Fórum para discussão de todo o universo Geek: Seriados, filmes, quadrinhos, livros, games e muito mais.


Você não está conectado. Conecte-se ou registre-se

 » Geral » Museu dos usuários » Fanfics e histórias » 

[Fic Interativa] Earth Kills

Ir à página : 1, 2, 3  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo  Mensagem [Página 1 de 3]

1 [Fic Interativa] Earth Kills em Sab Set 10 2016, 00:07

Luckwearer


Pra quem quer saber mais sobre a base da história, tá aqui, de resto é só acompanhar mesmo. Eu tenho alguns problemas com escrita, na verdade vários, então esperem bastante erros e coisas do tipo. Sejam pacientes. De resto, as chances de eu fazer algo com o personagem que você criou que você não goste são grandes e é quase certeza que aconteça, uma hora ou outra, mas espero que no geral, fiquem satisfeitos com o rumo que vou dar à eles.

Por fim, espero que comentem sempre e deem suas opiniões sobre a história e os personagens, pra me motivar sempre a continuar essa fanfic.

Boa leitura.




S01E01 - Pilot

Spoiler:

Sentia uma forte dor de cabeça quando acordou, talvez estivesse com alguma lesão ou fosse a vida após a morte, não conseguia abrir os olhos, mesmo acordado, era como se estivesse morto de fato, mas sentia muito além da dor. O ar de onde ele estivesse parecia doce ao mesmo tempo que poluído por fumaça, era confuso de distinguir o que respirava, e como não bastasse só isso, gotas de água estalavam em seu rosto sem parar. Ao tomar coragem de abrir os olhos, foi obrigado acostumar-se com a claridade. Podendo analisar onde estava, surpreendeu-se. Deitado em sua cela habitual, a janela que dava ao espaço e uma visão privilegiada da Terra agora tinha como paisagem algo totalmente novo e estranho: um par de nuvens cinzentas soltando milhares de gotas. Chuva. Foi quando lembrou de tudo que acontecera naquelas últimas horas.
Estava deitado na cama de sua cela quando luzes laranjas começaram apagar-se e acender-se nos corredores, ligeiramente, junto às vozes desesperadas da sala de controle, pedindo que todos mecânicos e técnicos dividissem-se pela Arca, aparentava estar com sérios problemas, não em um ou dois lugares como o habitual, mas por ela inteira. Levantou-se na hora, enfiando o rosto na janela que dava ao corredor da prisão e as únicas pessoas naquela estação eram os outros adolescentes aflitos, alguns gritando por respostas e outros apenas tirando graça com o desespero dos amigos. Ele, porém, estava intrigado, nunca, nas suas duas décadas de vida na Arca, a vira numa situação como aquela, e isso porque não presenciava os problemas pessoalmente, apenas ouvia o terror crescente nos alto-falantes.
Então, tudo começou a tremer e as luzes apagaram-se.
Saiu debaixo da janela, ajoelhando-se com dificuldade, ainda tonto. Limpou a água do rosto, esfregando os olhos também para melhorar sua visão. Colocou alguns dedos na parte de trás da sua cabeça e gemeu de dor, botando-os em frente aos seus olhos para confirmar se realmente havia sangue. E havia. Soltou alguns lamentos sozinho, ergueu-se e teve de apoiar-se na cama para não cair. Com certeza do equilíbrio restaurado, tirou a mão do colchão e virou-se para porta, alegrando-se de vê-la aberta, quase como se estivesse arrombada. Puxando-a para dentro do quarto para abri-la, saiu para o corredor. A audição ainda estava tão confusa quanto sua cabeça, então os sons altíssimos do ambiente chegavam aos seus ouvidos como enigmas, acompanhados de um zumbido incomodante. Fora de sua cela, havia um corredor com as demais, que ia para esquerda e para direita, tendo bifurcações em ambos lados.
Ou assim, devia ser. Seus olhos arregalaram-se ao deparar-se, a quase dez celas de distância, com uma enorme cratera na direção esquerda, uma que lhe trazia diversas emoções. Estava maravilhado pela linda floresta engolindo toda visão, verde e densa, como nas histórias, acima de tudo parecia tão viva e os sopros fortes de ar que batiam em seu rosto eram doces, cheiravam a algo, diferente de sua vida na Arca. Porém, preocupou-se bastante, pois também notou a distância das árvores, muito abaixo de onde estava, o que lhe fazia pensar se a estação não pousara numa colina. É claro que pousou, seu idiota. Tirou sua atenção da aterradora altura e viu muitos adolescentes fugindo pelos corredores distantes, desesperados. Resolveu segui-los, apressando-se para alcançá-los. Antes que pudesse acompanhá-los, a estação tremeu violentamente, jogando-o no chão e devolvendo toda dor de cabeça que sentira. Tentou levantar novamente, mas estava zonzo demais, então, poucos segundos depois, sentiu mãos agarrando-o e foi erguido. Olhou para quem o ajudava e identificou um rapaz alto de cabelo castanho escuro, um pouco longo, já caindo nos ombros, de olhos da mesma cor.
— Consegue caminhar sozinho até a saída? — perguntou com certa urgência na voz e não podia culpá-lo. Seu sotaque era estranho, parecia um irlandês caipira.
Iria respondê-lo, mas uma garota o impediu, ao chegar neles depois de uma corrida.
— Eu ajudei todos que encontrei naquelas alas, alguém mais aqui? — questionou ao rapaz, no mesmo tom de voz.
— Mandei uma dúzia deles para fora da estação, ele foi o último que encontrei.
Diria algo, mas novamente foi interrompido, dessa vez pela estação deslizando severamente pela colina, deixando-a bastante torta e difícil de se manter em pé. O trio virou o rosto quando escutou berros, para direção que vinha e, claramente, estava distante. Nenhum dos três trocou sequer uma palavra, apenas correram para fonte e descobriram que saia de uma cela. Não tinha porta, então puderam ver de cara um quarto destruído e uma garota presa a algumas barras de ferro, a única coisa que a impedia de cair para floresta lá embaixo.
A dupla entreolhou-se, como se aquela situação fosse impossível de ser resolvida. Ainda estava tonto, mas não ligou, pediu que o rapaz o segurasse pelas pernas, rastejou-se até que grande parte de seu corpo ficasse para fora do chão intacto do quarto e seus braços pudessem alcançar a garota.
— Pegue minha mão, rápido! — exclamou, sentido-se mais tonto ainda.
— Eu não consigo, não consigo — respondeu ela, aterrorizada. Mesmo com os braços firmes na barra, estava congelada de medo.
— Confie em mim e eu vou te salvar dessa, okay?
Ela ergueu os olhos e o encarou, indecisa.
— Por favor, eu to quase vomitando em você — brincou, tentando tranquilizá-la, mesmo que fosse a verdade.
Conseguiu ver um pequeno sorriso de canto e a garota respirando fundo, soltando uma das mãos que foi pega rapidamente por ele.
— Puxem! — gritou para dupla de salvadores e sentiu o rapaz o puxando pelas pernas com a ajuda da outra garota.
Quando todos quatro finalmente puderam resfolegar em paz, deitados no corredor, o herói da garota soltou uma risada, aliviado e animado pela adrenalina, mesmo que minutos atrás estivesse aterrorizado, por dentro. Olhou para garota em seus braços e sorriu para ela, recebendo um abraço e um beijo na bochecha de agradecimento.
— Eu mereço também — disse o outro rapaz, sorrindo.
Sentiram a nave tremendo novamente, então levantou-se junto ao restante e correram dali, indo o mais depressa possível para saída. Não eram os únicos afastando-se velozmente da estação soltando-se da colina e caindo na floresta, muitos outros adolescentes iam com eles. Viu várias coisas durante a fuga desesperada, uma garota muito perto do fim da colina, gravando a queda da estação com uma câmera, não parecia nem um pouco preocupada, e uma figura prateada atravessando sua vista e a de muitos outros, aparentava ser o melhor corredor dali, pois sumira nas primeiras filas desgovernadas e dispersas de adolescentes fugindo, enquanto ele devia estar nas últimas. Continuou correndo, mesmo que já soubesse que a estação naquele momento estava impactando-se nas árvores. Só parou quando estava sem fôlego, caindo na lama e deixando seu rosto ser lavado novamente pela chuva.
— É sempre bom fazer exercícios, não é? — disse o garoto de cabelos prateados, deitado ao seu lado, recuperando-se da corrida também. — Só não esperava que fosse fazer tanto.
— Que?
— Prazer, Peter Dunham — apresentou-se, esticando a mão — mas pode me chamar de Pete.
— Prazer, Jason Perry — devolveu o gesto, encarando com estranheza o jovem sorridente.
Foi nesse momento, pouco depois que toda angustia passou, que todos delinquentes puderam realizar onde estavam. Jason sorriu, ficando de pé e olhando em volta. Estava na Terra. O prazer foi por água abaixo quando viu a situação deles, todos machucados, muitos feridos mortalmente. Caminhou lentamente em direção ao rapaz que o ajudara, encontrando-o com alguém em seus braços, a pessoa parecia ser um amigo dele e tinha um estilhaço em sua barriga. Era um caso perdido. Não conhecia nenhum dos dois, mas de todos que estavam ali, pelos atos dentro da nave, preferiu ficar perto dele do que dos assassinos e outros tipos tão ruins quanto.
— Não se preocupa, você vai ficar bem. Acha que vai deixar essa vida antes de pagar todas suas dividas? — disse ele, sorrindo, para o amigo morrendo aos poucos, que riu e engasgou-se com o próprio sangue. Não demorou para que morresse.
— Tudo bem? - perguntou Jason.
Sem ver seu rosto, só pode supor que estava chorando, mas rapidamente ele respirou fundo e levantou-se, virando-se para ele. Jason pôde ver que estava um pouco abalado, mas pelo esforço de tentar esconder, resolveu não dizer nada.
— Vou melhorar – respondeu com um sorriso de canto.
— Jason.
— Tyler — disse ele, revelando o nome.
— Pete.
Jason arqueou uma sobrancelha para o surgimento repentino do rapaz novamente, esticando sua mão dessa vez para Tyler que aceitou-a como ele, sem expressar muita coisa.
— E agora? — ouviu alguém perguntar para garota que estava junto a Tyler na estação.
Reparou com atenção nela pela primeira vez, surpreendendo-se por sua beleza. Era magra, um pouco baixa, tinha olhos castanho esverdeados e pequenos, assim como seu rosto, o nariz era arrebitado e o cabelo era ondulado, um castanho avermelhado que terminava na altura dos seios.
— Qual o nome dela? — perguntou Jason, curioso.
— Creio que seja Caterine – respondeu Tyler.
Caterine olhou para pessoa um tanto confusa, não esperava alguém recorrer a suas sugestões, mas ao ver que tantas pessoas esperavam sua resposta, muitas das quais ajudou a sair da nave, resolveu responder com bastante seriedade.
— Se vocês prestarem atenção, verão que há fumaça subindo das árvores muito longe daqui, embaixo dessa colina. Devem ser uma das outras estações. Precisamos ir para lá.
— Há fumaça subindo para lá também — apontou outra pessoa para direção oposta da colina. — Parece mais próxima que aquela outra.
— Deve ser a segunda divisão de celas, eles farão o mesmo que nós — disse Caterine.
Na Arca, existiam duas grandes divisões de celas conectadas por corredores, a possibilidade de ter sido destruída na queda no planeta fazia total sentido.
— E o que “nós” faremos? — questionou a garota da câmera.
— Iremos atrás daquela estação, haverá adultos por lá.
— Alguém aqui quer voltar a ser subjugado por aqueles escrotos do Conselho? - berrou a garota.
Muitos gritaram que não.
— Então, fodam-se eles, se sairemos daqui, é para ir atrás dos nossos e não de ditadores. Eu não pretendo voltar a celas quando estou na Terra!
Caterine encarou a garota como se fosse socá-la a qualquer momento, mas respirou fundo e começou caminhar para longe do aglomerado de adolescentes, ao ver que nada do que diria adiantaria de algo. Jason continuou encarando a rebelde, distraído, só acordando do transe quando viu a ruiva passando ao seu lado.
— Ei, você — exclamou Jason, automaticamente.
— Diga — falou ela, o encarando agora.
— Pelo que vejo, todos aqui irão atrás do resto da nossa estação. Venha conosco, sair sozinha numa vastidão dessa é perigoso demais.
— Por que da preocupação? - questionou, levantando uma sobrancelha.
— Você ajudou muitas pessoas hoje, um conselho é o mínimo que merece.
Caterine por algum motivo pareceu receosa em segui-los, encarando a fumaça longe com muita atenção, mas no fim, suspirou e aceitou.


Jason andava ao lado dos três que conhecera há pouco tempo, o rapaz de cabelo prateado estava fascinado com a Terra e não parava de falar em momento algum. Pela segunda vez naquele dia, não podia culpar alguém pelo que sentia ali. Estava fascinado também, adentrando na floresta que crescia conforme afastavam-se da colina, podia ver pequenos animais escondidos em buracos devido a chuva, além da beleza estupenda. Era extraordinariamente gostoso de se respirar na Terra, tudo parecia real, ao contrário da Arca que tudo era artificial.
Descobriram a localização exata da outra parte da estação sem muitos problemas, algumas dezenas de metros de distância e foi suficiente para que escutassem todo caos ocorrendo lá. O grande grupo de sobreviventes da colina depararam-se com um grande aglomerado de pessoas em volta de algo. Atrás daquela confusão, havia a outra estação, pousada com sucesso, causando dano apenas a vegetação em volta.
Jason adentrou na multidão junto aos outros, empurrando as pessoas, e viu o que chamava tanta atenção: era uma briga entre dois delinquentes, estava igualada, socos e chutes, caiam e rolavam na lama, mas não desistiam, ambos já sangravam e tinham machucados no rosto.
— Qual o motivo disso? — perguntou Tyler à uma pessoa qualquer.
— Aquele ali — apontou para o rapaz que acertou uma joelhada no estômago do outro — pegou a arma de algum guarda moribundo dentro da nave e quis ordenar em todos daqui, o outro negou respeitá-lo e agora estão brigando.
— Que idiotice – disse Jason, entrando no ringue e dirigindo-se aos dois, querendo separá-los. Tyler foi atrás, para ajudá-lo.
Um dos amigos do ditador jogou-se na frente de Jason e acertou um soco em seu rosto, levando-o ao chão e tentou atacar Tyler que defendeu, acertando um chute em seu peito, fazendo-o voar para longe.
Pete observou a situação surpreso, ao ver uma briga de duas pessoas se tornar de várias rapidamente, perdeu até mesmo os amigos de vista. Afastou-se de todo aquele caos, vendo a garota rebelde gravar tudo enquanto ria.
— Legal, não é? - exclamou para ela.
— Sim, estou há poucos minutos na Terra e já virou meu lugar favorito — respondeu ela, sorrindo.
— Peter Dunham, mas pode me chamar de “Pete” — disse ele, esticando o braço.
— Alice, prazer.
— Pete? — perguntou uma pessoa em voz alta, surpreso, atrás dele.
Peter virou-se para ver quem era e surpreendeu-se igualmente, deparando-se com ninguém menos que seu melhor amigo.
— Thomas! - exclamou pulando no amigo e o abraçando.
Mal puderam terminar o abraço e tomaram um susto junto a todos outros, ao escutarem o som de uma arma sendo disparada.
No meio da confusão, estava Caterine com a arma em mãos, ainda para cima. Olhava impaciente para todos eles, principalmente para os briguentos.
— Devolve minha arma, sua puta — gritou o idiota que achava-se o líder.
— Aproveita e enfia no cu dele — respondeu o que brigara com ele.
— Quer apanhar de novo, Hunt? Vou enfiar toda essa arrogância no seu rabo — ameaçou.
O tal Hunt apenas juntou tudo que tinha na boca, inclusive catarro, e cuspiu no rosto do rapaz. Como resposta, o mesmo começou a gritar e querer atacá-lo, mas os amigos o seguraram, enquanto Jason e Tyler seguraram Hunt.
— Parem com essa estupidez, isso não vai nos levar a lugar nenhum! - gritou Caterine.
— E quem é você para dizer o que é estúpido ou não? Não foi você que quis nos levar de volta aos adultos? - gritou alguém.
— Sim, fui eu. Precisamos voltar aos adultos porque não sobreviveremos sozinhos na Terra, mal a conhecemos, muitos aqui mal sabem algo de agricultura e menos ainda de medicina. O que farão quando adoecerem? O que farão quando as frutas que acharem acabarem ou forem venenosas? Nem mesmo maturidade existe entre nós, olha essa briga, se brigarmos toda vez por bobeira, logo estaremos nos matando. Eu não apoio o Conselho, cada um de nós sofreu suficiente por causa deles, mas precisamos dos adultos, queiram ou não.
Jason olhou em volta, esperava alguém chamá-la de idiota e se rebelar, mas no fim, apenas admitiram a verdade. Afastou-se do Hunt após o mesmo soltar-se mal humorado, dando olhares sombrios à ele e Tyler, antes de sumir entre a multidão. Virou os olhos para garota da câmera e a viu quieta, não gravando mais, e encontrou Pete ao lado de outro rapaz.
Suspirou, teriam dias difíceis pela frente.

S01E02 - Day Trip

Spoiler:

Escutou Lisa rindo e juntou-se a ela, adorando ouvi-la tão feliz. Andavam juntos ao lado de um pequeno riacho, procurando ervas avermelhadas, serviriam de medicação para o guarda moribundo dentro da estação. Ninguém realmente queria que o homem vivesse, mas Caterine fez questão de colocá-lo no último andar, saindo de lá poucas vezes, não por escolha, tinha medo de que quando voltasse, após um grande período fora, encontrasse o homem engasgando-se com o próprio sangue. Não importava para Jason se ela tinha alguma relação com ele ou qualquer que fosse, o ajudara no dia que aterrissaram na Terra e, considerando-a como amiga, a ajudaria sempre que pudesse. Nessa oportunidade, teve sorte, pois talvez fosse o único no acampamento com sabedoria avançada suficiente sobre medicina para cuidar de feridas relativamente graves.
— Obrigado de novo por me salvar na estação —  agradeceu Lisa pela milésima vez desde aquele dia. — Você é meu herói.
— Para com isso —  reclamou Jason, rindo sem graça.
Escutaram passos atrás deles e viraram-se, deparando-se com Todd, o rapaz que brigara com Adam. Desde aquele dia agia diferente, abandonara a postura de ditador e tratava as pessoas como se fossem melhores amigos, conquistando-as consideravelmente rápido. Algo que não podia tirar dele era que tinha uma ótima lábia. E é ótimo em falsidade também, pensou mal-humorado. Não gostava dele, durante a briga recebeu outro soco que dessa vez apenas o fez recuar e fora de Todd, que sorrira para ele, adorando aquela confusão.
— O que você quer, Todd? —  perguntou, enchendo todas palavras com sua impaciência.
— Qual o problema, cara de batata? Só estava procurando o príncipe e a princesa para ajudá-los nessa empreitada —  o tom de deboche era perceptível.
— Que empreitada?
— Acha que sou idiota? Eu sei que a rainha pediu à vocês que procurassem algo para ajudar o reizinho dela.
Os apelidos vieram com o passar dos dias, propagando-se entre os delinquentes como uma doença e Jason odiava todos.
— Vai tomar conta da sua própria vida, Todd — respondeu Jason, virando as costas para ele e ignorando-o.
Todd irritou-se com aquilo, aproximando-se velozmente e puxando-o pelo ombro, colocando-o cara a cara com ele.
— Como é que é, anão? — As palavras saíam furiosas da boca de Todd. Por ser mais alto, abaixava a cabeça dando ao seu rosto uma visão sombria, enquanto encostava seu peito o máximo possível em Jason, querendo ameaçá-lo com a proximidade.
— Chega — ordenou Tyler, brotando entre as árvores.
— Parece que seu guarda-costas chegou — comentou rindo. — Fodam-se vocês, querem salvar o maldito guarda, que salvem.
Antes de sumir na floresta, virou-se para eles e cuspiu no chão, sorrindo em seguida e adentrando no matagal.
— Sinto que você está virando meu salvador — falou Jason à Tyler, brincando.
— Não fique quieto na próxima vez, já conheci idiotas suficientes para saber que ele é um dos que tentam convencer todos e, principalmente, a si mesmo que pode se sobressair. Mostre que você não se ajoelhará à ele e a reação será tão desesperada quanto a dele em relação à Adam.
— Não sou um dos melhores lutadores, Tyler.
— Aproveite seu tamanho e acerte-o no saco, é o maior ponto fraco de um homem — sorriu Tyler, bagunçando o cabelo de Jason como se ele fosse uma criança, sabendo que aquilo o tirava de sério. — Agora, deixemos o assunto chato de lado. Encontraram as ervas?
— Sim, faz um tempo — respondeu Lisa, tirando algumas plantas do bolso de seu casaco cheio de furos e velho.
— E por que não foram para o acampamento? — questionou, curioso.
A dupla entreolhou-se, sabendo que andaram mais algum tempo para que pudessem conversar a sois.


Caterine acompanhou todo processo de perto, ansiosa. Mesmo desastrado, Jason apresentava destreza e firmeza nas mãos, surpreendendo-a. Mais um pouco de conhecimento e talvez se torne um ótimo médico, pensou vendo os olhos do garoto focados na ferida, não distraindo-se em momento algum. Ela não tinha noção do por que da presença do homem naquela estação, passara tempo suficiente nas grades para ser visitada e mesmo assim não fora, então por que estava ali? Perguntava-se a si mesmo se deveria se importar, pensava nisso ocasionalmente desde o momento que o encontrara moribundo em um dos corredores. Não soube como, mas parecia pela ferida que algum estilhaço durante a queda havia feito um corte profundo em suas costelas, chegando até mesmo na barriga, mas nesta, a ferida já era mais leve e menos perigosa. Agora, o rapaz limpava a ferida e cuidava, para que não se infectasse.
— Acho que é o suficiente por enquanto. — Jason pronunciou-se, cortando o silêncio daquela cela que servia como moradia para o ferido. — Vou continuar tratando-o com essas ervas, serão suficientes por um tempo, mas caso não sejam...
— Ele vai precisar de muito mais que isso pra sobreviver, não é? — mesmo que tivesse feito uma pergunta, Caterine claramente não precisava de uma resposta.
— Olha pelo lado bom, pelo menos agora temos mais um motivo para ir atrás dos adultos — comentou Peter. Como sempre estava de bom humor, mas naquela frase sua voz saíra mais grave do que o esperado.
— Vamos todos, então? — perguntou Jason aos colegas. Dentro da cela estava o ferido na cama, Jason ao seu lado, Caterine no lado do rapaz, Tyler na porta, Peter escorado no parapeito em frente ao quarto, Thomas ao seu lado e Lisa silenciosa ao lado do asiático.
— Precisamos de alguém aqui, se o deixarmos sozinhos, é bem provável que voltemos com ele sob uma cova — respondeu Tyler.
— Deixem comigo — disse Thomas. Ao receber um olhar de desapontamento do melhor amigo, respondeu: — Nunca fui fã de Indiana Jones e nem pretendo ser agora.
O grupo não segurou a risada, até mesmo Caterine que estava tão séria desde que pousara na Terra, soltou risadas.
— Mandarei Kevin subir aqui, ele me parece um cara robusto, diga à ele que caso as coisas fiquem confusas demais e só vocês dois não bastem para impedir aquele idiota do Todd, tranquem a porta com vocês dentro ou fora. Não importa, tenho as chaves. — Ao terminar, Caterine mostrou as tais chaves.
A tecnologia da Arca era avançada suficiente para que chaves fossem esquecidas, mas todas portas tinham fechaduras caso houvessem problemas.
O grupo saiu rapidamente da estação, caminhando pelo acampamento formado. Tinham bolsas feitas com tecidos, enfiadas em estacas de madeira, para coletar água e outras bolsas para frutas que encontraram, era o principal alimento dos adolescentes, mesmo que algumas vezes achassem pequenos roedores. Estavam ali há quase uma semana e algumas vezes andavam pelas redondezas, mas nunca avançavam além da visão que a colina dava. Aquele dia seria diferente. Ao chegarem no lugar, arriscaram-se em seguir o lado esquerdo e tiveram de enfiar-se novamente na floresta para fugir das encostas. Havia algumas presenças novas no grupo que saíra da estação. Alice correu para eles com a câmera em mãos, louca para gravar as aventuras que teriam pelas áreas inexploradas da Terra. Já, Adam, viera por pedido de Jason, que no fundo apenas queria afastá-lo de Todd, os dois arrumavam problemas diariamente e algumas vezes brigavam. No quarto dia, Adam trouxe um roedor que encontrara na floresta e Todd tentara convencê-lo de compartilhá-lo para ele e seu grupinho de amigos, mas negando, os dois começaram uma discussão e ao ter o roedor arrancado das mãos, acertou um gancho no queixo do rapaz, iniciando outra briga. No fim, Adam mandou Todd e quem tentara apoiar a estupidez do rapaz para "casa do caralho", afastando-se do acampamento e provavelmente comendo sozinho. Esperou ser menosprezado pelo rapaz ao oferecê-lo a chance de ir com eles, mas recebeu um sim ligeiro.
— Quando partimos? — perguntara, bebendo um pouco de água.
O grupo andava pacientemente pela floresta, por não conhecê-la preferiram tomar cuidado, mesmo a Terra conhecida nas histórias tinha seus perigos, imaginavam que essa depois de um século fosse pior.
Caterine andava sozinha, pensativa, quando Adam surgiu ao seu lado, pulando um pequeno morro que ela apenas atravessou pela lateral, evitando.
— Você é sempre tão séria assim? — questionou com um sorriso estranho no rosto.
A garota levantou uma sobrancelha, mas continuou andando e encarando o que vinha em sua frente para que não tropeçasse.
— Não. E você, é sempre tão brigão como aparenta?
— Brigão apenas com quem merece — respondeu, piscando para ela e sorrindo maliciosamente.
Ela apenas sorriu, achando o rosto do rapaz engraçado.
— Um péssimo brigão, aliás — comentou o que vira nas brigas do rapaz, tirando uma com a cara dele, que como resposta riu de forma sarcástica.
— Olhem só! A rainha sorrindo e o lobo solitário sendo social, este é um evento histórico, meus caros amigos – exclamou Alice surgindo ao lado deles com sua câmera ligada e em frente ao seu rosto, obviamente gravando os dois.
— O dia que essa câmera descarregar, eu serei o primeiro a rir da sua cara — disse Adam.
— Até lá, toma um closer só seu — respondeu ela, rindo e focando a câmera no rosto de Adam que pulou sobre ela, tentando tirar o objeto de suas mãos, mas errando. Alice apenas afastou-se correndo e gargalhando da raiva do rapaz.
Caterine juntou-se a garota, rindo da impaciência do rapaz e seu fracasso de vingar-se.
— Um péssimo brigão —  repetiu, sorrindo.
O restante do grupo estava disperso.
— Cara, eu sei que você tá afim dela e claramente ela tá afim de você. O jeito mais simples dela ser sua mina, a garota do seu coração, o amor da sua vida, a pessoa com quem você quer passa o resto da vida, sua fonte de felicidade, é você chegando nela — disse Peter com o braço em volta do ombro de Jason, encarando a garota andando alguns metros a frente.
— E como faço isso? Sou péssimo com garotas!
— Nota-se, meu caro amigo – lembrou-se Peter das tentativas passadas. — Você foi bom ao chamá-la para ir contigo buscar as ervas. Siga esse exemplo.
— Você que mandou ela ir comigo.
— Você que fez ela querer demorar mais um pouco pra falar contigo.
— Foi sorte.
— Siga o exemplo, cara. Siga o exemplo.
Antes que Jason pudesse respondê-lo, Peter o empurrou em direção a garota, fazendo-a virar-se para ele e dizer "oi".
— Você sabe que ele vai se enrolar, não é? — falou Tyler, ficando ao lado do rapaz.
— Sim, essa é a graça — respondeu Peter rindo da expressão embaraçada de Jason.


Quando finalmente chegaram à uma descida da colina, correram para ver se era seguro e viram um caminho descendo pelas costas da colina, até lá embaixo, onde a natureza ficava mais densa. Não recuaram, o grupo foi direto para o caminho, um por um, descendo-o rapidamente. Chegaram, finalmente, a parte debaixo pouco tempo depois. A floresta ali era de fato mais densa, algumas árvores emaranhavam-se pelas raízes e as copas juntavam-se mais, criando efeitos lindos da luz do sol adentrando em furos pelas folhas. Alice foi a mais maravilhada, gravando aquilo com muita empolgação, estava feliz como não ficava há anos fazendo aquilo, guardando memórias da primeira descida na Terra depois de um século. Orgulhava-se, principalmente, de ser uma das primeiras a pisar.
— Agora precisamos seguir noroeste para chegar à onde estava a fumaça dias atrás — disse Tyler ao grupo, tomando a dianteira.
Andaram mais quilômetros, provavelmente, mas tudo que encontravam eram mais árvores e algumas vezes clareiras, mas só isso. Tiveram que andar por mais horas até acharem algo e ali o céu estava cinza novamente, mergulhado em nuvens agourentas. O grupo parou muitos metros antes do local em si, surpreenderam-se ao ver centenas de estacas de madeiras jogadas no chão. Avançaram, muito curiosos, ainda que agora cautelosos e quando as copas saíram de suas vistas, puderam ver algo que parecia uma nave, grandiosa, mesmo que pequena em comparação a estação que caíra na Terra. Em frente a nave estava algumas construções improvisadas para sobrevivência do mesmo tipo que fizeram, algumas estacas de madeira estavam em pé e conectadas as outras, aparentando ser uma parede, e conforme adentravam, podiam ver que o objetivo delas era de fato formarem paredes ou muralhas, mas muitas estavam aos pedaços, outras caídas e a minoria quebrada até a metade, mas todas estavam com sua base ainda enfiada em terra.
— Que lugar é esse? — perguntou Peter, completamente intrigado.
Tyler aproximou-se da nave, limpando uma certa parte com a mão.
— Já vi uma dessas na Arca — comentou, observando o simbolo que ostentava.
— Parece que temos um membro infiltrado do Conselho aqui — disse Adam, encarando-o com suspeita.
— Vi em arquétipos durante minhas aulas de mecânica — respondeu sem ligar muito para a suspeita de Hunt.
Jason virou o rosto ao ver Alice enfiando-se no meio de algumas estacas destroçadas, pulando-as e avançando, a seguiu e escutou o resto indo atrás dele. Ao verem o que ela gravava, encontraram-se num grande cemitério. Havia uma centena de covas, todas com nomes escupidos em cruzes de madeiras. Absolutamente todas covas tinham cruzes com seus respectivos nomes. Brenda, Harry, Michael, Jenny, Clarke, Dennis, Jonathan e muitos outros.
— Que porra de lugar é esse? — questionou Adam em voz alta, tão assustado quanto os outros.
Como ironia do destino, sentiram algumas gotas caindo em suas cabeças e ao levantarem o rosto para ver se era chuva, foi como se do nada, uma tempestade brotasse sobre suas cabeças. O dia tornou-se noite e a luz tornou-se trevas num piscar de olhos, os raios de luz agora eram infinitas gotas d'água que os encharcariam rapidamente se não tivessem enfiado-se dentro da nave. Encontraram muitas coisas dentro da nave: mochilas, roupas, cobertores, acessórios, etc. Tiveram sorte de encontrar uma lamparina e algumas lanternas. Guardaram as lanternas num canto e ligaram a lamparina, iluminando o lugar em volta deles. Tinha vários assentos colados nas paredes e alguns espalhados pelo primeiro andar, o segundo tinha mais alguns, não tantos. E era isso a nave.
— Você está com a arma? — perguntou Tyler a Caterine.
— Sim — respondeu, simplesmente.
Todos estavam sentados em volta da lamparina, num silêncio absurdo. Peter incomodado com aquilo, resolveu interrompê-lo:
— Tive uma ideia de como passar o tempo até a tempestade lá fora ir embora.
— Como? — perguntou Jason.
— Vamos contar o motivo pelo qual fomos presos. Que tal nos conhecermos, hein?
Falava da ideia com uma empolgação notável, algo que tristemente nenhum deles pareceu compartilhar.
— Vamos lá, Jason, conte-nos sua história.
Um pouco receoso, o rapaz engoliu em seco e resolveu contar, pensando que não perderia nada falando de seu crime:
— Fui preso roubando remédio.
— Para alguém querido? — perguntou Caterine.
— Sim, minha mãe. Mas no final... — ele parou, tentado arrumar um jeito de continuar a falar aquilo sem que passasse vergonha em frente ao grupo. — Mas fui pego na segunda vez roubando remédios da enfermaria, fui preso e minha mãe morreu algumas semanas depois. Soube por vizinhos que era alguma doença sem cura.
O silêncio anterior retornou, dessa vez melancólico, todos deram alguma olhadela de pena à Jason.
— Você é mais forte do que aparenta — disse Caterine sorrindo, falava com carinho, tentando consolá-lo.
— Não me considero forte. Na segunda semana após isso, não suportando mais, quebrei o espelho da cela e tentei me matar, mas por sorte acabei me cortando de forma errada e puderam me salvar sem ter que gastar demais. Depois disso, escolhi que viveria pela minha mãe, ela me criou para que eu fosse alguém bom — falava com tanta tristeza que agora todo grupo prestava completa atenção a sua história. — Alguém vivo — terminou com um sorriso forçado para eles, que morreu em seguida.
Por algum tempo, ninguém disse mais nada.
— Cada um de nós lida com dor de forma diferente, alguns de forma melhor e outros de pior. Mas ambos não tem culpa. Você foi forte ao passar por isso de maneira tão firme — falou Caterine, dando outro sorriso a ele, agora um triste.
— E qual foi seu motivo de estar aqui? — perguntou Jason.
Caterine ficou quieta por alguns segundos, mas respondeu:
— Fazer de tudo para proteger minha família.
— Misteriosa como sempre — murmurou Adam.
— Conte-os sobre você, então, pois devia ser o último a falar isso — respondeu Caterine, o encarando.
Adam notou os outros concordando e sorriu da forma sarcástica típica dele.
— Entendo perfeitamente a situação do Jason. A diferença é que eu era o doente. Meu pai desesperado roubou alguns remédios, foi preso e ejetado, minha mãe entrou em depressão e bebeu até a morte, suas últimas palavras foram que a vida dela e do meu pai terminaram no dia do meu nascimento — terminou encarando a lamparina, triste. Acordou de seus pensamentos pouco depois, virando o rosto para Tyler. — Sua vez.
— Sabem a música que tocou em toda prisão? Fui eu que coloquei.
— Boa – disse Peter.
— Você foi preso por isso, sério? Parabéns — disse Adam, achando o ato idiota.
— Achei uma boa causa dar aos presos algo novo, muitos nem mesmo mereciam estar ali. Além disso, eu tinha amigos lá também.
— Eles devem estar felizes de ter um amigo tão idiota assim — comentou Caterine, sorrindo.
— Devem — murmurou para si mesmo. Sabia que todos estavam mortos, não os encontrara em nenhum das duas estações, fora James com o estilhaço no estomago. Mas nenhum deles precisava escutar mais tristeza. — Sua vez, Alice.
— Prefiro não comentar.
Adam bufou ao ouvir aquilo.
Então, toda aquela conversa terminou em silêncio novamente. A nave ficou quieta e só podiam ouvir os trovões, a água escorrendo pelo teto da nave e o barulho agradável das gotas acertando as árvores lá fora. Peter viu como todos estavam e apressou-se para animá-los.
— Bem, ninguém me recomendou, mas vou contar meu crime. Basicamente eu fui preso por consertar um dos problemas da Arca com fita durex, além claro que nunca fui o exemplo de bom cidadão. Eu roubava erva com o Thomas na Estação Rural.
O grupo olhou para ele sem saberem muito o que fazer pela mudança repentina de clima, algo que o deixou tenso, mas aliviou-se rapidamente ao escutar as risadas começando.
— Cara, não dá pra acreditar que foi você. Falaram disso por dias e mesmo nos últimos antes de eu ser preso, ainda ouvia os trabalhadores fazendo brincadeiras sobre — contou Tyler, rindo.
— Eu estava de saco cheio, okay? Tantas vezes fazendo isso, cansei mesmo.
— Você mereceu ser preso, cara — disse Alice rindo.


Quando finalmente todos foram dormir, Tyler ficou em frente a entrada da nave, observando a chuva, enquanto estava perdido em seus pensamentos e sua tristeza. Caterine rolava para um lado e para o outro, preocupada com seu irmão e atormentada pela presença de Pietro. Alice ficou revendo os videos que gravara até ali. Adam estava encarando o teto, relembrando do inferno que fora sua vida na Arca, mas sorria uma vez ou outra ao lembrar-se de memórias boas, como a de seu pai o colocando na grande árvore da praça, deixando-o escalá-la, enquanto sua mãe ficava de olho em volta, rindo. Peter estava em coma deitado sobre mochilas e cobertores. Jason estava deitado, pensando em sua mãe, quando Lisa deitou ao seu lado.
— Posso ficar aqui? — perguntou com um sorriso.
— Pode.
— Obrigada.

S01E03 - Hell Begins

Spoiler:

S01E04 - The Lone Wolf

Spoiler:

S01E05 - The Hundred

Spoiler:

S01E06 - We Must Be Killers

Spoiler:

S01E07 - Remains

Spoiler:

S01E08 - Killer Within

Spoiler:

S01E09 - A Large World [Season Finale]

Spoiler:




Protagonista - Jason Perry
Josh - Tyler O’Neil Sullivan
Mary - Caterine Heartley
Babi - Alice Liddell
Chris - Peter Dunham
Dwight - Adam Hunt
Gulielmus - Jeremy Cross
NPC - Thomas
NPC - Todd
NPC - Lily Pate
NPC - Lisa
NPC - Bryan Hopkins
NPC - Sebastian Ward
NPC - Lauren Burke


Vou adicionar todos outros personagens com o tempo.






Ver perfil do usuário

2 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Sab Set 10 2016, 01:05

Chris

FG Channel nos surpreendendo com um baita piloto desses. Feels Good

Como normalmente o primeiro capítulo é só introdução, não tem muito o que comentar. Mas eu gostei das apresentações dos personagens, foi dinâmica e clara, já deixando a personalidade da maioria à mostra e uma leve amostra de como será o relacionamento dessa galerinha do barulho. Tenho que dizer também que achei foda demais o meu personagem, era bem isso que eu imaginava mesmo, um Jasper mais "descolado". Pela minha ficha, posso dizer que acertou em cheio.

A escrita todos já sabemos que é foda devido aos RPG's e o one-shot do falecido fórum. Boa descrição de cenário e ações, nem um pouco enjoativa e permite uma leitura fluída ótima. Ansioso pelos próximos capítulos para além de ver sua escrita num ambiente diferente do medieval, ver como será o desenrolar da história e o que tem em mente para essa cambada. E retribuindo:


Piloto de série foda que faz o espectador querer ver o próximo logo é 10 com certeza. Feels Good




Ver perfil do usuário

3 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Sab Set 10 2016, 01:31

Dwight

Bom capítulo, na introdução não tinha como fugir muito do início da história, mas o fato de ter adultos também na Terra já muda tudo.

Sobre os personagens: Não sei o que pensar sobre o Jason, so far parece o protagonista teen normal, perdido e de coração puro Rolling Eyes , não sei que tipo de relevância vai ter pro futuro, mas por enquanto é o Peeta. Tyler estranhei um pouco, por ser um personagem do Josh aparentemente masculino, como ele se recusa a falar eu não tenho uma puta ideia de qual seja o conceito e muito menos expectativas para o futuro, mas parece um cara legal. Caterine (cadê o h?) pensa que é a tiazona, achei que ia ser mais porra louca (e talvez seja), mas à primeira vista parece a mais centrada. Alice pouco falou, só dá pra pontuar o ódio profundo pelo Conselho, e talvez o início de uma inimizade entre as duas Razz . Peter é o Jasper/Mercúrio, cara que quebra o gelo, aposto que é o que o Gabriel mais vai foder.

Adam pouco apareceu, aguardo para ver mais no 2, mas "aproveita e enfia no cu dele" foi uma boa entrada. Espero que a bichinha de TVD já morra no 2. Smile

Spoiler:



Ver perfil do usuário http://filmow.com/usuario/lamb

4 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Sab Set 10 2016, 06:55

Josh

Ótimo capítulo. Não achei que o escreveria tão rapidamente, me surpreendeu. E ainda foi muito grande, não só em tamanho mas também em acontecimentos.

Os personagens são bem interessantes. A Alice parece meio insana, mas por não ter gravado na última cena me deixou dúvidas. Gostaria de ter visto mais cenas do Adam Hunt, porque ainda não saquei bem qual é a dele e a personalidade que ele tem. Peter é o Peter, não tem muito o que dizer, mas gostaria de ver ele em situações mais sérias para saber como agiria. Caterine parece bem sensata e provavelmente vai guiar o pessoal para o bom caminho. Como essa fic é do Gabriel, tudo que tenho a dizer sobre o Jason é que aguardo a morte que ele vai ter.

O enredo também tá legal. Achei até mais interessante isso da Arca ter caído na Terra do que a parada da série. Os conflitos estão bem desenvolvidos e como não teve nenhum romance ou momento alegre em excesso entre os adolescentes só tenho a elogiar essa fic. Espero ver elementos mais sombrios logo, principalmente a parte medieval, mas acho que vai demorar um pouco ainda.

Por enquanto, é isso que tenho a dizer. A fic está muito boa e você soube fazer uma boa história com os personagens criados. Para mim, de longe o melhor escritor de fics/RPGs daqui do fórum. Admiro bastante todo esse trabalho que você teve e tenho certeza que os próximos capítulos serão tão bons quanto o piloto, e só tende a melhorar.




Ver perfil do usuário http://forumgeek.forumeiros.com

5 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Sab Set 10 2016, 09:16

Gulielmus

Capítulo de introdução bem maneiro, e postado bem mais rápido do que eu tava pensando que sairia. 

Curti essa galerinha teen aí, que pelo jeito, você conseguiu adaptar muito bem. Jason é realmente o líder bonzinho, mas até a gente não saber que crime ele cometeu pra tar ali, não dá pra saber se ele é um lawful good clássico mesmo. O Tyler já parece ser bastante gente fina mesmo, o que também me surpreendeu um pouco, se tratando de um personagem do Josh, imaginei que ele seria mais um dos rebeldes sem causa. Caterine me lembrou bastante da Clarke, com o mesmo arquétipo de madura e responsável, com certeza vai ter bastante conflito com a Alice que é exatamente o contrário. :grin: O Peter foi exatamente o que eu já imaginava vindo de um personagem do Chris, é o que mais tem potencial pra ter um diálogos fodas, já o Adam é o que tem potencial pra fazer mais cagadas, o cara acabou de sobreviver de uma queda do espaço e já tá saindo na porrada, boa coisa não sai daí. Também imaginei algo sobre esse mano que o Adam brigou, mas ainda é muito cedo pra falar algo, então fico só na imaginação... Fry 

No geral, há muito potencial, tô bem curioso pra saber se vão ter mais personagens, principalmente se a galera adulta sobreviveu.



 

Ver perfil do usuário

6 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Sab Set 10 2016, 11:16

Babi

Introdução 10/10. Apresentou muito bem os personagens, mesmo que alguns tiveram pouco tempo de cena e ainda avançou  o ideal para o primeiro capítulo.

Achei o Jason meio tipo pombo,  não gosto muito, ainda mais por ser o Peeta (odeio o ator), mas como o Guliel disse, não sabemos o crime dele, então quem sabe ele não surpreenda-nos. Tyler já vejo que vai ser o mano do bem, que todo mundo gosta.  Caterine achei certinha de mais,  apesar de estar certa sobre a gente ser noob na terra, não acho que a Alice tenha aprovado muito a idéia, e provavelmente essas duas vão tretar muito ainda, adorei. O Adam não teve muito tempo, então imagino que só seja o maninho treteiro que briga até com a própria sombra. Adorei o Pete também, super aceito ele como meu parceiro nos momento vida loka, único que tá felizão que nem eu. E sobre a Alice, mostrou ela da maneira que eu tinha em mente a personagem, com a rebeldia na medida certa, e como ela disse. Fuck the conselho.



Ver perfil do usuário

7 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Ter Set 13 2016, 12:22

Luckwearer

Valeu mesmo pelos comentários, gente, me motivou bastante, continuem assim.

Postei o segundo capítulo. Foi mal pelo tamanho ferrado que ficou, mal percebi enquanto escrevia, vou tentar diminuir os próximos. De resto, ele focou mais nos personagens, então não teve nada de surpreendente. E aliás, a lista foi atualizada com o Thomas e Todd, a Lisa eu ia botar, mas fiquei com preguiça de procurar imagem, então imaginem como quiser.






Ver perfil do usuário

8 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Ter Set 13 2016, 15:27

Dwight

Introdução necessária, mostra um pouco mais de cada um tanto em relação à história quanto à personalidades. Até que a gente se saiu bem em criar os personagens, ficou bem diversificado e definido cada um.



Gostei que não demorou, mesmo que talvez não haja ainda confiança, a se formar uma noção de grupo. Toda a ideia de eles irem numa caminhada, terem de se refugiar e conversar entre si foi bem pensada. A parte da nave me lembrou bastante Breakfast Club, onde apesar de terem uma conversa desconfortável, acaba funcionando para aproximar. Já ficou também até um princípio de conflito, seja com o Todd (Que ainda espero que morra), ou com o Conselho. Provavelmente os dois.

Aguardo ansioso pelos comentários do Guliel sobre Jason-Lisa.

Spoiler:

Jason escreveu:— Sinto que você está virando meu salvador — falou Jason à Tyler, brincando.

Sorriu Tyler, bagunçando o cabelo de Jason como se ele fosse uma criança, sabendo que aquilo o tirava de sério.


Lisa é o caralho, meu shipp é Tyson Daw Daw Daw Daw Daw

não precisa fazer menor caralho



Ver perfil do usuário http://filmow.com/usuario/lamb

9 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Ter Set 13 2016, 20:58

Mary

Se tem algo que eu gosto são capítulos grandes em que dê pra ver a personalidade dos personagens. Você conseguiu fazer isso muito bem, considerando que a fic não é dividida em POVs, creio que seja complicado encaixar diálogos e formas de todos os personagens participarem, e mesmo que pouco, de forma significativa. Achei as situações bem boladas pra não deixar ninguém de fora, além de ter achado foda a ideia deles confessarem seus crimes (ou não). Certeza que o desenvolvimento vai continuar sendo interessante, não tem como não ser com porradeiro todo capítulo. E estou ansiosa pra ver aquele que a Caterine vai sair vitoriosa (:



Ver perfil do usuário

10 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Qua Set 14 2016, 20:54

Josh

Bom capítulo. Gosto de ver a interação entre os personagens criados pelos membros. Estou curioso para saber como cada um vai afetar os outros. Peter e Tyler, por exemplo, dão mais energia positiva e otimista ao grupo, enquanto alguns já dão um tom mais melancólico. O Adam poderá mudar bastante com a convivência com os outros jovens, de forma que provavelmente ficará mais amigável. Achei até que demorou menos do que eu esperava, com ele já se aproximando mais da Caterine. Ainda não saquei qual é a dessa Lisa, mas talvez a falta de aparência tenha me influenciado a não imaginar bem ela na história.

E, acho que quanto maior o capítulo, melhor. Eu não me preocupo com o tamanho quando é justificado por muitos detalhes ou mesmo muitos acontecimentos. Você não enrola e o texto é bem suave de se ler. Logo, não tem problema nenhum no texto ser muito longo, acho até que a maioria prefere assim.




Ver perfil do usuário http://forumgeek.forumeiros.com

11 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Qui Set 15 2016, 11:35

Chris

Desculpe a demora, mas cá estou eu.

Gostei desse capítulo, foi legal a forma que você mostrou a aproximação dos personagens e a sutileza para juntar todos eles na mesma situação. Não ficou "how convenient" ser justamente os protagonistas a sair para explorar juntos. E já falando sobre os personagens, Alice é interessante porque devido a personalidade pode resultar em várias situações, assim como o Adam, será maneiro ver eles se relacionando com o resto do grupo. Caterine é a voz da razão, o que é legal por poder colocar uma rixa de ideais com os outros personagens. E Jason, vai na minha que tu pega. Wink

Tyler é legal, parece ser bastante prestativo e ajudará o grupo da forma que puder. Fora que embora as dicas para o Jason chegar na Caterine, meu shipp é Tyson com certeza. Foda-se essa Lisa, vai ser a próxima a morrer. :grin:

E claro que não posso deixar de comentar sobre o melhor personagem. O alívio cômico, o descolado, o engraçado, o if this character dies we riot: Peter! Eu já tinha achado foda no primeiro capítulo a participação dele, agora no segundo então... Acho que você representou bem demais o que eu quis passar na ficha, gostei de todos os diálogos.

Sobre a situação agora. Como é o início da fic, as melhores sacadas para o capítulo dois seriam exatamente momentos de exploração de ambiente e interação dos personagens e você fez os dois com muito capricho, principalmente a conversa em volta da fogueira. Foi uma interação bastante funcional que em momento algum foi forçada ou do tipo "essa fala não precisava". E claro que estou curioso para ver o desenrolar, porque como você mudou a base de The 100, não dá pra saber o que vai acontecer. Então que venha os grounders ou os adultos pra foder a teenzarada da alegria.

A escrita continua como eu falei, fluída e bem detalhada. Os capítulos grandes tem que continuar sim, foi uma delícia de se ler. Só espero que não demore para sair o terceiro. Wink

Spoiler:
— Sua vez, Alice.
— Prefiro não comentar.




Ver perfil do usuário

12 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Qui Set 15 2016, 18:24

Babi

Fica difícil ser uma das últimas ou a última a comentar pq o povo já falou o que eu acho da sua escrita e pa, mas vou repetir, mesmo que grande o capítulo foi ótimo e muito fácil de ler então apoio sempre capítulos assim.

Agr falando da parada em si, gostei bastante do jeito que vc desenvolveu as coisas. Ainda ansiosa pra ver como vc vai fazer já que a fic segue uma linha diferente da série e apesar de não ter acontecido nada que dá indícios do que vem a seguir nesses dois capítulos, achei totalmente necessário pra que a gente conheça de fato os personagens. Jason se provou realmente boring apesar de menino do bem, mas até o momento é o dono do melhor shipp com o Tyler. Caterine continua certinha de mais. Adam apesar de fdp tentando roubar a câmera da Alice é sangue bom. E sobre o Pete dispensa comentários né, cara mito. Agr sofram com o mistério da prisão da Alice hehe



Ver perfil do usuário

13 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Set 18 2016, 20:28

Luckwearer

S01E03 - Hell Begins

Spoiler:

O interior da nave era menos receptivo do que aparentava. O grupo fez o melhor que pôde para dormir tranquilamente, mas a tempestade estava tão forte que, além dos trovões ocasionais, eram obrigados acostumar-se com a ventania irritante que corria por dentro da entrada da nave e os congelava, seja com alguns pingos de água ou com apenas o ar gelado. Não bastasse isso, ainda tinham que aguentar os roncos involuntários de Peter, que rolava pelas mochilas, uma vez ou outra coçando a bunda e voltando a roncar. O rapaz só parou com aquilo quando Tyler jogou uma mochila nele, acordando-o aos sustos. O resto da madrugada caminhou lenta e silenciosamente, com o diminuir da tempestade aos poucos até que finalmente parasse. Os primeiros raios de sol denunciaram um céu claro e um clima próspero, confirmando-se horas depois, quando toda região foi iluminada por um sol destacável entre as poucas nuvens pálidas num lindo e chamativo oceano azul.
Acordaram com esforço, mas todos levantaram-se. Estavam tão doloridos quanto cansados, tudo isso pelo tanto que andaram no dia anterior. Mesmo os exercícios da Arca não comparavam-se ao que fizeram. Jason assustou-se ao ver Lisa deitada em seu peito, ficou indeciso entre acordá-la ou continuar daquele jeito por mais minutos, só foi decidir acordá-la quando viu Peter acenando para ele com um sorriso sacana e o dedo polegar. Ela se afastou dele, envergonhada, pediu desculpas e foi para o outro lado da nave, juntar-se à Caterine arrumando sua própria mochila.
— Tudo bem? —  perguntou ela, ao ver a garota vermelha ao seu lado, procurando algo para fazer.
—  Sim, é que... —  Lisa tentou respondê-la, mas estava nervosa e tentada demais para falar sobre Jason. —  Eu acordei no peito do Jason.
—  Então, começou algo entre vocês? Finalmente, viu —  disse Caterine, sorrindo, enquanto colocava um casaco dentro de sua mochila.
O rosto da garota ficou mais vermelho.
—  Não, não. Foi sem querer.
—  Tudo bem, Lisa, pode ser sincera comigo. Prometo não contar a ninguém.
—  Eu acho que estou gostando dele, mas faz tão pouco tempo que o conheci, não entendo.
—  Ele te salvou numa situação que poucos tentariam e é um cara legal, mostrou-se forte na noite passada com aquela história. Se você não já gostasse dele, talvez eu gostasse —  brincou, empurrando de leve Lisa, fazendo-a rir.
— Você é mais legal do que eu achava —  disse Lisa, surpreendendo-se com o humor da garota.
Caterine pareceu ceder por alguns segundos, mas foi tão rápido que Lisa não notara.
— Todo aquele clima melancólico do acampamento estava acabando com meu humor — criou uma desculpa.
— Não deixe seu humor morrer novamente —  recomendou Lisa.
— Não se preocupe, não morrerá —  respondeu Caterine, sorrindo.
No outro lado da nave, estava o trio de rapazes.
— Sabe o que aquelas duas estão conversando? — perguntou Peter à Jason.
— Não.
— Estão falando sobre sua falta de determinação. O que eu disse, cara? Siga o exemplo, siga o exemplo.
— O que você queria que eu fizesse, pegasse ela ali mesmo e beijasse?
— Bem, você poderia ter se aproveitado — murmurou Tyler, colocando a mochila nas costas.
— Me apoia, cara — pediu Jason.
— Não apoiamos um cara sem determinação. Quem vai pra batalha com medo da derrota, já começa fadado a ela.
— Onde isso encaixa em mim e Lisa? — questionou Jason com uma sobrancelha arqueada.
Peter abriu a boca para responder, mas continuou quieto, encarando o teto da nave, pensando no que dizer.
— Siga o exemplo, cara. Siga o exemplo — respondeu, finalmente, acertando alguns tapas no ombro de Jason.


O sol estava escaldante, as poças de lama e toda água guardada nas folhas das árvores secavam rapidamente. O grupo andava calmamente, agora todos de mochila, exceto Peter que tinha uma na frente e outra atrás.
— Se tivessem me avisado antes que a Terra era tão quente, eu criava uma Arca melhor para continuarmos no espaço — reclamou Peter, suando.
— Você que escolheu carregar duas mochilas — disse Tyler.
— É porque sou um cara dedicado ao bem estar do meu acampamento. Agora temos o dobro de cobertores e roupas que eu carregaria se tivesse só uma, viu — respondeu orgulhoso.
— Quer ser um cara mais dedicado e carregar a minha, Peter? — perguntou Adam num sorriso falso.
— Sou dedicado, meu caro amigo, não idiota — respondeu Peter, piscando para o brigão com um sorriso brincalhão.
Jason riu das graças de Peter, era um bom amigo, talvez seu principal ao lado de Tyler. Gostava daquele grupo, mesmo que cada um fosse diferente do outro.


Impaciência começou rondar o grupo, o cansaço de continuar andando e andando, não encontrando o que queriam, estava saindo apenas de físico e tornando-se mental também. Conversas vinham e iam, mas nada os distraia da chata viagem que não dava a lugar nenhum. Jason escutara alguns múrmurios há certo tempo, incomodava-o um pouco não entendê-los, mas os ignorava. Mudou de ideia quando os sentiu mais próximos, virou o rosto e viu Tyler sussurrando. Estava cantando.
— Você está cantando? — perguntou, surpreso.
— Se você quiser chamar isso de cantar — respondeu num sorriso envergonhado, coçando a nuca.
— Quem tá cantando? — berrou Alice bem em frente ao grupo, parando sua caminhada e indo em direção à eles.
— Tyler — apontou para ele.
— Cantor também — bufou Adam, zombando de Tyler que não escutou.
— Cante algo para nós, Tyler — pediu Caterine.
— Canta, vai — pediu Alice também.
— Canta, canta, canta, canta! — incentivou Peter, que teve sua cantoria ecoada por Alice, juntando-se à ele, depois Jason timidamente e Caterine sorrindo.
Tyler suspirou, sabia que eles o pertubariam até que cantasse, então apenas sorriu e começou cantar o que murmurava, dessa vez mais alto. Era uma canção feita na Arca, famosa entre as pessoas, falava sobre a Terra e suas paisagens, os feitos maravilhosos que os homens fizeram nela e os feitos negativos que a tornara inabitável, virando uma canção triste por alguns segundos, antes que voltasse a ser animada, dizendo que um dia as pessoas voltariam à Terra e a fariam um lugar habitável novamente,  dessa vez da maneira certa, sem guerra, sem violência, apenas paz. Cantou todo começo sozinho, mas aos poucos o restante do grupo juntava-se à ele, cantando alegremente. Quando a parte triste chegou, Alice girou no ar, fingindo estar morrendo aos poucos, caindo nos braços de Peter que forçou um choro.
— Minha amada, não morra, por favor!
— Perdoe-me, meu querido, adeus.
— Não! Não. Meu deus. Cadê minha mãe, mamãe, preciso da sua ajuda — brincou, esfregando os olhos. — Agora sai, você é pesada.
A garota fez uma cara de surpresa e deu um soco no ombro do rapaz, ofendida.


Thomas estava quase dormindo, escorado no parapeito, ao lado da cela do guarda. Foi acordado quando Kevin gritou do primeiro andar para que ele fechasse a porta, pois Todd estava vindo para ali com amigos. Correu para o homem, checou se estava tudo bem, então voltou para porta e a fechou. Kevin subiu as escadas rapidamente, ficando ao seu lado. Quando Todd chegou, estava acompanhado de dois amigos.
— Deixa eu passar — ordenou calmamente.
Os dois ficaram quietos.
— Eu não quero machucar nenhum de vocês dois.
— O que você quer com esse guarda, afinal? — perguntou Kevin, firme onde estava, não amedrontando-se com as ameaças.
— Acabar com o sofrimento dele, óbvio.
Thomas encarava o rapaz, refletindo sobre ele há dias, pensava muito, tinha memória dele de algum lugar, só não sabia onde.
— Não te deixaria matar ninguém — disse Kevin.
— Sério, Kevin, você realmente vai ficar contra mim? O acampamento inteiro aos poucos está gostando cada vez mais de mim, estou conquistando-os um a um.
Pense, Thomas, quem é, de onde ele vem na sua memória.
— Eles verão o idiota assassino que você é.
— Todos são assassinos e ladrões, seu idiota. Ninguém aqui é uma boa pessoa.
Thomas esbugalhou os olhos, ao finalmente lembrar-se de onde conhecia o rapaz. Ele era o filho problemático e rebelde do representante da Estação Rural no Conselho. Pelo que sabia, o rapaz foi preso ao destruir a grande árvore da praça.
— O que foi? — questionou Todd ao ver a reação de Thomas.
— Foi você que botou fogo na árvore da praça — respondeu, encarando-o.
Todd interligou os pontos em questão de segundos, sabendo que o asiático tinha noção de quem ele era. Sabia que tudo que conquistara até ali seria jogado ao lixo se descobrissem que era filho de alguém do Conselho, o interpretariam de forma que a imagem que ele colocava como imagem virasse ninguém menos que ele. Avançou para porta, mas Kevin entrou em seu caminho. Furioso, acertou um soco no rosto dele e seus amigos vieram para ajudá-lo. Empurraram Thomas no chão e seguraram Kevin, deixando-o a mercê de seus socos, acertando-o no estomago e no rosto até que o rapaz agonizado fosse jogado num canto do corredor. Tentou abrir a porta, mas estava trancada.
— Onde está a chave?
— Não sei — respondeu Thomas.
Todd o pegou pela gola.
— Última chance.
Thomas continuou calado.
— Fala, porra!
O silêncio continuou.
Todd fechou o rosto em fúria e acertou um soco no rosto de Thomas, depois outro e, por fim, mais um, empurrando-o no chão com violência e saíndo dali, cuspindo no peito do rapaz. O rapaz continuou deitado ali por um tempo, com o olho roxo, o nariz sangrando e um machucado no beiço.


Jason a encarava uma vez ou outra, estava mais interessado em Lisa do que achava. Sua atenção dela foi tirada quando escutou Peter pronunciando-se novamente, algumas vezes parecia que o rapaz não conseguia ficar calado.
— Então, vamos aos cargos de cada um nesse grupo: Lisa é a garota tímida, Alice a que vai fazer um documentário sobre nós, Tyler nosso grande amigo para todos problemas e também cantor, Caterine agora está falando bastante e sorri mais do que eu, então o cargo de quieto e mal humorado vai para Adam.
— Seu cargo é ser o tagarela chato do grupo, pelo jeito — respondeu Adam.
— Exato — disse piscando para ele novamente.
— Cuidado com o brigão, Peter, ele pode te espancar — brincou Alice, fazendo uma voz assustadora.
— Vocês dois são as pessoas mais irritantes que já conheci — praguejou o brigão, apontando para Alice e Peter.
A dupla riu e bateram a palma de suas mãos na outra, vitoriosos. Foi quando ambos tropeçaram por estarem distraidos, caindo no chão. Adam gargalhou alto ao ver aquilo.
— Vocês estão bem? — perguntou Caterine, aproximando-se.
— Sim, sim — respondeu Peter, cuspindo terra de sua boca. — Que diabos prendeu meu pé?
Quando tiraram a vegetação de cima, puderam enxergar trilhos que iam para esquerda e para direita, sumindo em ambos horizontes. Curiosos, escolheram direita e começaram segui-los, naquela altura, não tinham noção da proximidade com a outra estação que caira, então arriscaram-se. Caminharam talvez mais dois quilômetros até chegarem em algum lugar. Era uma estação de trem normal, uma construção em pé e aparentemente não muito antiga, atrás dela tinha um tipo de estacionamento com apenas um carro, este um tanto sujo, mas bem novo. Mais atrás, havia um campo com elevações que iam para cima e para baixo, até terminarem na volta da floresta.
Correram para dentro da estação, entrando na sala de controle, tinha alguns alimentos estragados, como uma barra de chocolate derretida que ninguém teve coragem de experimentar, última coisa que queriam era passar horas agachados numa moita. Fora isso, tudo estava destruido.
— Tudo na Terra devia parecer coisas de um século atrás, certo? — questionou Caterine.
— Sim — respondeu Tyler observando o local.
— Por que me parece algo tão recente?
— Porque é recente, rainha — disse Adam, analisando o lugar sem precisar entrar nele. — Os trilhos estão cobertos por mato, mas parece que começaram enfurrujar a pouco tempo.
Saíram da sala quando escutaram algumas risadas. Ao chegarem perto do carro, viram Peter e Jason escorados nele, fazendo pose para câmera de Alice, que tirava foto deles, rindo.
— Vai, Lisa, se junta a eles — disse Alice, empurrando a garota.
Desconfortáveis, Jason e Lisa ficaram lado a lado, sorrindo, enquanto Peter fazia um sorriso safado, causando mais risadas de Alice, entendendo-o.
Tyler abriu a porta do outro lado do carro que não tinha ninguém, lá dentro viu que a chave estava caida embaixo do volante, enquanto a janela da porta do motorista estava quebrada e o banco com manchas de sangue. Estava intrigado com aquilo, mas pegou a chave e enfiou onde devia ligá-lo, girou e para sua surpresa o carro pareceu ligar, assustando o trio escorado. Girou-a mais três vezes e só na quarta funcionou de vez, causando um barulho bem grande com o motor.
— Caralho, tá funcionando — observou Adam, surpreso.
Era uma mistura de um carro normal com um jeep, claramente feito para atravessar estradas de terra.
Tyler saiu do carro e olhou para o chão, na direção da janela quebrada tinha alguns rastros de manchas que de tanto tempo não pareciam mais sangue, mas pelo banco adivinhara que fosse. Perguntou-se o que acontecera naquele lugar... perguntou-se se tudo que o ensinaram sobre a Terra estava correto. A estação de trem aos pedaços, mas que parecia coisa de poucos anos antes, a nave da Arca com milhares de covas e aquele carro que nem mesmo devia existir, muito menos funcionar. Foi acordado de sua analise quando Peter pulou no banco do motorista, sendo acompanhado por Jason e Lisa que sentaram atrás, enquanto Adam abriu a outra porta e juntou-se ao casal. Tyler resolveu deixar seus pensamentos de lado e ficou ao lado de Alice, vendo que não tinha espaço para ele. Alice ligou sua câmera, esperando eles começarem as manobras, para que ela pudesse gravar, estava ansiosa por sua vez.
Peter ligou o carro e começou dirigi-lo, acertando de leve a estação de trem, amassando a frente do veículo.
— Então... não sei dirigir.
— Nenhum de nós sabe — comentou Caterine. — Deixa que eu dirijo.
Trocaram de lugares e Caterine deu ré, indo em direção ao grande campo. Quando chegaram lá, aproveitou do espaço gigante para aprender como mexia naquilo. Ao pegar o jeito, continuou naquele ritmo, divertindo-se com aquilo. Adam esticou-se, imprensando Lisa em Jason, deixando ambos vermelhos, apertou um botão no meio do painel do carro e ligou o rádio sem saber, iniciando uma música bem animada, que nunca haviam escutado antes.
— Façam algo, tá muito chato isso! — gritou Alice longe.
— Eu tenho que concordar com ela, tá muito lento — disse Jason, surpreendendo Caterine por estar criticando-a também.
— Lento é elogio, parece que o carro tá morrendo! — reclamou Peter.

[audio]V5qT8EgSW7w[/audio]

Caterine olhou para Lisa e viu que concordava também, olhou para Adam e viu que ele também concordava. Virou o rosto para frente, sorriu e disse:
— Se vocês querem velocidade, então vão ter.
Meteu o pé no acelerador e não o tirou depois, deixando aumentar a velocidade cada vez mais, enquanto o carro seguia reto no campo, passando por todas elevações. Continuou sem tirar os olhos de sua reta, aproximando-se cada vez mais da floresta.
— Vai bater nas árvores! — berrou Jason, esticando-se no banco como se pudesse afastar-se de onde estava.
— Você quer matar a gente, mulher? — exclamou Peter para Caterine ao ver as árvores mais próximas e o carro não parando.
— Eu não quero morrer, para esse carro — gritou Lisa, desesperada.
Adam estava com os braços atrás da cabeça, rindo da vingança de Caterine.
Então, faltando muito pouco para baterem, ela girou o carro, completando 360°. Todos ficaram estáticos, enquanto ela virava o rosto para eles, esperando uma resposta. Mesmo Adam que estava de braços atrás da cabeça teve que agarrar-se ao carro para não voar.
O silêncio permaneceu até que todos do carro soltassem um grito de empolgação, fazendo Caterine rir e ligar o carro novamente. Alice, bem longe, estava tão empolgada quanto eles, gravando tudo.
— Quem diria, hein, rainha — falou para si mesma, surpresa.
Caterine continuou fazendo manobras e girando o corpo, divertindo-os cada vez mais. Foi quando resolveu voltar para floresta, querendo assustá-los novamente, que teve seu trabalho poupado. O grupo dentro do carro perdeu o sorriso ao olharem o que os aguardava entre as árvores. Sob as sombras das copas das árvores, tinham uma grande número de pessoas, não delinquentes do acampamento, muito menos pessoas da Arca, eram outras pessoas. Pouco podiam enxergar, mas o que dava para ver era que vestiam-se com alguns pequenos trapos e ossos, muitos ossos, a pele era coberta de lama e pinturas, todos eles tinham olhos amarelos, destácaveis de longe. Em mãos, tinham arcos, espadas e lanças.
— Mas que porra — murmurou Adam, nem mesmo terminando sua frase.
Estavam congelados ao verem aquelas pessoas.
Acordaram vendo-os sairem das árvores e aproximarem-se correndo. Eram rápidos.
— Dá ré, Caterine, dá ré! — berrou Jason, desesperado.
— Eu to tentando — gritou ela de volta, chutando os pedais, mas parecia que o carro tinha inguiçado. Olhou para eles, virou a chave e apertou o pedal, os viu mais perto, fez o mesmo processo, os viu muito perto, pisou novamente e finalmente o motor voltou a funcionar. Não fraquejou, no mesmo segundo deu ré na maior velocidade que podia, afastando-se rapidamente do grupo. Assustaram-se quando uma lança atravessou o vidro, quase acertando Jason e fincando no banco onde sentava-se.
Perto de Alice e Tyler, o carro morreu definitivamente. Desceram depressa, gritando para dupla que tinham pessoas atrás deles, os dois pareceram confusos ao ouvirem aquilo, mas ao verem inúmeras figuras surgindo no horizonte, juntaram-se ao restante e não demorou para que todo grupo fosse para floresta. Sem que notassem, o desespero os separaram.
Jason corria ao lado de Peter e Lisa, estavam cansados, correram por muitos metros, não parando momento algum, por saberem que não deixaram de ser seguidos em momento algum. Estava encharcado de suor, sua visão começara borrar e respirava com muita dificuldade, as próprias pernas pareciam prestes a ceder. Ali, naquela parte da floresta, a lama ainda estava bastante expressiva, lembrava-se de cair uma ou duas vezes, sujando-se dela inteira, continuando a correr mais depressa pra juntar-se aos dois amigos.
— Ele ainda estão atrás de nós? — perguntou Lisa em voz alta, desesperada.
Nenhum dos dois rapazes responderam, sequer tinham folêgo para arriscar tentando dizer algo à ela. Jason virou o rosto para trás, tentando ver algum deles e para sua infelicidade, seu maior medo concretizara-se, tinham cerca de cinco ou seis aproximando-se, cada vez mais perto devido ao cansaço deles. Pareciam acostumados a isso. Virou o rosto novamente para frente, sentindo lágrimas rolarem pelos seus olhos, sem sua permissão, o desespero e medo de morrer estava dominando sua cabeça, só conseguia ver uma saída daquilo e era a morte deles. Chutava que aquelas pessoas queriam matá-los, uma perseguição daquela só significava isso.
Escutou o som de carne partindo-se e viu Peter deslizar pelo chão, com uma flecha atravessada em sua coxa. Parou no mesmo instante, esquecendo dos selvagens aproximando-se, agarrou pelo ombro e começou levá-lo, agradeceu a todos deuses e religiões quando encontraram algum esconderijo e ao olhar para trás não viu ninguém. Os dois jogaram-se atrás de um enorme tronco, enfiando-se entre seus galhos.
— Você tá bem? — perguntou Jason, preocupado, vendo que a ferida estava feia.
— Minha perna não tem salvação, não é? Eu vou ficar paraplégico, não é? — falou, desesperado.
Jason riu baixo.
— Nenhum dos dois.
Escutou sons de tiro pela floresta e preocupou-se com Tyler, pelo que sabia era ele quem portava a arma. Ficaram encostados por um tempo ali, esperando que as pessoas passassem correndo, mas ninguém viera. Pensou que tinham escapado e eles desistiram, mas escutou vozes conversando uma com a outra, numa linguagem desconhecida, mas que a primeira vez escutando-as, pareceu algo grosseiro e medieval. Percebeu a ausência de Lisa só naquele momento, sentindo um grande peso e desespero dominando-o, mas resolveu pensar que a garota havia escapado. Diferente deles, que sabia que os encontrariam. Olhou para Peter, tão preocupado quanto ele, mas surpreendeu-se ao vê-lo dar um sorriso fraco.
— Cadê seu salvador Tyler quando precisamos?
Deu um sorriso triste ao amigo. Peter tinha sido um grande amigo seu desde o momento que conheceram-se fugindo da estação caindo na colina. O fazia rir sempre, e mesmo ali, naquele beco sem saída, tentava tranquilizá-lo com alguma piada. Fechou os olhos, respirou fundo e correu para fora dali, o mais rápido que pôde, sentiu as mãos do amigo tentando pará-lo, mas já era tarde demais. Quando Peter finalmente pôde realizar o ato heróico do amigo, já tinha visto três daqueles homens atravessando o tronco e indo atrás de Jason.


Sentia uma forte dor de cabeça quando acordou. Tinha sido nocauteado, não ferido ou morto, mas nocauteado pouco depois que fugira para salvar Peter. O ar de onde ele estivesse parecia salgado e fedido ao mesmo tempo que poluído por fumaça, era confuso de distinguir o que respirava, e como não bastasse só isso, escutou milhares de vozes ao seu redor. Ao tomar coragem de abrir os olhos, foi obrigado acostumar-se com a claridade. Podendo analisar onde estava, surpreendeu-se. Estava deitado num tipo de mesa. O medo dominou-o completamente ao ver aquelas pessoas de perto, eram assustadoras, horrorozas, os olhos eram um amarelo morto e algumas sorriam como maníacos, o que mais o assustara foram as crianças sentadas perto dele, esperando algo com sorrisos piores ainda. Viu algo numa fogueira e chutou ser algum animal, mas notou que não era animal algum, mas sim um braço. Quase vomitou, mas sua mente foi distraida quando descobriu a falta de seu braço direito. Gritou horrorizado, começando bater-se na mesa, foi naquele momento que todo desesperado e medo vieram a tona. Por alguns segundos, sentiu que enlouqueceria, então viu um homem robusto, com os olhos amarelos e vestido de ossos da cabeça até os pés, vestindo um crânio ameaçador, aproximando-se dele, bebendo algo num crânio humano. Disse algumas coisas naquela linguagem desconhecida, então tudo que se seguiu depois daquilo foram gritos de Jason cada vez mais altos ao sentir uma das lâminas cortando sua perna, um golpe de cada, até que a carne e o osso fossem partidos. Gritou e berrou de dor, chorou como uma criança, e por isso, teve a sorte de ser poupado. A vida de Jason acabou quando o homem com o crânio, impaciente, socou seu rosto até a morte.




Capitulo 3 postado, obrigado a todos comentários, mesmo os que demoraram pra caralho Wink .

De resto, eu não reli por pura preguiça, deve tá cheio de erro. E sobre a trilha sonora no campo, desliguem quando o clima mudar, porque né.






Ver perfil do usuário

14 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Set 18 2016, 21:19

Mary

Sugiro que o releia, autor, já que algo claramente está muito errado nesse final e eu não aceitarei. Masss... mesmo com esse erro grotesco... esse foi o melhor capítulo, na minha opinião. A proximidade que os personagens estão adquirindo uns dos outros é algo bem interessante, já que cada um tem sua personalidade única e distinta, e creio que adaptada pela situação em que estão. A forma como eles vão reagir ao que surgiu agora com certeza vai ser algo promissor, já que não concordarão sempre com as mesmas coisas, assim como no início.
Sobre a escrita, achei fluída e gostosa de se ler, tudo bem detalhado e ainda assim, nada confuso. Muito bom, nota 2. Smile



Ver perfil do usuário

15 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Set 18 2016, 21:38

Josh

Estou muito surpreso com o talento dos escritores aqui do fórum. Sabia que tinham um potencial, mas agora vejo que é maior do que eu pensava. Gostei bastante do capítulo, ficando fácil no top 1. Os momentos de interação entre os jovens foram muito bons, vendo-os se conhecerem melhor e tornando-se amigos cada vez mais próximos. Cada personagem tem seu tom único que o torna interessante. Nesse, destaco Caterine com seu dom no volante e Peter em seus conselhos para o Jason.

A transição de clima "alegre" para um mais tenso foi bem feita. Não foi uma troca tão imediata, e a tensão foi aumentando gradativamente, passando de algo desconhecido para perigoso. A cena final foi bem inesperada. Achava que o Jason iria durar pelo menos até a season finale, mas teve uma morte precoce. Foi uma grande perda para o grupo. Estou curioso para saber como eles irão reagir a isso e lidar com esse novo "povo", que são aqueles típicos canibais nativos. Como eles não sabem falar a mesma língua que os jovens, todas as relações entre ambas as partes serão apenas de guerra.

Nem imagino o que esperar até o final dessa temporada. Agora o enredo me prendeu totalmente e desejo saber mais da situação da Terra. Aguardo os próximos capítulos.




Ver perfil do usuário http://forumgeek.forumeiros.com

16 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Set 18 2016, 21:56

Babi

Caralho maluco, to meio chocada com esse final. Como o Josh disse, esperava que o Jason durasse pelo menos até o final da temporada. Com isso percebemos que mesmo por ser baseada em uma serie teen, o estilo Gabriel ainda permanece. Espero que a Alice e o resto da turminha do barulho consigam sobreviver, pq eles tão tipo 90% fodidassos com esses canibal atras, até pq os cara sabem andar na floresta, a gente passou a vida toda em uma nave. Foi sem duvida o melhor dos 3 capítulos, não só por isso, mas por ter aproximado de fato o grupo e por ter mostrado que o Tio Todd ta cagando no acampamento,

Agr falando sobre a escrita, é aquilo de sempre, escreve bem pra caralho. Não tem como não gostar da sua escrita, detalhada o suficiente pra ser muito bem compreendida e ao mesmo tempo nada cansativa. Parabéns,mano. Agr espero ansiosamente pra ver como vc vai fazer pra narrar ja que o protagonista morreu. espero que seja por PoVs, pq torna a leitura mais dinamica.

✟ RIP Jason ✟



Ver perfil do usuário

17 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Set 18 2016, 22:03

Chris


Capítulo fodalhão, já tava maneiro as interações da galera no começo e depois então quando o clima ficou tenso. Os diálogos tao cada vez melhores, acredito que não só eu mas todos devem estar muito satisfeitos com seus respectivos personagens. Você descreveu muito bem as cenas da galera se divertindo na hora da música, da atuação do Peter e da Alice e como o Josh falou, na transição para o perigo, foi bastante natural.

Legal ver os grounders/Outros já no início, pensei que teria uma enroladinha básica. Mas caralho, que surpresa foi a morte do Jason. Jurei que o mano duraria até a season finale também, e o fato deles serem canibais foi do caralho, pegou de surpresa e diferenciou da série.

Ansioso pelo próximo capítulo porque agora a porra ficou séria e quero ver o desfecho disso.




Ver perfil do usuário

18 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Seg Set 19 2016, 20:09

Dwight

Não digo que não esperava que ele morresse por agora, se tratando do Gabriel, mas certamente não esperava que acontecesse dessa maneira (Já que a zona de conforto dele é o estupro). Acho canibais uma parada muito foda, então ansioso pra ver o que você pode fazer com isso. Bom que a morte do Jason além de impactar, abre espaço.

Toda a interação, a exemplo do capítulo anterior, continua ótima; e a quebra de clima no final ficou perfeita. Só espero que os outros (Principalmente o Adam), estejam bem seja lá onde estiverem. Por um momento pensei que o Thomas já fosse morrer também.

Spoiler:
RIP Tyson, cap. 1~ cap. 2. O shipp viverá em meu coração.

Continua nesse tamanho que tá bom.



Ver perfil do usuário http://filmow.com/usuario/lamb

19 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Ter Set 20 2016, 23:05

Luckwearer

S01E04 - The Lone Wolf

Spoiler:

Sentia os raios de sol refletindo em seu rosto encharcado por suor, sua camisa estava colada em seu corpo e o cabelo toda vez que olhava para trás, lançava um jato de água para a mesma direção. Tyler estava tonto, a garganta seca e o coração disparado transformavam sua respiração numa tortura. Era irônico que o meio dele viver doía mais do que qualquer coisa. Estava armado, mas não seguro. Tinha noção que era mais de um perseguindo-o, separara-se Alice poucos minutos antes, sabia da possibilidade da garota estar morta e culpava-se de ter afastado-se tanto quando a lança voou sobre eles, acertando os galhos que pulariam segundos depois. Continuou firme e forte, ignorando a visão embaçando, mesmo sabendo que uma hora acabaria desmaiando de tanta exaustão. Pretendia continuar assim até despistá-los, mas o momento de seu corpo ceder finalmente chegou, então, mal percebeu quando suas pernas fraquejaram e ele voou pela lama, sujando-se e ficando ali, de barriga para baixo, morrendo por dentro. Vomitou alguns jatos de líquido e só, não lembrava-se de ter comido algo naquele dia e aquilo comprovava, agora tentava resfolegar e recuperar o controle de su coração, assim como de seus pulmões, mas era como se estivesse afogando-se. O terror era o mesmo. Ouviu passos aproximando-se, sabia que eram eles. Sua expressão ficou séria, respirou fundo do jeito que podia e virou-se, atirando. A primeira bala que saiu do cano da pistola acertou o peito do selvagem, que carregava uma lança. Soltou um gemido quando o corpo do homem caiu sobre ele, juntando-se à Tyler, a lama e a vegetação, de certa forma, alta, quase escondendo-os. Deixou que o segundo, com um tipo de espada, aproximasse-se suficiente, apertou o gatilho e levou mais um ao chão. O segundo cadáver caiu ao seu lado, com o rosto o encarando, viu seus últimos resquícios de vida indo embora. Os olhos amarelos eram mais assustadores de perto.
Ficou naquela posição por muito tempo, sem tirar o selvagem de cima dele e nem se levantar, não conseguia e, no fundo, nem queria. Seu peito ainda doía, o ar que passava por sua garganta era como mil agulhas e o corpo tinha completamente passado do limite.
Só moveu-se para virar o rosto, ao ouvir passos. Era Alice, intacta e tão suja quanto ele.


Adam apertou a pedra que tinha pegado do chão, estava com ela em mãos, temendo que tivesse de usá-la. Ele e Caterine estavam lado a lado, atrás de uma grande rocha que poderia ser usada para olhar por muitos metros em volta, caso a subissem, mas naquele momento, servia apenas como esconderijo. Viu a garota respirando fundo ao ver uma centopeia escorregar por seu ombro, descendo calmamente e caindo no chão. O pior para ela não foi exatamente a criatura, mas sim seu tamanho, que devia ser o dobro de uma normal. Enquanto esperavam, o rapaz distraiu-se, acompanhado-a rastejar para longe, enfiando-se num buraco próximo deles.
— Maldita Terra — reclamou Caterine, baixinho.
— Tá com medo de insetos, rainha? — provocou-a, com um sorriso sacana.
— Primeiro, não é um inseto. Segundo, você viu o tamanho dela, não sou obrigada a sorrir enquanto algo do tipo rasteja pelo meu ombro — respondeu, devolvendo um sorriso mal humorado.
Ficaram mais um tempo ali, até que finalmente convenceram-se que despistaram as pessoas. Prepararam-se para sair quando escutaram passos rápidos, aproximando-se como uma flecha para onde estavam, enfiaram-se atrás da pedra de novo, olhando de lado e viram que era Lisa.
— Lisa — chamou Adam, interrompendo a corrida dela.
Quando a garota parou, respirando com muita dificuldade, tão suada e suja quanto eles, notaram que estava chorando muito. Andou calmamente em direção à Caterine que a recebeu de braços abertos, deixando-a chorar como uma criança em seu ombro.
— Tudo bem, tudo bem — consolou Caterine, abraçando-a com força.
— O que aconteceu? — questionou Adam.
Caterine deu um olhar desaprovando a falta de sensibilidade dele. Adam apenas rolou os olhos, impaciente. Acalmando-se um pouco, Lisa afastou-se de Caterine e respondeu:
— Estava fugindo com Jason e Peter, todos nós corremos muito, mas acho que tinha muitos atrás de nós. — Parou de falar, começando chorar novamente, jogando-se novamente em Caterine que a abraçou novamente, fazendo carinho em seu cabelo e pedindo para ela se acalmar. — Eu deixei eles pra trás. Eu olhei pra trás e vi Peter com a perna ferida, Jason parou para ajudá-lo, eu poderia ter ajudado eles... mas eu não consegui, eu não consegui parar, eu não consegui — começou chorar mais e mais, estava abalada.
— Por onde você veio? Iremos encontrá-los, prometo — disse Caterine.
— Como assim? — perguntou Adam, erguendo uma sobrancelha aquela promessa.
— Voltaremos pela direção que você veio, distantes de sua rota, okay? — salientou à garota, tirado-a do abraço e colocando as mãos em seu rosto, sorrindo como uma mãe sorria para uma filha chorando, algo que acalmou ela na hora.
Foi quando escutaram uma trombeta, alta e primitiva, alastrando-se por toda floresta.


Peter rolou pelo chão, sua perna estava ardendo como se pegasse fogo, mas não ligava, precisava encontrar Jason. Se acha que vou deixar você ser um herói, saiba que será meu Robin, pensou consigo mesmo, tentado aliviar sua própria cabeça do peso que estava sobre ela. Tentou levantar, mas não conseguiu, então começou a rastejar pela lama, um pouco de cada vez, enquanto nem mesmo movia sua perna machucada. Naquela altura os dois lados da flecha haviam se partido, durante suas primeiras quedas no chão, sentiu uma grande dor, mas resistiu. Por mais que para ele já tivesse atravessado quilômetros, por seu esforço, na verdade tinha descido alguns metros de onde estava. Era frustante, irritava-o como nenhuma outra coisa antes. Desistiu pouco depois, exausto, deitando o rosto na lama. Decepcionado com si mesmo, quis gritar toda dor que aguentava, todo medo que o dominara fugindo dos selvagens e todo temor que algo tivesse ocorrido com Jason, ao tentar salvá-lo. Ouviu várias pessoas aproximando-se dele, chutou que eram os selvagens e soltou uma risada para si mesmo, refletindo que talvez tivessem capturado Jason e agora o pegariam, inutilizando o sacrifício do amigo. Surpreendeu-se ao ser virado de forma grosseira por Adam, descobrindo que Caterine e Lisa estavam ali também.
— Jason, cadê ele? — perguntou Lisa, imediatamente.
— Nos escondemos num lugar, mas aquelas pessoas estavam muito perto — parou, engolindo em seco. — Ele correu para atrai-los e depois disso não o vi mais.
— Escutou aquele som? — perguntou Adam.
— Sim.
— Eu acredito que aquilo seja algum chamado, algum aviso. Talvez aquelas pessoas tenham voltado para onde for que morem.
— Será que se alguém mais sobreviveu, tem o mesmo pensamento que você? — refletiu Caterine.
— Só há um jeito de descobrir — respondeu Adam. — Qualquer um de nós, com esse pensamento iria para estação.
— Foi lá que nos encontraram — disse Lisa, amedrontada.
— Se ainda estão pelas redondezas, irão nos encontrar aqui ou lá, não importa. Agora cala a boca e começa andar.
Peter preparou-se para colocar o braço entorno do pescoço de Adam para apoiar-se, mas o rapaz impaciente apenas o pegou pelo colo e começou levá-lo.
— Vamos lá, princesa — zombou Adam, sorrindo, satisfeito com sua vingança.
Chegaram à estação muito depois, notando como haviam corrido desde o encontro inesperado. Ao vê-la, notaram de cara duas pessoas sentadas num banco de madeira, sob o telhado do lugar. Juntaram-se, mas o tempo de felicidade pelo reencontro foi inexistente.
— Cadê o Jason? — foi a primeira coisa que saiu da boca de Tyler, ao notar a ausência do rapaz.
— Achamos que ele estaria aqui — respondeu Caterine.
Peter que estava deitado no banco respirou fundo para acalmar seus pensamentos.
— Vocês acham que...? — questionou Alice, nem mesmo completando a pergunta.
Tyler esfregou a palma da mão no rosto, sentia sua cabeça explodindo e não sabia se era tudo que correra, ou estresse.
— Precisamos encontrá-lo — pediu Lisa.
— Sair agora é um perigo — comentou Adam.
— Você mesmo disse que se eles ainda estivessem pelas redondezas, já teriam nos encontrado — disse Lisa, chateada.
— Isso não muda o fato que está entardecendo e podem voltar, a última coisa que precisamos agora é iniciar uma busca por alguém numa floresta que não conhecemos e que agora sabemos que já possui dono.
— Alguém? É o Jason! — respondeu Caterine, irritada com a frieza de Adam.
Tyler o encarava durante tudo que falava com uma expressão séria.
— Se querem ir, que vão. O garoto era legal, mas eu gosto mais de mim — falou, afastando-se do grupo.
— Qual seu problema? — questionou Tyler, fazendo com que o rapaz se virasse para ele. — Desde o dia que te vi, você só entra em brigas, se afasta dos outros quando não os trata mal, não se importa com ninguém e é um completo idiota.
— Repete isso de novo — mandou aproximando-se do rapaz com o punho cerrado.
Tyler nunca fora o tipo de pessoa impulsiva, mas aquela situação o estava colocando num patamar que nunca enfrentara na vida anteriormente. Depois de muito tempo não sabia como controlar o que sentia.
Não esperou a arrogância de Hunt dominá-lo, poucos passos dele, Tyler apenas acertou um soco forte no rosto do rapaz, que no fundo não esperava por aquilo. Ouviram alguns gritos dos companheiros, mas estavam focados no outro. Adam sorriu, com os dentes ensanguentados, tinha que admitir que o rapaz tinha bastante força. Virou-se para ele, cuspiu o sangue em seu rosto e aproveitou-se da distração para pular sobre ele, levando ambos ao chão. Começaria socar seu rosto se não fosse por Peter rolando para fora do banco, caindo no chão, tossindo muito e vomitando sangue. Alice correu para ele, dando alguns tapinhas em suas costas e vendo que já tinha botado tudo pra fora, ajudando levantar-se.
— Ele está piorando — observou ela.
Tyler empurrou Adam para longe e ambos encararam-se friamente, mesmo que o segundo tivesse um sorriso malicioso no rosto.
— Jason era a única pessoa que chegava perto de ser um médico — disse Caterine, vendo como Peter estava ficando pálido. — Precisamos levá-lo para o acampamento.


Avançavam depressa na floresta, tomando um novo rumo, crendo que poderiam chegar mais rápido por onde desceram na colina. A pura verdade é que estavam perdidos e colocaram o acampamento como a salvação do rapaz, sendo que nem mesmo o guarda conseguiram tomar conta. Mas Peter, de certa forma, era a alma do grupo e deixá-lo morrer, mesmo para Adam, era a última coisa que planejavam. Pararam sua caminhada veloz no chegar num tipo de pântano, não tinha nenhuma lagoa ou rio, apenas árvores mortas, várias rochas espalhadas, o chão coberto de lama e grandes poças d'água. Era um lugar que seria difícil de atravessar, principalmente com a escuridão que formava-se em volta pelo sol se pondo.
— Podemos rodeá-lo — disse Caterine.
— Isso vai tomar tempo demais — respondeu Tyler.
— Acho melhor do que entrar num lugar como esse — falou Lisa.
O grupo tirou sua atenção da pequena discussão ao ver Alice enfiando os pés na lama, atravessando alguns metros até virar-se para eles e perguntar:
— Pretendem começar andar ou deixar o Peter piorar?
Tyler e Caterine entreolharam-se, então continuaram seu caminho. Adam estava com Peter no colo, que no caminho vomitara uma vez no chão e outra no rapaz, irritando-o. Estranhavam que desde que afastaram-se da estação, ainda tinham a sensação de alguém observá-los.
Atravessaram o pântano o mais rápido que podiam, os pés eram presos pela lama ocasionalmente, mas nenhum deles chegou a cair. Iluminavam o que tinha em frente com as lanternas que pegaram na nave, revelando muito pouco. Tudo parecia normal no local, mas escutavam algo cada vez mais alto, eram barulhos parecidos com a de um grilo, só que mais feroz e monstruoso. Era assustador, na verdade, e isso só os fazia avançar mais depressa. O problema começou quando o tal barulho ficou próximo demais deles. Viraram todas lanternas para onde o som surgia e viram um tipo de criatura, meio besouro e meio formiga, aproximando-se deles velozmente. Era do tamanho de um cachorro. O pior era que algumas das luzes pegaram a paisagem mais atrás e viram mais daquelas coisas, talvez dois, três ou quatro, todos vindo de encontro à eles de várias direções.
O grupo juntou-se, formando um circulo, no qual Tyler sacou sua pistola e atirou no primeiro, acertando seu casco, respirou fundo e atirou novamente, dessa vez acertando entre os olhos da coisa, matando-a. Peter foi posto no chão por Adam que pegou a lança das mãos de Lisa e ficou ao lado de Caterine que estava com uma espada em mãos, ambas armas tiradas dos homens que Tyler matara. Notaram naquele momento que estavam cercados de insetos gigantes. Adam ficou a lança entre os olhos da primeira que tentou atacá-lo, matando-a, enquanto Caterine atravessou a cabeça de uma que tentou pular nela. Alice sem arma alguma, apenas pegou um pedaço de pau, grosso e rugoso, começando acertar os que estavam próximos dela, sem parar, pois afastava-os um pouco, mas aquilo não matava nada. Tyler disparou uma, duas e três vezes, matando outras três criaturas, mas a munição acabou rapidamente, frustrado arremessou a arma inútil na cabeça de uma. Tudo que Lisa podia fazer era observá-los. Até o momento que viu coisas começando mexer-se alguns metros de onde estavam, tinham corpo de minhocas e eram camufladas pela lama. Ficou aterrorizada quando uma levantou-se e ninguém notara, abrindo aquela boca redonda e mostrando os milhares de dentes. Estava um pouco distante, mas mesmo assim perto suficiente para rastejar-se. E tinha mais de uma.
Lisa, morrendo de medo, agarrou-se ao que estava mais próximo dela.
— Me solta! — gritou Adam, tentando afastá-la e acertar a lança numa criatura próxima.
Ela não o obedeceu.
— Me solta, porra! — gritou novamente, acertando a lança no último segundo.
Novamente ela não o soltou. Adam sabendo que se continuasse daquele jeito, não teria a mesma sorte com as próximas. Empurrou-a para longe, preparando-se para o próximo inseto. A garota era fraca e leve, então acertou o chão um pouco distante de onde estava e ao ver um dos insetos próximos dela, sem ninguém para defendê-la, começou recuar para trás, desesperada. Escutou sons úmidos e quando olhou para cima, só viu aquele ser com corpo de minhoca descendo com sua boca na cabeça dela, engolindo toda ela, levantando-a do chão enquanto suas pernas batiam no ar desesperada, sendo abocanhadas pelas outras minhocas. Gritou, enquanto sua cabeça era suprimida aos poucos, pelos chupões da criatura. Fora o sentimento mais aterrorizador daquela noite, o de ser morta lentamente por aquelas criaturas nojentas e mesmo gritando, só enxergar o escuro, sentir uma dor cada vez maior, sabendo que ninguém a ajudaria.
Adam viu o resultado de seu empurrão no mesmo momento que as minhocas a atacaram, e foi como um baque de todos sentimentos horríveis que poderia sentir naquele momento. Imaginando o que ela passava ali, ficou medo; refletindo sobre o por que ela agarrara-se em seus braços, sentiu pena; refletiu sobre como ela havia chegado ali e soube que fora porque ele a empurrara. Culpa, além de tudo, foi o que mais pesou na sua cabeça. E por isso, uma criatura jogou-se contra ele, derrubando-o no chão, que por sorte, largou a lança, mas conseguiu segurar as garras dela, enquanto os dentes tentavam mordê-lo. Foi salvo por Tyler que pegou a lança e a matou, mas não teve coragem de agradecê-lo ao ver o olhar em seu rosto.Ele sabe, notou Adam.
— Eu não quero morrer — sussurrou Peter para Caterine que havia dado a espada para Alice quando ouviu o rapaz vomitando sangue novamente, indo socorrê-lo o mais rápido que pôde.
— Você não vai — disse ela, esfregando seus cabelos com as mãos, enquanto colocava a cabeça dele em seu colo.
No fundo, todos já tinham perdido a esperança de sair dali. Mais e mais dos insetos surgiam, sem parar, não tinham mais uma arma de fogo, a espada e lança não parariam todas. Então, morreriam, da pior forma possível. Mas, Peter, não precisava saber disso, na visão de Caterine.
— Eu queria o Thomas aqui — disse Peter, triste. — Estamos juntos desde crianças, sempre ajudando o outro. Queria pelo menos me despedir.
— Você vai, vamos todos sair daqui — respondeu Caterine, sentindo sua voz fraquejar, seu próprio medo estava a dominando.
Foi quando a segunda trombeta foi tocada, uma diferente, mas tão primitiva quanto, parecendo um rugido de algum animal. Viram várias das criaturas recuando, assustadas, e fugiram de vez quando granadas escorregaram pela lama, enchendo o lugar de fumaça. Escutaram alguns gritos e nem mesmo ligaram de identificá-los, apenas correram para eles. Saíram do pântano sem muitos problemas, mesmo que no desespero, muitos tivessem caído na lama, levantando-se rapidamente e continuando. Esperavam encontrar, talvez, os adultos da Arca, mas só viram uma pessoa, vestida de arbustos, com capuz e o rosto escondido pelas sombras, tinha um arco preso ao seu ombro pela corda e uma adaga na cintura. Tentaram falar com ele algumas vezes, mas o silêncio era a única coisa que os respondia, só podiam segui-lo, nem mesmo tentaram pará-lo, naquela situação não queriam exigir nada, só salvar-se do inferno que era a Terra.
Atravessaram muitos quilômetros, talvez mais do que fizeram num dia inteiro, chegando ao objetivo da figura quase no amanhecer. A pessoa diminuiu os passos quando chegou perto de uma construção, tirou uma grande quantidade de vegetação de frente de uma porta, revelando-a, então a abriu e apontou com a cabeça para que entrassem. Viram, indo para lá, que todas árvores em volta do local tinham nomes cravados em sua madeira, alguns que viram nas covas.
Atravessaram um corredor longo, onde o primeiro cômodo que encontraram foi um tipo de sala, com alguns sofás, TV, uma mesa e prateleiras. Seja quem fosse, apontou para Peter e depois para mesa, e Tyler que o carregava, colocou-o ali sem dizer nada. Sumiu em outros lugares daquele esconderijo, voltando com alguns frascos, trocou o líquido de um pelo outro, misturando-os algumas vezes, até que aproximou-se de Peter e o fez beber.
— Isso vai curá-lo? — perguntou Alice, preocupada.
Com a iluminação das lâmpadas, puderam ver bem o homem. Era alto e bastante magro. O rosto carregava uma fisionomia sórdida, trazendo uma pele pálida e definhada, tinha enormes olheiras embaixo dos olhos escuros, totalmente desconfiados deles. Os lábios eram secos e rachados, embaixo, no queixo, tinha uma barba negra falha e quebradiça, juntando-se com a longa cabeleira. Fedia demais e tinha unhas grandes, sujas, no pulso, curiosamente, havia um bracelete de metal, parecendo algo tecnológico.
— Quem é você? — perguntou Caterine, encarando-o.




Me motivaram tanto com esses comentários gostosos e tão rápidos, que o capítulo que eu disse que seria o menor de todos ficou no mesmo tamanho que o segundo, que já é grande pra porra, e saiu super rápido. Continuem assim.

Enfim, outra vez não reli nada, faltou luz ainda, que me tirou o resto da paciência. Outro aviso, alguns de vocês, vai falar sobre o jeito que o personagem reagiu ao que apresentei. Seguinte, não pretendo fazer nenhum frio e calculista, então aceitem e é isso ai.

Na cena do pântano, se você tá nela e não tá entendendo muito a situação, olha isso. Mas só olha quando chegar nela mesmo, se não vai tomar spoiler.






Ver perfil do usuário

20 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Ter Set 20 2016, 23:39

Mary

Nada melhor do que um jovem aprendiz do Martin escrevendo uma fic boa dessas. Apesar de ter aprendido ao longo desses capítulos que não devo simpatizar com nenhum personagem ou colocar ele no colo, já que no capítulo seguinte ele vai morrer, os episódios tão ótimos. Não esperava tanta rapidez pra algo tão bom, mas já que tá tendo, vou aproveitar.

Primeiro, as cenas de ação tão sendo muito bem escritas, de forma que a tensão é fácil de ser sentida, fica fácil entender o medo deles, os arrependimentos e as fraquezas. A amizade que tá sendo construída aos poucos - sem ser a obrigação de ajudar o outro por questão de sobrevivência - é algo que tá bem interessante e pode se tornar uma fraqueza ainda maior futuramente, visto que apenas com o sumiço (feel) do Jason, o grupo todo se abalou pra caramba.
Já gostei do lance dos animais serem uma outra dificuldade fora os humanos, já que fugir dos inimigos em uma floresta desconhecida seria algo fodido até numa mata "normal", e isso já pode criar uma base pra personalidade mais selvagem e adaptada, que acho que todos vão adquirir ao decorrer da fic. E o lance que aconteceu com a Lisa deve reforçar o instinto de proteção de cada um deles, e caso isso aconteça, será sinônimo de mais desgraça, e mesmo soando agourento, é algo essencial.

A escrita tá deliciosamente contínua e completa, e não tem o erro de tornar todos os personagens em um tipo de máquina mortífera padrão, comum em fics que focam em sobrevivência. Mesmo estando passando pelas mesmas situações, cada um reage de uma maneira diferente evidenciando uma característica da personalidade. Continua assim que quando o livro lançar vai ser um best-seller.



Ver perfil do usuário

21 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Ter Set 20 2016, 23:55

Chris

Que qualidade. Feels Good

Spoiler:
Embora eu já esperasse, achei maneiro a Lisa morrer já que não via utilidade para a personagem sem o Jason. Serviu só pra introdução de história. Mais uma vez, sem querer ser repetitivo, aponto o relacionamento e interação dos personagens, desde o desentendimento do Tyler com o Adam até a Caterine tentando confortar a Lisa e o Peter, to achando isso muito impecável na fic, parabéns, Gabriel.

Agora sobre a trama, eu já tava curioso, mas agora parece que as coisas vão realmente começar. Ansioso para ver mais do personagem do Guliel, principalmente por não sabermos nada sobre o cara, só que ele está, a princípio, nos ajudando. E se ele me deu veneno...


E porra, eu quero que esse Thomas morra. O cara tá com duas minas pra cuidar dele e quer o asiático random, assim não dá, Peter.

Enfim, curti bastante o capítulo. Apesar de achar o terceiro o melhor de todos, pra mim a qualidade está bastante mantida num nível ótimo e espero que continue assim. Quero o próximo capítulo até sábado.




Ver perfil do usuário

22 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Qua Set 21 2016, 00:03

Gulielmus

Esse ritmo tenso que a história adotou desde o final do cap 3 foi bem maneiro, principalmente porque ele começou com uma quebra foda no clima teen que tava antes. Me surpreendeu bastante, porque eu tava esperando que a apresentação dos grounders ia demorar mais um pouco, talvez com uma galera sumindo, algo mais sútil pra ir aumentando aquela tensão, mas que talvez enrolasse um pouco o ritmo da fic. Bem maneira essa abordagem mais direta, me deixou curioso em ver onde isso vai dar. 

A morte do Jason também me foi uma surpresa. Apesar de eu já esperar que ele teria um fim precoce, não pensei que seria tão cedo, imaginava que fosse rolar lá pro cap 8 ou 9, ou talvez mais no final dessa temporada. Me lembrou a situação do Wells na série, que parecia ter bastante futuro entre o cast, mas que morreu logo no terceiro ep. Foi uma morte bem escrota, e o pior, é que é capaz da galera nunca mais saber o que houve com ele, já que esses grounders devem dar um fim com o que sobrar do corpo. 

Uma outra coisa que eu curti muito foi com a forma realista com que os personagens reagiram ao desenrolar das coisas. A morte da Lisa foi um exemplo muito foda disso, principalmente a forma como ela rolou, sendo meio que causada pelo Adam, que ainda deverá ser muito afetado por ela no futuro. Imagino também que essa morte talvez seja combustível pra mais conflitos entre ele e o Tyler, já que esses dois tendem a ter bastante desentendimento.

Obviamente tô curioso pra ver mais do meu personagem. Até agora tô satisfeito com a forma que você veio representando ele, então espero não ser decepcionado. Clô Quero ver também como a galera vai fazer pra voltar pro acampamento, e em qual estado ele vai estar, porque não duvido nada que esses grounders já não tenham ido atacar a galera lá também. 
Queria comentar mais, mas tá foda... Frog



 

Ver perfil do usuário

23 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Qua Set 21 2016, 03:56

Josh

Capítulo muito bom e grande como tem que ser. Se você tentou reproduzir a tensão dessa cena do King Kong, tenho que te dizer que você não conseguiu. A tensão na cena da floresta na fic com os insetos foi muito maior, porque mal tinham armas, mal tinham planos, mal tinham esperança. Deu quase para sentir o que eles estavam sentindo ali. E, para piorar, mais um do grupo havia morrido de uma forma muito brutal, que foi causada por Adam. Era de se esperar que, se os insetos continuassem vindo, eles morressem em pouco tempo ali.

Interessante esse terráqueo que os salvou. Me fez pensar que podem existir muitos outros por aí que também são "do bem", ao contrário daqueles canibais que mataram o Jason. Talvez agora os jovens aprendam corretamente sobre o mundo onde estão vivendo e tenham mais chances de sobreviver. As habilidades físicas provavelmente vão ser aprimoradas agora, mas suas mentes estão decaindo cada vez mais. O clima sombrio da Terra está começando a rodeá-los de forma que agora que sentiram, não há mais volta. No futuro, talvez, todos os jovens fiquem igual esse terráqueo.

Esta é definitivamente uma fic que você sempre quer mais capítulos. Então, já espere renovar para uma segunda temporada, e no futuro para uma terceira e assim por diante, até chegar ao fim definitivo que você quer dar a história, que estou curioso para saber qual vai ser.




Ver perfil do usuário http://forumgeek.forumeiros.com

24 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Qua Set 21 2016, 16:55

Dwight

Conflitos de ideia com o Tyler e a Caterine já eram esperados, mas se toda vez que ouvir uma verdade esse rapaz quiser partir para violência vai ir pra vala cedo. Cat

Não esperava uma atitude tão impulsiva dele, fica esperto maluco. A Caterine roubou o toque da morte do Fillip, pqp, amaldiçoou o Jason e a menina. Muito bonita a visão dela do mundo, pena que vai morrer se continuar assim. Smile O Peter pouco falou nesse, o que evidencia como o clima tava mais pesado pós-cap. 3, e a Alice eu espero um capítulo mais focado nela, futuramente.

Sobre o meu personagem, não tenho nenhuma reclamação, notei que você pegou bem o que eu tinha pensado quando ele foi racional o suficiente para aceitar que era suicídio buscar o Jason na floresta (O que era uma ideia idiota do caralho), mas não foi um completo babaca a ponto de sugerir abandonar o Peter ferido, até ajudando a carregar ele. Achei interessante o Adam ter feito uma cagada descomunal e quero ver como isso vai atingir ele e, eventualmente, aos outros. (Mas ele não teve culpa, avisou duas vezes)

Eu ri do "Repete isso de novo", porra, se é pra repetir já é pra dizer de novo :grin:

Spoiler:
Sacanagem ter transformado a menina quase no bebê do grupo pra no final fazer aquilo, psicopata do caralho Feel Crying 3

Todos os acontecimentos, especialmente os que envolvem ação, foram muito bem escritos. Conceber o mundo (que é ligeiramente diferente do apresentado na série) é fácil através da sua descrição, não tive nenhum problema nem mesmo quando entrou insetos do tamanho de cachorros. Só pra não perder o costume, continua desse tamanho.

Edit: Como pude esquecer. affraid

Achei que esse porra ia demorar mais a aparecer, ainda tô curioso pra cacete, mas já tenho uma ideia melhor do que ele seja. Começou ajudando, então menos mal, mas quero ver como ele vai interagir com seres humanos.



Ver perfil do usuário http://filmow.com/usuario/lamb

25 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Set 25 2016, 22:19

Luckwearer

S01E05 - The Hundred

Spoiler:

Escutou as vozes aumentando conforme aproximava-se da porta, o conselho provavelmente discutia sobre a tal expedição à Terra e ele estava completamente interessado naquilo. Sua vida era monótona, as vezes perguntava-se antes de dormir se sua vida teria utilidade em algo importante, então quando surgiu aos seus ouvidos aquela informação, animou-se no mesmo instante. Seu pai era um dos principais organizadores da Estação Rural e mesmo ele trabalhando na horta, sem muito destaque no lugar, não era desconhecida sua alta sabedoria sobre a história da Terra. Talvez fosse o mais sábio da Arca, era a única explicação de ter sido convocado pelo conselho. Os respeitavam, a Arca vivia tempos prósperos, tudo graças à eles. Passou por dois guardas ao lado da porta e adentrou no lugar onde havia nada se não uma mesa no centro, com várias cadeiras e pessoas. A atenção deles não saiu dos companheiros na mesa mesmo ao entrar na sala. Jeremy Cross, no fundo, queria que continuassem assim por um bom tempo, estava indeciso no sentimento de saber o por que de estar ali e a completa falta de vontade de interagir com desconhecidos.
— Pela última vez, Bryan, eles podem ser crianças, mas todos ali cometeram um crime, a maioria que escolhemos fez algo grave, desde assassinato até agressões — falou, seu tio, Sebastian Ward que parecia um tanto impaciente.
— O motivo pelo qual foram presos e não ejetados imediatamente após o crime, é porque dependo de sua conduta e crime, ao chegar a idade adulta, ocorre um julgamento que decide seu destino. Isso é uma segunda chance. Enviá-los à Terra, sem ter total certeza do que os esperava lá, é praticamente matá-los — rebateu Bryan Hopkins, o atual Chanceler, com o tom de voz irritado, mas disfarçado pela voz suave que sempre se pronunciava.
— Se for possível sobreviver lá, será uma maravilhosa segunda chance, Bryan.
Não era novidade para ninguém que aqueles dois homens eram o único motivo que as reuniões do conselho duravam mais que alguns minutos, sempre tinham ponto de vistas diferentes. Bryan era um homem muito bom, ótimo organizador e líder, sempre tentando fazer o melhor para seu povo, isso lhe trouxe uma imagem de hipócrita, pois todas leis da Arca eram rigorosas demais e as injustiças quase não eram punidas, fazendo com que o povo pensasse que para ele, as pessoas que cuidava eram seus amigos próximos do conselho e não as pessoas enfiadas na escuridão da Arca. Já Sebastian, chamado apenas de Ward por muitos, tinha os mesmos objetivos, mas ele era mais duro, punia os errados e, consequentemente, algumas vezes os bons, mas enquanto Bryan era um homem solitário e fechado, Sebastian era alguém do povo, sempre visto em meio das pessoas de baixa classe, fazendo brincadeiras e soltando risadas. Nenhum dos dois eram ruins no que faziam, mas um era odiado pelo povo e o outro amado. Alguns consideravam Bryan como o cérebro e Sebastian como o coração do Conselho. E a cada dia a menos para os votos do próximo Chanceler, ficava claro que Ward ganharia.
Já Jeremy, não ligava muito para disputa existente entre os dois, respeitava ambos por seus feitos, e mesmo vendo a troca de olhares, quieto, como se fossem dois jovens discutindo, ainda os via como eram para toda Arca: poderosos. Só o perceberam ali, quando a representante da Estação Médica, Lauren Burke, tirou os olhos do Chanceler e deu uma pequena olhadela pela sala, descobrindo uma figura alta e magra, parada em frente a saída e em silêncio. Lauren coçou a garganta e todo grupo virou-se para ele.
— Você cresceu bastante, Jeremy, há quanto tempo não o vejo — cumprimentou Sebastian, levantando-se de seu lugar e indo até ele, apertando sua mão. — Fico feliz que tenha vindo.
— Eu que agradeço — respondeu com um sorriso forçado, tentando evitar contato visual.
— Venha comigo, aproxime-se da mesa, nos desculpamos pela falta de lugar, mas não se preocupe, você ainda está salvo de nossas reuniões chatas — brincou Sebastian, trazendo-o pelo ombro, algo que desgostou, mas ficou calado.
— Como assim?
— Você não está no conselho, foi o que eu quis dizer, Jeremy — explicou soltando uma risada da típica falta de senso de humor do rapaz.
Quando todos voltaram a seus lugares depois de cumprimentarem o rapaz, finalmente descobriu o por que tinha vindo até ali.
— Como seu pai passou à você, ocorrerá uma expedição à Terra — disse Bryan, iniciando a explicação. — O motivo pelo qual você está aqui é pela sua antiga profissão. Você já foi professor de história e soube que era extremamente bom no que fazia, talvez o melhor, por que abandonou o cargo para juntar-se ao seu pai em agricultura? Se não lhe incomodar responder, claro.
Evitou contato visual de todos ali, direcionando seus olhos para Bryan, mas focando em suas mãos em cima da mesa, dando impressão que o olhava, mesmo que não.
— Eu era... eu era bom com História. Mas não era bom com alunos — respondeu de forma desajeitada, gaguejado como de costume.
Bryan entendeu na hora.
— Entendo. — O Chanceler pareceu ceder por alguns segundos, virando os olhos para Ward que o olhava silencioso. Suspirou, esfregando a palma da mão no rosto, ao sentir uma minúscula dor de cabeça pelo estresse. — O motivo de termos o chamado aqui foi porque enviaremos uma nave com cem adolescentes para Terra, mas precisamos de toda informação da biblioteca, e todos sabemos que você foi um dos poucos que ousou enfrentar aqueles milhares de livros, cartas e depoimentos. Precisamos do seu conhecimento para saber onde pousar essa maldita nave.
Jeremy passou um tempo refletindo, não sobre ajudá-los ou não, faria isso com toda vontade do mundo, mas planejava o que falaria e queria dizer com firmeza, sem gaguejar ou se enrolar.
— Você quer saber onde estão localizados os abrigos contra bomba nucleares e os prováveis ambientes com menos radiação, não é? — perguntou, já sabendo a resposta. Por dentro, comemorou de ter dito aquilo sem nem gaguejar.
Bryan apenas acenou que sim. E aquilo bastou para ele concordar em ajudá-los.
O que Jeremy não contava era que semanas mais tarde, ganharia o convite de ser o instrutor da centena de criminosos, sendo enviado para Terra junto à eles, disfarçado de um adolescente criminoso também, mesmo que há certo tempo tivesse chegado a vida adulta. Pensou muito em negar aquela proposta e continuar na Arca, tudo pela péssima época que trabalhava como professor, tentava dar aula aos alunos, mas dia após dia, era humilhado e mais humilhado, algo que só ajudou acabar mais ainda com sua socialidade. Mas a paixão por aquele projeto e seu desejo absurdo de ir para Terra cobriu todos seus medos, então sem pensar duas vezes, aceitou de coração aberto e foi jogado numa solitária por alguns dias, antes de ser levado junto aos outros para nave que iria para Terra.
Com todos em seus devidos lugares e presos com os cintos dos bancos, a nave partiu e puderam sentir atravessando a atmosfera. O que impressionava o homem era visão dos adolescentes rindo e fazendo piadas dos outros mesmo quando num monitor Bryan explicava para eles o que os aguardava na Terra e as grandes chances de morrerem pela radiação. Jeremy apenas continuou quieto, observando-os, enquanto sentia a nave chegar na Terra e, por fim, acertar o solo de onde fora marcado de descerem.



Thomas estava sentado na entrada da nave, brincando com a grama, entediado. Checava o guarda uma vez ou outra só para ver se ainda estava vivo, porque sem a chave, caso tivesse uma convulsão não poderia fazer nada. Tudo era culpa de Todd, por causa daquele idiota o asiático tinha que enxergar direito com apenas um dos olhos, pois o outro estava inchado e dolorido como todo seu rosto. Observou de longe o falso ajudando as pessoas no acampamento, em menos de uma semana conseguira tirar toda aquela aparência ditadora ganhada no primeiro dia na Terra ao proclamar-se líder do lugar enquanto mirava a arma para o alto. Agora é o queridinho, pensou Thomas, suspirando de decepção. Virou o rosto para Kevin quando sentou-se ao seu lado, passando uma concha feita de madeira com água para ele, que bebeu com muito gosto. Estava com sede.
— Como vai o rosto? — perguntou, encarando Todd também.
— Dolorido. E o estomago?
— Dolorido.
Ficaram em silêncio por alguns minutos, até que ouviram gritos da floresta e levantaram-se alarmados no mesmo instante, correndo para o grande amontado de pessoas que juntou-se rapidamente entre as árvores de onde vieram. Ao chegarem lá, não encontraram a garota que gritara, mas um dos delinquentes apontou mais para o norte. Estava de noite e era difícil ver as coisas, mas aproximando-se, puderam ver múltiplas estacas espalhadas por todas redondezas do acampamento, tinham animais podres enfiados nelas, desde porcos, javalis, roedores e cervos à criaturas desconhecidas, algumas pareciam dragões e outras tinham duas cabeças. Fediam demais, mas o que realmente os amedrontava eram toda aquela carne entrelaçada nas outras, com objetos estranhos acompanhados, alguns no chão e outros agarrados a madeira.
Thomas ergueu os olhos junto ao restante do grupo quando algumas tochas surgiram e foram aumentando seus números, tornando-se dezenas velozmente. O grupo pensou ser os adultos, mas quando figuras estranhas começaram brotar entre as árvores com olhos amarelos e sorrisos obscuros, rindo deles, risada sombrias, até mesmo algumas infantis, de algumas pessoas baixas que vinham também, que acabaram por mostrar-se crianças. Riam como criaturas de uma história de terror, amedrontando todos que tinham ido atrás do grito.
— Vão para dentro da nave, para dentro da nave — gritou Todd, empurrando alguns jovens de dezesseis anos ao seu lado para direção do acampamento, iniciando uma corrida que todos foram juntos, inclusive Thomas. Sentiram os desconhecidos os seguirem, aumentando os passos também e os gritos de terror dos adolescentes só pioraram toda situação. Algumas pessoas ficaram para trás, sendo engolidas pela grande quantidade de desconhecidos, enquanto a maioria do acampamento enfiou-se dentro da nave. Tinham feito lanças improvisadas para caçar e os que tinham em mãos, que deviam ser três ou quatro, estavam em frente ao grupo, tremendo, mesmo Todd que parecia tão aterrorizado quanto, mas só o asiático notara, em meio aquele caos.
As pessoas ficaram a espreita da porta, parados, enquanto todos adolescentes os temiam ali dentro. Começaram rir novamente, mostrando todos aqueles dentes amarelos e podres, riam como hienas, os olhavam e esperavam como predadores. E só atacaram minutos depois, entrando uma grande quantidade de uma vez. Cerca de dois deles foi acertado por lanças, mas nenhuma morte ocorreu, quebrando aqueles pedaços de madeira facilmente. Nenhum deles carregava alguma arma letal, apenas alguns tipos de maça, que acertaram no rosto de muitos delinquentes. Thomas viu Todd enfiando-se atrás da primeira fileira de jovens, disfarçando que havia sido empurrado, quando na verdade só tinha recuado. Um por um, aquelas pessoas arrastaram, alguns vivos e gritando por ajuda, outros desmaiados pelos golpes e alguns mortos ao terem a maça impactada no crânio.
Então, até o final daquela noite, quando todas aquelas pessoas sumiram rindo e pulando, tinham perdido cerca de dezoito companheiros.


Cross atravessou as estacas fedidas ignorando-as, era o único que saia do acampamento desde que os ataques começaram e alguns o julgavam como louco, ele julgava como esperto. Se não fosse por suas caças, todas aquelas pessoas morreriam de fome. A questão é que depois do segundo ataque, notou que só iam até eles de noite, então durante o período do dia, as redondezas eram seguras, mas nunca ousou afastar-se demais, sabia que exagerando, talvez sua teoria fosse dizimada. Adentrou no acampamento e foi saudado por todos que passou, algo que alimentava demasiadamente seu ego e bem estar. Desde o momento que colocara os pés na Terra, seu alto conhecimento e adaptação aquele lugar fez dele um dos principais do acampamento, fugindo de seu passado fracassado e tornando-se quase um líder, de tão respeitado. Jogou os animas da caça na cabana que fizeram para guardá-los e saiu dali, sendo chamado por Jonathan, um dos líderes, talvez o que mais tomasse decisões. Nunca tinha realmente enfiado-se naquele pequeno grupo que lideravam o acampamento, mas no momento de desespero que estavam, procuraram o mais sábio do local.
— O que você nos recomenda fazer? — questionou Brenda, um tanto desesperada.
Pensou um pouco.
— Precisamos de muralhas e de armas — respondeu, simplesmente. Sua voz fraca que gaguejava e enrolava-se sumira com os dias na Terra, agora falava determinado e firme, passando muita segurança à quem ouvia.
— Lucas está quase ajeitando os rádios, em breve poderemos contatar a Arca — salientou Jonathan.
Cross não mostrou, mas seus olhos que viraram-se imediatamente para o rapaz e suas palavras, escondiam uma preocupação enorme com aquela notícia. Temia que ao contatarem a Arca, os superiores, nomeados assim por sua cabeça confusa, desceriam e sua torturante vida na estação voltaria. Deixaria de ser Cross, o caçador, respeitado por todos e o melhor do acampamento para Jeremy, o rapaz solitário e sem amigos, que enrolava-se nas próprias palavras e evitava pessoas. Voltaria a ser o fracassado que tanto odiava.
Durante a construção das muralhas que teve de usar quase todos do acampamento, aproveitou-se para cortar alguns minúsculos fios importantes, um por dia, tudo para atrasar o trabalho de Lucas, até que finalmente deixasse de funcionar, como tempos depois aconteceu. Por sorte, encontraram muitos quilômetros depois um tipo de abrigo nuclear, bonito por dentro, que levava alguns corredores com quartos e alguns deles tinham barris com óleo, cheios de armas dentro. Por outro lado, os selvagens não foram estúpidos e ao verem aquelas muralhas, escolheram não atacar. Não naquele dia.
A teoria de Cross morreu numa manhã. Todos que fizeram parte dos cem enviados viraram o rosto para direção dos sons que alastraram-se pela floresta. Eram tambores e vinham junto com cantorias, risos e gritos.
Tentaram lutar, mas as muralhas foram destruídas e o primeiro grande grupo de enviados matou muitos deles. Então, o restante sem mais munição foi exterminado pelo segundo grupo, o último e maior. Diferente de todos outros ataques, no momento que levantaram aquelas muralhas, a simples caça virou um caçador aos olhos dos canibais. E só poderia um caçador viver naquela floresta.
A culpa de ter destruído todos meios de comunicação com a Arca, algo que podia tê-los salvados, mergulhava Cross num mar de culpa e tormento, uma agonia que não passava nunca. Ele junto alguns delinquentes tinham fugido do acampamento durante o ataque, salvando suas próprias vidas. Mas não conseguia ficar ao lado deles sabendo que todas aquelas pessoas que o respeitaram e confiaram nele, foram mortas por seu egoísmo. Ao contar toda verdade, Jonathan pulou sobre ele e o espancou até quase a morte.
— Confiamos em você, seu filho da puta, você era o herói de muita gente naquele acampamento! Eu te respeitava, porra! — gritou Jonathan, acertando socos e mais socos em Cross que já tinha perdido a noção do que acontecia.
Parou segundos depois, com as mãos machucadas, jogou-o na lama e ficou em pé ao seu lado, enquanto o resto dos adolescentes esperavam ansiosos para que justiça fosse feita. Mas Jonathan apenas o encarava friamente, deitado com o rosto inchado e ferido.
— Você vai viver, mas vai viver longe de nós e espero que sofra bastante. Sofra todo dia sabendo quantos jovens e crianças você matou por motivos doentios.
E aquela fora última vez que os vira.
Era o único que sabia o caminho exato para o abrigo, então muito depois que o grupo saiu de perto dele, tomou coragem e força para levantar-se, caminhando até lá. Sentou-se no sofá e ficou parado ali por muito tempo, até que sem rumo começou caminhar pelos corredores sem ter o que fazer. Encontrou uma escadaria escondida por alguns destroços e ao tirá-los, deparou-se com outro andar, onde havia mais barris que chutou ter mais armas. Saiu de perto do lugar, sorrindo, começando rir e logo em seguida gargalhando. Se tivessem procurado mais um pouco, teriam munição e armas muito além do que tiveram para lutar contra os selvagens e as chances de sobrevivência teriam sido maiores. Mas não procuraram. Andou veloz para a sala e ligou o som que havia lá, colocando no último volume, nem mesmo importando-se se chamaria atenção. Arrancou um cano da pia e começou destruir os armários, jogar os copos no chão, destruir cadeiras e tudo que via pela frente, pegou garrafas de bebidas e começou beber, chegando tirar a boca delas e deixar o conteúdo escorrer por seu cabelo, antes de jogá-las na parede. Gargalhava como louco, sentando-se no meio de toda destruição com um dos revólveres na mão que pegara do andar escondido. Ainda rindo colocou o cano encostado em sua cabeça, demorou muito para puxar o gatilho, cedendo várias vezes, até que finalmente apertou e nenhuma bala saiu de dentro da arma. Estava descarregada e ele nem mesmo notara. Voltou a gargalhar, uma risada escandalosa que tornou-se sufocada conforme lágrimas começaram escorrer por seu rosto e transformaram-se num choro, um choro que durou horas, mas quando terminou, nunca mais voltou.





Gente, esse capítulo infelizmente não tá tão bom assim, deveria ter sido melhor, mas eu tava um pouco cansado e pela semana complicada que vai vir pela frente, onde eu duvido que vou conseguir postar algo, quis pelo menos dar mais um capítulo pra vocês lerem.

De resto, to bem cansado, como disse, então nem olhei erros e etc, qualquer coisa digam aí nos comentários que espero ansioso como todas outra vezes.

Atualizei o tópico com a aparência do personagem do Guliel, deem uma olhada antes de lerem, pra imaginar melhor.






Ver perfil do usuário

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo  Mensagem [Página 1 de 3]

Ir à página : 1, 2, 3  Seguinte

Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum