formavam aquilo. Estava deitado numa cama, um móvel velho, mesmo que confortável, como todos outros no quarto. Tinha um tapete vermelho que era apenas um pano largo e cheio de furos no chão.

Tentou levantar-se da cama, mas foi impedido por uma mulher de vestido surrado que o empurrou de volta para ela, que tinha chegado rindo ao ver as crianças correndo, desesperadas. Trazia um balde de água com um pano dentro e na mão um pote com um tipo de pasta esverdeada. Possuía cabelos castanhos e não era muito alta, mas era tão imponente quanto homens robustos — que em sua maioria, desejavam-na. Sua expressão calma e séria, assim como seus movimentos, lhe davam um ar de sabedoria.

— Tira a mão de mim, porra! — empurrou-a para longe quando ela tentou mexer em sua perna.

— Calma, não se levanta, sua perna vai piorar — pediu ela.

Toda raiva e suspeita de Adam foram trocados por surpresa e curiosidade.

— Você fala minha língua? — questionou ele.

— Muitos de nós falamos a língua de vocês, Skaikru — respondeu ela num tom sério. — Posso olhar sua perna agora?

— Não.

A mulher suspirou e sentou no chão, ao lado da cama.

— Você é uma canibal?

Ela pareceu não entender a palavra.

— Pessoa que come as outras. Vários do seu povo nos atacaram.

Ela riu e olhou para trás, coisa que Adam fez também, vendo as crianças todas com a cabeça para fora duma parede que devia ser o corredor, observando-o com medo.

— Não, Skaikru, não somos. Eles são pessoas ruins que moram há uma certa distância de nós. Treikru. Nós somos Triku. E meu nome é Teya, caso queira saber.

Adam não entendeu nada do que ela tinha explicado, mas sua cabeça estava dolorida e cheia demais para se atentar aquilo agora.

— Onde eu estou?

— Você está na minha casa, aos meus cuidados, na minha vila. Sou a curandeira, então vou te perguntar uma última vez, posso olhar sua perna?

Adam ficou emburrado por alguns segundos, mas cedeu, deixando-a mexer em sua perna. Estava confuso, perdido e desconfiado, não sabia o que fazer e o que não fazer ali. Parecia estar num daqueles momentos que bebia até quase ter alucinações. Só restou observá-la desamarrando o pano onde sua perna estava machucada, limpando o ferimento com outro pano, umedecido pela água do balde, de forma bem cuidadosa, então passando a pasta que ardeu um pouco tirando um gemido de dor dele, mas logo passou e ela enrolou outro pano ali.

— Você vai melhorar mais rápido se não tentar levantar e sair correndo daqui — explicou ela, sorrindo.

Teya, seus cuidados e seu sorriso o lembrava Lauren, a médica chefe da Arca, organizadora da estação médica e membro do Conselho. A mulher que era quase uma segunda mãe para ele de tanto que cuidou dele na ausência da mãe real e após a morte do pai, mas nunca a dissera aquilo, não dizia nada que sentia para ninguém.

— Tudo bem?

Adam ignorou a pergunta da mulher e olhou em volta, analisando o quarto e pensando em tudo que vivera na Terra desde que tinham caído ali, o quanto diferenciava-se dos contos e imagens.

— Muita coisa mudou aqui em cem anos... — murmurou para si mesmo.

Teya que conseguiu escutar, ergueu uma sobrancelha.

— Cem anos?

— Sim, mulher, cem anos desde que a Terra foi destruída e milhões de pessoas morreram.

— Você está falando de Praimfaya? — questionou ela. Era assim que o povo dela chamava.

— Praimfaya?

— A guerra que acabou com o Antigo Mundo.

— Sim, disso que to falando.

Teya cuspiu no chão e riu.

— Qual a graça? — questionou Adam, preferindo ignorar a mulher cuspindo.

— A graça é que Praimfaya aconteceu há mais de trezentos anos, menino. Não cem.


O trio estava caminhando desde que o sol tinha aparecido e começaram pensar que estavam perdidos ao nunca chegarem na Arca, foi um longo tempo até que algo acontecesse. Escutaram vozes, esconderam-se atrás das árvores e viram um grande grupo de pessoas aproximando-se. Jeremy reconheceu a que vinha em frente logo de primeira, era seu tio Sebastian Ward, um dos membros do Conselho. Tyler e Pietro que notaram que eram pessoas da Arca saíram de Jeremy das árvores e aproximaram-se do grupo que teve como primeira reação levantar as armas na direção deles, gritando para se renderem.

— Somos da Arca! Meu nome é Tyler O'Neil Sullivan! — berrou Tyler, erguendo os braços.

— Eu também, sou um guarda! — gritou Pietro.

Jeremy não moveu os braços. Foi ele quem os olhos de Sebastian fixaram-se primeiro. Ele tinha mudado muito desde que fora enviado a Terra, mas Ward conhecia o sobrinho e mesmo com dificuldade, o reconheceu.

— Jeremy? — perguntou o homem, abaixando a arma e aproximando-se.

Como resposta, o sobrinho de Ward apenas acenou com a cabeça. Ao ser abraçado, não devolveu o gesto e ficou parado, agoniado com aquele contato e ansioso para que acabasse logo.

— Como você...? — Sebastian nem mesmo conseguiu terminar a pergunta, ele nem sabia onde começar para entender o que tinha se passado com o sobrinho, pensou que o rapaz tinha morrido junto com os cem. Mas, por algum motivo, resolveu colocar como prioridade algo triste. — Seu pai... ele não sobreviveu a queda da Arca.

— Oh... — Foi tudo que Jeremy conseguiu falar naquele momento, não conseguiu ter uma reação. Mas a dor foi sentida, de forma confusa, mas tinha sido sentida. — E meu irmão?

— Não sei, provavelmente na estação Alfa.

Tyler olhou para o grupo de pessoas e era um bom número, bem grande.

— Para onde vocês estão indo? — perguntou, curioso.

— Para o mesmo lugar que vocês, provavelmente — respondeu Sebastian. — A Arca. Vimos os fogos de artifício também.

Sebastian olhou bem para o rapaz e pensou no nome que ele tinha gritado ao apresentar-se, então lembrou-se dele, o rapaz que tinha invadido a sala de controle da prisão para botar uma música.

— Você conhece algum Todd Ward? É meu filho — perguntou ele, preocupado e esperançoso.

— Morto... por terráqueos. — Tyler demorou para responder, pensando no que dizer, resolvendo mentir para evitar qualquer problema a Peter se voltassem a vê-lo.

O homem teve toda esperança destruída e seu rosto tornou-se tão desolado que até mesmo Tyler sentiu um pouco de pena.


Caterine não conseguia dormir desde o dia que chegara na Arca, não importava o quanto tentasse, então apenas andava pelos corredores da Arca, de noite, perambulando e esperando que o tempo passasse mais rápido que ela esperava. Estava perdida em seus pensamentos, quando começou escutar vozes, estas que a fizeram ficar em alerta no mesmo momento, olhando para todos lados, preocupada. Era seu trauma. Não conseguia ficar mais de guarda baixa em nenhum lugar, nem mesmo com seu irmão no meio da cantina, sempre esperava algum ataque ou alguém aparecendo pelas suas costas, tentando acertar uma maça em sua cabeça.

Apenas ignorou e continuou andando, surpreendendo-se ao encontrar Alice com o rosto enfiado nas pernas, ao lado da porta de seu quarto.

— Tudo bem, Alice? — perguntou Caterine, preocupado, agachando-se ao lado da garota.
Alice ergueu o rosto e mostrou os olhos lacrimejados.

— Eu posso confiar em você? — perguntou ela, mas não deixou Caterine responder, continuando: — Eu não estou bem, Caterine. Eu não estou bem. — E começou chorar, jogando-se no peito de Caterine que a abraçou com carinho. — Eu não estou bem. Eu não estou bem.

Por muitos dias, Alice tinha mentido para todos que perguntavam se ela estava bem, ao ponto de mentir para si mesma. Mas ela nunca esteve pior. E tudo que queria era alguém para ajudá-la, mas não tinha ninguém, ninguém em quem se apoiar, se não a si mesma.

Caterine a levou para dentro do quarto, agradecendo seu irmão por ter um sono pesado, fechou a porta do banheiro e ficou em frente a Alice que não tirava os olhos do chão. A garota queria tomar banho, mas precisava da ajuda de Caterine por algum motivo. Seu último banho fora no dia que chegara na Arca, um que durou apenas alguns minutos.

Começou ajudá-la a tirar as roupas e a cada peça tirada, a garota começava chorar com mais intensidade, até ficar apenas com as roupas intimas. Caterine ficou chocada ao ver tantas cicatrizes nas costas da garota, tantas marcas roxas por todo corpo dela. Tinha um espelho bem em frente as duas garotas e por isso Alice estava de olhos fechados.

— Eu não consigo me ver assim, eu não consigo — explicou muito triste, chorando.

Alice sentia nojo e vergonha de seu corpo, toda vez que o olhava lembrava-se de todos o olhando, seus defeitos e qualidades, arremessando coisas nele, rindo dela, zombando dela, batendo nela. Olhá-lo, trazia toda essa sensação novamente.

Caterine que sabia apenas a versão mentirosa da história, ficara chocada ao ver aquilo e tão triste quanto, sentindo muita pena de Alice.

— Eu não consigo olhar pra ele e doi.. doi quando eu lavo...

A ruiva apenas ajudou Alice caminhar para dentro do chuveiro, tirou suas roupas intimas e começou lavá-la, com muito cuidado e carinho, pouco importando-se da intimidade gigante que precisavam ter ali. Alice continuava chorando com as mãos tampando os olhos, com vergonha do corpo e com vergonha do que estava pedindo para Caterine fazer. Quando não aguentou mais, sentou no chão do box e continuou a chorar, enquanto Caterine abaixou-se e colocou a mão em seu ombro.

— Eu quero minha mãe, eu quero minha mãe. — Repetia, chorando mais alto ainda, agarrando-se em Caterine que a abraçou com muita força, colocando a cabeça dela em seu peito e fazendo carinho em seu cabelo.

— Eu também, Alice, eu também...


Na manhã seguinte, acordaram deitadas no chão, cada uma com um travesseiro e um cobertor sobre elas. O cobertor viera de Brandon que acordara no meio da noite para ir no banheiro. Quando acordaram, os três foram tomar café da manhã, depois Brandon voltou para o quarto e as duas foram fazer algo importante para Alice que estava vestida com algumas roupas de Caterine.

— Você vai conseguir, Alice — incentivou Caterine, ao lado da garota.

Estavam em frente ao quarto onde Alice e seus pais viveram.

— Vou? — perguntou Alice, mais para si do que para Caterine, soltando uma risada morta.

Caterine agarrou uma das mãos de Alice e apertou-a com força, mostrando que a apoiaria e entraria no quarto com ela. Alice apenas deu um sorriso pequeno pra ela, respirou fundo e abriu a porta, entrando junto com a amiga ali. E foi como um sopro de nostalgia em seu rosto, uma nostalgia triste com momentos felizes, mas apesar de tudo, o medo de que entrar ali a destruiria, acabou não acontecendo. Ficaram ali alguns minutos, de mãos dadas, até que Alice foi em direção a cama e se sentou nela, com Caterine ao seu lado, ficando ambas em silêncio por muito tempo.

Então, pela primeira vez em sua vida, Alice começou desabafar sobre o que sofrera durante toda ela. Sobre seu pai, sobre sua mãe e sobre o que aconteceu na vila dos canibais. E Caterine ouviu com toda atenção do mundo, apertando a mão da garota com mais força quando ela terminou.

Não disseram mais nada depois daquilo, não tinha nada a dizer. O pequeno sorriso formado no rosto de Alice era suficiente, era como se tivesse tirado um grande peso de suas costas.


Dias depois, uma grande quantidade de pessoas chegou à Estação Alfa onde Caterine e Alice estavam. Ficaram no meio das pessoas que saíram para ver, no acampamento. E entre tantas pessoas das quais chegavam, viram Tyler e Pietro.

S02E02 - New New New New New New New New New:

Spoiler:

Então, gente, a fic voltou.

Essa temporada vai ser maior que a primeira, vai ter 13 capítulos. Obviamente, vai ter mais conteúdo como a apresentação da cultura grounder (eu vou mudar/adicionar muito, aliás), que nesse caso vou tentar introduzir e apresentar tudo no decorrer dos capítulos, mas o que não der, eu digo em off mesmo e foda-se. E tem outra, temporada passada foi mais apresentação do que desenvolvimento dos personagens, eu mais preparei terreno nela do que mexi de fato com eles, nessa porém é onde eu começo desenvolver e mexer de fato com eles, alguns vão chegar no final da temporada bem diferentes, então espero que gostem, né KKKKKK.

De resto, como sempre não reli por pura preguiça, devem ter erros e é isso aí. Boa leitura, gente. E continuem com os comentários grandes e gostosos da temporada anterior, seja para elogios ou criticas.

E foi mal pela bíblia, tenho que dar um jeito nesse tamanho.



Última edição por Luckwearer em Seg Dez 11 2017, 16:14, editado 2 vez(es)


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55 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Ter Abr 04 2017, 11:16

Josh

A temporada começou muito bem com esse episódio de três horas de duração.

O melhor de tudo é que a maior parte do capítulo foi focado no estado psicológico dos personagens, com um destaque especial para a Alice. Também abriu espaço para uma mudança de desenvolvimento dos personagens, como foi no caso do Jeremy, que provavelmente será o que sofrerá mais alterações no seu modo de agir com as pessoas. Peter não fica muito atrás, demonstrando que pode, apesar dos seus descuidos, ser responsável o suficiente para liderar um grupo e motivá-los a continuar em frente.

Bom ver a Caterine feliz com seu irmão e apoiando a Alice no final. Ela provavelmente é a que se deu menos mal dos principais, apesar de eu duvidar que essa alegria toda dure muito tempo se tratando do Gabriel como escritor. E a Alice, a que passou pelas piores coisas. As duas juntas criam um contraste interessante, que vai ficando menor à medida que Alice recebe o apoio de Caterine e esta última começa a entender o que a amiga passou. Provavelmente a amizade entre as duas vai ser a mais forte da história.

Estou curioso para saber como os personagens vão reagir nesses novos ambientes. Adam no Triku, Peter sabe-se lá onde e Tyler reencontrando Caterine e Alice, além do Jeremy em um ambiente familiar, trazendo de volta seu lado mais humano e emocional. Não tenho ideia de como vai ser a política/cultura de cada local, mas a interação da alta tecnologia da arca com costumes mais medievais/tribais de outro lugar pode trazer algo muito interessante.

Saquei o título do capítulo. Esse primeiro momento deve ser calmo, com todo mundo aliviando-se do que passou para depois acontecer algo bem pior. Ficarei aguardando qual será esse acontecimento. Pela quantidade de personagens e povos que surgiu agora, imagino uma grande batalha ou guerra no futuro.



 
Spoiler:

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56 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Sex Abr 07 2017, 22:42

Mary

Excelente capítulo para um início de temporada. Poderia ter sido melhor se a demora não tivesse sido tão grande, mas já que o primeiro capítulo foi uma bíblia, não entrarei em detalhes. Wink

Algo que eu acho essencial numa nova temporada, que segue uma que havia sido movimentada, é o primeiro capítulo já não ser socado de plots, não tendo tempo pra processar o que havia acontecido. Esse foi esclarecedor sobre todos os estragos causados, as perdas e o estado mental dos personagens, descrições importantes depois de tantos acontecimentos.
Na medida do possível e do que sua escrita permite ser, achei o capítulo calmo, logo, certeza que vem coisa por aí. Apesar de todos os personagens terem tido momentos relativos de alívio e uma pequena calmaria, não se esqueceram dos amigos que partiram dessa pra melhor, pro meio do mato ou que foram levados. Esses lapsos de preocupação mostram o tipo de lugar em que vivem agora, uma constante luta até para as coisas mais simples. É algo bastante presente na série e achei ótimo ser apresentado com mais sutileza aqui, já que os rumos são totalmente diferentes e não estão na terra há muito tempo.

Adam (bem feito vai empurrar gente na boca de monstro troxa kkkk) me parece que será a fonte transmissora da cultura dos Triku para o mundo. Curiosa pra ver o que será explorado e como ele irá reagir ao novo ambiente hostil, sendo tão cabeça dura e fechado mesmo entre amigos. A cena da pilha de cadáveres e o seu desespero mostram que a carnifica irá afetar a todos ou senão a maioria, seja a curto ou longo prazo, dos mais fracos aos mais fortes. Será que vira uma Octavia?
Alice foi de longe a personagem que mais sofreu. Foi despedaçada de várias maneiras antes e depois de tudo e isso é uma das coisas que mais gosto de ver em relação ao desenvolvimento de um personagem, seu amadurecimento cruel e forçado especialmente pelas coisas ruins. Se mostrou especialmente forte conseguindo manter-se de pé mesmo dead inside, vai ser interessante acompanhar o que será preciso fazer - sendo certo ou não - pra juntar os cacos do que restou. Sua vulnerabilidade foi parcialmente exposta e mesmo assim, imensa. Imaginei a personagem guardando tudo para si, o que a manteria numa balança de equilíbrio mental, mas seu desabafo pode dar início a uma amizade que tendo tal começo, julgo que será forte.
Caterine feliz com o irmão me preocupou mais do que deveria. Se começa a temporada assim provavelmente vai terminar em outra piscina de sangue e bosta ou morta. Ou pior, mas não quero dar ideia. Enfim, aproveitando pra falar também sobre o reencontro da Cat com seu irmão que foi emocionante e inusitado, e com certeza um enorme fôlego extremamente necessário, já que sua maior motivação estava sendo sobreviver para chegar até o irmão. Vai ser um conflito interno intenso ter de pensar ou na segurança da pessoa com quem mais se importa ou em salvar as pessoas que protegeu e que a protegeram. Espero que a Cat ache um jeito de contornar o dilema, mas estou certa de que ela fará o possível para garantir a segurança e salvação de ambos os lados.
Tyler mostrando-se mais uma vez paizão e dando uma ownada gostosa no Pietro, obrigada. Também acho que é outro que não exitará em fazer o que for preciso para proteger os seus, e visto a situação em que Peter e o restante se encontram, acho que não vai ser algo fácil.
Peter tendo que se colocar em uma posição que não pensei que o veria, e que mesmo de maneira meio errada, acabou dando certo no intuito que era motivar os outros. O peso da liderança não foi fácil pra quem o carregou, e sabendo que o Peter é um cara impulsivo, decisões importantes caindo na mão dele podem resultar em algo grande. Espero que tenha mais destaque nessa temporada, já que aparentemente será o cerne das motivações dos outros personagens.
Jeremy/Cross/Wilson é um cara bastante interessante. Capaz de manipular as pessoas pra conseguir o que deseja, quando na verdade é algo que não faz muito sentindo já que ele está perdido na sua própria sanidade. O contraste do mais profundo imaginário de Jeremy, no caso, Cross, com aquilo que deixa transparecer, mostra alguém que pode ser perigosamente maleável, inteligente e louco. Não há muito o que falar até agora e nenhuma previsão já que se trata de um personagem que na verdade é dois, e um é imprevisível.

Não achei muito o que falar que já não houvesse sido dito antes, já que não comentei alguns capítulos. No geral, vejo que tudo que aconteceu endureceu os personagens, os separou e os fez ter que lidar com conflitos internos, portanto, estou ansiosamente na espera de um próximo capítulo sangrento e cheio de desgraça. Twisted Evil



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57 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Sex Abr 28 2017, 15:12

Dwight

@Josh escreveu:A temporada começou muito bem com esse episódio de três horas de duração.

Demorei mas consegui, prometo melhorar o tempo no próximo. Rolling Eyes

Como o nome indica foi um capítulo "calmo", como qualquer boa retomada/continuação, conclui situações deixadas no capítulo anterior e coloca novas na mesa. Não sei o que esperar desse grupo que capturou o Peter, mas aparentemente vão ser eles a tomar o papel de vilões (não descarto a possibilidade dos mais velhos da Arca, também), e nem do Triku, pela curandeira parecem relativamente amistosos, mas isso pode mudar. Vou seguir no formato dos meus outros comentários:

— Tyler: Foi um dos que mais teve tempo nesse capítulo, mas pouco realmente fez já que os três ficaram praticamente num road movie em busca da arca perdida. Ele não parece tão quebrado, o que é bom, não dá pra todo mundo estar in constant state of fear and misery, o cara parece determinado o suficiente para ser de ajuda agora que ele é um dos poucos com a cabeça no lugar.
— Peter: Junto com o Adam foi um dos que menos apareceram, mas é o que tem o plot mais misterioso. Não tenho a menor ideia do que é e do que eu posso esperar desse povo medieval que sequestrou ele, provavelmente só estão vivos para servirem como escravos, mas já mostraram que tem uma liderança mais elitizada e não tão primitiva como os soldados indicavam. Interessante o que o Josh pontuou sobre, sendo ele o "cara irresponsável", estar rodeado de adolescentes pouca-bosta/medrosos, podendo forçar ele a tomar um lado mais responsável.
— Alice: Naturalmente não está se adequando depois de tudo que viveu. Gostei novamente de como usou criativamente as transições presente/passado para demonstrar a paranóia vivida pela personagem ao ouvir as crianças rindo. Não esperava uma amizade com a Caterine, mas espero que comece a mudar esse sentimento de solidão com a presença dela, Brandon, e agora o Tyler. Certamente é a mais fodida, então torço que o arco dela envolva uma recuperação, mas como é o Gabriel escrevendo...
— Jeremias: Espero que vire vilão, não tem muito o que dizer sobre ele no presente momento, fico curioso para saber até onde vai ir a relação dele com o tio.
— Caterine (sem h): É ainda a que tem o arco mais sutil, porém significativo. A felicidade momentânea e a talvez não-total realidade dela, ela encontrou algo de bom mas no fundo sabe que ainda há muito de ruim, mas para tentar mudar isso vai ter que arriscar o pouco que conquistou. É a que vive o melhor momento, então logo deve acabar, mas espero que o Brandon viva pelo menos mais um tempo.
— Adam: Como falei lá em cima os Triku parecem relativamente amistosos, mas isso não quer dizer que ele está salvo. Por um lado eu gostaria de ver ele com o restante do grupo (o que pode acontecer, já que quem parece mais fodido é o Peter, e não acredito que vá manter os focos da história tão segmentados), por outro pode ser interessante ver ele num plot meio Avatar (me recuso a comparar com a Octavia), aprendendo mais sobre outra cultura mesmo que certamente causaria/causará desconfiança de vários. Acertou a pontuar o quão fechado ele pode ser, e espero que isso demore a mudar, mesmo que passe a confiar nessa galera.

Enfim, vários fatores me fizeram demorar a ler e postar, mas realmente vou tentar ser mais rápido no próximo, que espero que não demore Very Happy Foi um ótimo capítulo e espero logo que comece a dar merda para todos os lados. Wi kuwat! Wi kuwat!

Spoiler:

@Mary escreveu:Será que vira uma Octavia?



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58 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Sex Abr 28 2017, 18:30

Chris

Boaaa taaaaarde, tudo belezinha?

Eu teria comentado antes, se tivessem me avisado que havia sido postado a season two. Cat Mas vamos lá.

Acho que nessa altura do campeonato já não vale mais a pena ficar elogiando a escrita, já está mais do que provada que é muito boa e clara. Acredito que um dos maiores problemas das fanfics seja, com exceção de serem baseadas em Crepúsculo, falta de descrição que acaba causando cenas que o leitor não consegue imaginar direito (eu mesmo sofro desse problema), mas você domina muito bem isso. Mas sem mais delongas, vamos lá:

Primeiramente devo dizer que achei ótimo a maneira que organizou o capítulo, as chances de um começo de temporada cheio de informações e de plots como a Mary disse realmente poderia ser um problema, mas você administrou bem o conteúdo e colocou no capítulos tudo que queríamos ver e ainda deixou uns mistérios para especularmos e descobrimos futuramente. Agora vamos analisar essa galerinha da pesada individualmente:

Adao: O início dos momentos dele eu já esperava que seria algo meio assim, mas o final com ele e a curandeira lá já puxa um gancho. O jeito é esperar pra ver qualé a dessa tribo. Vai que é tua Shaikru!
Spoiler:
— A graça é que Praimfaya aconteceu há mais de trezentos anos, menino. Não cem.
Alicia: Como eu disse na season finale, era uma personagem que eu estava ansioso para ver nessa segunda temporada devido seu estado emocional. Mandou bem no psicológico quebrado dela, curti a interaçao dela com a Catarina e a determinação que ela estava para ir atrás dos outros, em especial do Peter. Vai ser heroína ainda, podem anotar.
Catarina: Como foi dito na season finale também, não lembro por quem, foi a que terminou a temporada melhor e isso é visível nesse capítulo. Mas ainda assim tem muita coisa pra rolar, vamos ver qual vai ser desse reencontro com o Pietro.
Jeremias: Cara estranho da porra, se eu fosse o Tyler deixava ele pra morrer. Esse cara é uma dúvida foda com esse transtorno de personalidade, vai surtar uma hora e foder uma galera por aí.
Tales: Nada muito fora do que eu especulava também, mas agora que vai se encontrar com a Alicia e a Catarina, creio que irão começar a se programar pra salvar geral. Vale a pena falar da sensação de que falhou como líder que ele está sentindo, quem garante que isso não causará algo no futuro?  Suspect
Pedro: QUE HOMEM! QUE PERSONAGEM! Legal como já disseram aí ter ele nessa posição de "líder" com os pouca-bosta ali, apesar de seu jeito, fez o que podia. Como sempre falo nos capítulos, chega a ser repetitivo, eu acho fantástica a personalidade e os diálogos que envolvem o Peter, devo ser o mais satisfeito com o seu personagem dentre todos aqui. E ainda sobre ele, temos mais esse grupo pra conhecer agora, sinceramente nao tenho ideia do que se trata, apesar de parecerem mais vilões do que mocinhos. E AVISA A MUIÉ QUE A FILHA DELA VAI SE MATAR MEU DEUS DO CÉU.

Muito bom o retorno da fic, inclusive com mais potencial do que a primeira já que agora teremos mais tramas e desenvolvimento. E mais capítulos também, o que é ótimo. Parabéns, Gabiru!

Spoiler:
Diálogo destaque do capítulo:

— Vamos morrer? — exclamou surpreso um outro adolescente.
— Provavelmente — admitiu Peter, com sinceridade.
Thomas lançou um olhar de desaprovação para Peter.
— Obviamente eu estava brincando, cara — falou animando o rapaz. — Eu daria 70% de chances de morrermos, mas 30% de chances de sobrevivermos! — falou desanimando o rapaz.
Thomas colocou a mão na testa e suspirou.
— 60%? — Virou-se para Lily esperando que daquela vez funcionasse, mas ela deixou claro que não balançando a cabeça negativamente. — Ah, eu tenho cara de Caterine e Tyler? Não sei fazer discurso, não sou líder.
Por mais que tivesse dito aquilo, era exatamente o trabalho que Peter fizera desde que acordaram. Acalmou os jovens, fez piadas para que se alegrassem, tentou animar o clima, ajudou quem estava com muito medo, deu sua própria comida e bebida para quem estava ferido ou fraco demais. Peter estava cuidado muito bem daqueles sobreviventes há dias.



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59 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Qua Nov 01 2017, 02:05

Luckwearer

E ADIVINHA QUEM VOLTOU PORRA???? Eu mesmo com mais um capítulo... na verdade o mesmo capítulo, só que reescrito, podem considerar como um Director's Cut, porque na época que eu escrevi o original, eu meio que fiz por obrigação e pressa, com um puta bloqueio criativo e ficou uma merda foda. Agora tá aí, é basicamente o mesmo capítulo, com algumas mudanças e acréscimos, eu realmente recomendo a todos lerem, pra lembrarem-se e porque tem coisa que vai ser importante dai mais pra frente.

Anyway, tá ai a lista de novidades/diferenças:

Spoiler:
- Prólogo inexistente no original, não porque eu pensei nele agora, mas sim porque eu tentei escrever ele na época e não consegui, então desisti.
- Os personagens ainda continuam abalados, mas alguns reagiram de forma um pouco diferente e eu creio que mais de acordo com a ficha.
- Consertei a parada do Jeremy e Cross.
- Um dos problemas da versão original foi o fato deu repetir inúmeras vezes a mesma coisa, por exemplo: Caterine tá mal por isso... Caterine tá mal por isso... Caterine tá mal por isso... simplesmente pelo bloqueio criativo da época mesmo.
- Peter nessa versão não tem como objetivo matar ninguém e nem quer na real, no original eu cheguei a citar isso, mas tava tão merda que eu citei isso logo após "Peter deu a ideia de armas para que pudessem matar os inimigos", então ficou completamente sem sentido. Agora, além de fazer sentido com o Peter da s01, o personagem daqui pra frente vai ficar mais natural.
- Pequenos detalhes sobre como funcionava a Arca, pequenos mesmo, vai ser assim na temporada toda.
- Eu praticamente reescrevi 80% do capítulo, então tá bem melhor a descrição, independente de eu ter mudado o conteúdo ou continuar o mesmo.

Bem, é isso. Eu gostaria de dizer que daqui pra frente é um capítulo a cada dois dias, mas acho difícil, minha prova tá chegando e vou ter que estudar que nem um fodido, então paciência. Se eu postar, beleza, se eu não postar, tá valendo também. E mano, que saudades do caralho de dizer isso, mas: eu não corrigi porra nenhuma, vlw flw, fui.

Boa leitura, gente.



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60 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Qui Nov 02 2017, 12:55

Dwight

>versão estendida
>nenhuma das mudanças envolve meu personagem

Só leio quando sair o 2. Dance



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61 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Dez 10 2017, 21:55

Luckwearer

S02E02 (1/2) - New New New New New New New New New:

Spoiler:
John resmungou algumas coisas sem sentido quando foi acordado por um forte empurrão em seu ombro direito, ele estava sentado numa das pequenas cadeiras em frente ao balcão do bar, com o rosto enfiado numa poça de bebida que ele mesmo derramara, bêbado e coberto de sono. As garrafas espalhadas ao redor dele e no chão ao seu lado denunciavam isso. A situação combinava com sua aparência, o homem estava bem acabado, as roupas estavam sujas e o cheiro não era nada agradável. Era um homem forte e alto com um corpo digno de um jovem em sua melhor fase, mas fora isso o resto deixava claro que ele já estava na casa dos quarenta ou mais. Sua pele era escura, seu cabelo era raspado com entradas que dão para nuca, a barba estava um pouco espessa e era grisalha.

Não queria se mover, pelo contrário, queria voltar a dormir mesmo sabendo do que lhe esperava. Desde o momento que John pôs os pés na Terra, no momento que ele fechava os olhos e tentava dormir um pesadelo pulava sobre seus olhos e atormentava sua cabeça até que acordasse, o mesmo pesadelo, uma vez atrás da outra, infinitamente. Nesses pesadelos ele sempre gritava, tão alto que sentia sua própria garganta rasgando-se, ele gritava ordens para seus homens, pessoas que não eram apenas soldados, eram seus amigos, seus mais antigos alunos, que acompanhara crescer e amadurecer, mas nenhum deles o escutava, não importava o quanto gritasse, o quão alto gritasse. Eles não escutavam. Tudo que restava para John, era vê-los sendo acertados por flechas, um por vez, enquanto olhos vermelhos espreitavam pela escuridão da floresta, selvagens que nunca viram e sumiram tão rápido quanto apareceram. No final, todos estavam mortos, exceto ele. O líder, a pessoa em comando daqueles guardas. Em pé, entre seus cadáveres, assim como estava ao sair para os corredores após a queda da Arca na Terra, deparando-se com fileiras e mais fileiras de cadáveres espalhados pelos corredores, todos de rebeldes e guardas que tentavam acalmá-los, desde jovens a idosos.

A morte estava sobre John, impregnada em seu nariz e presa aos seus olhos, sua vida era um inferno, um tormento. Talvez, seu purgatório. Ele tinha perdido tudo e todos.

O Chanceler, Bryan Hopkins, suspirou ao ver a insistência do amigo em não se mover. O dono do bar ao seu lado estava impaciente e com raiva, tentara tirar o homem dali, mas não conseguira, pedira o registro de alguém para que ligasse e obviamente John deu o registro de sua ex-esposa, que imediatamente ligou para Bryan, o melhor amigo do homem. Ou ex-melhor amigo também, pensou Bryan. Os dois cresceram juntos, se inscreveram no quartel para serem guardas, conseguiram e cresceram nos cargos em meio a uma das piores épocas da Arca. Então, Bryan se tornou o Chanceler e John se tornou o Comandante do Quartel da estação Alfa. Aquilo nunca mudou em nada a amizade que tinham, na verdade fortaleceu, pelo menos era o que Bryan esperava. Quando John começou a se mostrar alguém irresponsável e inconsequente, o Chanceler foi obrigado a retirá-lo do cargo temporariamente para seu próprio bem, mas a reação do homem não foi nada boa e a amizade acabou entrando em conflito ali.

O dono do bar queria falar muitas coisas, mas a última coisa que ele esperava encontrar era o Chanceler vindo pessoalmente cuidar daquele bêbado, então estava bem quieto e até mesmo pedira desculpas por incomodar com aquilo.

Bryan empurrou John novamente, mas o homem insistiu em continuar daquele jeito, mesmo já estando acordado.

— Eu já disse pra você ligar pra minha esposa, ela vai vir aqui — falou John, achando que era o dono do bar.

— Sou eu, John — disse Bryan, de repente. — O dono do bar está tentando fechar o local faz horas e você não o deixa.

John ao escutar a voz do velho amigo voltou a resmungar, coisas que por sorte eram impossíveis de Bryan entender, então tirou o rosto da poça de bebida, limpando a barba e bochecha com o braço e ficando alguns instantes tentando recobrar a consciência. Quando ele finalmente voltou ao normal, imediatamente virou o rosto para o lado e vomitou. O lado que tinha escolhido era onde Bryan estava, se aquilo fora proposital ou não, o Chanceler não sabia, apesar de achar que era, mas tudo que tinha sujado era um pouco dos sapatos dele, nada demais.

— Vou te levar pra casa — falou Bryan, tentando ajudá-lo a se levantar.

Em resposta, John o empurrou para longe e cambelou quase caindo, mas conseguiu ficar em pé.

— Fica longe de mim, caralho — respondeu John com raiva e ainda tonto.

— Você precisa parar com isso, John, se continuar assim você só vai piorar. E você precisa parar de ligar para Megan, ela não é mais sua esposa.

— Quem caralhos é você para me dizer o que eu tenho que parar de fazer? — exclamou John se apoiando na cadeira com as mãos.

— Eu ainda sou seu amigo, você querendo ou não. E acredite quando eu digo que a pessoa que você está se tornando, não só está assustando a Megan, como está afastando o Freddie também.

Ao escutar Bryan falando o nome de seu filho, a reação de John foi se desencostar da cadeira e avançar na direção do homem, agarrando-o pelo colarinho. O bar era aberto para praça central, perto da área de alimentação, o que acabou atraindo a atenção de algumas pessoas que observaram a cena. Os dois se encararam sem desviar o olhar e ficaram assim por um bom tempo até John notar os olhares neles. Ao afastar-se, Bryan colocou a mão perto de seu ombro e apertou com cuidado, tentando de algum jeito interromper aquela pontada de dor onde era a cicatriz do tiro que tomara. Nenhum deles se moveu até alguém gritar no meio da praça que mais sobreviventes da Arca estavam chegando. John pouco ligou para isso e foi cambaleando em direção ao seu quarto, enquanto Bryan o encarou se afastando por um tempo até se juntar as pessoas, indo em direção a saída para ver quem tinha chegado.


Caterine e Alice juntaram-se rapidamente às pessoas que foram para fora da estação para ver quem estava chegando, as duas esperaram ansiosamente por algum de seus amigos e demorou um pouco até que encontrassem um, mas quando finalmente viram Tyler caminhando entre os recém-chegados, não pensaram duas vezes e correram em sua direção. O rapaz só foi notá-las quando Caterine já estava em seus braços, abraçando-o com força, tirando um sorriso do rosto dele que devolveu o abraço e ficou alivíado de vê-la bem e viva. Tyler surpreendeu-se mais ainda ao ver Alice poucos passos dele, tão bem e viva quanto a garota ao lado dele.

— Eu pensei que você tinha morrido — disse Tyler tão chocado que as palavras saíram de forma lenta.

— Eu sou foda, eu te disse isso quando nos conhecemos e mandei você se lembrar, parece que você esqueceu — falou ela, rindo, e abraçando o rapaz também.

— Você nunca me disse isso — respondeu ele.

— Cala a boca e aproveita o momento.

— Como você escapou dos canibais? — perguntou ele, de imediato, no fim do abraço.

— Eu matei todos eles — respondeu Alice, simplesmente.

Tyler a encarou por alguns segundos e depois riu, achando que ela estava brincando, e ela riu também fingindo que estava brincando mesmo.

— É uma longa história, te conto depois — disse Alice, finalizando aquele assunto por vários motivos, mas principalmente pela agonia visível de Caterine.

— O Adam veio com vocês ou você viu ele? — perguntou ela assim que teve chance, olhando em volta enquanto esperava a resposta.

Tyler apenas acenou negativamente com a cabeça e Caterine olhou para o chão, triste.

— Caterine — chamou Pietro, aproximando-se lentamente e com um sorriso sem graça.

Ao escutar aquela voz, a garota se virou para encontrar a última pessoa que ela queria ver naquele momento, ali esperando ela dizer algo. Ele não se aproximou para abraçá-la, mostrando que tinha entendido o recado que ela dera ao ameaçá-lo se a tocasse.

— Vamos para dentro, Tyler, você deve estar cansado — falou Caterine, simplesmente virando as costas para Pietro e arrastando seus dois amigos para longe.

— Você ainda tem que me explicar essa história — murmurou Alice para Caterine com um sorriso sacana, no seu ouvido direito.

— Desde quando vocês duas tem essa intimidade? — questionou Tyler, murmurando também, no lado esquerdo.

— Só calem a boca e me sigam, cacete.


Jeremy ficou incomodado com os olhares que recebia, fosse as pessoas que vieram da Estação Rural ou as pessoas da Estação Alfa quando finalmente chegaram, todos eles lhe olhavam com pena ou com nojo. Isolado na floresta, ele se sentia solitário e era um sentimento que, estranhamente, não o agradava, para sua surpresa, em contrapartida quando vivia na Arca sentia-se uma pequena formiga cercado de milhares e milhares maiores e mais importantes que ele. Agora ele estava se sentindo assim novamente, julgado pelos outros do mesmo jeito que era julgado na sala de aula, quando era um professor. No acampamento dos prisioneiros, tinha recebido alguns desses olhares, mas pela situação foram poucos e que duraram apenas alguns minutos, depois o esqueceram e seguiram com seus próprios problemas. Ali não, ali era o contrário. Logo que atravessou as cercas que deviam proteger o "quintal" e a estação, reconheceu alguns rostos, duas meninas em frente a multidão que os esperava, foram alunas dele no passado, e outro rapaz que era um dos amigos de seu irmão. Nenhum deles o reconheceu, mas ele se lembrava de cada rosto do seu passado. Aquelas duas em especifico foram parte do grupinho da sala de aula que tinham gosto de atormentá-lo, de humilhá-lo quando gaguejava e se confundia, tendo que repetir o que falava sobre a matéria. Eles riam disso, achavam engraçado. Quando elas notaram o olhar dele, Jeremy desviou rapidamente seus olhos para o chão, não lhes movendo por nada nesse mundo.

Sebastian que estava ao lado do rapaz, desde que soube da morte do seu filho, caminhou num profundo silêncio com os olhos perdidos, apenas recuperando a aparência de líder quando precisavam dele. A morte do irmão tinha o acertado com força, mas a morte de seu filho o destruíra por completo, ele se sentia culpado, fora ele quem tinha tomado a decisão de aprisionar o rapaz para não colocá-lo num pedestral acima dos outros, como se ele fosse especial, não queria mimá-lo mais do que já tinha e como resultado daquela decisão, e de outras, o rapaz agora estava morto, talvez de forma brutal. Pensar sobre a forma como seu filho morreu, o quanto ele sofreu, lhe atormentava mais do que qualquer outra coisa.

Foi recebido muito bem pelos guardas, algumas pessoas e Lauren quando o viu, mas Bryan se manteve distante, lhe encarando com uma expressão que gritava: desconfiança.


Adam acordou num susto, esbugalhou os olhos e respirou com dificuldade, tudo pareceu normal até que tentou se mover e não conseguiu, tentou mais uma vez e novamente não conseguiu se mover, seus olhos começaram ir de um lado para o outro, procurando algum jeito de escapar daquilo, mas nada encontrava, seu peito pareceu se apertar contra seu coração e o fôlego parecia sumir aos poucos, como se duas mãos estivessem em seu pescoço, sufocando-o. Do mesmo jeito que o selvagem fizera após espancá-lo. O primeiro movimento que conseguiu foi do dedo indicador, depois alguns dedos do pé e, então, de repente ele conseguiu se sentar na cama de uma só vez, resfolegando como se tivesse acabado de sair do fundo do mar. Estava completamente suado, seu coração pulsava como se fosse explodir e seu corpo tremia de medo. Ele já estava a alguns dias naquele lugar, pegara uma infecção ou algo assim, não recordava muito bem o que Teya falara, por isso fora obrigado a permanecer por mais tempo ali. A febre que atacou seu corpo o deixou bem mal e fraco, e pelo cansaço acabava dormindo regurlamente, o problema era que fechar os olhos naquela casa significava abri-los no inferno, onde a cena do massacre se repetia sem parar em sua cabeça, torturando-o. Lembrava-se muito bem de cada inimigo que vira naquele campo, de cada adolescente que estava mutilado, de todas vítimas, até mesmo da grávida selvagem.

Enfiou o rosto nas palmas das mãos e cerrou os dentes, apertando os dedos contra o rosto, estava frustrado com tudo que sentia, sentira-se horrível várias vezes em sua vida, mas desde o momento que tinha botado os malditos pés na Terra, ele não sabia e não conseguia mais lidar com o que sentia.

Quando tomou coragem para levantar, caminhou com dificuldade, se apoiando no que encontrou pela frente, até a saída da casa, onde viu que estava de noite e pôde reparar na vila. As inúmeras árvores espalhadas por dentre as cabanas de madeira e a floresta em volta mostravam que o lugar, de fato, era localizado em uma floresta. As casas eram modestas, cabanas de madeira com telhados de palha ou coisas do tipo, nenhuma delas era muito grande. Na direção direita da entrada da cabana de Adam, a chamativa fonte de luz chamou sua atenção, era uma fogueira que jazia numa parte circular vazia, cercada pelas moradias em volta, ali tinham várias crianças e alguns adultos sentados perto do fogo, observando um homem, que vestia um manto azul, pulando e dançando em frente as chamas, gritava coisas numa língua que Adam não conseguia entender.

— Os irmãos, Solar e Luna, lutaram contra a terrível criatura dos mares que deixou Maré ferida. — Teya surgiu de repente, traduzindo as palavras do homem de manto para Adam, encostando-se no canto oposto da entrada para observá-lo também. — O monstro era assustador, ele tinha o corpo de uma pessoa, mas era cheio de rugas que soltavam água que derretia a carne humana, como o fogo, imaginem a mão de vocês se botassem no fogo, ia doer, ia queimar, não é? A pele dele fazia isso ao toque! — As crianças mais novas ficaram assustadas com isso. — No lugar de uma boca, ele tinha muitos... — Teya parou, tentando entender as palavras do homem —, creio que ele queria dizer que tinha vários tentáculos.

— O que é isso? — questionou Adam, confuso.

— São nossos deuses e suas histórias — respondeu ela com um sorriso. Ao vê-lo franzir o cenho, ela continuou: — Logo após o Antigo Povo acabar com a vida na Terra, os deus resolveram acordar de seu profundo sono e nos dar uma segunda chance, é por isso que estamos vivos hoje em dia. Por Solar, o deus do sol. Luna, a deusa da lua. Elder, o deus da chuva e das tempestades. Maré, a deusa dos mares.

Adam parou de prestar atenção nos nomes que ela recitava no segundo deus, voltou sua atenção para o homem continuando sua história e depois voltou os olhos para Teya novamente quando ela terminou.

— Você parece falar muito bem minha língua para alguém que não sabe o que significa a palavra "canibal" — observou Adam.

Sua língua foi nossa língua por anos e anos, mas meu povo escolheu abandonar todas raízes que nos interligavam ao Antigo Povo e fez sua própria língua... pelo menos tentou criá-la. Algumas gerações, como essa que está prestando atenção no jovem Druida — apontou com os olhos — nasceram e estão crescendo aprendendo-a como a principal, mas nossa maioria continua falando a mesma língua, então eles também precisam aprender a língua padrão. Que é a de vocês. No fim, a nova língua apenas funcionou nos mais nobres.

A barriga de Adam roncou ao fim da explicação dela, deixando-o corado e tirando um sorriso dela.

— Alguém parece estar com fome. Venha, vou te dar algo para comer.

Seguindo-a, ele notou que muito do que tinha na casa parecia feito a mão, tinham coisas que pareciam metal, mas a aparência enfurrajada denunciava que deviam ser bem antigas. O local tinha apenas dois cômodos, o maior com um tapete, algumas cadeiras, mesas cobertas de coisas e a cama ao fundo, e o segundo cômodo que era onde estava uma outra mesa que claramente era usada para fazerem refeições. Tinham vários armários ali também, muitas ervas e plantas. Ela era a curandeira da vila, afinal. Sentou-se na mesa e ela botou no prato algo estranho, parecia uma massa deformada e um pouco dura que soltava alguns farelos a cada toque que dava, lembrava os pães da Arca. Ao morder, teve que botar um pouco mais de força e realmente era um pão, mas sem comparações, era extramemente mais gostoso do que os da Arca. Passou alguns segundos e Adam já tinha devorado um, quando ela empurrou a cesta cheia deles para o rapaz, o mesmo continuou a comer, sem pensar na educação ou na mulher observando-o com um sorriso. Finalmente notando a cena que estava criando ao comer desesperado daquele jeito, limpou a boca, limpou a garganta e tomou um gole de água que ela tinha trago também, disfarçando a vergonha.

— Você tem um marido? — perguntou Adam ao ver um anel na mão dela. Era um anel bonito, parecia feito de galhos emaranhados com uma pedra azul qualquer.

— Sim, eu tenho. É uma pena ele não estar aqui, seu nome é Mikael. Ele iria gostar de você. É um nome lindo, não é? Sempre achei um nome maravilhoso. — Teya ficou sonhando acordada com a cabeça apoiada nas duas mãos, enquanto Adam bebia mais um gole de água a observando em silêncio.

— Então... por que ele não tá aqui?

Ela ficou um pouco triste com a pergunta. Ajeitou-se na cadeira e o respondeu:

— Ele e muitos outros homens foram convocados pela rainha para a capital.

Rainha, deuses do sol e do mato, que porra é essa?, era o que se passava na mente de Adam naquele momento.

— Eles e homens de outras vilas também foram chamados — continuou Teya, pegando um pão e dando uma pequena mordida, com os olhos baixos.

— Foram chamados para o quê? — perguntou Adam.

— Para o exército. Para cercarem o castelo do céu, a sua casa. A rainha está formando um exército para atacar seu povo. Pelo que eu ouvi dizer, ela já conseguiu destruir um ou dois, mas teve várias perdas nisso.

Adam ficou em silêncio por alguns instantes, processando aquela informação.

— Bom, problema deles — disse Adam, pouco importando-se com quem vivia na Arca, pelo menos era o que queria dar a entender. — Seu marido e os outros poderiam simplesmente recusar.

— Poderiam, mas as consequências não seriam boas — respondeu Teya com um pequeno sorriso triste. — O atual reinado não é dos melhores, infelizmente.

Um pouco de raiva surgiu em Adam, tudo aquilo o lembrava do Conselho e o inferno da Arca.


Peter tinha de admitir, seja lá onde fosse, a cidade que cercava a torre que ele estava aprisionado durante a noite era linda, o céu era coberto de estrelas e lá embaixo no povoado, as construções e praças eram iluminadas por inúmeros pontos coloridos de luz, alguns mais fortes que os outros, mas estes fortes pareciam ser fogueiras. Seus cabelos prateados balançavam com a brisa fria e Thomas ao seu lado observava o lugar também, aquilo os lembrava das noites de sábado, eles sempre iam para um dos corredores no canto da Estação de Fabricação, ali tinha uma das maiores janelas que davam para Terra e o espaço, eles levavam ervas e comida para ficaram chapados e comerem enquanto observavam a beleza do planeta. Os melhores amigos, quase irmãos, sempre sonharam em um dia ir para Terra, agora se arrependiam fervorosamente daquele sonho.

A mulher que se autoproclamou "rainha", não queria nada deles a não ser informações sobre seu povo, suas armas, seus líderes e sobre os canibais que eles tinham matado, que ela chamara de Treiku. Peter não deu nada à ela, mas quando ameaçaram Lily e Thomas, ele foi obrigado a falar, mas disse bem pouco e foi bem vago. Porém, para surpresa dele, aquilo pareceu suficiente para ela que logo mandou que os homens os levassem de volta e aumentasse a segurança do salão, falando num tom forte, claramente dirigido à eles, que se ela tivesse mais uma dor de cabeça, não importasse o quão pequena fosse, ela mataria cada criança e adolescente. Aquilo foi suficiente para Peter decidir tirar da cabeça de todos os delinquentes que deveriam tentar escapar de novo.

Todos eles estavam feridos e ninguém tinha conseguido escapar, mas apenas três deles tinham morrido, e Peter se culpava muito pela morte daqueles adolescentes, quando fizera o plano seu medo justamente era esse, que causasse mais mortes. Ele não aguentava ter mais peso em suas costas, sentia-se mal até mesmo pela morte dos guardas. A morte era algo que ele não desejava nem ao seu pior inimigo e desde o dia que atirara em Todd, lhe perseguia, tirando um pedaço dele dia após dia.

— Peter! — gritou Thomas no seu ouvido, acordando-o de seus pensamentos.

— Puta que pariu, cara. Quer me deixar surdo? — berrou de volta no ouvido do amigo.

— Não grito, se você não me deixar falando sozinho! — berrou Thomas no ouvido dele de volta.

— Você...

— Cala a boca, porra, eu quero dormir! — berrou uma garota de dentro do salão, interrompendo o grito de Peter.

Os dois riram baixinho e voltaram sua atenção para a cidade, apoiados no parapeito.

— A Lily tá perdendo essa paisagem — comentou Thomas.

Peter se virou para o salão, vendo a garota perto da entrada, dormindo. Ela era tão linda quando estava dormindo, as vezes ele se pegava a observando e só parava quando Thomas o encarava com um sorriso sacana. Suspirou e olhou para cidade, o "apaixonado que não avançava na garota" devia ser Jason, não ele. Lily tinha lhe beijado no dia do ataque dos canibais, mas ele não sabia se interpretava aquilo como um ato de encorajamento dela ou um sinal de que ela queria algo mais com ele. Novamente, ele foi arrancado de seus pensamentos por outro barulho, mas daquela vez não foi os gritos de Thomas e sim as portas do salão que foram abertas com violência.

Os dois avançaram para dentro do salão ao verem um grande número de guardas adentrando no local, alguns tinham a mesma aparência dos guardas padrões, mas a maioria vestia-se diferente e em frente ao grupo destacavam-se duas pessoas, um homem com dois metros de altura ou mais, de corpo musculoso e robusto, era uma verdadeiro brutamontes, seu rosto era coberto de cicatrizes e seu cabelo era longo até as costas, o outro era um jovem esguio com algumas cicatrizes no rosto que também era alto e tinha um cabelo longo preso num rabo de cavalo. Aqueles dois tinham roupas melhores que os demais.

Alguns dos adolescentes que já estavam em pé começaram se afastar dos soldados e os que acabaram de acordar receberam chutes daqueles homens, alguns foram cutucados por lanças e espadas. Dois ou três dos adolescentes tropeçaram ou foram derrubados propositalmente pelos soldados que os cortaram com uma lança ou espada, logo em seguida chutando-os na bunda para ajudá-los a se levantar e correr. Várias lanças foram postas em direção à eles, retas e firmes, aproximando-se cada vez mais, obrigando todos eles a recuar, pois a pretensão daqueles homens era claramente furá-los. O que surpreendeu os delinquentes foi o homem grandão, gritando palavras no mesmo idioma que eles. Peter estava surpreso também, esperava que no máximo apenas a rainha saberia a língua deles.

— Seus filhos da puta, vocês vão pagar pelas mortes dos nossos homens. Não é bom? Seus arrombados — gritava aquele homem, algumas vezes soltando uma risada ou outra, todas sádicas.

Ele agarrou a lança da mão de um dos seus soldados e avançou contra os adolescentes, enfiando-a no braço de um deles que gritou alto de dor e causou uma comoção, os outros soldados logo avançaram, empurrando as lâminas contra eles e os impedindo de se rebelar. Peter que estava em meio ao aglomerado, começou a empurrar todos até chegar em frente à eles.

— O que vocês querem? — perguntou Peter, imediatamente, com a voz firme. Meio segundo depois ele notou que tinha se posto em frente ao grupo de delinquentes e estava enfrentando as duas dúzias de guardas com lanças.

O homem dirigiu os olhos para Peter, que engoliu em seco na mesma hora, mas reuniu toda sua coragem e se manteve firme diante a situação.

— Eu sou o líder, se você quer falar com alguém, que seja comigo! — falou Peter, mais uma vez, em voz alta e firme. O que diabos eu estou fazendo, eu vou morrer.

Os jovens atrás dele já estavam feridos o bastante, Peter não aceitaria nenhuma outra morte naquele dia.

— As mortes foram acidentes, todos nós só queríamos escapar! — O que você está fazendo, Peter? Cale a boca, cale a porra da boca. Você não é um herói, Peter, você não é o Jason, você não é o Tyler, você não é a Caterine. Você é um moleque, você vai morrer! — Se você quer culpar alguém, que culpe a mim que fiz um plano falho! — Cala a boca, cala a boca, cala a boca.

As pernas de Peter tremeram quando o homenzarrão se pôs em sua frente, o olhando de cima para baixo. Eles ficaram se encarando por alguns instantes, até que o homem acertou um soco no estômago de Peter, o golpe foi tão forte que o rapaz perdeu todo ar e caiu de joelhos no chão, com as mãos na barriga.

— Não pareceu um acidente pra mim, seu bostinha — falou ele, pisando na cabeça de Peter. — Vocês todos vão morrer, seus merdas! — berrou assustando os adolescentes que recuaram mais um pouco, mas infelizmente já estavam no fim do salão. — Podem matar alguns — falou pros soldados.

Os homens sorriram e começaram avançar em direção aos adolescentes.

— Não, por favor! — berrou Peter, com o rosto apertado contra o chão pelo pé do homem. — Se você quer culpar alguém, que o culpado seja eu!

O homem levantou a mão e os soldados pararam. Sorrindo, tirou o pé da cabeça de Peter e o agarrou com as mãos, jogando-o no meio dos soldados.

— Ele quer um tratamento especial, deem a ele! — ordenou, rindo.

Os soldados começaram chutar Peter, acertando todo seu corpo. Alguns dos delinquentes avançaram um pouco, sem nem pensar no que estavam fazendo, apenas para proteger o rapaz, mas novamente foram parados pelas lanças. O espancamento não durou muito, mas foi suficiente para Peter ter espasmos no chão, gemendo baixinho de dor.

Thomas estava coberto de medo, por isso congelara, nem mesmo movera um dedo, foi um dos que não avançou para ajudar Peter. Aquilo doía, lhe fazia sentir-se um fracassado, mas ele não conseguia mover um dedo. Peter era o Batman, ele sempre foi o Robin.

— Agora, matem uns três desses bostinhas — mandou o homenzarrão.

— Não! — gritou Peter. Que merda eu tô fazendo? — Não...

Peter se ergueu do chão com dificuldade, mas conseguiu e se virou para o homem que o olhava surpreso. O rosto de Peter estava bastante machucado, muitos dos chutes o acertaram ali, por sorte seu nariz não tinha sido quebrado, mas seu beiço tava com duas feridas e sangue escorria de suas narinas, havia uma ferida na sobrancelha também e parecia ter sangue no seu cabelo. De qualquer maneira, naquele momento Peter mal sentia a dor, pela adrenalina. Ele quis, mais do que tudo, se ajoelhar no chão e depois deitar, estava doendo muito, mas tinham pessoas ali que ele amava e as outras talvez não conhecesse tão bem, mas eram seus amigos também, todos eles eram, todos eles lutaram ao seu lado, todos eles fizeram parte do motivo pelo qual estava vivo até aquele momento.

Ele não deixaria nenhum deles morrer, ninguém mais morreria se dependesse de Peter.

Mas aquele ato de coragem era um ato de estupidez também, podia ser bonito aos olhos de Peter e de seus amigos, mas aos olhos daqueles soldados e daquele homem em especifico, o rapaz gritava "me mata! Me mata, por favor! Me mata!". O homem avançou contra Peter, tirando uma adaga, agarrou o rapaz pelo pescoço e mirou a lâmina no olho dele, mas não fez nada, pois um grande número de soldados adentrou no salão liderados pela garota que Peter tinha visto mais cedo naquele dia. Ela gritou várias coisas na língua desconhecida e o homem pareceu frustrado de ter que ouvi-la, mas quando um rapaz surgiu dos soldados, analisando a situação rapidamente e falando também naquela língua, o brutamontes reagiu de forma completamente diferente, jogou Peter no chão e aproximou-se dele, ajoelhando-se e falando algumas palavras em voz baixa.

Não demorou para que o homem, o rapaz esguio e seus soldados saíssem do salão acompanhados daquele outro rapaz. A garota se aproximou de Peter e os adolescentes ficaram alertas, mas não fizeram nada.

— Você está muito machucado? — perguntou ela numa voz calma e, para surpresa dele, com um pouco de carinho.

— Imagina. Vou perguntar pra minha costela quebrada cutucando meu coração — respondeu Peter, gemendo de dor. — O que você acha, costela? Concordo, tá foda.

A garota sorriu.

— Vou pedir para um curandeiro vir lhe checar o mais rápido possível. Peço perdão pelo que aquele homem fez, pode ter certeza que isso não vai se repetir — falou ela num tom acolhedor, com carinho novamente. Peter mal conhecia aquela garota, mas ela o fazia sentir-se seguro com uma facilidade extrema.

— Quem é você? — perguntou Peter, antes que ela se afastasse.

— Meu nome é Gwendoline.

Ela se levantou logo em seguida e afastou-se dali, dando algumas ordens para os soldados, depois se virou e disse em voz alta:

— Vocês estão aqui como prisioneiros, mas não se preocupem, o que acabou de acontecer foi um erro que não irá se repetir. Eu, filha da rainha Kaliyah, a senhora das Terras Abençoadas, peço profundas desculpas por isso e prometo que a partir de agora vocês estão seguros. Só peço que não repitam o que fizeram hoje cedo, só poderei continuar com minha promessa se vocês não tentarem mais nada. Estamos de acordo? — falou tudo aquilo em voz alta, sem gaguejar ou mudar o tom de voz, a garota parecia bem firme e tinha uma presença grande ali.

Os adolescentes ficaram em silêncio, mas viram a garota franzinho o cenho e responderam em conjunto, numa voz não tão alta e completamente desanimada:

— Estamos.

— Estamos — gemeu Peter, tossindo, caido no chão. A adrenalina tinha ido embora, agora ele estava sentindo o resultado do espancamento, cada movimento era uma pontada de dor.

Gwendoline acenou com a cabeça, curvou-se levemente para todos eles e saiu do salão acompanhada dos demais.

— Alguém... ajuda... — implorou Peter, tentando se levantar.



Última edição por Luckwearer em Qui Dez 21 2017, 17:59, editado 2 vez(es)


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62 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Dez 10 2017, 21:56

Luckwearer

S02E02 (2/2) - New New New New New New New New New:

Spoiler:
Jeremy encarou o relógio por muito tempo, vendo o ponteiro avançando lentamente. Ele tinha acabado de ser "interrogado" por uma mulher chamada Alana, uma psicologa, que tentou entender como estava o estado mental dele. Ele foi sincero e deixou claro que não estava bem, mas não citou nada do seu passado, nenhum de seus erros e muito menos Cross. Cross... ele não aparecera desde que Tyler o acertara no campo de batalha, a última coisa que lembrava era ouvi-lo gritar em seu ouvido, mandando-o se levantar e viver. E ele viveu, e ele seguiu Tyler, e ele seguiu as pessoas da Estação Rural, e agora ele estava na Estação Alfa de volta a civilização. Talvez Cross tivesse dominado sua mente de vez e ele não notou? Ou talvez Jeremy tivesse voltado a ser Cross, o homem que guiava os Cem, o sobrevivente da Terra? Aquilo não era o mesmo? Ele não sabia, ele não queria saber, ele não sabia o que estava fazendo ou o que faria a partir dali.

Sua atenção saiu do relógio ao ver um homem adentrando no pequeno cômodo com duas poltronas e uma mesa entre elas. Era seu irmão, Bill, ele sempre fora o mais bonito e mais forte, o garoto de ouro do pai deles, Bruce. Ele parecia ter crescido um pouco desde a última vez que o vira, carregava um semblante mais maduro, estava um pouco mais alto, mais forte e estranhamente aparentava estar mais inseguro, mas Jeremy logo entendeu que não era um traço dele e sim sua reação ao vê-lo pela primeira vez depois de tanto tempo, daquele jeito. Foi nesse momento que Jeremy percebeu que perdera a conta de quanto tempo estava perdido. Um ano? Dois anos? Cinco anos? Dez anos? Não fazia ideia.

Bill Cross esforçou-se para conter o choque ao ver o irmão daquele jeito. Jeremy, seu irmão caçula, que sempre fora um estranho rapaz, agora estava com uma aparência completamente acabada, suja e ferida. Seus braços eram cobertos de feridas e cicatrizes, em seu rosto havia algumas também, o rosto era algo desagradável de se encarar para quem conhecia Jeremy no passado, estava tão seco que era possível ver os ossos, as olheiras nos olhos eram gigantes, a pele era pálida e degrinhada. O Cross mais velho estava assustado de ver como os olhos do irmão mais novo se mexiam sem parar, olhando em volta, analisando tudo, como se ainda estivesse em perigo, até mesmo era possível ver um tique nervoso em sua boca. Bill não conseguia ver, mas a maioria dos dentes de Jeremy estavam quebrados ou podres. As coisas mais decentes que tinham em sua aparência era sua longa e caótica cabeleira, junto com uma salpicada e quebradiça barba negra que cobria até maxilar. Seu rosto estava coberto de sujeira e lama, para disfarçar, notou Bill. O que você viveu, caçula?

— Oi, Jeremy — falou Bill, sem jeito, aproximando-se. Quando viu que Jeremy se ajeitou na cadeira, como se estivesse se apertando nela para se afastar dele, Bill parou e perguntou: — Posso me sentar aqui? — Apontou para a poltrona no outro lado.

Jeremy apenas acenou positivamente, depois de um tempo.

Alana tinha aconselhado Bill a não perguntar nada pessoal à Jeremy naquele momento, estava recente demais e o passado podia ser sensível.

— Eu tenho um filho agora, caçula — falou Bill, sorrindo, sentindo-se orgulhoso. Caçula era como ele chamava Jeremy quando viviam juntos. — E uma esposa, obviamente — riu. — Ela é muito legal e bonita, ela amaria te conhecer. É... eu também cresci na guarda, agora comando meu próprio grupo de guardas, acredita nisso? Meu superior até me disse que em breve posso subir na patente... mas isso foi antes da Arca cair, então eu creio que agora isso vai demorar um pouco pra acontecer — contou, rindo no final. A risada morreu quando ele viu Jeremy olhando para o chão, em silêncio.

Um silêncio permaneceu ali por um bom tempo, até que Bill o quebrou de novo.

— Rolou uma rebelião e eu fui convocado para Estação Alfa para proteger o Conselho, foi o único motivo de eu estar longe do nosso pai. Doí muito saber que... — Bill respirou fundo e resolveu mudar o assunto, não queria falar sobre a morte de seu pai. Aquele dia estava terrível, ao mesmo tempo que escutou as notícias da morte de seu pai, descobriu que seu irmão que tinha sumido e dado morto há dois anos estava vivo e de volta. Ele estava aguentando toda a pressão apenas para que pudesse ajudar seu irmão mais novo. — Ele sentiu muita saudade sua quando você...

— Ele sentiu... mesmo? — interrompeu Jeremy, rapidamente, gaguejando um pouco, mas finalmente falando. Ainda olhava para o chão, não tinha coragem de encarar ninguém nos olhos.

Bill, surpreso, encarou o irmão, mas não conseguiu falar nada, apenas abaixou os olhos para o chão também, em silêncio.

— Foi o que pensei — murmurou Jeremy.


As aulas de Brandon continuaram normais para infelicidade do garoto, mas não todas, soube depois que alguns dos professores estavam em outras Estações, outros faziam parte da rebelião, quando a Arca caiu na Terra. Caterine ficou "feliz" de não ter presenciado as pilhas da mortos nos corredores que algumas pessoas falaram, todas disseram que foi uma imagem muito forte e muito terrível, algumas famílias ficaram um dia ou dois dias dentro de seus quartos, sem coragem de sair, até que tudo fosse limpado.

Caterine estava feliz. Fazia muito tempo desde que não havia a expressão envergonhada e irritada do irmão, que queria expulsá-la aos chutes de perto dele, mas não o fazia por respeitá-la e amá-la demais, então toda vez que ela perguntava se estava o incomodando o garoto, ele respondia que não e forçava um sorriso. Ela resolveu acompanhá-lo até sua sala de aula, já que ficava no caminho da praça central e tudo que queria era passar mais tempo com ele, obviamente ele não estava gostando disso, sentia-se envergonhado e ela sabia disso, veio rindo, baixinho, o caminho todo e só parou quando viu os amigos de Brandon no corredor que já estava bem cheio de pessoas, esperando poderem entrar.

— Brandon, aqui! — chamou Ollie, um garoto da mesma idade que Brandon. Usava óculos e vestia-se de forma bem largada.

Ao lado de Ollie, estavam Dylan, Alan e Cody, todos esperando Brandon. No braço de Cody estava uma caixa bem acabada, era alguma versão de Dungeons & Dragons que eles jogariam na aula, ela sabia. No passado, os repreenderia, mas deixaria aquilo passar daquela vez pela felicidade de vê-los novamente.

— O-o-oi Caterine, f-f-fico feliz que você tá b-bem — disse Cody, gaguejando de nervoso, ele sempre ficava assim perto de Caterine. Ela achava isso fofo e sempre apertava as bochechas do menino.

E foi o que ela realmente fez.

— Obrigado, Cody — agradeceu Caterine, rindo ao vê-lo ficando vermelho. — Como vocês estão, meninos? Faz tempo que não vejo vocês.

O quarteto ficou encarando ela em silêncio, envergonhados. Caterine riu do nervosismo deles, sempre achou todos eles fofos, sempre eram educados e quietinhos, amava a inocência daqueles garotos, sempre jogando alguma coisa e fingindo que estavam num mundo de fantasia, queria passar mais tempo com eles, mas não teve tempo, pois Alice brotou entre as pessoas e gritou para que ela viesse logo, dizendo que Tyler estava esperando elas na praça.

— Não se esqueça, as 17 lá em casa, sacou, nanico? — exclamou Caterine para o irmão, afastando-se.

O quarteto se apertou, observando as duas garotas se afastando, enquanto Brandon encarava eles, irritado.

— Caralho, puta que me pariu, essa irmã do Brandon é muito gostosa cara. To duro, cara. E ainda tem a amiga mais gostosa ainda, que gostosa — falou Ollie, esticando-se para ver se ainda dava para enxergá-las entre as pessoas.

— Caralho, puta que me pariu, ela é muito gata mesmo, cara. Você viu a amiga dela? Tem uma planta desenhada na cabeça. Será que ela tem calvice? — perguntou Alan, confuso sobre a parte raspada da cabeça de Alice.

— Ela não vai ficar careca, imbecil, ela que raspou — respondeu Ollie.

— Radical.

— Não fala assim d-da Caterine — repreendeu Cody, irritado. — E falar palavrão não faz vocês parecerem mais adultos.

— Eu ouvi dizer que elas meteram a porrada em um monte de selvagens! É verdade, Brandon? É verdade? Elas são fodas! — disse Dylan, pulando de animação.

— As garotas gostam de ouvir essas safadezas, cara. De qualquer jeito, quando ela ver meu Olliezão, ela vai se apaixonar por mim — respondeu Ollie apertando o pau na bermuda. Quando o soco de Brandon acertou-lhe no peito, ele soltou um gritinho de dor. — Eu to falando com todo respeito, Brandon.

— Se você falar da minha irmã assim de novo, eu vou te meter a porrada — ameaçou Brandon, furioso.

— Ok, ok, desculpa — disse Ollie se afastando um pouco. — Se você falar da minha irmã assim de novo, eu vou te meter a porrada — repetiu em voz baixinha, esfregando o peito.


O trio decidiu se reunir um dia após a volta de Tyler para dar ao rapaz um tempo de descansar, quando o dia passou, ele foi o primeiro a chegar e esperar as garotas, que demoraram um pouco. Quando elas finalmente apareceram, ele acenou com o braço e Alice foi a primeira a chegar na mesa, já Caterine demorou mais um pouco por ter ido pegar uma bandeja de comida para comer enquanto discutiam.

— O que foi? — perguntou ela, mordendo um salgado, ao ser encarada pelos outros dois.

Não houve tempo para conversa fiada, o trio rapidamente começou a soltar informações e conversar sobre o que queriam. Alice falou para Tyler sobre o que tinha passado e como tinha escapado, muito pouco, mas suficiente para que ele tivesse uma ideia, e a reação dele obviamente foi de admirar a garota pelo que ela fez. Mas o foco logo mudou para o que importava, que eram seus amigos, e as garotas contaram que ouviram alguns guardas conversar sobre algum mapa que o Conselho fizera ao explorarem a região, mas que não puderam avançar muito pela hostilidade de seus habitantes. O principal, dessa informação, era sobre uma cidade um pouco distante de onde estavam, que parecia bem movimentada e que os guardas viram homens adentrando a cavalo. O trio, então, colocou o local e o mapa como seus principais objetivos, assim que saíssem do acampamento.

O problema era sair.

— As cercas são eletrocutadas e temos zero armas — disse Caterine. — Tentamos arrumar algumas, mas bem... não deu muito certo... — falou, soltando umas risadinhas sem graça.

— Você vai — falou Alice.

— Não! Você vai — rebateu Caterine.

— Você!

— Você!

Caterine e Alice estavam cochinchando uma para outra, escondidas na bifurcação do corredor, observando um guarda entrando em seu quarto. Em seu coldre havia uma arma. No fim, elas jogaram pedra, papel e tesoura e Caterine saiu como a perdedora. As duas tiveram que esperar o rapaz sair do quarto, mas Caterine não queria de jeito nenhum fazer aquilo. Alice pouco se importava para a opinião da garota, empurrou-a para o corredor e a ruiva se aproximou lentamente, toda envergada e nervosa, em direção ao rapaz.

— Oi — disse Caterine, ao chegar nele.

O rapaz era bonito e muito bem arrumado.

— Ah, oi. Algum problema?

Caterine nunca teve problemas de timidez em relação a garotos, mas pela situação e seus objetivos, ela estava se sentindo um pouco nervosa.

— Meu nome é Caterine, mas você pode me chamar de Cat — falou estendendo a mão para ele.

— Meu nome é Theo... — Ele parecia um pouco tímido.

— É... você tem namorada?

— Não, eu...

— Eu também não tenho... namorado, no caso — disse Caterine, interrompendo o rapaz, sorrindo. O sorriso era meio esticado e muito falso.

Os dois ficaram em silêncio, um momento completamente constrangedor, mas Alice cansada de ver aquela tortura, pulou para o lado da garota e foi o mais direta possível:

— A gente quer fazer uma menage e você é o nosso escolhido, você é muito gato.

Caterine ficou vermelha e beslicou Alice que manteve o sorriso forçado no rosto, piscando para o rapaz.

— Eu sou gay.

As duas perderam o sorriso e apenas encararam o rapaz.

— Ah... tá.


Tyler fez uma cara de quem não tinha entendido e Caterine olhou para Alice, se arrependendo de ter puxado aquele assunto. A outra garota nem tinha prestado atenção no que Caterine tinha falado, após citar os obstáculos que enfrentariam.

— Como a gente vai desativar essa cerca? A única opção que eu vejo é pedirmos, com muito jeitinho, pra um guarda, mas acho difícil eles deixarem, viu — disse Alice. — Exceto, um deles.

Caterine demorou um pouco para entender o que a garota queria dizer e sua reação não foi nada do que Alice esperava, não viu a ruiva negando com toda sua força, apenas a viu suspirar e revirar os olhos.

— Eu falei com ele ontem... não por opção, mas enfim, ele está de licença da guarda pelos seus ferimentos e de acordo com ele, pelo seu "estresse pós-traumático". — Apesar do tom infeliz de Caterine por ter falado com o rapaz, ao ouvir sobre aquilo, preocupou-se suficiente para se forçar a perguntar como ele estava. Não sentia nada por ele além de repulsa, mas ela ainda tinha um bom coração. — Ele não vai poder ajudar a gente em nada.

Alice enfiou a cara na mesa e fingiu um choro falso, frustrada. Ela queria e precisava ajudar Peter o mais rápido possível, não queria nem imaginar o que ele devia estar passando, não queria pensar na possibilidade de ele estar sofrendo tanto quanto ela. Apertou seus punhos com muita força, furiosa de tudo estar dando errado e eles não terem chance alguma de salvar seus amigos.

Tyler que estava em silêncio até aquele momento, observou a frustração de Alice, a desesperança de Caterine. Ele não queria, mas ele precisava.

— Eu posso resolver as duas situações — falou, finalmente, suspirando.

Alice ergueu o rosto da mesa, já com um sorriso no rosto, e Caterine encarou o rapaz tão surpresa quanto.

— Como? — perguntaram as duas.


Gwendoline cumprira com sua palavra, pelo menos com uma parte dela, alguns homens vieram pegar Peter, alegando que o levariam para um curandeiro, mas os delinquentes se juntaram ao seu redor e não deixaram nenhum deles tocar nele, pouco importando-se com o quanto insistissem, ignoraram também Peter implorando para que deixassem o levar, pela dor. O curandeiro foi obrigado a vir até o salão e conversar com os adolescentes para que deixassem Peter ser levado, contando que o rapaz precisava de repouso em uma cama e cuidados medicinais que não seria possível ali. Por fim, Peter foi levado, agradecendo a todos possíveis deuses existentes.

A brisa gélida da noite, ocasionalmente, adentrava pela varanda e inundava o salão, fazendo com que todos adolescentes tremessem de frio e se apertassem, tentando se aquecer. Thomas e Lily sentaram-se no chão, apoiados na parede, bem ao lado da varanda, mas ignoravam o clima frio, ambos estavam pensando sobre Peter, principalmente Thomas que não parava de se preocupar com o rapaz.

— Você está bem, Thomas? — perguntou Lily, de repente, com a voz doce de sempre.

— Eu... — Pensou em mil respostas, um "sim", um "não", uma mentira, a verdade, mas acabou ficando em silêncio.

— Eu tenho certeza que ele vai ficar bem, aquela menina parecia bastante confiável — disse Lily, tentando ajudar o rapaz. — E estamos falando do Peter. Você viu o que ele fez? Foi quase um super-herói.

Ele foi, concordou Thomas, mentalmente. Peter nunca foi alguém com uma força física admirável, mas mesmo assim sempre protegeu Thomas de qualquer valentão que tentasse provocá-lo ou provocá-los, não importava o quão grande ou forte fosse, ele sempre os enfrentava, isso não significava que Peter era o herói clichê de toda história em quadrinhos, as vezes ele agarrava Thomas e ambos corriam dos valentões, ou quando era muito grande e forte, Thomas via as pernas de seu amigo tremendo, via que ele estava coberto de medo.

— Peter sempre me protegeu — falou Thomas, de repente. — Dos valentões. Não importava o quão grande e forte fossem, quantos fossem, ele sempre se metia e levantava aqueles braços magrelas, dizendo para eles apenas com sua expressão: podem vir, seus merdas!

Lily sorriu ao escutar aquilo e notou a admiração de Thomas em relação ao amigo.

— Você realmente o admira, não é?

— Sim, ele não é meu melhor amigo a toa — respondeu com um sorriso. — Mas Peter não é um herói clichê de história em quadrinhos e isso é o que mais respeito nele. Quando eram muitos, ele sempre me agarrava e juntos corriamos dos valentões. Ou quando o valentão era grande demais, eu via as pernas de Peter tremendo, eu via ele coberto de medo. Mas ele sempre enfrentava seus medos, nunca fugia... não literalmente, pelo menos.

Eu sou diferente, pensou Thomas. A diferença entre os dois, tão parecidos e tão amigos, era que Peter sempre encontrava coragem em meio ao medo, enquanto Thomas se deixava levar pelo medo e congelava.

— Quando começaram a bater no Peter, eu vi muitos dos nossos amigos avançando na direção dos guardas, pouco se fodendo para as lanças. Eu... — Thomas fungou e limpou um dos olhos que já tinha algumas lágrimas querendo escorrer. — Eu fui o único que não se moveu. Meu melhor amigo e eu não me movi.

Lily novamente tentou confortá-lo, mas as palavras da garota entraram por um ouvido e sairam pelo outro, a única coisa que Thomas estava prestando atenção naquele momento eram seus próprios pensamentos. Ele repetia infinitamente em sua cabeça que o motivo de terem sido capturados tão rápido foi porque tinha travado e atrasado eles, e que de todos que foram ajudar Peter, ele foi o único que não se moveu. Enquanto todos lutavam contra os canibais, ele escolheu ficar dentro da nave, longe da batalha, por medo. Usou como desculpa na época, apoio moral ao seu melhor amigo, mas na verdade ele só queria fugir do perigo.

Eu sou um maldito covarde. Limpou os olhos, fungou mais uma vez e engoliu o choro.


Jeremy acompanhou seu irmão até o quarto que o Conselho escolheu para ele, um pouco distante dos demais ocupados, mas pelo que viu dos números que vieram da Estação Rural, não demoraria muito para que aquele corredor e outros vazios se enchessem rapidamente.

— É aqui que você vai ficar — falou Bill, apontando para o quarto, quando pararam em frente à ele. — E esse, é o Will, ele é um dos guardas no meu comando... ele está aqui a pedido do Conselho, mas só por precaução mesmo, não se preocupe.

Ele não ligava. Ficou parado encarando a porta, por alguns segundos, em silêncio. Bill coçou a garganta e estendeu o braço na direção de Jeremy, tinha um tablet na mão.

— Caso você precise ligar pra mim, meu registro já está na lista de contatos. — Ao ver que Jeremy encarou o aparelho, com os olhos mortos e sem se mover como fizera desde que o reencontrara, Bill notou que talvez o homem não soubesse mais usar aquilo. — Desculpa. — Abaixou o braço e se virou para o guarda. — Se você precisar de alguma coisa, fale com Will e ele me chamará na hora, okay?

Jeremy continuou em silêncio e Bill escolheu levar aquilo como um sim. Enquanto se afastava, olhou para o irmão mais algumas vezes, queria muito apresentá-lo para sua família, mas seu irmão mais novo claramente não estava em condições daquilo naquele momento e provavelmente não queria também.

O guarda abriu a porta para Jeremy, quando Bill se afastou, e deu lhe entregou um cartão, explicando que bastava passar ele no detector ao lado da porta que ela abriria. Quando entrou no quarto, o guarda a fechou e o deixou sozinho ali. O quarto era pequeno, mas confortável, aquilo lhe trazia memórias de seu próprio quarto que era bem grande e espaçoso. Na Arca tinham familías vindas da primeira geração, estas eram as mais ricas, algumas outras de geraçoes mais a frente também faziam parte dessa classe superior, e por serem parte daquilo suas moradias eram maiores, suas riquezas também, podiam ir para eventos e festas destinados apenas a eles, coisas que eram raras para famílias mais pobres. Ele sempre teve tudo desde o inicio, mas nunca se encaixou em nada daquilo, as vezes lhe tirava um sorriso pensar que a vida na floresta foi onde mais sentiu-se bem. Achava que sorria, pelo menos, a verdade era que Jeremy não sorria verdadeiramente há muito tempo.

Tinham roupas limpas lhe esperando em cima da cama. O bunker que vivia era confortável como aquele lugar, a sala tinha sofás e coisas do tipo, mas os chuveiros não funcionavam a eras. Virou-se para onde havia o banheiro e o encarou por algum tempo, olhou para o chão, depois para o banheiro e, então, para si mesmo. Foi até o local e ali dentro havia um espelho, onde ele pôde se ver depois de tanto tempo. Quem é essa pessoa? Quem você é?

Tirou as roupas com dificuldade, as usava a tanto tempo que pareciam ter colado em sua pele. Quando terminou, o chão do banheiro estava sujo de terra, cheio de folhas e galhos, com trapos tão rasgados e sujos que mesmo as roupas sendo de outras cores, agora eram todas preto. Andou até o box e ligou o chuveiro, arrepiando-se todo quando sentiu a água quente escorrendo por seu corpo, limpando sua pele. Deixou a água limpá-lo aos poucos, limpar todo sangue e sujeira que carregava, enquanto olhava para baixo vendo a poça de água negra acumulando ao redor de seus pés.

Ao terminar de tomar banho, Jeremy saiu do box e olhou para o espelho novamente, sua aparência continuava horrenda, mas ele estava limpo. Para sua surpresa, seu cabelo parecia infinitamente mais bonito do que antes, aparentemente era a única coisa que não tinha apodrecido nele. De volta ao quarto, ele pegou as roupas limpas e as vestiu, eram peças simples, uma cueca, uma calça marrom e uma camisa verde escuro.

Ficou parado ali ao lado da cama, olhando para o nada, por um bom tempo. Ele não sabia o que fazer a partir daquele momento, em seu interior começou a se amaldiçoar por ter voltado para aquele maldito lugar. Por fim, deitou na cama e ficou encarando o teto. Ele e o irmão nunca tiveram uma boa relação, na verdade Bill nunca fora muito legal à ele, nunca dera atenção, afinal para quê andar com alguém tão estranho e tímido como Jeremy, quando você é um rapaz bonito e carismático. Por isso, estava confuso com a dedicação do homem. Eles nunca foram próximos, nunca foram amigos, as vezes nem pareciam irmãos.

Jeremy continuou daquele jeito na cama por um bom tempo, perdido em sua própria cabeça. Demorou bastante para que notasse que os cantos de seus olhos estavam encharcados e mais ainda para que entendesse o que era aquilo. O bunker era um lugar tão confortável quanto aquele, mas pela primeira vez em anos, Jeremy sentiu-se seguro novamente. Depois de tanto tempo, estranhamente, sentiu-se em casa novamente. E pela primeira vez desde o dia que separou-se de Jonathan e os outros, ele chorou.


Tyler deu um dos seus sorrisos mais descarados para Jay, após ser levado pelos braços por seus homens até onde ele estava. A única coisa entre os dois era uma mesa de madeira com algumas coisas em cima. Estavam em sua sala, nas paredes tinham muitos quadros de paisagens e cidades, tinham várias prateleiras também com action-figures, alguns eram garotas de desenhos, com vestidos e bastões mágicos. Era algo muito estranho, mas nem Tyler ou um dos homens de Jay ousaram, alguma vez, falar sobre aquilo. Aquele homem era um dos mitos da parte negra da Arca, um dos grandes traficantes que muitos tinham ciência, mas nunca conseguiam prova alguma coisa para acabar com seu reinado. Ele também era o fundador do "Clube de Luta" feito no ferro-velho da Arca, na Estação de Fabricação, foi nesse lugar que Tyler o conhecera. Os "favores" que Tyler estava fazendo chegaram aos ouvidos de Jay, que sentira-se incomodado com aquilo. Ele não fazia nada de errado como matar ou machucar pessoas a toa, mas Tyler era muito bom com negociações e com o tempo ele começou a conseguir coisas com outras pessoas, entregando-as ao dobro do preço para quem pedira, um preço muito menor do que aquele que Jay oferecia. O resultado foi Tyler ter sido levado ao homem e quase jogado para o espaço, para morrer, mas por sorte ganhara a chance de lutar pela sua vida, literalmente. Depois daquilo, por um tempo agiu sob comando do homem e os dois criaram até uma boa relação, mas Tyler sempre deixou claro que nunca faria nada mais abaixo do que já faziaia e Jay concordou. Então, sem mais dores de cabeça, ele deu seguimento a sua vida naquele ramo e só desviou um pouco ao entrar naquele Clube de Luta, para ganhar dinheiro para ajudar sua mãe. Fora naquela época que a pobre mulher começara a adoecer.

Tyler fora o principal lutador de Jay e ficara bastante conhecido por suas várias vitórias, mesmo sendo tão jovem. O problema que ao ser preso, faltava apenas alguns dias para as lutas finais, e aquilo fez com que Jay tivesse que pagar uma boa quantia de créditos para o outro oponente, que venceu automaticamente. E pela expressão no rosto dos homens — alguns eram conhecidos do rapaz — que o levaram até a sala de seu chefe, Tyler soube que estava fodido.

— Você tem muita cara de pau mesmo, de ter sobrevivido a queda na Arca, ter voltado para essa estação e ainda por cima vir falar comigo — disse Jay soltando umas risadinhas peversas.

— Eu não poderia deixar de avisar meu amigão que eu voltei, não é mesmo? — respondeu Tyler, rindo.

Jay tirou uma faca de seu coldre e fincou ela na mesa, poucos centímetros de Tyler.

— Tu vai morrer, seu filho da puta. Sabe quanto eu tive que pagar pra aquele fodido do Spencer, chupa-rola?

— Vinte mil? — chutou Tyler com um sorriso sem graça.

Jay tirou a adaga fincada na madeira e acertou-a novamente na mesa, dessa vez mais próximo de Tyler.

— Quarenta mil, seu filho da puta! Quarenta, mil, seu, filho, da, puta!

— Eu vou devolver seu dinheiro, cara, não se preocupa, eu prometo.

— Você vai...? Seu filho da puta, essa merda de dinheiro nem serve mais, caímos na merda da Terra, tá tudo uma confusão.

— Então porque você tá me enchendo o saco, cara!?

Jay pulou da cadeira com a faca em mãos e Tyler fez o mesmo, mas ao invés de avançar contra o homem, recuou.

— Deixa eu explicar o motivo de eu estar aqui, pelo menos — pediu Tyler.

Mas Jay ignorou e continuou avançando.

— Qual é, cara, não precisamos fazer isso.

Tyler foi se afastando aos poucos para trás, em direção a porta, mas não tinha notado que ela já estava aberta, então quando sentiu suas costas acertarem algo, ele se virou para ver o subordinado de mais dois metros de Jay, olhando para ele de cima com uma expressão sombria. No mesmo momento Tyler tentou fugir para outra direção, mas o homenzarrão o agarrou. Jay continua se aproximando com a faca em mãos, lentamente e com um sorriso satânico no rosto. Não sabendo o que esperar, Tyler olhou o homem nos olhos com coragem e raiva, não piscando uma vez.

E próximo suficiente para matar o rapaz, Jay apenas caiu na risada e o grandão o acompanhou. Tyler que estava suando frio, viu aquilo completamente confuso.

— Você nem piscou, por isso que sempre gostei de você, moleque — disse Jay, envolvendo o pescoço de Tyler com o braço e o arrastando para fora da sala onde ficavam mais homens dele. — Tyler voltou, seus merdas!

Os homens gritaram de comemoração e Tyler comemorou também numa voz baixa e desanimada. Por um momento, realmente achou que morreria ali.

— Então, moleque, manda o que tu quer que eu tenho coisas pra fazer — disse Jay, voltando para cadeira e o chamando para sentar-se novamente também. — Não sei como você achou que eu ia te matar mesmo, tu é quase um filho pra mim.

— Eu preciso de armas — disse Tyler.

A reação de Jay foi rir, mas ao ver a expressão séria do rapaz, ele ficou surpreso.

— Sério?

— Sim. Eu sei que você deve estar confuso e que não quer me dar nem um canivete, mas eu realmente preciso dessas armas. Eu passei por muita merda quando minha estação caiu na Terra, Jay. Os terráqueos eram canibais e muitos dos meus amigos morreram por causa deles. Quando estavámos vindo para cá, a maioria dos meus amigos foi levado por mais desses terráqueos. Eu preciso ir atrás deles. O Conselho não quer, não agora, e quanto mais tempo gastarmos olhando para o nada, mais improvável seja de eles continuarem vivos.

Jay encarou o rapaz em silêncio.

— Eu não posso te dar essas armas, moleque, mesmo eu querendo. Todos os meus concorrentes ou estão mortos ou estão no outro lado do planeta, se o Conselho ouvir que armas brotaram do nada, eles vão olhar até dentro da minha cueca por essas armas e com o espaço pequeno que temos atualmente, eu me foderia rapidamente.

— Isso não é um problema — respondeu Tyler com um sorriso, surpreendendo o homem. — Você me conhece muito bem, Jay. Eu não viria aqui sem saber disso. Eu tenho um plano.


Adam não aguentava mais dormir mal e ter todos aqueles pesadelos terríveis, já não bastava ser atormentado acordado, também tinha de viver no inferno durante o sono. Sentia que seu cerébro estava inchado de tanto estresse, que já estava sangrando e anunciando que explodiria em breve. Enfiou o rosto nas palmas da mão e apertou os dedos no rosto com força, cerrando os dentes com mais força ainda. Para de pensar sobre isso, para de pensar sobre isso, para de pensar sobre isso. Mas não funcionava. Ainda pulava em sua mente Lisa sendo devorada por aquelas criaturas, o rapaz sendo pisoteado pelos canibais, todos aqueles inimigos que ele metralhou, todo sangue que ele derramou, os gritos de Peter enquanto Alice era levada, os cadáveres dos adolescentes e da grávida. Tudo aquilo não saia de sua cabeça e ele não aguentava mais. Queria pensar que Caterine tinha escapado e estava a salvo, talvez com seu irmão mais novo, mas ele não conseguia ver nada mais positivo, em sua cabeça todos tinham morrido e tudo tinha dado errado. E que não demoraria para chegar sua vez. Talvez fosse o melhor mesmo. Que merda você tá pensando, você não vai morrer e Caterine está bem.

Alguns minutos depois, ele resolveu sair da cama e caminhar até a saída da cabana, com um pouco de dificuldade pelas feridas. Já estava de dia e algumas crianças brincavam pelas ruas da vila, principalmente perto da cabana onde ele estava. O lugar não parecia muito grande e nem muito populoso, na verdade parecia bem vazio. Pensar sobre as pessoas sendo obrigadas a irem para um exército e lutarem até a morte, deixando suas famílias para trás, tudo por causa de uma maldita Rainha, irritava Adam profundamente. Ele nunca gostou de crianças, apesar delas gostarem dele por algum motivo, por isso não deu atenção para aquelas, mas uma, em especifico, lhe atraiu. Era um moleque de cabelo longo, deveria ter uns quazorte anos ou mais, não havia nada de especial nele, exceto que estava mexendo na câmera de Alice. A reação de Adam foi imediata, avançou na criança que o viu quando ele já estava arrancando o aparelho da mão dele. O moleque demorou alguns instantes até resolver responder aquilo e avançar contra Adam, querendo socá-lo, mas sendo impedido por sua mãe que o agarrou e falou alguma coisa na língua desconhecida.

— Já se metendo em confusão? — perguntou Teya, de repente, se aproximando.

Adam ouviu Teya dizer algumas palavras para a mãe e o rapaz, mas não entendeu nada.

— Eu pensei que eles falavam minha língua também — disse ele.

— A gente fala, seu merda, olha aqui — respondeu o moleque, dando o dedo do meio.

— Como é que é, seu bostinha? — E devolveu o dedo do meio. — Se falar assim de novo comigo, eu te meto a porrada.

A mãe pareceu querer dizer algo, mas Teya se meteu entre eles rapidamente e pediu desculpas, acabando com aquilo. Depois que se afastaram, ela deu um peteleco na orelha de Adam.

— Para com isso, se você causar problemas demais, vai acabar sendo expulso — repreendeu ela, séria. — E todos falamos a língua padrão, como eu te disse antes, mas as crianças e os adultos estão falando na nova língua para se acostumarem.

— E tá funcionando?

Pela expressão de Teya, aparentemente não.

— Vem — disse ela, apontando com a cabeça para ele a seguir.

Andaram um pouco e chegaram num grupo de pessoas em volta a uma pequena fogueira, todos estavam conversando, rindo e comendo carne em espeto. O cheiro era tão forte que enjoou Adam.

— Gente, esse é o Adam, o skaikru que eu disse estar cuidando — falou ela na língua padrão para que o rapaz entedesse. Os outros fizeram a mesma coisa.

Adam não deu muita atenção a conversa, mas sentou-se com eles, receoso, não confiava em nenhum deles e quando lhe ofereceram a carne, ele negou. Por ainda estar vivo, não achava que estava em grande perigo ali, mas não confiaria completamente em nenhum daqueles terráqueos. Apenas arriscara-se a comer os pães que Teya dera, porque ela parecia a mais boa de todos eles.

A mãe e o menino estavam entre as pessoas naquela fogueira, o moleque em especial o encarava com uma expressão mortal, que Adam não deu a mínima. Entre eles, encontrou também o homem e a criança que vira antes de levar o chute na cara, provavelmente fora ele que o salvara. Hunt ficou quieto durante toda a conversa, observando como eles eram animados e felizes, conversavam como se Adam não estivesse ali ou já fosse parte da família, e aquilo era muito estranho para ele, considerando que sua impressão inicial sobre aqueles terráqueos não tinha sido nada agradável.

— Por que vocês me salvaram? — perguntou Adam, mais tarde, para Teya quando ela o levou de volta para tenda, ajudando-o a andar.

Ela sorriu ao ouvir aquela pergunta.

— Eu entendo o que você passou, Adam, mas nem todos nós somos monstros.

Adam a encarou por um tempo até desviar os olhos para cama, onde pretendia sentar para que Teya pudesse tirar as bandagens e limpar a ferida, mas os dois foram surpreendidos quando uma mulher adentrou na cabana falando que alguns soldados da Rainha estavam chegando.

Um detalhe no que a mulher falou foi suficiente para Adam saber que nada de bom viria daquilo: ela nem mesmo se dera ao trabalho de falar na nova língua.

Os recém-chegados eram, de fato, soldados da rainha, estavam em cavalos, alguns tinham duas cabeças, outros tinham deformações diferentes. Adam observou pelas frestas da parede da cabana, tentando acompanhar o que acontecia lá fora, como todos eles falavam na língua terráquea, ele não conseguiu entender nada. Nenhum daqueles homens parecia fazer parte do grupo que lhe atacou, mas quando estava prestes a afastar seus olhos e voltar para cama, encontrou um deles, um pouco escondido atrás de outros dois, e aquele sim era um que conhecia. Era um dos que lhe atormentava nos seus sonhos, toda vez que dormia. Era o maldito arqueiro que acertara o rosto de vários jovens, adultos e mulheres enquanto seu cavalo atravessava a multidão, com uma habilidade surpreendente.

Adam foi dominado pela raiva e quis se levantar, sair daquela maldita cabana e matar aquele homem, mas ele não conseguiu se mover, seus olhos não conseguiram sair do homem, ele não conseguiu mover nem um dedo. Não até começar a tremer, pelo menos. Foi como se estivesse acordando de um pesadelo novamente, seu coração começou a pulsar enlouquecidamente e seu corpo tremer muito, tentou respirar, mas estava complicado demais. Adam caiu de costas na parede, contorcendo as pernas e com as mãos no peito, tentando recuperar a calma, mas ele não conseguia. Ele, simplesmente, não conseguia. Sua visão pareceu ficar turva, sentiu seu corpo ficando quente como se estivesse pegando fogo. Desesperado, tentou levantar e caiu de quatro no chão, não teve nem tempo de tentar fazer outra coisa e vomitou. O mundo parecia estar girando ao seu redor. Caiu no chão, encarando o teto, dominado de desespero e medo, sentindo-se sufocado. Algumas lágrimas escorreram pelos cantos dos seus olhos, enquanto ele pedia desesperado que alguém o ajudasse, que algum deus o ajudasse.

Então, sem mais ou menos, ele se acalmou. E, naquela altura, os soldados já tinham ido embora. Soube depois que eles estavam perseguindo "fugitivos" que tinham escapado e provavelmente estavam na floresta. Em outras palavras, seus amigos.


— Não.

A resposta curta e direta de Cynthia Foster fez com que o sorriso descarado de Tyler morresse, sendo substituído por uma expressão de tristeza e desespero.

— Faça a cara que quiser, eu não vou te ajudar — disse Cynthia, adiantando-se antes que o rapaz falasse algo mais.

Os dois estavam nos fundos da Estação, onde haviam os motores e outras coisas do tipo, juntos de vários outros engenheiros que estavam reparando os problemas. Ela também era um dos engenheiros. Cynthia era uma garota muito bonita e esperta, mas que carregava sempre um semblante de tédio e mal humor, não que ela fosse realmente mal humorada, a garota só não se dava ao trabalho de sorrir a toa. Era uma pessoa complicada de se fazer amizade pelo seu desinteresse em conhecer novas pessoas, o próprio Tyler tivera dificuldades, a conhecera pelo seu falecido melhor amigo, que era praticamente um irmão para garota. No começo era claro o desconforto e o desgosto da garota em relação à ele, mas com o tempo, por sorte, aquilo melhorou. Principalmente, após a morte de David.

— Qual é, me ajuda, por favor — pediu Tyler, seguindo a garota que não parava de caminhar pelo local, checando os motores e outras coisas. Ao vê-la o ignorando, arrancou a caneta prendendo seu cabelo num rabo de cavalo e se afastou.

— Devolve isso — mandou Cynthia.

— Não.

— Devolve. — Ela tentou pegar, mas Tyler apenas ergueu o braço pra cima.

— Não.

Cynthia tentou dar um soco fraco nas partes íntimas de Tyler, mas ele desviu no último instante.

— Errou! — comemorou com um sorriso.

Ela continuou lhe encarando com uma expressão irritada, mas por fim cedeu e um pequeno sorriso de canto surgiu em seu rosto. Os dois foram para praça central, sentar e conversar, enquanto comiam alguma coisa. Cynthia conhecia Tyler muito bem, assim que o deixou explicar o que era a tal "ajuda", já esperava algo complicado e que poderiam lhe trazer problemas. Ela estava completamente certa.

— Você só pode estar maluco, não é?

Cynthia nem sabia como reagir aquilo. Passara um bom tempo furiosa com Tyler, que resolvera invadir a sala de controle da prisão e ser preso por isso pouco depois da morte de David, deixando-a sozinha. Mas ela aceitara aquilo, afinal, ele tinha sido preso faltando apenas uma semana para que fizesse aniversário e se tornasse um adulto, então ela esperou pacientemente para que pudesse xingá-lo um pouco, coisa que ela fazia raramente e só quando estava muito revoltada, mas a rebelião acontecera e a Arca caíra. O próximo mês, ela passou atormentada sem saber se Tyler estava vivo ou não, achando que estava amaldiçoada. Sua mãe, seu pai, seu "irmão" mais novo e agora Tyler. Todos que se aproximavam dela, morriam. E, da noite para o dia, descobriu que a fonte do sotaque mais irritante do mundo, a última pessoa viva com sangue irlândes como David costumava chamá-lo, estava realmente vivo.

Um dia depois, ele queria voltar para floresta e lutar contra os selvagens.

— Eu não consigo entender, Tyler. Você quer morrer?

— Eu sei que é difícil entender e que é perigoso, mas eu realmente preciso da sua ajuda — disse Tyler.

Cynthia encarou Tyler, ainda confusa e surpresa, ainda sem saber como reagir.

— Tyler, eu...

— Não se preocupa, okay? Você não vai se meter em problemas, eu já tenho tudo planejado, eu pensei nisso desde ontem. Eu tenho uma amiga que o ex-namorado dela é um guarda, ele tá de licença, mas ele vai conseguir te botar dentro dessa sala de controle. Eu vou me assegurar que você não entre em problemas.

Eu não estou preocupada comigo, seu idiota.

— Olha... desculpa, Tyler, eu não posso te ajudar nisso.

— Cynthia, eu...

— Tyler, eu já disse que não...

— Cala a boca e me escuta, porra! — gritou Tyler, de repente. — Tem crianças correndo perigo, Cynthia, tem crianças que podem estar sofrendo agora. Meus amigos estão sofrendo agora. Eu estou perdendo todo mundo. Minha mãe, meus amigos. Meu melhor amigo! Todos eles estão morrendo! Eu não posso deixar eles morrerem também.

— E você acha que eu não estou perdendo todo mundo também!? Meu pai matou minha mãe quando eu tinha oito anos, Tyler. Quando eu tinha oito anos! Se não fosse o bastante, meu pai se matou. E o David era o seu melhor amigo, eu sei. Mas ele era meu irmão caçula, fomos criados juntos, crescemos juntos. E ele está morto. — A voz de Cynthia se tornou mais fraca com o decorrer das palavras, ficando cada vez mais chorosa. — Eu não me importo com os problemas que eu posso ter te ajudando, eu me importo com você! Eu não posso perder você também!

Tyler estava tão focado em seus objetivos, que não prestara atenção ao que estava acontecendo dentro dele, não percebera o quão frustrado e quão mal estava com tudo aquilo, por isso explodira com a garota. E agora, ele estava sem palavras com a reação de Cynthia. Ela era muito fechada e muito quieta, era difícil vê-la tendo ataques como aquele, talvez impossível.

— Desculpa — falou Tyler, após alguns instantes em silêncio.

— Desculpa, também.

Os dois ficaram em silêncio, olhando para a mesa, evitando contato visual, nem mesmo tinham percebido que aquela pequena discussão chamara a atenção das pessoas em volta.

— Eu entendo seu medo e me desculpa por te exigir algo assim, mas... — Tyler ergueu os olhos para encará-la e ela fez o mesmo. — Com a sua ajuda ou não, eu vou sair daqui e vou atrás dos meus amigos. Eu não posso deixar que eles morram. Eu não vou deixar.

https://www.youtube.com/watch?v=KnrGMHhnqrw

Cynthia apenas continuou encarando Tyler, em silêncio. O que aconteceu com você?

Jeremy estava parado em frente a porta de seu quarto com o cartão em mãos, esperando que a coragem surgisse dentro dele para que enfrentasse o mundo lá fora.

Caterine e Brandon riram enquanto se acertavam com almofadas, mas no fundo, a ruiva estava atormentada, teria que deixar o irmão novamente se fosse em busca de seus amigos. Ela realmente queria ajudar todos, mas no fundo, o que ela realmente queria era ficar com seu irmão para sempre.

Adam estava deitado, encarando o teto da cabana, perdido em seus pensamentos. Teria que ir embora no dia seguinte a pedido de Teya, pela segurança da vila e dele mesmo. Era noite e ele deveria ir dormir, mas não conseguia, nem estava afim daquilo. Levantou-se da cama e foi até a saída da cabana, dali viu a criança encrenqueira de antes chorando enquanto a mãe tentava consolá-lo. Mais tarde, descobriu que o pai do moleque tinha morrido em um dos ataques contra o povo de Adam. O homem fora um dos habitantes da vila que fora obrigado a servir a Rainha e seu exército.

Tyler caminhou pelos corredores, pensando sobre seus amigos, esperançoso de que os gêmeos, Peter, Thomas e Lily estariam bem, assim como todos outros. Só parou de andar quando notou que estava em frente ao quarto de David. Ficou ali por um bom tempo, esperando que alguma coragem surgisse dentro dele para que enfrentasse seu passado, mas no fim, ele apenas voltou a andar, saindo dali.

Alice passou quase cinco minutos relendo a lista de sobreviventes da Estação Rural que chegaram ali, uma vez atrás da outra, esperando encontrar a pessoa. Quando já estava prestes a desistir, quase no fim da lista, ela achou o nome. Ewan Dunham, ele está vivo!, comemorou Alice mentalmente. O pai do Peter tá vivo!

Peter acordou numa cama qualquer, mas muito confortável, no que devia ser a "enfermaria" ali. Viu mais pessoas em outras camas, algumas delas pareciam soldados. Respirou fundo e se moveu um pouco na cama, soltando um gemido de dor. Estava muito cansado e por isso escolheu voltar a dormir, mas antes que fechasse os olhos, sua atenção foi chamada por um velho senhor que estava limpando o chão ali, que ao ver o rapaz olhando para ele, apenas acenou e lhe deu um dos sorrisos mais verdadeiros que Peter já tinha visto na vida. Não havia nada de especial nele, mas por algum motivo, o velho se tornou o protagonista dos pensamentos de Peter, antes que o mesmo dormisse. Por algum motivo, Peter sentiu como se aquela pessoa fosse diferente das outras.

ADIVINHA QUEM VOLTOU CARALHO, isso mesmo eu. Então, o capítulo ficou um pouquinho GRANDE PRA CARALHO, tive que dividir em dois posts KKKK, peço desculpas por isso, pelo menos a partir de agora vai diminuir. E por causa do tamanho absurdo, eu tive que resumir umas coisas, capar outras e algumas ficaram pro próximo capítulo, creio que vocês vão notar isso no decorrer do capítulo.

Sobre os novos personagens, alguns vão ter papéis importantes e outros nãos, mas praticamente todos vão se relacionar com algum personagem principal (tenham se encontrado ainda ou não). Um desses personagens novos se destaca, que é a Cynthia Foster, ela é uma personagem feita pelo Josh que tem potencial de entrar no elenco principal, mas isso só o tempo e o plot dirá, só esperem mais dela pela frente. E um adendo, como a história dessa temporada é bem maior que da primeira, esperem mais pontos de vista, até porque é complicado fazer uma história em volta só de seis "adolescentes".

De resto, eu não li e pelo tamanho do capítulo, deve ter muito erro espalhado por ele assim como descrições que eu deixei pra revisar e editar depois, mas to com preguiça de reler, então vai ficar assim mesmo. Eu também fiquei um bom anos tempo sem escrever, então to enferrujado pra cacete, se alguns trechos ficaram meio bizarros, vou melhorar isso com o tempo. Boa leitura, gente.

E ah, eu tentei suprir o final repentino do capítulo (pq tive que capar o resto e deixar pro próximo) fazendo algo semelhante ao que o Chris fazia na fic dele, aquilo de mostrar vários personagens tipo SOÃO, espero que tenha ficado decente pelo menos.

Coloquei alguns dos personagens novos na lista de personagens do primeiro post. Eu ia botar o Pietro também, que eu botei aparência e os caralho na s01, mas to com preguiça de procurar, fica pro próximo.



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63 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Ter Dez 12 2017, 00:26

Chris

"O macaco é um animal demasiado simpático para que o homem descenda dele." - Friedrich Nietzsche

Capitulão grandão da porra, parece o meu pátio

Tô ansioso pro grupo se reencontrar de novo, mas vamos com calma e por partes: Primeiramente vou começar falando do meu personagem Pedro, que como destaquei no meu último comentário é legal ver ele se obrigando a tomar a posição de líder, gostei de como agiu e foi corajoso, mesmo que seu subconsciente estando tremendo de medo. Ver o Thomas falar sobre ele ser daquele jeito e sempre ter defendido ele foi muito bom também, só acrescentou ao personagem.

Eu acho que o Peter e o Adam podem render boas situações devido as pessoas que estão à sua volta, no caso o povo da Terra, quero ver se rolará algum tipo de aproximação e como será na hora do Peter e os outros serem resgatados (se é que vão né Laughing ).

Não sei o que pensar sobre o Jeremy (na verdade desde a season 1 não sei), mas acho que agora começará o processo de "civilização" dele. Seria o fim de Cross? Quem sabe? Suspect

Confesso que fiquei surpreso pelo estado da Alice, pensei que ela estaria perturbada de uma forma mais aparente. Mas esse jeito que ela apareceu pode acabar sendo bem mais interessante... Como tendo futuros surtos inesperados ou sei lá o que. E sobre a Catherine, continua num vidão da porra, chegou até cogitar não ir salvar os amigos que eu sei.

Gostei do Jay e a ligação dele com o Tyler, de ter mostrado essa vida de BANDINDINHO que ele levava. E curioso para ver mais sobre a personagem nova do Josh, vamos ver que ideia aquele cérebro enigmático teve dessa vez.

Admito estar bastante sem teorias para o desenrolar da trama, o que pra mim é ótimo pois as chances de me surpreender são altas. Gostei do retorno do retorno da fic e aguardo ansiosamente pelo próximo capítulo. Beijinho beijinho.



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64 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Sex Dez 15 2017, 22:30

Josh

Ótimo retorno de retorno da fic com esse episódio de cinco horas.

Aconteceram tantas coisas que fica até difícil comentar. Vou falar sobre o que mais me chamou a atenção:

- Ainda não consigo gostar do Jeremy, nem com esse irmão que surgiu. A trama dele ainda não me cativou.
- Já a do Adam, estou gostando de vê-la avançar nesse território desconhecido. Ainda foi mostrado bem pouco da parte dele, mas prevejo que pode sair coisa boa daí.
- A do Peter foi interessante. Não faço ideia do que ele pode se tornar ao longo do seu desenvolvimento. Ter sido capaz de aguentar a pancadaria e ficar de pé diz muito sobre a personalidade do personagem, que tem uma motivação forte para continuar lutando. Enquanto isso, não sei muito bem o que pensar do amigo asiático dele. Essa covardia dele não parece que vai sumir tão cedo, e sabe-se lá do que ele pode ser capaz agindo dessa forma.
- Gostei da Cynthia. Espero vê-la mais vezes, dessa vez agindo, demonstrando sua personalidade forte e dura. Pensei que a relação entre ela e o Tyler seria um pouco mais complicada inicialmente, mas até que estão se dando bem.

Por fim, Jay parece ser um personagem muito foda. Tem um potencial enorme de ter ótimas cenas na fic, e é bom ter alguém assim no meio dessa juventude toda. Apesar de ele parecer ser um pouco mais contido do que aparenta, não duvido que possa surpreender de forma muito positiva para o enredo. Torço para que esse personagem seja bem aproveitado e eu já gostaria de ver cenas de ele e Tyler trabalhando em dupla ou algo assim. Seria interessante.

No geral, capítulo muito grande, mas bom e não cansativo. Na minha opinião, não tem problema se fizer capítulos menores focados em alguns personagens e deixar os outros para o próximo capítulo. É muito difícil focar em todos os personagens em um só capítulo, fazendo progredir de forma significativa a história sem o capítulo ficar enorme. Também é complicado ficar toda hora tendo que mudar de cenário repentinamente na progressão do capítulo. Fica parecendo uma série, e acho que essa foi a sua intenção. Porém, se não gosta muito disso, sugiro os capítulos menores focados em menos personagens, permitindo mais progresso nas tramas e menos transições de cenário e tempo.

Minha nota para esse capítulo é 3.9/5.



 
Spoiler:

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65 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Qui Dez 21 2017, 21:53

Gulielmus

Olá. Rolling Eyes

Vou ter que manter o meu calote da última temporada e focar só nessa, ou eu não vou conseguir comentar absolutamente nada, mas isso eu acho que você já entendeu. Enfim, vamos ao que interessa...

Não quero me estender muito nos elogios, mas não tem como não dizer que a tua escrita evoluiu monstruosamente. Eu que havia relido toda a Primeira Temporada de uma só vez e agora finalmente li esses dois últimos capítulos consegui notar mais ainda. Foram caps enormes, mas não os senti nada cansativos, foi uma leitura fluída e tudo coube muito bem, você não precisou desnecessariamente estender nada, pelo contrário, eu até senti que caberia muito mais de história. O que eu mais estou gostando é em como você está desenvolvendo os personagens, cada um está tendo um arco próprio, seus problemas e desafios próprios, mesmo aqueles que estão juntos e não separados, como o Peter e o Adam.

Vou plagiar o que todo mundo faz e tentar dissecar cada personagem individualmente, quem sabe isso me ajude a fazer esse comentário render:

Adam: Ele foi um dos personagens que mais me interessou na primeira temporada, talvez por ele já não ter vindo com tanta bagagem emocional prévia quanto o resto, ele pôde ter um desenvolvimento próprio mais único. Trazia a estigma do cara mais escroto e distante, o que permitiu você ir construindo essa aproximação com os outros, além disso, ele é um daqueles que mais parece ser impactado por toda essa violência, mesmo que fosse esperado o contrário quando você o olha superficialmente. Ele tem uma profundidade grande e é um dos que eu vejo com grande potencial de crescer, não só como pessoa, mas dentro desse grupo todo. Pela ótica dele você apresentou esses nativos mais "pacíficos", que serviram bem para apresentar todo esse mundo que se construiu nos últimos trezentos anos. Essa data, aliás, implica algumas coisas, mas pela falta de choque do Adam ao descobrir isso imagino que não seja algo tão vital e impressionante. O que achei interessante é toda essa hierarquia entre esses grupos, com essa galera medieval da Rainha estar aparentemente no topo. Apesar disso, ainda lembro de um trecho da primeira temporada em que você cita uma construção moderna que parecia estar em um aparente bom estado, além daquele carro que eles encontraram, o que é ainda mais esquisito ao considerar esses 300 anos. Enfim, eu já não esperava que o Adam fosse se manter com essas pessoas, e saber que ele vai sair pra em ir em busca do resto do grupo era o que mais fazia sentido com quem ele é.

Alice: Ela não só é quem mais sofreu entre o cast, mas é quem mais se entregou a toda essa violência. Apesar de ter sido uma puta prova de perseverança e força dela como personagem, eu acho que ela chegou a um ponto que não se tem mais volta. Foi essa a impressão que eu tive no fim da primeira temporada e estava um pouco preocupado com o rumo que você a levaria, se seria coerente a todo o trauma absurdo que ela vivenciou e manteria todo estrago que isso causaria a mente de uma pessoa. Apesar de ela ainda estar agindo um pouco como ela era no início, notei o como você deixou claro que ela está bem marcada por dentro, mesmo que ela já fosse um pouco mais forte do que a maioria, por já ter vivido um trauma semelhante (dada as proporções, obviamente). A maioria vê o Jeremy como o personagem que pode balangar para o lado errado primeiro, eu já vejo a Alice como a maior candidata para esse papel e não acho difícil que isso pode acontecer em breve.

Caterine: Achei bem interessante esse drama pessoal dela com o irmão e a cena do reencontro na temporada passada foi uma das melhores. Apesar de também ter sido afetada por tudo o que houve, ela deve ser quem está melhor nesse momento e a quem a ideia de sair da segurança da Arca é a mais complicada. Eu pessoalmente acho que ela deveria ficar com o irmão, e até me incomoda um pouco toda a cobrança que a Alice o Tyler impuseram a ela. É completamente compreensível a posição dela se ela preferir ficar, mesmo que você já tenha deixado claro nos trechos do "pov" do Adam que o "Povo do Céu" está em risco de ser atacado em breve.

Cynthia: Se não fosse por você ter me dito, eu nem iria imaginar que ela fosse a personagem do Josh. Entendi a relação dela com o Tyler e a utilidade para esse plano de fugir da Arca, mas eu realmente não entendi a necessidade do Josh ter se dado o trabalho de ter criado ela. Entendo que está rolando esses reencontros com conhecidos da Arca com os personagens e tal, mas sinceramente não vejo espaço para mais um personagem de destaque que segue os mesmos moldes dos nossos protagonistas. Achei o John MUITO mais interessante e até imaginei que ele fosse o personagem que o Josh quis colocar na história, principalmente por ser alguém mais velho. Foi até meio esquisito ela tendo que frisar que o pai matou a mãe e o cacete... Enfim, para mim ela tá aí só para ser um óbvio par romântico para o Tyler, espero que não roube espaço de ninguém.

Jeremy: Já conversamos sobre as minhas impressões do personagem, mas faço questão de frizar que estou satisfeito até agora. Não preciso ficar repetindo que você está transcrevendo muito bem as impressões que eu tentei passar através da ficha e estou achando o personagem bastante interessante e dramático. Achei do cacete aquele primeiro momento dele com o Bill no segundo capítulo, você passou muito bem um clima desconfortável e somente essa construção já era suficiente para o entendimento da relação entre essa família, assim como aquele diálogo final sobre o pai deles. Foi uma ideia interessante você ter mantido o irmão dele vivo e ainda mais com toda uma família, cria uma dinâmica interessante para o personagem, caso você já não mate todo mundo no próximo capítulo. Tenho bastante curiosidade para saber o que você pretende para ele no futuro, mas é interessante saber que ele finalmente pareceu ter finalmente "absorvido" o que o Cross representava, ao invés de simplesmente continuar a separar todos os seus traços positivos, como confiança, liderança e inteligência em uma entidade completamente a parte da sua, como se não fosse ele próprio capaz de ter sido alguém melhor.

Peter: É um personagem bastante interessante de acompanhar, não só por todo seu lado cômico, mas por ser o que mais teve espaço para evoluir em toda essa história. Ainda mais que o Adam, o Peter era um personagem com pouca bagagem, uma pessoa bem mais comum e por isso ele foi tão fácil de se identificar. Agora ele está numa posição semelhante a que a Alice ocupou na temporada passada, dentro de um cativeiro a merce de inimigos misteriosos, mesmo que num estado bem melhor, abrindo toda uma gama de possibilidades para você explorar, até mesmo criar uma certa comparação entre personagens, ainda mais com ambos já terem uma ligação. O personagem manter esse ideal mais pacífico, depois de ter sido o que mais sentiu todo o impacto daquela violência, faz ele ainda mais foda de se acompanhar e com mais potencial.

Tyler: Ainda não consigo gostar do Tyler, nem com essa amiga que surgiu. A trama dele ainda não me cativou.
Spoiler:
Brincadeiras à parte, ele era um dos que mais me interessou na primeira temporada, por ocupar o espaço de "paizão" da galera, aparentemente sendo o mais maduro do grupo. Teve um arco de personagem muito bom e um destaque já meio óbvio por ele ter ocupado a posição de liderança. Apesar disso, esse passado meio delinquente me incomoda um pouco com o tipo de pessoa que ele aparenta ser, criando um contraste meio esquisito com toda a maturidade que ele demonstra em suas ações. Apesar de você ter expandido isso ainda mais com esse Clube de Luta, gostei bastante desse Jay mesmo não vendo muito futuro nele, infelizmente. Apesar das minhas ressalvas, eu vejo potencial nele e mesmo com toda essa indecisão de assumir ou não a posição de líder ser meio chatinha, encaixa perfeitamente com tudo que o personagem passou. Ainda acho que ele, junto com a Caterine, parece serem os menos afetados por toda a violência que causaram, mas whatever.  
Enfim, estou gostando de como as coisas estão indo até agora e cito os líderes da arca como personagens que eu quero ver mais, mesmo com um cast tão cheio de gente como esse. Gosto também dos pequenos detalhezinhos que você cita, como as formas que a arca funciona, os trabalhos em volta do acampamento, como plantações, que denunciam a óbvia performance melhor dos adultos em se firmar naquele lugar inóspito, e até mesmo o fato de eles terem eletricidade, aparentemente. Bem interessante.

É um pouco previsível que vá dar uma merda do cacete e todo mundo ir para o caralho e se dividir de novo, alá TWD. Talvez previsível até demais, me fazendo querer que você siga um rumo um pouco mais diferente do caos que é esperado, enfim, opinião minha.

Edit: CARALHO!!! Minha cabeça explodiu quando dei uma relida no trecho inicial do primeiro ep, nem tinha sacado que era um flashforward e não algum tipo de flashback. Muito foda, fez até uma referência a Crônicas de Arthur com o Derfel escrevendo o que vivenciou, mesmo que ainda não seja uma garantia. Bem bolado!



 

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66 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Ter Dez 26 2017, 01:27

Dwight

Demorei mas consegui, prometo melhorar o tempo no próximo. Rolling Eyes

Começando pelo mais importante: Que merda de nome de capítulo é esse? Achei que sua especialidade era nome merda para personagem. Suspect

O capítulo teve a introdução de vários novos personagens, alá Stranger Things, alguns me interessaram mais, outros menos, mas vamos aos poucos.
Gostei do John, obviamente. Eu ainda acho que os verdadeiros vilões agora (ou em algum ponto futuro) possam ser essa galera mais velha da Arca, o que seria uma quebra em povo novo da Terra/povo novo da Terra 2. O John parece completamente D A M A G E D, completamente puto com o Bryan e aquelas merdas, talvez possa virar um aliado dessa galera mais nova, ou o oposto. Difícil prever, mas ele foi o mais interessante dos personagens novos.
As crianças foram rápidas, e todas parecem ser exatamente aquilo que suas aparências sugerem, mas eu espero que eles não sejam descartáveis. Porra, faz um duo tipo Steve/Dustin com o Adam e alguma dessas crianças, isso ia ser foda pra cacete.
A Cynthia, que eu sinto que vai ser a com mais espaço Ben Affleck Boladão, não tenho muito o que opinar. Garota fechada com sentimentos reprimidos, se importando com o batatão que não nota. Só que ao invés de tímida, ela faz o tipo durona indiferente. Não sei o que esperar, também, além de ajudar eles a saírem.

Sobre o 2.01, agora que li a edição refeita, vale mencionar aquela introdução que eu também não tinha notado ser um flashfoward. Eu gosto desse tipo de coisa, só espero que não tenham todos morrido. Razz

Agora seguindo a ordem de sempre:

— Tyler: Um bom malandro, conquistador. Tem naipe de artista, pique de jogador. Eu gostava mais de ver ele como o cara gente boa e simples que eu via lá no início, achei que a coisa foi ficando meio milaborante de mais nesse passado de traficante/gangster espacial que acertava contas for hire e lutava clandestinamente pra salvar a mãe doente, já que o que me agradava era justamente a simplicidade e o estilo hillbilly, mas ainda vejo potencial. Ele vem tomando uma posição ativa no presente, e até mesmo o passado com o qual tenho ressalvas vem servindo para isso, o que acho legal. Ele mais agiu do que reagiu nesse capítulo, então pouco mudou do 2x01, mas vale observar que ele continua tomando a posição de liderança.
— Peter: Em relação ao 2x01, acho que esse foi o plot que andou menos. É a continuação daquilo, serve para mostrar ele, — em meio ao monte de crianças e poucas bostas, — tendo que tomar as rédeas e mostrar maturidade, mesmo que forçadamente. Gosto dele tentar manter essa ideia de pacificidade, que provavelmente vai se provar impraticável. Muito estranha essa galera toda aí, bonzinhos de mais para quem mantém crianças escravas, o buraco deve ser mais fundo. E essa parte do velho no final? ???????????????????
- Thomas: Curti, basicamente, ele ser um cagão. Isso pode tomar dois rumos completamente distintos.
— Alice: Teve bastante destaque no 2.01, então nesse fez foi porra nenhuma. Não lembro de nenhuma citação ao pai do Peter, então não sei qual era a relação deles e o que ela faz atrás do cara.
— Jeremy: Caralho, mas que MERDA eu tava na cabeça pra dizer que esperava que ele virasse vilão? É o personagem com mais bagagem até aqui dentre os nossos, até por ter um background diferente, e um dos que acho mais interessante. Achei que todas as situações dele nesse capítulo, apesar de simples, soaram muito fluídas, não sei explicar, mas teve uma naturalidade. Destaque pro diálogo com o irmão, que me pareceu muito verossímil (apesar de o cara ser um filha da puta que esfregou o sucesso na cara dele). Não espero mais que seja um vilão, mas não sei o que esperar dele.
— Caterine (sem h): Teve bastante destaque no 2.01, então nesse fez foi porra nenhuma.² Ganha pontos por ter sido a ÚNICA a lembrar do Adam, o filha da puta do Tyler lembrou até dos gêmeos (quem???). Eu gosto desse conflito de querer ajudar os amigos x ter algo para proteger agora com o irmão, é um conflito básico, mas assim como as situações do Jeremy, são muito verossímeis, talvez por isso são dos que eu mais gosto.
— Adam: O cara tá num PTSD foda. Daora essa vila aí, tem uns deusinho e tal e não sei o que lá, tiazona gente boa, molecada chata. Tenho impressão de que ele "ter visto o outro lado" vai fazer ele se questionar sobre o que é certo e o que não é, no futuro, apesar de que será difícil fazer algo sobre isso. Nem todo inimigo quer aquilo, e assim como eles eram ferramentas para quem tá no topo da hierarquia da Arca, vários daqueles soldados são o mesmo para quem os comanda, mas ainda assim tem uma vida e famílias. Isso se relaciona bastante com a vida dele e em como eles serem tratados como "coisa" por quem está no poder lhe afetou, então acho que inevitavelmente ele vai se identificar com isso. Essa galera parece genuinamente boa, mas o inferno tá cheio de gente boa que só seguia ordens; é bom ele sair logo daí, mas nem eu consigo imaginar que rumo ele tomaria sozinho agora.

Enfim, a parada tá ficando um pouco cheia de personagens, então prevejo mortes e/ou esquecidos, mas quero ver como você vai lidar com isso. O status quo pouco mudou do 2.01 para cá, então continuo sem saber muito bem o que esperar: Tyler e Alice provavelmente vão conseguir escapar com armas, a Caterine tem o dilema de ajudar ou ficar com o Brandon, não tenho uma puta ideia do que o Jeremy vai fazer, mas certamente ele não vai viver uma vida normal ali, o Peter deve continuar lá se recuperando e sonhando com o velho sem dentadura, mas (contando que os outros consigam sair) deve ser o objetivo deles encontrar essa galera (ir atrás do Adam é que ninguém vai ir Smile), já o Adam sei lá, acho que ele não tem muito o que fazer além de tentar voltar em direção a Arca (e 1. ser encontrado por alguém indesejado ou 2. se desencontrar do resto). O mais legal é que todas essas suposições podem estar erradas.



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67 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Sex Dez 29 2017, 23:25

Babi

Infelizmente não mandarei aquele comentariozão, porém, queria dizer que como sempre ta bem daora de ler. Uma leitura fluida e fácil, mas que não deixa os detalhes passar, de modo que seja fácil visualizar não só as cenas mas os personagens naquele contexto. Ta bem foda mesmo, Gabriel, então não abandone essa fic linda do povão. Além disso, queria elogiar a forma com que você tem tratado os personagens e apesar de muitas vezes não da pra ter muito sobre um em cada capitulo, ta bem maneiro o caminho em que você ta levando cada um deles. Porém, nesse comentário vou destacar mais a minha, porque to curtindo bastante essa parada. Mesmo que eu pensava que o trauma seria mais visível, é bem daora saber que aquilo é uma mascara pro mundo e que em algum momento ela vai explodir e fazer uma merda muito grande, pq ta na veia dos meus personagens. Enfim, prossiga com essa beldade e é nós.



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68 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Qua Jan 17 2018, 15:50

Luckwearer

S02E03 - Day Trip 2.0

Spoiler:
A biblioteca era realmente um local de se admirar. Cem anos atrás, antes das estações se unirem após o fim do mundo, elas não passavam de "naves espaciais" de seus países progenitores. Naquela época, com os conflitos entre os países na guerra total, a criação daquelas estações foram apressadas e até mesmo disputadas. Era uma segunda "corrida espacial", como na Guerra Fria. Mas a pressa não transformou o resultado em algo de baixa qualidade, muito pelo contrário, quem era atento sabia reconhecer os locais na Arca que foram originados junto com seu nascimento e os, de mais baixa qualidade, que foram criados com o decorrer do século, por meio das mãos dos sobreviventes do apocalipse. Aquele salão onde ficavam inúmeras prateleiras e livros, era uma das criações originais, notável por sua beleza e ostentação. As prateleiras e vitrines não eram de madeira, mas sim de outro material, talvez metal, talvez aço, ele não sabia, eram fechadas por vidros que não deixavam o oxigênio entrar, tudo para que os livros se mantivessem intactos pelo máximo de tempo possível e, mesmo assim, alguns já mostravam sinais de velhice.

Para Jeremy, aquele lugar era seu segundo lar. Silencioso e solitário, era ali que ele se afastava do resto do mundo. Também fora ali que ele começara, de fato, sua profissão como professor de história. Lera tantos livros, aprendera tanto, adaptara tanto, planejara tanto, e no final seus alunos nunca se importaram, nunca lhe deixaram ensinar como queria. Acompanhado disso, seu pai nunca concordara com o rumo que tomara, vindo de uma família com raízes no Quartel e na agricultura, ele queria que seu filho mais novo pendesse para uma das duas profissões, sempre dizendo que professor não era algo para Jeremy. Em um dos poucos momentos de sua vida, que Jeremy empurrou todos de sua frente e seguiu seus sonhos, sem se importar com mais nada, não deu ouvidos ao pai e foi atrás da profissão, e conseguiu. Mas, com tudo que acontecera dentro da sala de aula, as humilhações diárias e sua incompetência diante dos alunos crueis, tivera de voltar com o rabo entre as pernas para colheita e seu pai. O homem não era ruim, nunca o maltratara, na verdade até mostrava gostar do filho, mas o sentimento era minúsculo comparado com o que sentia pelo irmão mais velho.

No fundo, Jeremy Cross não queria apenas seguir seus sonhos, ele também queria mostrar ao seu pai que ele era tão digno de respeito e admiração quanto Bill, do seu próprio modo, em sua própria profissão.

Afastou aqueles pensamentos da cabeça e resolveu focar nas prateleiras altas, olhando os livros nelas com nostalgia, já tinha lido a maioria que estava disponível ali. Quando finalmente tomara coragem de sair do seu quarto, já estava perto de anoitecer, ele pedira para o guarda mostrar o caminho para biblioteca e teve que enfrentar os diversos olhares durante o caminho. Pena, nojo, estranheza e vários outros sentimentos eram notáveis nos olhos das pessoas que lhe viam. E para sua sorte, ao chegar no fim daquela fileira, deparou-se com uma pequena área entre várias outras, onde haviam algumas mesas e cadeiras para se sentar, onde estavam as duas meninas do dia anterior, antigas alunas dele. Agora, banhado e com roupas decentes, elas começaram a lhe reconhecer, sussurraram entre si, lhe olhando, desviando os olhos para disfarçar. Aquilo trouxe tantas memórias à ele, como um gatilho, que virou desesperado, apressando o passo para afastar-se dali o mais rápido possível. Em sua cabeça iria voltar para seu bunker, seu refúgio de todos perigos do exterior, sem perceber que dificilmente o deixariam sair do acampamento.

Parou de andar, ao deparar-se com Tyler alguns passos dele, aproximando-se. A aparência de Jeremy continuava horrível, mas depois do banho melhorara bastante. Tyler olhou em volta, sentindo-se tão nostalgico quanto e viu o livro nas mãos de Jeremy.

— Não achei que era um leitor — comentou Tyler.

Jeremy ficou em silêncio, inicialmente, mas por fim, respondeu:

— O que você quer?

— Olha, vou ser direto. Eu e as garotas pretendemos sair do acampamento durante a noite para ir atrás dos nossos amigos. Temos o mapa, temos armas, temos alguém para desativar a cerca eletrica, mas... — Tyler respirou fundo, estava se obrigando a fazer aquilo, não gostava de Jeremy e depois do que fizera no acampamento dos adolescentes, estava com um pé atrás em relação ao homem. — Olha, cara, temos tudo, menos alguém que saiba andar nesse maldito lugar. A última vez que tentamos sozinhos, fomos encurralados num pântano, então basicamente precisamos de alguém para nos guiar... pela floresta.

Jeremy escutou as palavras com atenção e ficou em silêncio após ouvi-las. Não queria ir, mas queria ir. Não queria ficar naquele lugar, mas também não queria se arriscar por pessoas que não conhecia. Olhou para trás e viu as mesas que eram enxergáveis dali, a mesa das garotas não era, mas fora o suficiente para que virasse e respondesse:

— Eu vou com vocês.


Alice não conseguia dormir, por mais que tentasse. Foram poucas as vezes que conseguira desde que fora jogada naquela piscina de merda. Seus pensamentos, pelo menos, não estavam na tortura e sim em Peter, seu melhor amigo. De um mês, riu lembrando-se que conhecia o rapaz há pouco tempo, mas já amava o idiota. Saiu da cama, colocou seus tênis e foi para fora do quarto, rumando para praça central. No caminho viu algumas pessoas de sua idade rindo e se divertindo. Mesmo com todo inferno que vivia em casa, ela costumava ser como eles, agora, ela era uma casca sem vida do que um dia fora. Estava com olheiras e cansada, não era uma boa noite para correr pela floresta em busca de seus amigos, mas não ligava, estava determinada.

Não tinha nem mais sua amada câmera, algo que a entristecia profundamente, soube que Peter cuidara do objeto depois dela ser levada pelos canibais, só restava torcer que ele ainda a tivesse.

Quando chegou no local, o guarda que cuidara da lista de nomes dos "sobreviventes indentificados da Estação Rural" lhe chamou, perguntando se era ela que vivia perguntando sobre Ewan Dunham. Ao responder sim, ele apontou para o bar e para o homem loiro virando uma garrafa.

— Eu não bebo — dissera Peter, uma vez.

Alice caminhou até o homem e cutucou-lhe no ombro, ele se virou, mostrando olheiras piores que a dela, uma barba que já estava na hora de ser feita e revelando também um bafo de alcoól insuportável, ao perguntar o que ela queria.

— Por que não? — perguntara Alice, curiosa.

— Você é o pai de Peter Dunham, não é? — perguntou Alice, tentando ignorar o hálito.

O homem a olhou de cima a baixo, estranhando a pergunta, mas no final dando de ombros.

— É, eu sou. O que tem? — Em sua voz era notável o desagrado em conversar com a garota.

Ela escolheu ignorar a má vontade do homem.

— Porquê não traz nada de bom — respondera Peter.

— Meu nome é Alice, eu sou um amiga dele. Eu estava com ele depois que a Arca caiu na Terra — respondeu Alice. Esperou dezenas de perguntas, mas ganhou apenas silêncio, exceto quando era quebrado pelo som do líquido descendo pela garganta do homem. Julgando que ele ficou sem reação, resolveu continuar. — Eu sei que vai ser difícil de ouvir isso... mas ele foi levado por selvagens, junto de outros amigos nossos. Mas eu sei que ele tá bem e...

— Então, você era uma prisioneira também? — questionou Ewan, lhe encarando, após interrompê-la.

Alice não soube como reagir diante daquela pergunta, de tantas que esperava ouvir da boca do homem, aquela era a última.

— É, eu era — respondeu, depois de hesitar um pouco.

— Só serve para pessoa beber até se afundar e distanciar os outros.

— Não sei por que esperei algo de diferente daquele moleque — murmurou Ewan, virando-se para o balcão novamente e bebendo mais um gole.

— Como assim, "algo de diferente"? Eu tô falando que seu filho tá em perigo — disse Alice, um pouco furiosa.

— Machucar ele e a outra pessoa. Tudo porquê ele não aguentou lidar com suas próprias merdas e usou isso como uma válvula de escape — continuou Peter. Ele disfarçava muito bem sua raiva nas palavras.

— Bem... eu espero que ele esteja bem, então — respondeu o homem com os olhos vidrados na garrafa, balançando o líquido dentro dela pra ver quanto faltava. Alice não podia ver, mas os olhos do homem passavam uma tristeza absurda.

Eu e meu pai... bem, não temos uma relação boa pra ser sincero, dissera Peter uma vez. Agora, Alice entendia. Estava fervendo de raiva, mas não conseguia soltar uma palavra para aquele homem, a frieza era tanta que lhe lembrava do próprio pai.

Apenas se virou e caminhou para longe, com a mente dominada pela vontade de quebrar aquela garrafa na cabeça do bêbado, até que sua atenção foi chamada por uma confusão perto dali.


Desde a juventude, Bryan e John sempre tiveram seus papéis como dupla, o primeiro era bom em liderar e o segundo era bom em lutar, o primeiro era calmo e pensativo, o segundo era mais impaciente e impulsivo, mas mesmo com tais características, John nunca fora alguém estúpido e sem precendentes. Pelo menos, não era. Em apenas uma questão de minutos, diversos sentimentos passaram por ele, manipulando sua fraca mente.

Ele estava em uma mesa qualquer da praça central, bebendo como sempre, enquanto passava as fotos de sua família no tablet. Ele e Megan no casamento, ela grávida com ele sorrindo ao lado, Freddie quando era bebê em seu colo, Freddie já maior com eles ao lado. Em todas fotos eles estavam sorrindo. Eram uma família feliz, tudo que ele sempre quisera e tudo que muitos sonhavam em ter. Fechou a galeria e desligou a tela do aparelho assim que sua mente saiu da nostalgia e voltou para realidade, onde ele não tinha mais ninguém, nem mesmo seu trabalho. Ele não tinha mais nada.

Assim que seus olhos alcançaram Megan entrando na praça central, uma faísca de esperança brotou em seu peito, iniciando uma chama de alegria que lhe fez quase levantar da cadeira e ir atrás dela, mas tão rápido quanto surgiu, a chama desapareceu e as faíscas sumiram, ao ver Ryan alcançando-a segundos depois. Ryan Evans era o homem por quem Megan se apaixonara depois de se separar de John, ele não era tão bonito assim, era branco, de cabelo liso e castanho, um pouco alto, mas era bem divertido e a fazia muito feliz. Era uma pessoa tão legal, que não foi difícil de conquistar Freddie, quando seu pai de verdade começou a afundar cada vez mais. Ao ver aquilo, John ficou frustrado, ficou irritado, mas não fez nada, nem se moveu. Porém, quando viu Freddie logo atrás deles, conversando e rindo com Ryan como se fossem pai e filho, com Megan sorrindo ao lado deles, John perdeu completamente a cabeça. Quando perceberam, John já estava neles, pulando sobre Ryan e derrubando ambos no chão. Ryan era alto e parecia forte, mas John era um soldado, era alto e bem mais forte que ele, a sorte de Evans era o fato de John estar bêbado.

Megan tentou parar os vários socos que John estava dando em Ryan, por cima dele, mas foi empurrada para trás com força pelo bêbado, que só tinha olhos para quem estava em baixo ele. Naqueles segundos que Megan tinha atrapalhado, Ryan aproveitou-se para acertar um forte soco no rosto de John que ficou meio atordoado, mas continuou em cima dele, então os dois começaram a rolar, trocando golpes, até que os guardas os separaram.

— Senhor, calma! Não quero te machucar! — Um dos guardas pediu, provavelmente um dos homens que lhe serviram enquanto exercia algum poder. Era bem respeitado e adorado pelos guardas, sua saída não foi vista com bons olhos, mas naquela altura qualquer um que não tinha gostado da decisão, já havia a entendido.

John só tinha olhos para Megan e Freddie se juntando à Ryan, preocupados com ele. Olhavam para John com medo e raiva. Sentia uma dor imensa por Megan, mas naquele momento, ao ver aquela expressão em seu filho, que já estava na margem dos quinze ou dezesseis anos, sentiu como se uma faca tivesse penetrado em seu coração, cortando-o em pedacinhos.

Aquela expressão cravou-se em sua mente mesmo horas depois, quando estava preso em uma cela improvisada.


Caterine terminou de arrumar sua mochila com tudo que precisava: algumas roupas, água e alimentos. Respirou fundo e suspirou, precisava fazer aquilo, precisava ajudar seus amigos. Decidira ir com eles, mesmo seu coração pedindo o contrário. Seus olhos se viraram para Brandon que estava em pé, observando-a. A ruiva não conseguia nem mesmo encarar o irmão sem que seu corpo fosse dominado pela vontade de ficar ali, fingir que o resto do mundo não existia, só ali com ele, lendo o maldito livro pela milésima vez. Mas não podia, não podia. Repetia isso em sua cabeça várias vezes.

— Você tá com tudo que precisa? — perguntou ele, olhando para a mochila. Desde pequeno, Brandon sempre fora bom em esconder os sentimentos, sempre fingia estar feliz mesmo quando estava triste, principalmente no aniversário da mãe deles, era sempre ele que tirava forças para alegrar o dia, já que Caterine não conseguia, não naquele dia.

Não, não preciso. A resposta quase saltou de sua boca, mas ela engoliu no último instante. No mês que passara no acampamento dos delinquentes, um dos dias fora o aniversário de Brandon. Ela passara o aniversário de seu irmão mais novo, uma data tão especial para eles, no outro lado do mundo, distante dele. Ela já estava há muito mais tempo distante dele, pois fora presa. Caterine não aguentava mais aquilo, não aguentava mais ficar longe do irmão.

Mas ela era boa em sacrificios, fizera isso durante toda sua vida.

— Preciso ir ajudar meus amigos, Brandon. Eu queria ficar com você aqui, mas... — Não conseguiu terminar. Ela estava se colocando em perigo de novo, ela poderia morrer e se isso acontecesse, ele perderia a última pessoa que tinha como família para sempre. Por mais que tentasse, aquele tipo de pensamento não parava de ecoar na sua cabeça.

— Mas você precisa ajudar eles. Eu entendo — respondeu ele, sorrindo. — Só volta, okay? — pediu, agora sem o sorriso.

Caterine encarou o garoto por alguns segundos e o puxou para um abraço forte, apertando-o com toda força do mundo, coisa que ele devolveu para surpresa dela, era algo raro, ele odiava abraços de urso, que esmagavam a pessoa, mas naquele momento estava competindo com ela. Aquilo tirou um sorriso dela que não soltou o garoto por um longo tempo, até que o mesmo quebrou o abraço.

Antes dela sair do quarto, Brandon a chamou e ela se virou para ele.

— Lembre-se que precisamos terminar o Pequeno Príncipe... mais uma vez.

Caterine sorriu.

— Eu prometo que quando voltar, terminaremos esse livro. Porque eu nunca mais vou me separar de você — disse, já caminhando em direção ao irmão para abraçá-lo novamente.

— Não, não vem, se você vir, você não sai mais! — exclamou Brandon, interrompendo-a.

Ela suspirou, era verdade. Saiu do quarto e antes de fechar a porta, deu uma última olhada para o irmão. Ele cresceu.

Caterine teve que andar sorrateiramente pelos corredores, estava de madrugada e aproveitariam aquele horário escaso de pessoas perambulando pelo acampamento para sair dali. Viu alguns guardas caminhando pela praça central e passou por eles com todo cuidado do mundo para não chamar atenção. Deveria ter ido com os outros dois, notou isso quando começou a esbarrar nas coisas e chamar atenção. Por sorte, conseguiu sair da estação, a guarda na entrada era quase inexistente, o foco era mais no exterior, perto das "muralhas" que construiram para protegê-los dos selvagens.

Encontrou Tyler e Alice lhe esperando num canto escondido por destroços, ao lado da cerca. Para sua surpresa, Jeremy estava ali também, não achava que ele iria aceitar ir com eles.

— Mayday, mayday — falou Tyler, baixinho, no rádio que tinham roubado. Sempre quisera falar aquilo, mas nunca tivera oportunidade.

O sorriso bobo no rosto do rapaz a fez rir, principalmente com aquele sotaque caipira irlândes dele, que transformava as palavras em deformidades engraçadas. Tiveram que esperar alguns dias para poderem sair, Pietro só conseguiria ajudá-los quando um de seus amigos estivesse no turno para cuidar da sala de controle. Queria ir com eles, ajudá-los, mas Caterine no fundo sabia que ele só queria aquilo para ficar perto dela. Não conseguia entender aquele homem, primeiro a usara como um objeto, apenas pelo sexo, nunca mostrara afeto de verdade pela garota, mas atualmente estava tentando de todos jeitos possíveis ter algo com ela ou pelo menos ganhar uma chance. De qualquer maneira, estava os ajudando e isso já era bom suficiente. Prometera à ele uma chance para conversarem quando voltasse e aquilo foi suficiente.

— Desativado — disse a voz feminina, simplesmente. Pelo que Caterine lembrava, seu nome devia ser Cynthia, uma amiga de Tyler.

— Valeu — respondeu Tyler, desligando o rádio e enfiando no bolso.

O quarteto ficou encarando a cerca, em silêncio.

— Então, quem vai primeiro? — perguntou Alice. Ninguém ali queria arriscar a vida para ver se estava desativada de verdade ou não.

Tyler pegou um graveto e tocou na cerca, nenhum som foi emitido, nenhuma reação também. Confiou em Cynthia e enfiou-se entre as cordas de alúminio, mas assim que tocou, Tyler começou a tremer e soltar alguns urros de dor. As duas garotas ficaram desesperadas, mas o rapaz se virou e sorriu pra elas, atravessando antes que tentassem bater nele. Tinha visto que Caterine não estava bem e sabia porque, então tentara pelo menos animar um pouco a garota e conseguira.

Quando todos atravessaram e se distanciaram o mais rápido possível, julgaram que tudo parecia estar ocorrendo como planejado.


Maldito Tyler, pensou Cynthia enquanto era empurrada para dentro de uma cela, onde estava um homem negro e alto, olhando para o chão. Tudo tinha seguido o plano normalmente, Pietro chamara o amigo para conversar e ela se aproveitara para entrar na sala de controle, que naquela hora estava vazia. Desativara a cerca, avisara Tyler, mas não percebeu no momento, que ao desativar a cerca algumas luzes piscaram por toda a estação. O guarda, intrigado, adentrou na sala e a pegou no flagra.

Agora, ela estava ali, presa e com futuras dores de cabeça se aproximando. Não se surpreenderia se fosse demitida de seu emprego, por isso estava furiosa com aquilo.

Seu emprego era sua vida, era o único lugar que ela se sentia viva, se sentia bem de verdade.


— Deviamos ter prendido eles desde o começo — reclamou o velho e gordo, Leon.

Bryan estava com dor de cabeça naquela manhã, era bem cedo e a reunião do Conselho estava ocorrendo naquele horário pela recém volta dos guardas que exploraram a região em volta, mas não encontraram os adolescentes. Não bastasse o surto de John na última noite, agora tinha aquilo também. Suspirou, devia ter esperado algo do tipo, mesmo que não concordasse em prendê-los como Leon sugestionava. De qualquer maneira, já era tarde demais, eles tinham sumido. Falaram brevemente com Cynthia sobre aquilo, mas a garota não falou muito, não precisou. Ele sabia que estavam atrás dos amigos. Isso se confirmou mais ainda quando ligaram o rádio encontrado no bolso de Cynthia e pediram que ela chamasse quem possuía o outro.

— Tyler — dissera ela, com o Chanceler ao seu lado.

No outro lado da linha, Tyler ficou frustrado ao ouvir a voz do Chanceler logo em seguida do chamado de Cynthia, não queria que ela entrasse em problemas por causa dele. Bryan tentou colocar na cabeça do rapaz que era melhor eles voltarem, mas Tyler não ouviu e respondeu com agressividade:

— Se depender de vocês, todos eles vão morrer. Então não, eu tô pouco me fodendo pras suas leis e ordens de merda, vocês fizeram inúmeras decisões erradas na Arca e todos nós sofremos suas consequências, mas não aqui na Terra, não de novo. — E desligou, não atendendo novamente.

Preferia estar de volta na cama, ao lado de Lauren, do jeito que estava antes de ser acordado durante a madrugada. Mas tivera de ouvir as reações mistas do Conselho, alguns estavam mais preocupados do que irritados. Lauren e Sebastian estavam do lado dos preocupados, ela conhecia Caterine e ele seu sobrinho. Enquanto todos discutiam sobre o que fazer, ele já tinha a resposta, era a única que restava. Apertou seu ombro ao sentir outra pontada de dor, mesmo com a bala já fora, ainda doía. A cicatriz em seu ombro fora resultado do tiro que tomara enquanto discursava para uma grande quantidade de pessoas numa sala que servia de reunião com representantes e outras pessoas das estações. A rebelião começara ali de dentro, o tiro que era dirigido ao seu peito e terminara acertando seu ombro, foi desviado pela reação rápida de um dos guardas que acertou o agressor no peito duas vezes. Depois daquilo, as memórias eram confusas e desesperadoras, todo Conselho presente na reunião correndo pelos corredores, acompanhadas de soldados que deixavam um membro ou dois pelo caminho para tentar parar a multidão que vinha atrás, enchendo todos corredores em volta. Tiveram que se prender num quarto qualquer para a própria segurança, enquanto o inferno se desenrolava ali fora. Guardas matando civis, civis matando guardas. Civis matando civis, soube depois. Alguns traficantes aproveitaram-se para atacar adversários também. Naquele dia, a Arca se tornara uma verdadeira carnificina, mostrando um lado terrível do ser humano, o lado que sempre está ali, mas só sai quando tem oportunidade.

Lauren teve que estancar o sangramento com o que estava no quarto. Ele desmaiou e só foi acordar novamente quando a Arca já estava no chão. Por mais defeituosa que fosse a Arca, a queda só aconteceria pela sala de controle, por comandos vindo de alguém que sabia o que estava fazendo e nenhum daqueles civis eram essa pessoa. Um membro do Conselho era essa pessoa. E todos, menos Sebastian, estavam naquela reunião, antes do inferno começar. Agora restava entender qual era o plano da pessoa, talvez de Sebastian se tivesse sido ele o líder daquela rebelião. Matá-lo e tomar o poder? Isso era fácil demais para o desgosto de Bryan, nem mesmo precisava matá-lo, a eleição estava chegando e com o andamento das coisas, Sebastian provavelmente ganharia. Isso cortaria ele da lista de suspeitos, se não fosse pelo fator da queda da Arca na Terra. Sebastian sempre fora alguém muito interessado em arriscar-se para saber se o planeta voltara a ser habitado ou não, desde o momento que botara os pés no Conselho.

A desconfiança de Bryan em relação ao homem era notável e o desconforto entre os dois surgiu rapidamente. Mas naquele momento, não era o que estava focado.

Interrompeu a discussão e todos se viraram para escutá-lo, então finalmente falou o que fariam.


Adam caminhava ao lado de Teya e o homem que o salvara, eles estavam lhe guiando em direção ao "castelo do céu" que falaram. A criança irritante chorando nos braços da mãe pela morte do pai ainda ecoava na cabeça de Adam. Morto por uma luta que não era a dele, pelas ordens de uma rainha cruel.

— Tudo bem, Adam? — perguntou Teya, de repente.

Pensou um pouco, antes de responder, poderia ter simplesmente continuado silencioso e fechado como fora desde o primeiro dia, mas conforme os dias passaram sentiu-se mais confortável ao lado da mulher, não suficiente para que ela soubesse demais dele, mas pelo menos para que ele falasse algo.

— Só pensando sobre o moleque chato — respondeu.

Teya pareceu triste ao ouvir aquilo.

— Eliah é o nome dele, mas na vila o chamam de Ligeiro. É um rapazinho encrenqueiro, mas bondoso. Tirou isso do pai que era bem igual à ele quando criança. Era um bom homem também. Mas como meu marido diz, são trágedias da guerra, é a vida que temos que viver.

Adam encarou a mulher enquanto ela falava e desviou os olhos assim que ela terminou. Trágedias da guerra.

— E como você lida com essas "trágedias da guerra"? — perguntou Adam.

Teya pareceu pensativa.

— Você continua vivo pelos que morreram e luta pela memória deles — respondeu Wytt, o homem que lhe salvara, antes que a mulher pudesse responder. Cuspiu no chão. — Se vinga.

Adam escutou as palavras com mais atenção do que esperava, estava conversando com eles com um interesse incomum da parte dele, talvez pelo assunto estar completamente relacionado com o que passava no momento.

— Vocês me ajudaram porque não me viram como inimigo, então se o moleque procurar vingança contra o meu povo, mesmo eles não sendo culpados, é o certo? Isso não faz sentido.

Wytt pareceu pensativo sobre aquilo.

— Sempre tem dois lados, Adam — respondeu Teya, sorrindo para ele, um pequeno e triste sorriso. — Você tem seus amigos, eu tenho os meus. Pessoas boas, mas no final todos se matam. As vezes podemos desviar desse fim triste, como foi no seu caso, mas só algumas vezes. Não deveria ser assim, mas são as trágedias da guerra, a vida que somos obrigados a viver.

Teya lhe contara que os onze maiores clãs sempre entraram em guerra, mas quando um dos reinos conseguiu subjulgar os outros, a paz se estabeleceu com mais facilidade, mas fora há muito tempo atrás. Agora, Triku era o clã em liderança e outros clãs dispustavam seu poder. A guerra era interminável. Uma vida de batalhas, uma era de mortes. O inferno eterno.

— E você acha que um dia isso vai acabar? — perguntou Adam, olhando para frente.

Quem dessa vez pareceu pensativa foi Teya, que ficou por alguns instantes quieta.

— Talvez se matarmos nossa rainha. Já seria um bom começo — respondeu ela com um sorriso travesso. Adam se virou para ela com um pequeno sorriso. — Não falei sério, claro, se não provavelmente seria enforcada.

— O que foi dito aqui, nunca será repetido — disse Adam, tirando um sorriso dela também.

Quando estavam próximos do "castelo", a dupla parou e disse que estava na hora de se separarem, mais do que aquilo e provavelmente seriam mortos.

— Só siga em frente e você vai chegar na sua casa — disse Teya.

Adam se virou para eles, ficando de costas para seu destino.

— Obrigado por tudo, de verdade — agradeceu Adam, com sinceridade.

Apertou a mão de Wytt, sentindo-a sendo esmagada, e abraçou Teya que beijou sua bochecha, desejando sorte.

— Fica bem e cuida dessa perna, não abusa dela — mandou ela.

— Pode deixar, vou cuidar dela — respondeu com um pequeno sorriso. — Se cuidem, vocês dois. Espero que seu marido volte. Eu... eu duvido que isso aconteça, mas se um dia vocês precisarem de mim, qualquer coisa mesmo, eu vou ajudá-los.

Os dois apenas acenaram positivamente e se afastaram dele, indo embora.

— Tente sorrir e falar mais com as pessoas, Adam! Você é bem legal quando faz isso! — berrou Teya, de longe.

Ela não viu, mas Adam riu levemente com aquilo. Para sua surpresa, mesmo que não tivesse ajudado eles em nada, oferecer-se lhe trouxe uma sensação boa, a única que tivera depois de tanto tempo. A sensação não demorou para ir embora, encontrou em árvores alguns cadáveres presos, nus e com parte do corpo sem pele, nenhum dos rostos tinham pele, principalmente. Provavelmente seu povo, chutou. Abaixou a cabeça e olhou para o chão, respirou fundo e continuou a andar. Chegou na estação não muito tempo, surpreendendo-se ao ver como era grandiosa pela primeira vez. O acampamento não era nada mal também, as paredes em volta eram revestidas de pedaços de destroços, as poucas áreas abertas estavam cobertas de fios, pareciam ter caprichado na defesa. Melhor do que nós, pensou.

Decidiu caminhar em direção à pequena estrada de terra que levava ao portão, passando por um pedaço de campo aberto antes, simplesmente porque não queria ser confundido como um selvagem andando pelas redondezas, queria terminar aquele dia vivo. Assim que chegou perto do portão, os guardas, que estavam com a cintura para cima amostra nas muralhas, já gritaram para que parasse e erguesse os braços, perguntando quem era. O outro guarda cutucou o parceiro, falando alguma coisa.

— Meu nome é Adam Hunt, sou um dos sobreviventes da Arca. Eu to doente, com fome, cansado e morrendo, me ajudem — gritou Adam, zombando deles no final.

Se tinham entendido o sarcasmo, o rapaz não fazia ideia, mas quando abriram os portões e ele pôde entrar, não achou que era possível alguém se ofender tão seriamente com aquilo, enquanto era rendido e algemado.

— O que vocês estão fazendo, caralho? — gritou Adam, tentando afastar o guarda.

— Calma, porra! — falou o guarda que estava lhe segurando.

— Você veio da estação da prisão, não é? — perguntou o guarda ao lado.

Adam ainda se debatia, mas ficou em silêncio.

— Foi o que eu pensei. Por ordem do Conselho, todos prisioneiros serão presos temporáriamente.

Lar doce lar, pensou Adam ao ser jogado numa cela com uma garota mal humorada e um homem triste, olhando para baixo. Era um quarto, basicamente, com a porta de vidro onde viu um guarda fora dela, como segurança. Suspirou e sentou-se num canto da sala, enfiando o rosto nas mãos e respirando fundo. Odiava sua própria vida.

O trio ficou em silêncio, trocando um olhar ou outro, coçando a garganta aqui e ali. Não se conheciam e por isso o clima estava, estranhamente, constrangedor.


A animação que a brincadeira de Tyler criou durara menos do que o esperado, alguns minutos caminhando e a primeira coisa que encontraram foram árvores com pessoas nelas, com partes do corpo esfoladas. Aquilo fora suficiente para alertá-los do que lhes esperavam pela frente. Várias horas depois, quando já estavam longe suficiente do acampamento, eles se reuniram e Tyler tirou um tablet da mochila, mostrando à eles. A imagem que colocou para que vissem era o mapa, os desenhos eram bem amadores e feitos a pressa, já que Tyler não conseguira ninguém para invadir o sistema e pegá-los. De qualquer jeito, servia para seu propósito e nele tinham algumas estimativas de distância, não por quilômetros e sim por horas, ou dias. Bastava que fossem ao norte e encontrariam a tal "cidade", na mente deles a cidade devia ser alguma vila ou algum lugar um pouco maior, mas nada além disso. O plano era se infiltrar lá dentro, ver a situação e ajudar se puderem. Não era o melhor plano, Tyler sabia, em outra ocasição teria pensado mil vezes num melhor ou nem mesmo ter considerado aquele, mas vidas estavam em risco. Estavam numa contagem regressiva que precisavam alcançar o objetivo antes do tempo acabar.

Todos vieram com alguma mochila, mas Tyler além de sua mochila também estava carregando uma bolsa que parecia pesada. Quando ele a abriu, revelou algumas armas, não era nada demais, eram pistolas, a única de destaque era uma T97NSR, que para eles que não faziam ideia do nome, era simplesmente "arma foda".

— Como você conseguiu tudo isso? — perguntou Alice, em voz alta, muito surpresa, enquanto pegava uma pistola.

Caterine também pegara uma, vendo o peso e mirando numa árvore qualquer, com um dos olhos fechados, como se fosse atirar de fato. Já Jeremy pegou a dele meio receoso.

— Dei meu jeito — respondeu ele com um sorriso.

— Você realmente parece ter uma vida dupla, Tyler — comentou Caterine. — Você era traficante?

Tyler riu.

— Não, nunca fui traficante. Só alguém que era bom de papo e não estava afim de fazer coisas de graça. No começo foram bobagens, tipo um livro ou alguma coisa que meus amigos queriam, eu cobrava uma quantia miserável, simplesmente porque eu não estava afim de me esforçar para não ganhar nada. Então, as coisas foram crescendo e algumas vezes eu me deparei em situações desagradáveis, mas no geral eu só arranjava alguma coisa que a pessoa queria comprar por um preço menor e revendia para ela por um preço maior do que eu tinha pagado, mas menor do que ofereciam nas lojas.

Desde sempre fizera isso, quando era mais novo e teve seu primeiro trabalho, vendia algumas coisas da loja por um preço maior e ao ser questionado pelas pessoas, ele lançava um papinho sem vergonha que as vezes as convencia, as vezes não. A quantia normal de créditos iam para o caixa, a quantia extra que ele conseguia desviava para seu bolso. Fora bom enquanto durara, mas não demorou para que o chefe o pegasse e lhe demitisse.

— Eu pensei que você era mecânico — disse Alice.

— Eu era, estudei para isso, mas não era algo que eu gostava muito — comentou, dando de ombros. — Era só meu emprego. Essas "malandragens" que eu fazia não rendiam muito e aconteciam uma vez ou outra, não era um trabalho de verdade. Apesar de ter irritado algumas pessoas.

Muito da infância de Tyler influenciara em sua atual personalidade. Ele odiava ler e por isso sua mãe o obrigara a ler o máximo que pudera, o que acabou resultando num gosto grande por leitura vinda do rapaz, algo que realmente lhe ajudou na vida. Ler lhe ajudou na inteligência e mesmo que as vezes as pessoas não lhe entendessem por culpa do sotaque, ele era muito bom com as palavras e com as pessoas. Quando era mais novo, era muito encrenqueiro e brigão, vivia trocando socos com as crianças que zombavam de seu sotaque. A maioria das vezes apanhara e por isso foi aprendendo a se defender melhor com o tempo. Era tão pestinha, que sempre surgia com objetos de origens desconhecidas, até que um dia sua mãe lhe pegou pelo braço e perguntou de onde tinha tirado aquele em especial, na mão do garoto.

— Ganhei numa aposta — respondera o garoto com um sorriso.

— Aposta? — perguntara a mãe dele, desconfiada.

— Um garoto estava zombando do meu sotaque e eu apostei que quebrava o nariz dele. Eu ganhei. — O sorriso do garoto era tão sincero que a mãe não soube como reagir aquilo.


Com o tempo, aquilo foi mudando e ele foi amadurecendo, se tornando cada vez menos problemático, por consequência sua vida também foi se tornando uma sequência de dias chatos e sem nada demais acontecendo, e apesar disso ele gostava. Mas ao mesmo tempo que gostava de harmonia, ele também tinha um desejo ardente por aventura, desde pequeno. Era uma sensação estranha, que ele tentava compreender desde muito tempo, mas naquele momento enquanto planejavam ou em outros momentos como no ringue lutando, ou lutando por sua vida no ataque ao acampamento, naqueles momentos ele se sentia vivo. Não feliz, mas vivo.

— Basicamente, o plano é sermos os mais discretos possíveis e evitarmos qualquer problema — disse Tyler, repetindo aquilo pela segunda vez, de forma mais resumida.

— E se nos depararmos com algum problema? — perguntou Caterine. — A chance de algum dos terráqueos nos descobrir é muito grande.

— Se nos depararmos com algum problema, nós o matamos. Não importa quem seja, nós matamos. Simples assim — respondeu Alice. A frieza em sua voz surpreendera a ruiva e o irlândes, mas não Jeremy.

Colocando o tablet na mochila, Tyler se virou para Jeremy.

— Agora é com você — disse Tyler.

Jeremy teve de respirar fundo e tomar coragem para continuar com aquele dia.

— A primeira coisa que vocês precisam aprender sobre essa floresta é que precisam disfarçar o cheiro de vocês. — Mesmo que gaguejasse e as vezes demorasse para completar uma frase, ele conseguia falar com mais facilidade do que esperava. — Dá pra sentir o seu cheiro de shampoo de morango a quilômetros de distância, Caterine.

Os trio foi bem hesitante em se cobrir com lama e outras coisas, mesmo que levemente. Alice quase furou o olho se cobrindo de arbustos.

— Camuflagem é importante. Vocês não serão invisíveis, mas serão algo perto disso. Cobrir o cheiro de vocês ajuda bastante na caça de animais. E quanto mais se acostumarem com a natureza, mais fácil será de lidar com ela. Se vocês tem nojo de alguma coisa, se ficam enjoados com o cheiro de algo, é bom cuidarem disso logo. Existem poucas coisas não nojentas e cheirosas em uma floresta.

Ao se sujar de lama e se vestir de galhos novamente, sentiu como se tivesse voltado a sua vida anterior e, estranhamente, ficou mais confortável.

— Segundo, nem sempre vocês terão uma mochila cheia de comida. Vocês precisam aprender a caçar, aprender o que comer.

Caterine arrancou um cogumelo e se preparou para mordê-lo, mas Jeremy a impediu.

— Eles são venenosos, dura um bom tempo para funcionarem, em algumas pessoas talvez horas.

— Como reconhecer qual é o certo e qual é o errado? — questionou ela, confusa.

Agachou-se ao lado da garota e arrancou um cogumelo perto seu pé, distante das raízes da árvore, onde estavam os que Caterine pegaram.

— Tem que tomar muito cuidado, esses cogumelos estão espalhados por toda floresta e não há quase nenhuma diferença em aparência. O método de saber qual é o certo e qual é o errado, é ver qual deles está mais próximo das raízes da árvore, estes são os venenosos. Esse, não é — disse Jeremy, entregando o cogumelo para Caterine que pegou e mordeu meio receosa.

— É bom — falou, surpresa. — Como você descobriu isso?

Jeremy desviou os olhos por alguns segundos.

— Alguns rapazes dos Cem morreram por isso. Muitas descobertas foram desse jeito. — Ele nem notara, mas estava começando a falar mais e gaguejar menos, uma pequena firmeza na voz que se percebesse, lhe deixaria feliz. Por mais que tivesse dificuldade de interagir com aquelas pessoas, de continuar a falar em voz alta, ele não percebera que exercer o papel de um "professor de sobrevivência" estava lhe fazendo mais bem do que sabia. Era um sentimento nostalgico, até.

— Sinto muito por isso — disse Caterine, triste. — Eu vi algumas cicatrizes nos seus braços, foram os canibais?

Jeremy normalmente ficaria quieto ou responderia algo curto e rápido, mas daquela vez foi diferente.

— Sim, eu fui capturado por eles, mas consegui escapar — respondeu sem mostrar muita emoção na voz.

— Eu e Tyler pegamos as frutas do nosso lado — falou Alice, brotando atrás deles.

A conversa morreu ali e Jeremy voltou a ensiná-los sobre a floresta. Era engraçado pensar que mesmo que falasse um monte de coisas para eles, nem mesmo ele tinha certeza do que esperar ou se estava totalmente seguro de suas dicas. Nunca explorara muito aquelas terras, pois o perigo era demais, chegara a ver algumas pequenas vilas com pessoas aparentemente pacifícas, mas nunca quisera correr o risco de descobrir que não era mais do que uma aparência, que na verdade eram tão bestiais quanto os canibais.


Cynthia estava morrendo de sono, tudo que queria era dormir, mas ela odiava dormir. De um tempo pra cá, aquilo melhorara, mas continuava tendo pesadelos toda vez que dormia. Só queria trabalhar, colocar suas mãos em alguma coisa precisando de reparo e afundar sua mente em engenharia, mas não podia, não agora. Aquilo a estava torturando demais.

Ela e os outros dois presos acordaram de seu transe ao escutarem algumas batidas na porta de vidro. Para decepção de Adam, não era ninguém que ele conhecia. Para alegria e tristeza de Cynthia, era alguém que ela conhecia. Sinclair a chamou pelo dedo e a porta se abriu quando ela se aproximou.

— Você está livre — falou o homem num tom claro de quem estava irritado.

A porta se fechou atrás dela e a garota começou acompanhá-lo pelo corredor. Sinclair era o chefe de engenharia, os dois sempre tiveram uma relação boa e ele sempre cuidou dela, ajudando-a em várias dificuldades ao decorrer da vida. Fora o primeiro a reconhecer suas habilidades e o primeiro a dar uma chance dela mostrar seu valor, muito do que tinha hoje, muito do que sabia e aprendera viera dele e por isso respeitava e gostava bastante do homem. Cynthia não era uma pessoa de mostrar muitas emoções, as que ela mostrava era quem ela verdadeiramente gostava e ele era uma dessas pessoas.

— Eu tive que passar quase dez minutos pedindo para que te liberassem — reclamava Sinclair, irritado.

— Eu vou ser demitida? — perguntou Cynthia, preocupada.

Sinclair suspirou. Não importava se o mundo estava caindo ao redor da garota, nunca mostrava muitos sinais de quem se importava com aquilo, mas ao colocar seu trabalho em perigo, o desespero era notável em sua voz.

— Não, não vai ser — respondeu ele. — Mas eu prometi puni-la, você vai ser assistente do Sean por uma semana.

— Do Sean? — perguntou ela, sem conseguir acreditar. Sean era um velho chato e rabujento, que ficava humilhando seus subordinados e criticando a maioria das coisas que faziam.

— Duas semanas!

Sabendo que se abrisse a boca mais uma vez, só pioraria a situação, tudo que ela fez foi suspirar e continuar seguindo o homem. Cynthia odiava sua vida.


Demorou três dias para que o quarteto encontrasse os primeiros sinais de civilização. Tiveram que se esconder atrás de árvores ou no mato para que não fossem vistos por um grupo de terráqueos. A sorte deles foi a percepção boa de Jeremy, que escutou as vozes e risos de longe, já avisando-os para se esconderem. Pensaram que o grupo era menor, mas tinha cinco pessoas, que estavam passando perto demais deles. Caterine era a mais próxima daqueles homens, escondida atrás de uma árvore, aproveitando que era pequena. Engoliu em seco, escutando-os logo ao lado dela, passando lentamente. Para surpresa do grupo, aqueles terráqueos falavam a mesma língua que eles, mesmo que de forma mais grosseira, porém não tiveram tempo de se prender aquilo, tudo que importava era que passassem logo e sumissem dali.

Se não fosse pela sugestão de Jeremy, Caterine seria descoberta. Um dos homens passou tão perto da árvore que ela estava, que se o cheiro de morango ainda estivesse nela, ele facilmente a perceberia ali. Tyler que estava alguns metros de distância, enfiado atrás de alguns arbustos trepassados numa árvore, apenas encarou o grupo passando por eles. Desviou os olhos para Alice não muito longe dele e Jeremy que era o mais distante. Um dos terráqueos se virou para trás, na direção deles, e Tyler se apertou contra a árvore, fechando os olhos e torcendo para que não tivessem lhe visto, olhando pelo canto do tronco.

— Vou mijar ali, continuem andando — disse o homem.

Alice se virou para ver o homem se aproximando de onde Caterine estava, notando a bainha ocupada por uma espada na cintura dele. Destravou a pistola que estava em sua mão e ignorou Tyler sussurrando para ela não fazer nada, ele queria falar mais alto pela distância entre eles, mas se o fizesse, se revelaria. O coração da garota começou a pulsar com mais velocidade, suor desceu por sua teste, o nervosismo começou a dominar seu corpo, o medo crescente do que poderia acontecer. O homem estava duas árvores de distância de Caterine, parado na frente de outra com o pau já pra fora e mijando, soltando alguns gemidos de alivio. A ruiva se assustou ao ver ele tão perto e deu alguns passos para o lado, tentando ser o mais discreta possível para achar outro lugar onde se esconder, mas bastou aqueles passos para que o homem se virasse curioso e a encontrasse.

Os dois se encararam sem saber como reagir. Caterine com a pistola nas mãos e o homem com o pau na mão. Ao notar a arma estranha na mão da garota, entendeu de imediato quem era ela, de onde viera. A expressão de susto que se desenhou no rosto dele foi suficiente para que todo quarteto soubesse que nada de bom sairia daquilo. Ele chegou a erguer o braço e esticar a mão em direção à Caterine, quase como se estivesse falando "calma", mas antes que pudesse falar algo, pudesse abrir a boca, Alice já tinha apertado o gatilho e acertado-o no meio do peito.

Talvez o terráqueo não pretendesse gritar "inimigos", talvez não quisesse fazer nada além de fugir deles por medo, talvez nunca ocorresse um conflito entre os dois grupos. Eram muitos "talvez" na mente de Tyler, que começou a notar que fora estúpido demais de não perceber que Alice estava completamente desiquilibrada. A frieza, a naturalidade que ela estava agindo para quem sofrera tanto, o instinto de matar quem era uma ameaça. Tudo isso era claro ao não ver nada no rosto da garota, a não ser uma frieza absurda, os olhos vazios acompanhando o homem caindo no chão enquanto o som do tiro sumia aos poucos.

O grupo de terráqueos se virou imediatamente para trás e correu em direção à fonte do barulho. Naquela altura o quarteto já estava correndo para longe dali, mas os homens viram seus vultos correndo por dentre as árvores. O choque e a tristeza de ver seu amigo caido ali, agonizando e morrendo aos poucos, foi suficiente para motivá-los de perseguir os assassinos. Menos um deles, que correu desesperado na mesma direção, mas com outros objetivos. Com outra pessoa em mente, uma mais pequena e mais frágil.

Tudo acontecia rápido demais para Alice conseguir assimilar o que estava acontecendo. Ninguém a perseguia, mas em sua cabeça os traumas estavam tão vívidos que sentia-se revivendo a noite que escapou dos canibais, cansada e acabada, com eles cada vez mais perto. Quem visse o rosto dela naquele momento, se assustaria de ver quão desesperada ela estava. Os sons de tiro que se espalharam ao redor dela, pela floresta, provavelmente vindos de seus amigos, a faziam tremer e se assustar. Ela olhava para trás tão rápido que via apenas um vulto do que era a floresta atrás dela e nisso ela conseguia enxergar sombras lhe perseguindo. Só parou perto de um riacho, finalmente percebendo que estava sozinha e tinha se separado do resto do grupo. Encostou-se numa árvore perto da margem do riacho e começou a resfolegar, tentando recuperar o fôlego.

Quando abriu os olhos, deparou-se com uma garotinha de vestido, erguendo-se da parte rasa do riacho, perto da margem, onde parecia brincar com algumas bonecas. Ao seu lado havia algumas cestas com frutas e comida, e algumas bebidas também, suficiente para um grupo.

Foi durante alguns segundos que tudo aquilo aconteceu. A criança coberta de medo. Alice coberta de medo. A criança da desconhecida, Alice dos homens que vinham atrás dela. A criança tentou escapar, tentou começar a correr, mas assim que moveu as perninhas, a adolescente já estava sobre ela, empurrando-a contra o rio, afundando-a na água. Se ela gritar, eles vão saber onde estou, pensou Alice, desesperada. Eles vão me achar. Eles não podem me achar. Não vão. Em sua mente só via o que passara, o quanto sofrera, todo medo e desespero que sentira, que ainda sentia, por isso nem notara suas mão apertando o ombro da garota contra o chão molhado e cheio de pedrinhas do riacho, onde a garotinha se debatia embaixo dela, acertando-a nos braços com os punhos, tentando tirá-la de cima dela, sua cabeça se debatendo violentamente dentro da água.

Alice só percebeu o que fizera quando o aperto das mãos pequenas da criança em seus braços cedeu. Os braçinhos escorregaram, já sem força, e entraram na água também. Ela não se mexia mais. O aperto das mãos de Alice nos ombros da garota cedeu também e assim que as tirou da água, as viu tremer. Sorrira ao ver as crianças dos canibais queimando viva, mas aquela garota era diferente, ela nunca fizera nada de mal, nunca rira ela, nunca a acertara com pedras. Ela apenas estava ali, na frente dela, no momento errado. Estava.

Colocou-se de pé e assim que viu o corpo da garota boiando, Alice soltou um grito de horror.


Já tinham se passado várias horas desde o conflito e desde que tinham se reunido novamente. Tyler tinha matado dois deles, Caterine um deles — descobrira que sua mira era terrível, teve que gastar três balas até acertar quem a perseguia —, Jeremy apenas fugiu e se escondeu, era perito nisso, fazia aquilo há anos. O clima não estava dos melhores, mas a única realmente abalada era Alice, que não contara a ninguém sobre o que fizera. Tyler chegou a ter uma pequena conversa com ela, mas não se estendeu muito. Alice sabia, ela fora impulsiva, não só naquele homem, mas também... ela não conseguia nem mesmo pensar na garota sem que uma enorme dor surgisse dentro dela, uma culpa gigantesca.

Eles se afastaram o máximo que puderam da área onde atiraram, sabiam que aqueles disparos se alastariam pela floresta. E não estavam enganados. Se não fossem aqueles disparos, talvez eles nunca tivessem sido encurralados por homens em cavalo, que cercaram eles rapidamente. Até tentaram usar as armas, mas uma lança foi encostada na garganta de Tyler antes que ele pudesse puxar o gatilho. Sem opção, eles tiveram que soltar as armas, mas não foram mortos ou machucados, apenas puxaram seus braços para trás e amarram com cordas, colocaram um saco em suas cabeças e lhes jogaram em cima dos cavalos.

— Uma ordem da rainha e também do seu líder — disse algum dos homens. Não se deu ao trabalho de responder Tyler quando o mesmo perguntou o que aquilo significava.

Muito tempo depois, quando suas pernas já estavam assadas, ele começou a escutar várias vozes e notou que devia estar em alguma cidade. Ao mesmo tempo que se sentiu alegre de saber que as chances de estar indo para os amigos eram grandes, também se sentiu mal por saber que não iria para salvá-los, mas para se juntar à eles e ao destino desconhecido que teriam. O quarteto foi tirado dos cavalos pelos homens e foram levados por vários andares. Escutaram uma porta se abrindo e foram empurrados contra o chão, então finalmente os sacos foram tirados de suas cabeças.

Esperaram mil coisas: reencontrar os amigos numa cela, se encontrar com alguma líder terráquea, verem uma multidão esperando que fossem mortos, mas nunca esperaram encontrar o Chanceler e Lauren ali, acompanhados de alguns guardas da Arca

Mais tarde, souberam que ambos líderes de seus respectivos povos tinham feito um acordo. E eles quatro eram o primeiro passo para aquilo se concretizar.

Meu caralho do céu, até o capítulo que eu julguei que seria o menor da temporada foi grandão, impressionante. Enfim, tá aí pra vocês, eu vou tentar melhorar o timing dessa merda, tentar ser semanal, porque se continuar um capítulo por mês só vai acabar em dezembro.

Como sempre, eu não corrigi merda nenhuma, se tiver algum erro avisem aí. Boa leitura, seus puto.



Última edição por Luckwearer em Dom Jan 21 2018, 16:41, editado 1 vez(es)


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69 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Jan 21 2018, 16:04

Dwight

Orgulhoso do Jeremy verdadeiro feijão humano esperando 47 segs para responder o que lhe é perguntado.

Spoiler:
Sei lá o que esperar desse John ainda, mas parece que vai tá relacionado ao plot do menino Adam já que eles tão na cela lá. Certamente ele (John) terá relação com o Bryan, mas enquanto um parece estar maluco, o outro parece ser um cuzão (e a outra opção que é o Sebastian parece um cuzão maior ainda). Uma opção é pior que a outra.

Não vou fazer aquela divisão porque não tenho muito o que falar individualmente, já que esse cap. foram movimentos mais gerais. Adam (que claro, se desencontrou dos outros e se fodeu), Caterine (era inevitável que fosse junto, mesmo reticente), Jeremy (não parece que vá se encaixar na arca, mas parece cada vez mais a vontade com o grupo) e Tyler (apenas quoto: "essas 'malandragens' que eu fazia"); andaram em suas tramas, mas o capítulo pareceu bastante transitório, o próximo deve esclarecer bastante coisa. (Fiquei um tanto confuso com esse final, esse Chanceler não me cheira bem) Teve um pequeno trecho da Cynthia ali também, mas eu sinceramente não sei o que esperar dessa mina.

Quem teve maiores desdobramentos foi a Alice. Depois do último capítulo eu já esperava que ela fizesse alguma maluquice, mas eu não esperava que ela fizesse tanta MERDA. O acontecimento da Lisa seems like nothing agora Fazer o quê, né? Que cagada imensa, mas eu não entendi bem uma coisa, a criança tava com aqueles caras? Creio que sim, já que um estava atrás de uma pessoa pequena, só fiquei um pouco confuso mesmo.
Mas enfim, se a Alice já tinha potencial para uma virada ao dark side, agora então... vamos ver como ela reage.


Edit: Esqueci de citar a calçada de pênis, super válida sua crítica a essa sociedade falocêntrica. Wink

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70 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Qua Jan 24 2018, 22:30

Chris

Tava ansioso pelo grupinho sair para resgatar a galera, pena serem UNS MERDEIRO DA PORRA. Isso que dá ter um guia com delay fonético e social.

Mas brincadeiras a parte, gostei pra caramba da forma que tá sendo mostrado o trauma da Alice, sabia que ia acabar dando uma merda desse tipo. Tomara que encontre o Peter logo pra ver se melhora da cabeça, porque desse jeito a tendência é só piorar. E não queremos que isso aconteça, né Sad

Grande Peter que se chapava com erva condenando o álcool. Tá certo ele, já que ganja é natural e bebida faz mal! @Prime. Baita participação dele no capítulo, diga-se de passagem. Cat

Sobre o Adam não tem muito o que comentar, afinal só mostrou ele voltando. Vamos ver o que aguarda ele. Acho que só vale a pena citar ele interagindo de forma agradável com os Tribo Fu, mostrando um lado mais humano do personagem.

Voltando para o Quarteto Fantástico, que tiveram o maior destaque, que bom que a Catarina não deu pra trás, tinha receio de que ela fosse desistir de última hora por causa do irmãozinho, que aliás, mandou bem entendendo que ela tinha que ir ajudar os amigos. Já o Jeremy, interessante ver ele socializando novamente com os outros e mostrar que a distância dele com o resto está diminuindo.

Surpreso com o final, e claramente cheira a merda. Algo me diz que essa aliança ao invés de unir, vai é criar mais conflito ainda.

Achei uma merda Gostei do capítulo, mesmo com a ausência do melhor personagem. Mas é isso aí, aguardando o próximo e tentarei não demorar para ler e comentar.



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71 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Seg Mar 19 2018, 02:11

Luckwearer

S02E04 - The Red Thread of Fate

Spoiler:
O Chanceler fitou as costas do selvagem em cima do cavalo, que lhes guiavam pela floresta mostrando o caminho para os dois carros que vinham logo atrás dele. Aquele fora o único deixado para trás pela pequena comitiva enviada pela rainha com o propósito de entregar uma mensagem: pedia para que os líderes do povo do céu viessem até ela para discutir o futuro de sua existência.

Bryan virou o rosto para a traseira do carro, onde viu quatro soldados e Lauren sentados nos bancos presos as laterais do veículo. Logo atrás vinha outro carro com mais guardas, o número era pequeno por dois motivos: para não criar uma imagem desagradável ou ameaçadora diante da rainha e também porque não tinham tantos homens assim para desperdiçar, muito menos tantos carros. De qualquer maneira, levassem dez ou cem homens, provavelmente não faria diferença contra o exército inimigo.

Os motoristas de ambos carros aproveitavam-se da falta de velocidade do guia para não cometerem erros que poderiam resultar no veículo batido em alguma árvore ou pedra, saber dirigir em teoria era muito mais fácil do que dirigir de verdade. Os guardas e motoristas, todos eram dos mais baixos níveis em habilidade, sendo todos medianos, tudo porque Bryan queria se assegurar que não levaria consigo os melhores guerreiros de seu povo, caso fosse uma armadilha. Levar a médica chefe, Lauren, não era uma decisão inteligente, mas a mulher queria ir de qualquer jeito, queria oferecer ajuda médica de um povo, provavelmente, mais avançado em busca de uma aliança mais fortalecida. E apesar dos temores de Bryan, oferecer sabedorias avançadas para os médicos daquele povo não era uma má ideia, caso a aliança ou acordo fosse uma possibilidade real.

Mas ele duvidava muito. Desde o momento que a estação deles caira na Terra, aqueles selvagens provavelmente já os observavam. Encontraram um bunker em menos de uma semana de exploração, fonte dos veículos elétricos que tinham agora, mas que não conseguiram avançar mais a fundo por estar soterrado e também porque pouco depois os ataques começaram. Mais de seis guardas morreram naquela floresta, fora as vítimas que resolveram perambular por ali ou nas tentativas de invasão, a sorte deles foi de terem se preparado rápido diante das ordens de Bryan.

Ele soube que aquele lugar era perigoso demais para se tranquilizar no momento que respirou o ar puro e não morreu de radiação.

Bryan Hopkins não fora considerado um dos melhores comandantes da guarda a toa.


A rainha lhe deu um pequeno sorriso, derramando o líquido da jarra em dois copos, um deles que foi empurrado calmamente até Bryan e o outro que foi carregado pelas mãos da mulher até ela sentar-se na ponta oposta da mesa, cruzando as pernas e tomando um gole da bebida.

Bryan notara que ela falava de forma muito mais formal e educada que os soldados, suas roupas também era bem melhores, até pomposas de certa maneira. Aquilo era suficiente para saltar na mente do homem o tipo de sociedade que deveria ser aquela, se haviam diferenças daquele tipo então existiam classes naquele povo, e se existiam classes a economia já deveria ter se desenvolvido suficiente para cria degraus de riquezas na sociedade, e tudo aquilo resultava em uma única conclusão: eles provavelmente eram milhares e muito mais bem desenvolvidos do que pensara. Achara que talvez fossem apenas tribais que de alguma forma sobreviveram ao fim do mundo, mas aparentemente estava enganado.

— Sinto muito pelo tratamento que receberam até chegarem aqui — disse a rainha Kaliyah, de repente.

Ela se referia ao fato de que Bryan e os outros tiveram que deixar suas armas para trás, colocarem sacos na cabeça e serem acompanhados a pé por todo caminho até a torre da rainha.

— Mas você deve compreender, afinal, é um líder para seu povo também — continuou ela.

— Vossa Graça — falou Bryan, resolvendo adotar o título, simplesmente por educação e por não ligar —, peço perdão também pelo meu comportamento, mas creio que a senhora não tenha me chamado aqui para se justificar.

Ela sorriu.

— Um homem direto, pelo visto — observou ela. — Que seja então, prefiro assim.

Bryan ergueu uma sobrancelha.

— Eu estou disposto a uma trégua entre nossos povos — falou Kaliyah, finalmente.


Peter abriu um dos maiores e mais verdadeiros sorrisos da sua vida ao ver Alice na porta da ala hospitalar, lhe encarando com o mesmo sorriso e choque. O garoto se ergueu da cama e correu até ela, que correu em sua direção também, porém no meio do caminho Peter soltou um gemido de dor e quase tropeçou, sentindo dor por todo seu corpo sem saber onde pressionar as mãos num gesto desesperado de tentar amenizá-la.  Alice não sabia disso, então só pulou sobre o garoto, abraçando-o com força, quase fazendo-o chorar.

Os dois ficaram abraçados por alguns segundos, antes de Peter soltar-se dela, ainda chocado.

— Eu... eu pensei que você tava morta... — gaguejou as palavras, incrédulo. — Como...?

Alice pareceu demorar alguns segundos para formar uma resposta, mas por fim deu um sorriso triste ao garoto e respondeu:

— Eu sou foda, Peter, disse isso à todos vocês e parece que me ignoraram. — Assim que deu a resposta, ela quis mudar de assunto imediatamente: — Que merda fizeram com você? — questionou ela, meio furiosa, ao ver o estado do garoto. Já tinha ficado preocupada e um pouco irritada ao dizerem que o "garoto de cabelo prateado" estava na ala hospitalar.

— Não foge do assunto, como você escapou? — respondeu Peter ainda confuso. De repente uma ideia se iluminou em sua cabeça. — Jason tá com você?

Se era possível Alice ainda estar viva, também era possível de Jason estar. Por alguns instantes o rosto de Peter se iluminou e um peso de culpa saiu de seus ombros, mas assim que viu a expressão de Alice continuar triste, o Dunham abaixou os olhos e perdeu o sorriso.

— Eu escapei da vila deles por sorte. Eu fui a única. — Seu tom era claramente triste.

Saiko notou isso, então mudou de assunto:

— Como você parou aqui, então?

— Eu vim atrás de você! — retrucou ela de imediato. — Deu meio errado... — soltou uma risadinha, recuperando o tom mais animado aos poucos — mas bem, o que importa é que eu estou aqui agora.

Peter estava completamente confuso.

— O Chanceler e a rainha fizeram um acordo — explicou Alice, finalmente. — Parece que se ajudarmos eles em alguma coisa, os dois povos terão uma aliança e todos vocês voltarão para casa. Para a Estação. Tyler e Caterine estão vivos, ela até encontrou o irmão dela.

Era informação demais para mente de Peter que tentava processar todas aquelas novidades de uma só vez, mas ele parecia estar conseguindo se adaptar melhor do que o esperado. Aquele dia estava sendo o melhor da sua vida há muito tempo, era como se ele estivesse se afogando por quase um mês inteiro e de repente alguém lhe puxasse para fora. Mesmo que por alguns instantes, respirar já era algo magnífico.

Ele estava feliz por sua melhor amiga estar viva e bem. E por seus amigos também estarem.

— E o Adam? — perguntou Peter, de repente.


Caterine olhou um por um, cada adolescente e criança que estava mantido preso naquele salão, mas nenhum deles era Adam. Ele está morto de verdade. Sentiu tanta dor naquele momento que era difícil reconhecer qual era a maior: o luto ou a culpa. O sentimento de impotência espalhou-se por toda sua mente. Ela era uma inútil. Não fizera nada no ataque da "cavalaria", apenas encontrara a primeira e mais lógica resposta que viera na sua mente: fugir. E Adam a ajudara nisso, enquanto ficava para trás para lutar. Peter também avançara em meio ao caos para salvar seus amigos. Alice se mostrara uma das pessoas mais fortes que conhecera, enfrentando tudo que tinha enfrentado com tanta força e garra. E Tyler era o Tyler, o primeiro no grupo sempre, os liderando, os guiando, sempre sorrindo e tentando lhes fazer sorrir, sempre se erguendo primeiro e indo para o combate.

O máximo que ela fizera foi ajudá-los a matar alguns canibais. Mas mesmo antes, ela escolhera não treinar com o resto dos adolescentes nas aulas de tiro de Pietro, preferindo ficar em algum canto do acampamento lamentando-se da morte do irmão. E no ataque dos selvagens enquanto estavam na floresta, quando ela tentara matar os que estavam atrás dela, gastara quase toda munição e ainda fora ajudada por Tyler, se não teria sido morta.

Estava se sentindo completamente inútil e aquilo era terrível, e o sacrifício de seu principal amigo desde que chegara na Terra só piorava tudo aquilo. Foi jogada para fora de seus pensamentos ao ser agarrada por algumas garotas que queriam falar com ela.

Tyler que estava por ali também conversando com todos e os tranquilizando, também sorria para os amigos, mas não estava tão feliz assim por dentro. Cinquenta e seis adolescentes sairam da estação da prisão para ir em busca dos adultos, vinte e nove tinham chegado até aquele salão dos selvagens e o restante, exceto Tyler e Caterine, estavam mortos.

O que mais doeu no rapaz foi ver que os gêmeos que tinha prometido proteger, não estavam ali.


O quarteto foi arrastado até o salão da rainha novamente, onde se depararam com o Chanceler e Lauren, além de alguns guardas dos selvagens, uma garota que para Alice deveria ser a tal Gwendolin que Peter falara e obviamente a rainha.

Os dois líderes conversaram por mais alguns instantes, mais parecendo o final de uma longa discussão. Enquanto conversavam, Alice botou os olhos na tal filha da rainha e ergueu uma sobrancelha, sua repulsa por aquele povo era gigantesca, tão gigantesca que ela simplesmente não conseguia acreditar na boa ação daquela garota, julgando que tinha algo por trás. Quando a mesma virou os olhos para Alice, a garota desviou rapidamente, olhando para qualquer outro lado.

Já Caterine estava ainda perdida em seus pensamentos, apesar de atenta ao que conversavam. Olhou para todos terráqueos ali: os guardas pareciam bem ameaçadores, a rainha era bonita, a garota também, mas uma figura em especifico chamou sua atenção já que ocasionalmente ele a olhava achando que ela não notava. Era o mesmo garoto que vira no "ataque da cavalaria".

Num certo momento, eles escutaram a rainha falar:

— Escutamos que houveram assassinatos de aldeiões que estavam na floresta — virou os olhos para eles —, na mesma região que seus jovens estavam.

Alice sentiu um calafrio subir por todo seu corpo. Eles sabiam? Eles sabiam da criança? E se soubessem, o que fariam? O que diriam? O que aconteceria? O que aconteceria?

O coração da garota começou a pulsar com mais velocidade, fazendo-a sentir-se um pouco tonta.

— Você tem certeza disso? — perguntou Lauren, surpresa.

A rainha encarou a mulher por alguns segundos.

— Tudo indica que sim — respondeu ela, numa voz despreocupada. — De qualquer maneira, isso mostra que vocês tem tanto sangue nas mãos quanto nós mesmos.

Aquilo fez Bryan e Lauren franzir o cenho, mas ficaram quietos.

— Eu seguirei em frente com um pequeno gesto — falou ela.

— Qual? — perguntou Lauren.

— Gostaria de um pedido de desculpas dos seus jovens — respondeu a rainha Kaliyah, sorrindo.

Olhava diretamente para o quarteto que também se surpreendeu com o pedido. O Chanceler e Lauren se viraram para eles, lhes dando um olhar de quem dizia: façam, agora!

No inicio, alguns deles acharam que era melhor ficarem quietos e não dizerem nada, pois as desculpas confirmariam aquilo, mas notaram que a rainha já estava convencida e ficar calados só pioraria aquilo.

— Desculpa — disse Caterine, sendo a primeira.

Tyler demorou um pouco mais, inconformado com aquilo, mas por fim cedeu sabendo que era o melhor:

— Desculpa, aí.

Jeremy demorou mais ainda, não por estar inconformado ou achar errado, mas simplesmente porque estava avoado naquilo tudo.

— Desculpa.

Alice foi a última, recebendo olhares de todos. Ela usou todo aquele tempo para pensar no que dizer, mas nada veio em sua mente. Ainda estava nervosa, mas seu ódio acabou chegando primeiro que o medo.

— Eu não vou me desculpar por merda nenhuma — exclamou ela, de repente, com a voz cheia de raiva. — Eles nos atacaram, como vocês terráqueos nos atacam desde que chegamos aqui. Só devolvemos o gesto.

A rainha franziu o cenho, os guardas terráqueos já se prepaparam conhecendo o temperamento da mulher e Lauren se desesperou.

— Peço perdão pela resposta dela, Vossa Graça — respondeu Lauren, tentando simular aquela forma medieval e formal de se comunicar. Sentia-se num maldito RPG que jogava quando era jovem. — Ela ainda é jovem e tudo isso está subindo por sua cabeça.

Alice encarou a rainha com raiva, enquanto a mesma devolvia o olhar com uma expressão de quem não havia gostado nada daquilo.

— Tudo bem, eu entendo — falou a rainha, finalmente.

Gwendoline que observava tudo aquilo não pôde conter o interesse naquela figura impusilva e maluca que tinha ousado falar contra sua mãe, a rainha, bem em sua frente. Não era algo que acontecia todo dia.


A aliança entre os povos era temporária. Kaliyah era uma rainha "recente" e por isso ainda tinha que lidar com rebeldes. A tecnologia e os soldados do povo da Arca, chamados por ela de Skaikru, seria um "segundo exército", a carta na manga para que eles conseguissem invadir e dominar o lugar. Delfikru era o nome do Clã alvo deles, um povo localizado numa grande ilha. No total eram onze principais clãs, sendo Triku um dos maiores em exército e o maior em região.

Caso tudo ocorresse bem, a aliança poderia se mais que temporária e as crianças seriam devolvidas.

Antes de partirem de volta para a estação, souberam que a rainha preparia logo o exército para que resolvessem aquilo o quanto antes. Eles tinham uma semana para se preparar antes da chegada da rainha.

O quarteto passou grande parte do caminho recebendo esporro, principalmente Alice. Eles seriam presos se não fosse pela bondade de Lauren. Quando eles finalmente chegaram na estação, sairam do carro já espreguiçando-se e bocejando, estavam bem cansados e não tinham conseguido dormir no carro.

— Lauren! — chamou um rapaz, correndo para ela. — Você não vai acreditar em quem voltou.


Adam se contorceu onde estava deitado, rolando para lá e para cá, e acordou num susto sentando-se de subito. Era mais um dos pesadelos, os incessáveis pesadelos. Colocou a mão no peito e tentou recuperar o controle da respiração, retomando o fôlego e parando de tremer. Ergueu os olhos e viu o homem lhe encarando.

— Você é um dos presos, não é? — questionou John, mesmo já sabendo a resposta.

Adam lhe encarou por alguns segundos, antes de assentir de qualquer jeito e encostar-se na parede.

— Não durma por vários dias, não tente, e só durma quando seu corpo não aguentar mais — falou John, de repente. — Esse é o segredo para lidar com os pesadelos.
— Um bom conselho — respondeu Adam —, se eu não já tivesse tentado isso. — E virou os olhos para outra direção, sem paciência para conversar com o homem.

Escutaram passos lá fora, mas Adam não se levantaria como nas outras vezes que tentara convencê-los a soltá-lo, apenas esticou as pernas e encostou a cabeça na parede, ainda com sono e cansado. Continuou de olhos fechados mesmo quando ouviu a porta se abrir, provavelmente o homem seria levado antes dele também, como a garota. Ele não tinha ninguém para tirá-lo dali, afinal.

— Puta merda — gemeu Adam ao ter a perna esquerda chutada.

Quando abriu os olhos e se preparou para xingar quem havia feito aquilo, deparou-se com uma figura de cabelo ruivo, olhando enquanto sorria. Adam não soube como reagir a presença de Caterine ali, apenas se levantou com apoio dos braços na parede e colocou-se em pé de forma desajeitada. Poderia estar sonhando ainda? Onde entraria os terráqueos a matando?

Esperou, mas nada chegou, exceto o abraço da garota.

— Eu pensei que você tinha morrido, seu idiota — disse ela, num tom de frustração e felicidade.

O rapaz ficou sem reação, não havia a expressão mal humorada no rosto dele, apenas choque, estava meio atordoado com aquilo, mas a abraçou de volta. Se é que alguém poderia chamar aquilo de abraço.

Um pequeno sorriso se desdobrou no rosto de Adam. Ele tinha conseguido, ele finalmente tinha conseguido ajudar alguém que gostava. Estava tão feliz que nem percebera como estava agindo, de maneira que normalmente evitaria completamente.

— Cuidado, rainha, não se pode chorar por subordinados — respondeu Adam, num tom surpreendemente amigável.

Caterine se separou dele, sorrindo.

— Então você admite que é meu subordinado?

— Ei, eu não... — Suspirou e voltou a sorrir. — Ok, nessa eu me encurralei.

Seus olhos se moveram para trás da garota e novamente ele se surpreendeu, descobrira por um guarda que Lauren estava de fato viva, mas pelo que ele dissera, as chances de ela estar morta eram grandes. Enquanto Caterine aparentemente segurou as lágrimas, Lauren não as poupou.

Pego por outro abraço, o rapaz teve que lidar com o desespero de Lauren sendo jogado todo para fora, por ter pensado por todo esse tempo que ele estava morto e de repente, ali estava ele sã e salvo.

Novamente ele devolveu o abraço, sorrindo. Estava para sua própria surpresa, de certa forma feliz.

John observara aquilo curioso, recebendo um olhar negativo de Lauren por estar ali.

Quando Adam finalmente saiu da cela e ficou livre, assim que descobriu dos outros, foi imediatamente atrás da câmera de Alice que tinham pegado dele, indo até ela. A relação dos dois nunca foi muito próxima, mas assim que ele mostrou a câmera para a garota, ela pulou sobre ele, abraçando-o e enchendo seu rosto de beijos.

— Eu te beijaria na boca se você não fosse tão chato como é — disse a garota terminando de beijá-lo e saltando para longe com os olhos brilhando.

Caterine sorriu ao ver aquilo, fazia tempo que não via Alice tão feliz como estava.

— Vou levar isso como um elogio — respondeu Adam, mal humorado.


Uma semana depois o exército da rainha finalmente chegou na estação. Eram centenas de homens, mas não eram milhares, pelo menos. Fizeram um acampamento na parte de fora, apesar dos portões do acampamento terem se aberto no segundo dia após a chegada deles, devido o clima de confraternização criado pela filha da rainha, que herdaria seu posto em breve e estava liderando o exército. Gwendoline pedira pessoalmente para que os povos se juntassem para firmar mais essa aliança, a garota era claramente mais interessada naquilo do que a mãe.

E assim foi. Apesar do objetivo ser a criação de uma amizade, logo se criou uma rivalidade entre os povos, que disputavam quem era melhor em várias coisas. Coisas como a habilidade em combate dos soldados selvagens e as habilidades de mira dos melhores guardas da Arca que acertavam alvos pequenos e distantes em pontos mais pequenos ainda.

Caterine tinha se aproveitado daquilo para treinar sua mira, provando para si mesma mais uma vez quão ruim era com armas. Apesar da felicidade de ver Adam vivo, o sentimento negativo sobre si mesma continuara.

— Você é terrível nisso — comentou Brandon, rindo da garota.

— Terrível é elogio — concordou Alice, fazendo um "High Five" com o garoto enquanto continuava encarando a ruiva frustrada.

— Calem a boca! — respondeu Caterine, irritada.

Tinham vários outros bonecos para se atirar ali e muitas outras pessoas, até mesmo alguns terráqueos estavam entre as pessoas atirando, queriam experimentar aquilo e talvez até aprender, mesmo que fossem advertidos rapidamente por seus comandantes para que parassem com aquilo. Aquele povo parecia desgostar bastante de tecnologia.

O garoto que reconhecera no outro dia estava por ali, um pouco longe observando aquilo tudo enquanto comia uma maça, de vez em quando lhe olhava. Ela estava um pouco incomodada com aquilo.

— Quer ajuda? — perguntou Pietro, aproximando-se dela.

Caterine respirou fundo e virou-se para ele. Tinha prometido conversar com ele, mas fugira durante toda semana. O pior era ela saber que precisava mesmo de ajuda e ele era bom com aquilo.

— Sim — respondeu com esforço.

Mesmo com toda repulsa dele, não poderia negar que Pietro estava realmente tentando consertar as coisas e ter uma chance com ela, aparentando estar uma pessoa melhor. De uma forma ou de outra, ele estava começando a chamar a atenção da ruiva.

Ele a ajudou se posiciona de forma certa, como numa cena romântica de alguma filme, o que de fato ajudou um pouco a mira dela, mas não impediu Brandon e Alice de assoviarem, rindo um para o outro e deixando Caterine mais irritada que antes.

Alice desviou os olhos daquilo e viu Gwendoline saindo da estação, parecia admirada com tudo aquilo. Olhou para Caterine quando a garota passou e depois voltou a acompanhá-la, vendo-a se dirigir à um grupinho fora das cercas do acampamento deles. Saltou do pedaço de motor que estava jogado ali, onde estava sentada com o irmão de Caterine, e se dirigiu até onde a garota estava indo, por pura curiosidade, nem ela sabia porque. Quando chegou no tal grupinho, viu que era uma ringue de luta que alguns guardas da Arca estavam participando contra terráqueos. Franziu o cenho ao vê-la se voluntariando e ficou muito surpresa ao vê-la vencendo um guarda até bem robusto, ao desviar dos golpes com facilidade e derrubá-lo no chão com extrema habilidade.

Aquela garota estava atiçando seu interesse cada vez mais. Alice se virou para trás e viu um vulto vermelho entre tantas pessoas, sabendo o que fazer.

— Ei, você — chamou Alice, puxando a garota pela roupa e apontando com a cabeça para sairem do ringue.

Gwendoline olhou curiosa para a garota que tinha respondido sua mãe de forma bem grosseira e a seguiu.

— Então... — começou Alice. — É...

— Meu nome é Gwendoline, mas você pode me chamar de Gwen — disse ela, simplesmente, se curvando.

Alice se surpreendeu com a resposta direta e clara inesperada.

— O meu nome é Alice — respondeu Alice, não se curvando.

— Por que você me chamou, Alice dos Skaikru? — perguntou Gwen, numa voz passiva.


Caterine sentou-se onde estava seu irmão, suspirando. Ela não tinha salvação mesmo em relação à armas de fogo, era ruim demais com aquelas coisas, quando pensou estar melhorando quase acertou o rosto com a força do tiro, o que fez a bala errar o alvo de madeira e quase acertar um dos guardas no qual ela teve que pedir mil desculpas.

Limpou o suor da testa com as costas da mão e balançou as pernas, esticado-se um pouco ali e apoiando-se com os braços. Fechou os olhos, aproveitando o sol. Pietro fora para dentro da estação pegar algo para que bebessem e com todo aquele calor ela pouco se importava se ele tinha algo em mente para aquilo, era só queria beber mesmo. Poderia ter ido por ela mesmo, mas estava com preguiça.

Sentiu algo gelado tocar no seu rosto e tomou um susto. Deparou-se com o garoto que estava lhe olhando até demais bem ao seu lado com um copo cheio de alguma bebida perto do rosto dela. Ele sorria.

— Você parece estar derretendo — falou ele, num tom alegre. — Aqui, beba.

Ela ergueu uma sobrancelha, mas pegou o copo, olhando para o líquido dentro. Deveria ser uma das bebidas que os soldados da rainha tinham trazido e estavam trocando com as pessoas da Arca pela própria bebida deles. Tomou um gole e se surpreendeu, vendo que era muito boa, de fato.

— Meu nome é Alfrid — disse o rapaz, enquanto ela bebia, curvando-se.

Caterine colocou o copo em cima do motor e saltou dele, ficando em pé. Encarou o garoto por alguns instantes, vendo-o trocando o olhar com ela também, sem desviar os olhos.
— Você estava no ataque contra meus amigos — falou ela, de repente.

— Na verdade, o ataque era contra o Clã Treiku, o destino que uniu nos caminhos — respondeu ele num tom normal. — Nosso objetivo eram vocês também, mas só capturá-los. Não atacaríamos nenhum de vocês se não tivessem nos atacado.

Caterine cerrou o punho, furiosa.

— Você fala como se não tivessem avançado contra a gente com lanças e espadas, matando tudo que viam pela frente.

Alfrid fechou os olhos, os abriu e suspirou.

— Olha, eu sinto muito pelas suas perdas. De verdade. Eu gostaria que nenhum de vocês tivessem morrido, mas todos nós estavámos seguindo ordens — respondeu ele. — E foi minha primeira vez num campo de batalha... pode-se dizer que eu nunca matei ninguém em combate. Ainda continuo sem ter matado.

Caterine não acreditou naquilo, mas reparou numa parte especifica que o rapaz falara.

— Não matou... em combate? — questionou ela.

Ele ficou em silêncio e virou os olhos para Pietro que estava se aproximando.

— De qualquer maneira, você é bem bonita e parece bem legal, não é comum entre meu povo pessoas com cabelo vermelho como seu, então é... — Ele piscou pra ela, sorrindo, e afastou-se com as mãos nos bolsos.

[/i]Um terráqueo que parece um dos riquinhos da Arca[/i], pensou Caterine encarando o garoto se afastando com uma sobrancelha arqueada.

— Quem era? — perguntou Pietro ao seu lado com uma latinha em cada mão.

— Um qualquer — respondeu Caterine sem perceber que era Pietro. Encarou ele por alguns segundos, observando-o fitar o rapaz se afastando. — Você tá com ciúmes?

Pietro tirou os olhos do rapaz e se virou para ela, surpreso com a pergunta.

— Eu não — respondeu, entregando a latinha. — Só estranhei mesmo, ele é um terráqueo afinal.

Caterine pegou a latinha com uma das sobrancelhas arqueadas. Pietro nunca agira assim com ela, sempre a tratara como se fosse uma qualquer, mesmo se ela aparecesse casada ele não se importaria. Ele realmente tá apaixonado?


O cômodo de Lauren era realmente grande: tinha uma sala com TV e sofá onde também tinha uma pequena cozinha, um quarto com armário e cama, e o banheiro. Adam estava deitado sobre o sofá, depois de ambos terem limpado o local que mais parecia uma piscina de poeira, já que a mulher raramente ia ali, ocupada demais na Estação Médica. Suspirou, estava com muito sono, mas não conseguia dormir por saber o que lhe aguardava.

— Você vai experimentar um dos meus melhores pratos — falou Lauren no fogão, mexendo uma colher na panelinha.

— O teu miojo? — perguntou Adam com preguiça.

Lauren era a melhor médica da Arca, mas era terrível na cozinha, tentando raramente fazer algo ali apenas para Adam.

— Você zomba da minha comida, mas ama ela — respondeu Lauren, ignorando a zombaria do rapaz. — E além disso — ela se virou para ele, em seu rosto era visível a preocupação — eu quero te ajudar nos seus problemas, mas você precisa me dizer quais são. Com o que você está lidando, Adam. Por favor.

O rapaz apenas cerrou os olhos com mais força e se ajeitou no sofá, preferindo ficar quieto.

Lauren lhe encarou com tristeza, ele sempre fora assim, um baú trancado a cinco cadeados do material mais forte do universo. Era visível como tinha algo de errado com o garoto, ele não era mais o mesmo, as olheiras eram gigantescas e ela lhe via tremer uma vez ou outra. A primeira coisa que veio em sua mente foi estresse pós-traumático, mas era uma área abrangente demais, ele poderia estar passando por mil possibilidades diferentes, ela só precisava descobrir qual.

— Droga! — exclamou ela, ao ver o miojo se grudando a panelinha e começando queimar.

Adam preferia estar naquele quarto do que se deparar com um dos homens da rainha e acabar tendo um ataque. Fora o suficiente para ele ver alguns escravos entre aqueles terráqueos. Cerrou os dentes só de lembrar daquelas pessoas com olhos suplicantes, seguindo seus comandantes como se não fossem humanos e sim meras ferramentas.

Perguntou-se se o marido de Teya estava entre aquelas pessoas.

Abriu os olhos ao escutar uma batida na porta do cômodo e virou o rosto para ver Lauren indo até a porta, abrindo-a e deparando-se com ninguém menos que Bryan, o Chanceler. Adam se sentou no sofá de imediato, espreguiçando-se rapidamente e se ergueu para sair dali, mas o homem falou que não precisava e ele deu de ombros, então indo para o quarto de Lauren para dar privacidade os dois, só esperava que não começassem a transar ali com ele no lado. Sentiu uma vontade leve de vomitar ao pensar naquilo, era engraçado como considerava Lauren quase como uma mãe mesmo.

Conforme ele foi se dirigindo ao quarto e fechando a porta, o assunto começou entre os dois membros do Conselho e era claramente sobre a situação atual. Ele se deitaria na cama e ficaria olhando o nada, mas sua curiosidade superou seu desinteresse. Adam deixou a porta entreaberta e encostou o ouvido ali para ouvir a conversa.

— Eu suspeito dessa rainha — disse Lauren. — Você acredita que ela vai manter mesmo essa aliança depois que a ajudarmos a acabar com os rebeldes? Eu sinto que estaremos ajudando-a a ter todo poder necessário para acabar conosco.

— Sim, você está certa — concordou Bryan.

A "frieza" e calma dos discursos do homem era a mesma numa conversa normal. Como a Lauren gosta desse cara?

— Estamos ajudando-a com isso, mas vale a pena pelas crianças e pela chance dessa aliança se provar verdadeira — continuou Bryan. — Não é como se tivessemos opção. E além disso — o tom de sua voz pareceu se alegrar, mostrando alguma emoção, o que chocou Adam — depois de toda sua ajuda eu creio que essa aliança vai estar garantida.

Lauren riu, mas logo voltou ao tom de seriedade.

— Bryan, os escravos...

— É, eu sei. Eles parecem ter voltado para a Idade Média... é algo que teremos que engolir. Quando eu falei com ela e perguntei o que aconteceria se não aceitasse esse acordo, a resposta dela foi matar todos os adultos do nosso povo e fazer das crianças que eles terem piedade escravas, começando pelas que eles já tem como reféns. — Ele pareceu ficar triste. — E aquele garoto, Peter Dunham, foi ferido por um dos terráqueos, espancaram o garoto até ele ir para uma ala hospitalar.

Adam chocou-se outra vez ao ouvir aquilo, ouvira falar de Caterine sobre Peter e ficara feliz, mas não sobre a parte dele estar tão machucado a ponto de ter que ser levado para uma ala hospitalar daqueles malditos.

— As outras crianças estão feridas também, algumas até demais. E a "rainha" se acha completamente certa, como se tivessemos atacado suas terras e não simplesmente as explorado. A filha dela, Gwendoline, pelos menos parece ser uma boa garota.

— Sim, ela é. Espero que ela tenha uma boa influência sobre a mãe — respondeu Lauren.

Adam afastou-se da porta e sentou-se na cama. Cerrava os dentes de raiva.


Caterine pegou a espada que Gwen jogara para ela de forma meio desajeitada. A garota estava com outra espada. Alice estava ali perto, observando-as com atenção, tinha convencido a terráquea de ajudar uma "amiga sua", após notar a frustração da ruiva mesmo sem ela dizer nada.

— Segura com mais firmeza — falou Gwen, colocando-se em formação.

A ruiva fez o que foi recomendado e tentou imitar a formação.

Assim que as duas começaram trocar golpes, Caterine notou a diferença absurda entre os canibais e aquela garota, como se tivesse ido de uma criança de cinco anos para um adulto de trinta anos, ela mal conseguia se comparar à Gwen.

Tyler sentou-se ao lado de Alice parando para observar aquilo também, curioso. Virou os olhos para a garota ao seu lado que encarava Gwen quase a "luta" inteira, desviando os olhos para Caterine pouquíssimas vezes. Soltou uma risada e depois outra ao notar que Alice nem mesmo reparara nele de tão distraída.

Alice estava frustrada com si mesmo por ter gastado toda bateria da câmera e agora estava carregando, queria gravar aquilo.

As espadas de madeira poucas vezes acertavam-se, na verdade a de Caterine quase nunca acertava algo, ao contrário da espada de Gwen que sempre acertava levemente a garota em algum canto, fazendo-a soltar um gemido de dor.

Apesar de sua falta de habilidade, no fundo Caterine estava gostando mais da espada do que das armas.


Tyler se enfiou no pessoal que formava o ringue, vendo logo de cara Jay entre as pessoas. Sorriu ao vê-lo, o homem realmente não perdia oportunidade alguma, vira ele horas antes conversando com alguns terráqueos sobre como funcionava o comércio na Terra. Se enfiou entre os próximos que competiriam e quando chegou sua vez, se deparou com um terráqueo qualquer que deveria ter uns vinte e seis anos. Sua pele era um pouco mais escura e ele tinha um corpo decente para um guerreiro.

Alice, Caterine e Gwen que se aproximaram foram surpreendidas ao ver Tyler derrubando aquele homem. Então, o segundo. E, então, o terceiro. Cada um saia de forma mais violenta que o outro. As duas garotas pareciam bem surpresas com aquilo, mas Gwen já tinha reparado nas "habilidades" do garoto no treinamento, quando ele tomou o lugar de Caterine por alguns minutos, e a cada soco que ele dava ela notava a raiva neles, mesmo que ele escondesse muito bem.

Tyler teve que ser puxado por alguns homens quando o rosto do quarto oponente estava inchado demais. Limpou o sangue escorregando por seu nariz, o soco daquele fora tão forte que quase quebrara seu nariz, seu supercílio estava machucado também. Estava sem camisa e completamente suado, como todos outros guerreiros, ele via as várias cicatrizes naqueles terráqueos, mas não se deixava amedrontar por aquilo.

— Você consegue, moleque, vai lá, porra! — falou Jay, empurrando-o para o centro do ringue depois de molhar sua cabeça com uma garrafa d'água.

Seu próximo oponente era um garoto que poderia ser considerado bonito por várias garotas, mas que especificamente surpreendeu uma ruiva entre a multidão. Alfrid surgiu dentre os terráqueos, tirando sua camisa e mostrando seu corpo levemente bem definido, dando alguns pulinhos para se aquecer.

— Você me parece estressadinho demais para estar um "ringue de amizade", garoto — falou Alfrid, num tom de escárnio. — Vai matar um de nós, é?

Tyler franziu o cenho. Não era ele que estava no salão com a rainha e Caterine tinha citado no outro dia? Cerrou os punhos, lembrando-se do ataque.

Os dois rodearam o ringue, encarando-se, e avançaram contra o outro. Trocaram alguns golpes até Tyler recebeu um no lado esquerdo do rosto com força suficiente para deixá-lo tonto por alguns segundos, mas assim que recobrou a consciência avançou contra o garoto, desviou dos golpes dele e começou a acertá-lo numa sequência que só parou por opção própria.

— É só isso? Que vergonha — zombou Tyler enquanto se espreguiçava.

Alfrid que estava de joelhos no chão, limpou o sangue de seu beiço partido e avançou contra Tyler. Os dois começaram a se socar e Alfrid claramente estava tomando mais golpes, ficando atordoado aqui e ali, apesar de alguns socos que ele acertava em Tyler terem força suficiente para fazer o garoto recuar alguns passos.

Mas de qualquer maneira, os minutos se passaram e eles ainda estavam brigando, sangrando pelos machucados.

Rodeando o ringue, Tyler surpreendeu-se ao ver Cynthia entre as pessoas, lhe encarando com uma expressão de reprovação gigante, antes de sumir entre as pessoas. Aquilo lhe lembrou mais do que nunca de David e sua reação ao saber da "vida dupla" de Tyler, apesar de ter se interessado pelo esporte depois.

Naquela distração, Alfrid se aproveitou para acertar um soco no queixo de Tyler que derrubou o garoto no chão. Assim que Tyler alcançou o chão, o terráqueo lançou um chute contra seu rosto, acertando-o em cheio.

— Você tá bem, Tyler? — perguntou Caterine agachando ao seu lado.

Tyler gemeu que sim, sentindo que dessa vez seu nariz provavelmente deveria estar quebrado. A ruiva ajudou ele se levantar e lançou um olhar furioso para Alfrid que apenas deu de ombros e foi rir com seus amigos.


Na noite seguinte, era o aniversário de Cody, o amigo gordinho de Brandon. A mãe do garoto conseguira um bolo para ele, de chocolate. Os bolos da Arca eram feitos da massa mais fácil de se fazer e com os menores gastos, a aparência era sempre bonita, mas o gosto era uma simulação meio falha de algo doce, mas para gerações que nunca tinham experimentado um bolo de verdade, era uma maravilha.

Fizeram a festinha na praça central mesmo, reunindo-se ao redor de uma mesa qualquer. Caterine e Brandon bateram palmas para ele, rindo; Alice estava ali também, ansiosa pelo bolo, amava bolos; Adam também estava ali, de fundo; Tyler que também estava ali ergueu o garoto no ar fazendo com que todos rissem, tinha convidado Cynthia, mas a garota escolhera continuar trabalhando.

O grupinho de amigos se reuniu com Cody e começou a perturbá-lo, deixando-o envergonhado diante de todos outros.

Adam olhou para Caterine que ria bastante com tudo aquilo, estava tão feliz, falante e sorridente que nem parecia a garota que ele conhecia. Afastou-se deles sorrateiramente e foi para os corredores, dirigido-se para o quarto de Lauren. Com as mãos nos bolsos e os olhos vidrados no chão, ele avançou silenciosamente pelos corredores escuros, perdido em sua própria dor.

Virou-se pra direita numa bifurcação e se deparou com a tal amiga de Tyler mexendo em alguns fios numa parte aberta da parede. Tinha óculos e luvas para se proteger.

— Você deveria ir pra festa, todos estão lá, Tyler inclusive — falou ele enquanto caminhava lentamente.

— Não, obrigado — respondeu ela.

Ele deu de ombros e continuou seu caminho até o quarto de Lauren, onde abriu a porta e se deparou com o cômodo completamente sozinho e escuro.

— Lar doce lar — comentou para si mesmo, triste.

"eu vou tentar melhorar o timing dessa merda, tentar ser semanal" XD

Enfim, não corrigi como sempre, então qualquer erro me avisem aí. E comecem a comentar caralho, de preferência sem demorar três semanas, seus arrombado.

Boa leitura.

Spoiler:
Como faz três eras que eu postei e no 2x02 só tem a aparência dele, o Alfrid é o mano que para o brutamontes de meter a porrada no Peter, que o cara obedece ele e etc.



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72 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Ter Mar 20 2018, 18:25

Chris

Devo dizer que a participação que mais gostei foi a do Saiko.

Então, eu citei que a tendência da Alice era piorar mas talvez revendo o Peter melhorasse, acho que estava enganado. TÁ DOIDINHA PRA FAZER MERDA. Mas faz sentido ela agir assim depois de tudo que aconteceu. Jeremias nem dá pra citar nada, só fez o que sabe fazer de melhor, demorar pra responder. E o Peter Cat , se não for protagonista dos próximos dois capítulos, abandono.

Já sobre a Catarina e o Pietro, achei bem natural como tá sendo as interações dele, não sei como explicar, mas é algo que eu facilmente consigo imaginar acontecendo na série, por exemplo. Creio que a melhor definição é que você consegue tirar a essência da obra original. E vamos ver qual vai ser o Alfredo, tá pintando um triângulo problemoroso aí.

Legal a galera se reencontrando, mesmo alguns não tendo se visto ainda, claro. Creio que agora tem um leque de possibilidades enormes com eles unidos, e que se eu pudesse apostar, vão foder a aliança lindamente. Pelo menos tem a Gwen, que me parece que será uma ponte entre os dois lados. E por falar na aliança, volto a repetir o que disse no último capítulo: "Algo me diz que essa aliança ao invés de unir, vai é criar mais conflito ainda.", ainda mais com o lado da Arca desconfiando e parecendo disposto criar conflito, vai ser interessante ver como isso vai se desenrolar.

E posta mais rápido que não tenho todo o tempo do mundo pra ficar relendo o capítulo anterior para lembrar das coisas. Wink

E já avisei, os dois próximos são do Peter.



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73 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Sab Abr 14 2018, 16:05

Josh

Sobre o capítulo 3:

Estou gostando de como o humor é encaixado na fic, considerando que o clima costuma ser de tensão pura. Até eu fiquei apreensivo na cena da cerca elétrica com  Tyler.

O assassinato da garotinha por Alice foi bem impactante. Eu sabia que ela já tinha um enorme ódio pelos terráqueos, mas não que fosse o suficiente para ela matar uma criança provavelmente inocente. Me faz me perguntar o que a Alice quer da vida, seus objetivos. Ela é a sem família que mata familiares dos outros. Ela pensou no quanto a garotinha sofreu? No quanto os pais dela irá sofrer? Não. Alice pensou em Alice.

Portanto, acredito que a Alice é a mais provável de ser a pessoa que matará a tal rainha. Se ela algum dia for morta. Ainda parece ter muita história pela frente, mas que deve acabar com a morte da rainha.

Enfim, ótimo capítulo, com destaque para essa cena da Alice.

Capítulo 4:

Gostei principalmente da parte das lutas no ringue, apesar de ver o Tyler indo ao chão por um soco do Percy Jackson. Também estou achando interessante o desenvolvimento da relação entre Lauren e Adam, que eu não imaginava que iria ser tão forte agora.

Sobre a aliança, obviamente algo de errado vai acontecer aí, senão a fic acabava na paz agora. Algo que vai criar uma guerra de verdade, talvez. Não sei muito bem o que esperar.

Achei triste todo mundo abraçando todo mundo e o Jeremy não recebendo abraço nenhum. Ninguém sente falta do coitado.



 
Spoiler:

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