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[Fic Interativa] Earth Kills

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26 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Seg Set 26 2016, 11:26

Babi

Apesar de não mostrar o grupo inicial, achei muito interessante mostrar o passado do Cross e a antiga tentativa falha da arca de conhecer a terra antes do acidente que levou toda a nave para o chão. Também achei bom ter mostrado o que tá acontecendo no acampamento e o que aguarda o grupo quando voltarem. Espero que dessa vez o Cross coopere em vez de ser egoísta.

Enfim, adorei a forma que vc escreveu esses flashbacks e encaixou a parada do acampamento no mesmo contexto, muito bem escrito, Gabriel.



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27 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Seg Set 26 2016, 20:56

Chris

Bom capítulo.

Apesar de ser o que menos gostei, não achei que houve queda de qualidade. Apenas gostei tanto do grupo principal que um capítulo com a ausência deles não agrada tanto, mas é totalmente compreensível e até mesmo necessário um capítulo como esse. Acho mil vezes melhor um capítulo mostrando sobre o Cross do que simplesmente ele contando de boca pra galera a história, é outra sensação. E deu até pra mostrar a galera da nave, foi bom isso também.

Ainda sobre o Cross, que parece mais um personagem do Josh do que do Guliel, achei interessante e promissor. Acredito que será maneiro ver ele em situações com o grupo futuramente, e que esse viado cure minha perna né. Cat

Em relação a escrita e etc, acho que a qualidade se manteve. E estou curioso para ver mais do personagem Jeremy no presente, interagindo com a galera e tals. E claro, ver o que rolou com os randoms da nave.

Uma pena que nao terá capítulo nessa semana, mas então espero que sejamos compensados com um puta capítulo que seja postado o mais rápido possível. Clô



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28 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Qua Set 28 2016, 14:57

Dwight

Maneiro o Cross, merdeiro esquizofrênico foda e já teve bastante desenvolvimento nessa passagem Arca → Terra, vamos ver o que mudou com ele nesse tempo sozinho no bunker. Só discordo que pareça um personagem do Josh, parece mais um misto entre o próprio Josh/Um Josh wanna be. A melhor parte foi a final, mas curti bastante o paralelo entre o que aconteceu com o primeiro grupo e pode (ou vai) acontecer com o grupo na nave. Foi uma boa ter colocado aquela parte ali no meio, até pra não ter que ficar explicando aquilo depois. Esse Todd prefiro nem comentar. Stanley

Mas, como eu disse, o melhor foi o final. Aparentemente toda a obsessão-compulsória do Guliel em criar personagens tridimensionais foi alcançada dessa vez, o personagem é interessante e já teve estrada tanto na Arca, quanto na Terra; só não sei como imaginá-lo interagindo com o grupo ainda. Outra coisa, que não sei se havia falado, mas é provavelmente o que mais gostei até agora são esses grounders. Desde os olhos amarelos até o uso dos tambores e das risadas, achei foda pra caralho a ideia toda da tribo canibal, parecem inimigos assustadores pra caralho; e isso é ótimo.

Agora aguardando pra ver como vai desenrolar as cagadas do cap.4. Wink



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29 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Out 02 2016, 17:15

Luckwearer

S01E06 - We Must Be Killers

Spoiler:
Adam estava em cima do gêmeo mais novo, socando seu rosto repetidamente, enquanto o outro levantava-se lentamente, tonto e com o nariz quebrado. Eram péssimos numa briga, dando a oportunidade do brigão dominar ambos por muito tempo. O que Hunt não esperava era que durante seu ataque de raiva, fosse agarrado por trás, tendo ambos braços paralisados, enquanto o que espancava erguia-se rapidamente para socá-lo no estomago até que ficasse roxo, dirigindo os golpes para seu rosto. Caiu no chão quando acabaram, cada movimento que fazia dava sua barriga a sensação de estar sendo penetrada por mil adagas ao mesmo tempo, suas pernas não estavam funcionando tão perfeitamente assim e o rosto tinha inúmeras feridas, seu olho direito estava completamente inchado, impedindo-o de enxergar se não fosse pelo esquerdo. Suspirou, caminhando a passos lentos para enfermaria, sua mãe enfurecia-se facilmente em apenas vê-lo com marcas e cicatrizes, se chegasse sangrando em casa, talvez recebesse mais um espancamento.
Notou os olhares que recebia das pessoas em volta, esperando serem consultadas, ele estava sentado num banco, fora das alas com camas e cortinas, além dos quartos para cirurgias e outras coisas. Ignorava todas pessoas, que julgassem-no por estar sangrando, a vida dele não era da conta de ninguém, só dele. Ergueu os olhos para direção que ouviu a voz da mulher que cuidava dele desde que era criança, uma grande amiga de sua mãe, parecia conversar com um garota irritada, de cabelo castanho avermelhado.
— Ele não está bem, Lauren, por favor, preciso de mais — implorou a desconhecida, aparentando estar desesperada.
— Desculpa, Cat, você sabe que se eu pudesse eu daria todo estoque para ele, mas não posso — respondeu Lauren Burke, triste.
A garota apenas acenou com a cabeça, irritada, e virou-se para sair dali. Adam arqueou uma sobrancelha àquela cena, ignorando-a, virou-se para falar com a médica, mas ela já estava em sua frente, zangada e com as mãos na cintura.
— Novamente? — disse Lauren, completamente irritada.
— Você sabe como amo você e esse lugar — respondeu de forma irônica, levantando-se para segui-la.
Sentou numa cama e esperou ela pegar o que precisava para limpar seu rosto.
— É a terceira vez que você vem aqui só nas últimas semanas. Se continuar assim eu não poderei te ajudar mais, você não é a única pessoa que precisa do que eu uso em você, lembra?
Claro que lembro, pensou Adam. Conheço muito bem as leis da Arca.
— Prometo completar um mês na quarta vez — zombou, fazendo a mulher balançar o rosto de forma negativa.
Ficaram em silêncio por um bom tempo, enquanto ela limpava suas feridas. Ela participava do Conselho e de suas decisões, mas não a odiava, por seu laço emocional com os pais dele, fora banida daquela escolha, pois sabiam que ela imploraria para que o homem não fosse ejetado. Naqueles últimos anos que sua mãe o odiava, a médica era quase como sua segunda mãe, talvez fosse a única pessoa que ele de fato se abrisse.
— Vai me dizer o que aconteceu dessa vez? — perguntou, terminando de limpar o rosto dele. — Tira a camisa.
Adam tirou a camisa, deixando-a ver como estava a situação em sua barriga e costelas.
— Briguei com os gêmeos Spraybarry — respondeu, soltando um gemido de dor quando ela começou cutucá-lo.
— Mas eles são as pessoas mais calmas da Arca — exclamou ela, levantando-se para encará-lo, novamente irritada. — Você provocou pessoas novamente, não é?
Adam preferiu não respondê-la, agarrando sua camisa e colocando-a de volta, ao saber que teve sorte de suas costelas continuarem intactas. Quando a vestiu, viu um olhar triste da mulher, ainda encarando-o.
— Pare de se isolar, Adam, todas suas amizades são desfeitas por você. Por que prefere tanto a solidão?
— Eu não preciso de amigos, doutora. Obrigado pela consulta — agradeceu, levantando-se da cama e afastando-se com apenas um acenar de mãos, sem olhar para trás, sabia que se o fizesse, ela o mandaria voltar para conversar, mas ele não queria.
Chegou em casa momentos depois, encontrando sua mãe caída na mesa, com várias garrafas vazias e cheias em volta. Aproximou-se, pegando as vazias e jogando na lixeira, voltando-se para tirar as cheias da mesa, mas sendo surpreendido pelas mãos de sua mãe, quando acertou as suas próprias para afastá-las.
— Tire a mão delas, vou beber — disse Margaret, num tom irritado.
— Você já bebeu demais, mãe.
— E desde quando isso é da sua conta?
— Desde que eu me importo com seu bem estar.
— Se você se importasse com meu bem estar, não teria nascido.
Não era a primeira vez que ouvia aquilo, em todas outras tinha ficado sem palavras, mas naquela apenas deixou a tristeza inundá-lo, sem mostrar para ela. Reparou que ela não ligava mais para suas feridas, provavelmente acostumada. Afastou os pensamentos de sua cabeça e insistiu em pegar as garrafas dela, para que não bebesse mais.
— Solta! — gritou a mulher, dando um empurrão nele com as duas mãos e levantando-se para dar outro.
— Mãe, calma! — exclamou, tentando acalmá-la, mas impedindo-a de empurrá-lo mais vezes, pareceu ter aumentado sua fúria.
— Tira as suas mãos sujas de mim, seu assassino! — gritou outra vez, tentando bater nele.
— Eu não matei ele, porra!
A mulher soltou um berro de frustração e agarrou uma das garrafas da mesa, jogando-a em Adam que no último momento desviou, colocando os braços na frente do rosto. O quarto aquietou-se quando ambos perceberam o que ela fizera, ao notarem os cascos da garrafa impactando-se no chão e o líquido escorrendo pela parede. Margaret sentou na cama e colocou o rosto nas mãos, começando chorar e soluçar, com nojo de si mesma, tinha raiva do filho mesmo que soubesse que ele não tinha culpa e tinha acabado de tentar machucá-lo de verdade. E com os mesmos pensamentos, Adam não ligou, só sentou ao lado da mulher e a abraçou. Sentiu uma lágrima escorrer por seu rosto, mas impediu que as outras descessem. Sua vida desde o momento que condenara seu pai à morte, tornara-se um verdadeiro inferno, em todo começo chorava em cantos solitários da Arca e só com o tempo aprendeu que se continuasse daquele jeito afogaria-se num mar de tristeza, ficando pela eternidade ali. Compensaria o sacrifício de seu pai e seria forte, era o que repetia em sua cabeça em todos momentos difíceis. Era seu mantra.

Adam saiu do esconderijo rapidamente, colocando um dos barris do exterior como alvo para os socos que viriam. Chutou o barril para o chão num excesso de fúria, ao sentir a mão quase quebrando no último golpe e vendo-a bastante ferida. Acalmou-se segundos depois, engolindo toda raiva e frustração. Escutou as portas sendo abertas e virou-se para encontrar Caterine aproximando-se preocupada.
— O que foi? — perguntou ele, incomodado com a presença da garota. Queria ficar sozinho.
— Vim ver se você está bem — respondeu ela com um sorriso pequeno.
— Eu não preciso da sua ajuda.
Caterine apenas acenou com a cabeça e ficando ao lado dele, mesmo que ele não quisesse. Ao ver a mão ferida, agarrou-a sem a permissão dele.
— Você precisa limpar isso.
— Preciso.
— Tyler contou para todos sobre Lisa.
— Vão me expulsar do acampamento? — questionou Adam, soltando uma risada sarcástica.
— Ele não contou sobre você para ninguém — respondeu Caterine, surpreendendo-o.
— Por que não? Me lançou olhares tortos durante toda minha estadia dentro do lugar.
— Não é preciso de muito para ver quão mal você está, talvez só tenha percebido que não iria fazer diferença para você.
Adam apenas fez um careta, sentindo toda frustração e raiva voltando, junto com toda tristeza.
— Eu vi o que você fez, não é sua culpa, você pediu mil vezes, gritou na verdade, para ela se afastar. O sangue dela não está em suas mãos.
— Talvez... mas uma parte está — respondeu, triste.
Caterine apenas sentiu pena do rapaz, colocou a mão em seu ombro tentando consolá-lo de alguma forma e dirigiu-se para dentro do esconderijo novamente. Antes de entrar, virou-se para ele e disse:
— Quando você melhorar, as portas estarão abertas.


Estava deitado no chão de seu quarto, encarando o teto com os olhos mortos, quando escutou alguém batendo na porta, abrindo-a momentos depois. Não importou-se para saber quem era, tudo que queria era continuar fixo no chão, esperando que o sono chegasse e ele pudesse ter um alívio na dor contínua, nem mesmo conseguia colocar a garrafa em sua boca, faltando alguns goles para acabar. Acordou para vida ao tomar alguns chutes fracos na costela, virando o rosto para descobrir que era James em pé, ao seu lado.
— Tudo bem, cara? — perguntou o amigo.
Tyler continuou quieto, bastava uma olhada nele próprio e em seu quarto para ter a resposta daquela pergunta.
— Qual é, cara, vai continuar por quanto tempo assim?
Conseguiu forças para colocar a garrafa na boca novamente, bebendo mais um gole que o causou uma careta ao sentir o líquido descendo ardente por sua garganta. Sabia que o amigo estava ali para ajudá-lo, mas depois de perder sua mãe não tinha noção de como melhorar, tentara muitas vezes, mas todas só davam à ele a sensação de afundar-se mais ainda, como se estivesse num beco sem saída e a cada tentativa de encontrar a saída, notasse aos poucos que não existia uma.
— Você só vai melhorar quando tomar coragem e sair desse quarto — disse James, de forma direta. — Julie e Jack vieram aqui antes, assim como eu, tentamos de tudo para ajudá-lo, mas você nunca nos deixa, sempre prefere deitar naquela cama e continuar bebendo até dormir. Bem, notasse que você piorou ao ver que agora prefere o chão.
— Veio aqui para me ajudar ou para encher meu saco? — reclamou, com dor de cabeça.
— Ajudar. Sua última chance de melhorar está na praça de alimentação, escolha uma das mesas mais próximas da Grande Árvore e não pegue nada para comer.
— Por que?
— Só vá — respondeu James, afastando do quarto. Antes de fechar a porta, ele colocou a cabeça sobre a fresta e disse uma última coisa antes de sair dali: — E tome um maldito banho, Tyler.
A luta interna para levantar-se, tomar um banho e vestir-se, para então abrir a porta e voltar para o mundo exterior fora gigantesca e complicada, mas Tyler conseguira. Tudo que queria como nas outras vezes era prender-se no quarto, sozinho com seu luto, mas aquilo chamava sua atenção por algum motivo que tentava descobrir qual. Sentou numa das mesas sobre a copa da árvore, com o rosto acabado, cheio de olheiras e magro. A morte da mulher mais importante de sua vida conseguira acabar com ele de um jeito que nunca esqueceria. Sabia que nunca mais poderia surpreendê-la com algo simples em seus aniversários, vê-la sorrir e rir para ele, mostrar para ela como crescia na vida para orgulhá-la do homem que tinha criado. Mesmo de seu trabalho tinha sido demitido, porque havia faltado quase todos dias após descobrir que a mulher tivera um ataque cardíaco, grande parte de seu dinheiro era gasto com presentes para ela. Agora era ele e apenas ele.
Foi acordado de suas lembranças por uma garota sentando-se na cadeira do outro lado da mesa, era bonita e loira, mas tinha várias marcas roxas no rosto e um machucado no beiço.
— Você é o Infernus, não é? — perguntou ela, curiosa, tinha um tom desesperado na voz, notou ele. Infernus era o jeito que o chamavam durante as negociações, qualquer idiota sabia que usar o próprio nome no lado das malandragens da Arca era pura estupidez, assim como qualquer um saber quem era, chutou então que tinha sido James que revelara claramente quem ele era.
— Sim, quem é você? — respondeu, seguindo com os olhos uma figura de cabelos prateados correndo de um asiático por dentre as cadeiras, irritando as pessoas, enquanto riam.
— Meu nome é Daisy, ouvi dizer que você faz coisas por uma certa quantia de dinheiro.
Ficou em silêncio, dando um olhar para que ela continuasse. A grande maioria das pessoas que já negociou costumava passar muito tempo procurando um preço baixo e tentando enrolá-lo, mas a garota apenas colocou um envelope, bem cheio, em cima da mesa, empurrando-o para ele.
— Metade agora, metade quando o trabalho tiver terminado.
Tyler abriu e viu que tinha muito dinheiro, surpreendendo-se pela quantia, principalmente que aquilo era apenas uma metade. Muitas negociações dele resultavam numa quantia equivalente aquela metade.
— Daisy, você está me dando dinheiro que eu demoraria um mês para conseguir em negociações normais. Quer que eu mate o Chanceler? — questionou com a sobrancelha arqueada.
— Eu terminei com um namorado meu, mas ele não me deixa em paz.
Tyler, então, entendeu as marcas no rosto dela.
— Por que não procurou ajuda de guardas?
— Porque ele é um, os amigos dele me veem assim, mas não se importam. Eu já tentei pedir ajuda para meus amigos, mas nenhum deles tem coragem de ir contra um guarda. Eu já tentei afastá-lo de todos jeitos possíveis, até mesmo beijei outro cara na frente dele, mas ele invadiu meu quarto e me bateu até que eu ficasse assim — explicou ela, começando a chorar. — Eu não sei mais o que fazer, por favor, diga que você vai me ajudar.
Ela pedia algo que o botaria em vários problemas, algo muito perigoso de se fazer, pois pelo que ela descreveu, tinha certeza que teria que usar os punhos ao invés de palavras. Mas alguma coisa, não soube o que, aqueceu seu coração ao pensar que seria uma aventura e tanto, mesmo os problemas seriam interessantes de se lidar.
— Eu vou te ajudar — respondeu simplesmente.
A garota parou de chorar e riu consigo mesma, feliz. Então, explicou para ele que o guarda provavelmente iria para o quarto dela de noite e mandou que viesse numa certa hora. Quando a hora chegou, ele estava com ela ali dentro, ambos sentados na cama, esperando que ele chegasse. Daisy perguntava toda hora o que ele pretendia, mas ele preferia ficar quieto. Focou seus olhos no homem quando ele entrou, era robusto e estava usando roupas civis, notou o rosto do homem obscurecendo ao vê-lo na cama com a mulher.
— Sai daqui, Liam, eu já disse mil vezes que não sou sua — disse Daisy, furiosa.
— Cai fora daqui, cara — mandou Liam, referindo-se a Tyler.
— Você não vai mais tocar nela — respondeu com a voz serena, levantando-se da cama.
— E quem você acha que é para dizer o que eu posso ou não fazer?
Tyler aproximou-se suficiente para ficar na frente do homem.
— Alguém que pode impedi-lo.
— Eu sou uma guarda.
— Eu sou um cara que não liga para guardas.
Liam irritou-se e empurrou-o para longe dele, acertando um tapa no rosto de Daisy quando desesperada, sabendo que o homem tentaria bater em Tyler, tentou pará-lo. Quando o agressor virou o rosto para o rapaz, recebeu um forte murro em seu rosto, quebrando seu nariz na hora. Soltou um gemido de dor, mas não pode fazer muita coisa, quando caiu no chão após um fortíssimo gancho em seu queixo. Tentou levantar-se, mas Tyler colocou-se em cima dele, começando socá-lo sem parar no rosto, até que ele estivesse com todos dentes quebrados e o rosto inchado.
— Se você tocar nela de novo, seja onde você estiver, com quem você estiver, eu vou te matar, entendeu? — Tyler ameaçou com a voz estridente, um pouco de fúria era notável nela. Sabia que muito de sua frustração tinha sido descontada no rosto do homem, além de proteger a garota.
— Eu sou um guarda — respondeu Liam, com dificuldade.
— E, pela última vez, eu sou um cara que tá cagando pro que você é — acertou mais socos nele. — Vai chegar perto dela novamente? — Sua voz aumentou naquela pergunta, assim como parecia mais sério da possibilidade de matar o guarda mesmo, algo que assustou Daisy, atrás dele, silenciosa sobre aquela cena.
— Não, me solta, por favor — implorou o homem.
— Você quer um motivo além dos meus punhos para não chegar mais perto dela? As câmeras estão desligadas, eu invadi a sala durante o almoço dos funcionários e arranquei os fios dessa ala, ninguém vai saber que eu entrei nesse quarto, muito menos que entrei nessa ala. Você não tem como me incriminar e nunca terá se fizer novamente, porque eu vou atrás de você e na próxima quebro suas pernas, ou seus braços. O que eu quiser — acertou outro soco nele que o desacordou de vez, levantando-se com as mãos ensaguentadas. Foi em direção a pia e começou lavá-las, tirando todo sangue daquele maldito. A verdade era que tinha amigos que coordenavam as câmeras, mas não diria à ele sobre isso.
— O que eu faço com ele? — perguntou Daisy, nervosa.
— Não se preocupe, eu vou tirar ele daqui, não tem ninguém nesses corredores a essa hora.
Surpreendeu-se com o abraço repentino que recebeu quando virou-se para ela, após lavar as mãos, sentindo-a chorar em seu peito, mais do que na mesa.
— Obrigada, obrigada, obrigada — repetia ela, emocionada.
— Não foi nada — respondeu ele com um sorriso sincero, devolvendo o abraço.
— O resto do dinheiro está naquela gaveta.
Ele ignorou a gaveta, tirou o envelope preso em sua calça e jogou na cama dela.
— Fique com as duas metades, não precisa me pagar — disse para ela, sorrindo. Começou afastar-se para porta, mas foi impedido quando ela agarrou seu braço e o puxou para um beijo, um que durou bastante tempo, até que ela o soltou, sorrindo, e agradeceu mais uma vez:
— Obrigado por ser meu salvador hoje.
Tyler ainda chocado pelo beijo repentino apenas sorriu outra vez e afastou-se, agarrando o homem pelas pernas e começando arrastá-lo para fora do quarto. Durante o processo tinha entendido o que o fizera sair de seu quarto e ir até à mesa. Soube que tinha sido feito para aventuras e as negociações eram sua oportunidade delas na Arca.
Então, depois de muito tempo, ele sorriu, com a mente limpa e o coração leve.

— Aquele cara não disse uma palavra enquanto dava o frasco para Peter e tirava a flecha de sua perna — disse Alice, fazendo carinho nos cabelos de Peter que estava deitado em seu colo.
Era verdade, Tyler viu que mesmo dando olhares estranhos à todos eles, o homem preferira continuar mudo e quando terminou de cuidar de Peter, apenas acenou com a cabeça para eles e agarrou as coisas deixadas escoradas no corredor, dirigindo-se para as portas e sumindo na floresta. Tinha anoitecido desde que haviam chegado numa madrugada naquele lugar. Durante a tarde resolveram explorar o lugar, encontrando um quarto cheio de armas de fogo e caixas de munição.
— Eu to surpreso que não encontramos uma bola com um rosto desenhado nela — comentou Peter.
— Wilson! Wilson! Não se afogue meu querido Wilson! — exclamou Alice, fazendo todos rirem.
— Parem de zombar dele! Ele nos salvou — disse Caterine com a voz séria, interrompendo as risadas. — E além disso, o coitado deve estar com ciúmes que Wilson se apaixone por uma de nós e o abandone.
O grupo voltou a rir com aquilo, continuando com as graças por muito tempo até que aquietaram-se e o silêncio permaneceu. Por mais que contassem piadas e fizessem o outro rir, o clima triste ainda estava sobre todos eles, assim como o luto de Lisa e a preocupação sobre o destino de Jason. Peter era o mais ferido entre eles, muito de seu humor tinha morrido naqueles últimos dias, pelo estresse que não largava sua mente e a culpa de não ter ajudado Jason, principalmente de ter tido o descuido de ser acertado por uma flecha, obrigando o rapaz sacrificar-se por ele, mesmo que não pudesse fazer muita coisa. Caterine e Tyler eram os dois que lidavam do jeito mais maduro possível, eram quase como os pais do grupo, cuidando deles desde que haviam chegado na Terra. E Alice desanimara junto com Peter, passando muitas horas vendo e revendo os videos que gravou da Terra durante toda tarde,  mostrando felicidade pelas pilhas encontradas para sua câmera.
O clima sombrio só foi embora quando dormiram.


Caterine acordou muito antes do homem ao seu lado na cama. Levantou-se, sentindo uma brisa fria em sua pele nua. Colocou sua roupa rapidamente, já em pé, arrumando seu cabelo e prendendo seu sutiã. Virou-se para Pietro que dormia aos roncos na cama, remexendo-se uma vez ou outra. Era lindo, talvez o homem mais lindo que vira durante toda sua vida na Arca, a beleza dele a hipnotizava, mas isso era seu exterior, seu interior era podre, sentia-se enojada de acordar na cama ao seu lado, mas fazia aquilo pelo irmão. Pietro era o guarda que a ajudava assaltar todo mês a enfermaria, em busca de remédios para seu irmão, no inicio pareceu um ótimo amigo que fazia isso por bondade, mas quando seu irmão começou melhor e aquela rotina mostrou maravilhosa pra ele, o guarda logo convenceu-a que teriam que ter uma relação mais íntima para aquilo continuar. E ela foi obrigada aquilo, para o bem de seu irmão. Mesmo sentindo mais nojo de si mesma a cada dia que passava fazendo aquilo, não tinha outra opção.
Saiu do quarto e caminhou depressa para seu trabalho na Estação Rural, longe de onde estava, que era a Alfa. Trabalhava em dois turnos, o de manhã e o de tarde, deixando seu irmão, que já sabia se cuidar durante esse tempo, sozinho. Eram apenas os dois e precisava de muito dinheiro para sobreviver. Ao nascimento de Brandon, sua mãe foi jogada ao espaço para morrer sufocada, lembrava-se claramente de estar atrás do vidro, chorando pelo nervosismo de saber que a qualquer momento ela seria morta e do sentimento horrível de ver seu grito sufocado quando as portas se abriram e seus orgãos explodiram, enquanto sumia na escuridão sem fim.
O dia pareceu avançar lentamente, torturando-a, queria encontrar logo seu irmão e dormir em sua própria cama, sentia-se extremamente incomodada de dormir na cama de Pietro. Quase gargalhou quando o dia terminou e ela pôde fazer o que queria. Ao entrar em casa, encontrou seu irmão na cama, brincando, de costas para porta. Avançou silenciosamente, assustando-o ao gritar e começar fazer cócegas nele, que ficou se batendo e tentando afastá-la, rindo muito. Caterine parou e riu da expressão irritada dele, beijou-o na testa e mostrou o presente que tinha trago para ele.
— É seu — disse Caterine, mostrando ao garoto um boneco caro que ele desejava tanto há meses. Durante todo ano, ele o queria, mas tinha crescido de forma que sabia das limitações deles e preferia ficar quieto, ao ter que pedir algo para irmã que fosse muito caro. E Caterine amava aquilo, amava seu irmão e quão maduro ele era, tão jovem. Sorriu do jeito verdadeiro que só sorria para ele, quando o garoto pulou nela e a abraçou com força.
— Te amo, irmã — disse Brandon, dando um abraço de urso nela.
— Eu também te amo, irmãozinho — respondeu ela, fechando os olhos e sorrindo com a sensação ótima de ter o garoto em seus braços.
Dormiam juntos e naquela noite não foi diferente, jogou o cobertor sobre ambos e o observou brincando com o boneco até que caiu no sono. Ela demorou mais, sabendo que o próximo mês estava próximo e o garotinho pálido teria que receber seus remédios. Suspirou, tirando as preocupações da cabeça e o abraçou, aquecendo ambos, beijou seu cabelo e fechou os olhos.

Abriu os olhos quando ouviu vozes ao seu redor. Viu Alice e Peter em pé ao seu lado, a garota com a câmera apontada para seu rosto e o rapaz sorrindo.
— Bom dia, babona — brincou Alice.
Caterine começou chutá-los com as pernas e a dupla saiu aos pulos, rindo dela. Esfregou o rosto, bufando com a chatice dos dois. Era o quarto dia que passavam naquele esconderijo, esperando a perna de Peter melhorar para que pudessem voltar para o acampamento. Caminhou até a sala onde tinha os sofás e deparou-se com Tyler em frente ao desconhecido que voltara na noite anterior, mas continuara quieto como sempre.
— Esse mapa nos mostra o caminho até nosso acampamento, então? — perguntou Tyler, claramente não surpreso pelo homem já saber de onde vieram.
O desconhecido apenas acenou com a cabeça.
— É um desenho, como diabos vamos achar o acampamento assim?
— Sigam-me — disse o homem, surpreendendo a dupla ao falar.
O grupo todo reuniu-se fora do esconderijo, preparados para partir. Adam passara apenas a primeira noite fora do esconderijo sozinho, a partir da segunda voltou para dentro dele, sempre distante de Tyler, os dois não se davam bem. Começaram andar apenas quando o homem disparou lentamente em direção ao norte do esconderijo, carregava uma bolsa pesada e como tudo sobre ele, preferiu continuar quieto. Caterine virou o rosto ao vê-lo arrancando um tipo de centopeia de um buraco com a mão, matando-a e depois a comendo, sem nojo algum, e então continuando sua rota.
— Espero que esteja tudo bem com o acampamento — falou Peter. — Aliás, esquecemos do guarda! Será que está vivo ainda?
Caterine desviou os olhos de Peter que não perguntou especificamente à ela, por sorte, então ninguém notou sua mudança de expressão.
— Se depender de Thomas, provavelmente não — respondeu Tyler, lembrando-se como ele e Peter eram os mais bobos do acampamento.
Andaram muito até que a colina surgiu a vista deles com uma estrada que subia igual a que haviam descido. Foi ali que um por um sumiu de vista do desconhecido. Exceto um.
— Tyler — chamou o homem.
Surpreso, virou-se para o mudo, quando todos já estavam distantes, começando a subida. O homem demorou alguns minutos, pensando no que falar.
— Um conselho para você. Avise a todos para matarem-se caso sejam... pegos pelos terráqueos.
— Os homens que correram atrás de nós? O que você sabe sobre eles?
— Se alimentam de gente. De pessoas, se não entendeu.
Canibais, realizou Tyler, sentindo toda esperança que tinha sobre a sobrevivência de Jason desaparecendo.
— Eles acreditam que a carne só é boa de verdade quando o espirito dentro dela está vazio e quebrado. Antes de finalmente comerem você, depois que o capturam, te torturam mentalmente até que você enlouqueça ou esteja muito perto disso — contou sobre os inimigos, gaguejando e enrolando-se uma vez ou outra, mas conseguindo transparecer o que queria.
Tyler ficou sem palavras por alguns instantes, refletindo sobre as informações. Um lado seu estava temendo pela vida de Jason ao saber que já poderia ter sido devorado e ao mesmo tempo tinha esperanças que ele estaria vivo, mas sendo torturado.
— Como você sabe disso? — questionou Tyler.
— Porque eu já fui capturado por eles — revelou, jogando a bola em seus pés. — Seu amigo está morto, se foi o primeiro que pegaram do seu povo. Eles por algum motivo ficam ansiosos por nossa carne.
— Nosso povo? — Ele só conseguia fazer perguntas, era um baque a cada palavra que o homem dizia e a notícia que Jason já estaria morto foi a maior.
O homem apenas o encarou com o rosto inexpressivo e acenou para ele continuar seu caminho, virando-se para voltar ao esconderijo.
— Quem é você? — gritou Tyler, tentando pela última vez saber quem era o homem.
— Meu nome é Cross — gritou de volta, sem olhar para trás. Conforme caminhava para longe do grupo, notava como estava tentado a mudar sua rota e segui-los, voltar para o acampamento com eles.
— E seria uma ótima ideia. Não seria maravilhoso ter poder e respeito novamente? Agora você sabe o dobro que sabia quando chegou a Terra e eles sabem o mesmo que os cem. Você vai ser o líder deles! — exclamava Cross, num tom alegre.
Jeremy apenas continuou andando, ignorando o homem.
— Por quanto tempo você vai continuar me ignorando? — reclamou Cross.
— Por quanto tempo for necessário, você é parte da minha imaginação — respondeu Jeremy.
— Sim, eu sou. Eu sou você, sei o que você deseja e quer. Sei o que vai escolher. Então pare de tentar lutar contra mim.
Virou-se para figura com o mesmo rosto que ele, mas com as roupas e corpo da época que tinha seu próprio acampamento, pensou no que ele falava e preferiu ignorá-lo novamente, apressando os passos. Escutou Cross bufar e continuar andando em seu lado.


Peter e Thomas andavam sorrateiramente pelas plantações da Arca, avistaram um guarda pouco antes de entrarem ali e pretendiam sair de volta para casa, ao invés de irem para prisão.
— Pega, pega — murmurou Peter, apressando o amigo.
Thomas arrancou todas ervas que encontrou, jogando dentro do saco que as esperava. Quando acabaram com metade delas, viram o feixe de uma lanterna os acertar e começaram correr, sabendo que se fossem pegos seriam presos. Como sempre, Peter foi o mais rápido e atravessou o plantio velozmente, enquanto Thomas foi o mais esperto e confundiu o guarda, passando pelo corredor ao seu lado sem que notasse. Acabaram encontrando-se muitos corredores depois, suados e exaustos. Riram juntos, sabendo que fumariam aquilo até não aguentarem mais.

— O que aconteceu? Você tá bem? — perguntou Peter, preocupado, ao ver o rosto de Thomas ferido.
Conforme aproximaram-se, o grupo sentira-se observado, do mesmo jeito que sentiram quando caminhavam na noite do pântano, a diferença é que agora sabiam que não era Cross. Não bastasse aumentarem a velocidade para chegar logo no acampamento, tiveram de aumentar novamente, dessa vez por preocupação quando depararam-se com as estacas cheias de animais. Encontraram o acampamento com as pequenas construções destruídas e os adolescentes, que antes espalhavam-se pelas redondezas, em grande maioria dentro da nave, com poucos fora.
— Todd — respondeu Thomas, de forma simples, mas que fez Peter entender na hora.
Enquanto conversavam, atrás deles havia um grande aglomerado de pessoas, discutindo sobre as armas que tinham dentro da mala. Tudo começara quando Todd surgiu, exigindo as armas para todos, principalmente para ele e seus amigos, mas Tyler disse que quando fossem distribuí-las, precisariam organizar-se para que não fossem para mãos erradas, de alguma pessoa impulsiva. Então, uma grande discussão começou, no qual as pessoas que gostavam de Todd apoiavam que ele fosse o líder e os salvos por Tyler e Caterine ficassem contra. O problema é que enquanto aquilo acontecia, dezenas de terráqueos aproximavam-se lentamente. E foi num grito de susto que o segundo ataque começou.
Peter e Thomas foram empurrados para o chão quando toda confusão começou. Inúmeros adolescentes correram para dentro da nave enquanto muitos preferiram tentar lutar, as pessoas em volta de Tyler agarraram armas jogadas no ar e o mesmo foi o primeiro que disparou contra o primeiro inimigo que tentou acertar um golpe de maça em sua cabeça. O som das folhas e a brisa forte daquela tarde foi substituída por gritos, disparos e carne sendo partida. No meio daquela confusão, viu Alice atirando no estomago de um dos terráqueos, mas sendo surpreendida por trás, ao receber um golpe nas costas que a fez cair no chão, quando tentou levantar-se, foi desacorda por um chute em sua nuca, batendo seu rosto contra o chão. Peter que acompanhou tudo isso tentou levantar-se para ir ajudá-la, mas sua perna o impediu, tentou gritar para Adam que estava alguns metros dele, mas todo caos o impossibilitava de ouvi-lo, então tudo que pôde fazer era ver sua principal amiga desde que chegara na Terra ser colocada no ombro e levada para fora dali, junto a outras pessoas.
— Alice! — gritou pela última vez, frustrado.
Adam virou o rosto para Peter naquele momento, ao ouvir o grito, e depois para direção que o rapaz olhava, vendo Alice no ombro de um dos selvagens sumindo nas árvores. Ao contrário dos sobreviventes daquele ataque que ficaram em seus lugares, enquanto os homens fugiam, ele correu atrás deles, sua mente geralmente o faria achar uma estupidez sem tamanho e de fato era, mas correu mesmo assim, segurando o revólver com força. Por mais que corresse, os homens, mesmo os carregando adolescentes, eram mais rápidos que ele e isso só o frustrava. Acertou um tiro num dos últimos, matando-o, atirou novamente e acertou o vazio ao lado do seguinte, mas nenhum dos dois eram o que carregava a garota irritante com câmera, que nem ele mesmo sabia por que estava se esforçando tanto por ela. Caiu no chão de joelhos, exausto, quando sumiram na floresta, deixando-o para trás de vez.
Outra perda, pensou caindo no chão e preferindo resfolegar a tristeza deitado.


Tyler segurou-se para não espancar Todd quando o rapaz o empurrou, furioso, gritava em seu ouvido que tudo tinha sido culpa dele, que se tivesse entregado logo as armas ninguém mais teria sido morto ou levado. Então a discussão começou novamente. Thomas pensou em falar sobre a paternidade de Todd quando viu as coisas mais positivas para o lado dele, não permitiria aquele idiota virar o líder do acampamento. Mas não precisou. Uma garota gritou que ele era filho de Sebastian Ward e começou fazer sobre onde o vira, e conforme falava, as pessoas tomavam noção daquilo também, algumas lembravam, outras não. A primeira agressão foi feita pelo próprio amigo de Todd, que chutou nas pernas, fazendo-o cair no chão, então mais pessoas juntaram-se, iniciando chutes e mais chutes nele. Gritavam sobre os pais e irmãos, sobre a Arca e tudo de ruim que acontecera na vida deles, até mesmo culpavam-os pelo sumiço dos amigos e pessoas queridas na Terra. Tyler começou tentar separá-los com empurrões, mas foram obrigados a disparar para o ar, chamando atenção de todos adolescentes. Thomas recebeu um olhar rápido de Caterine para que ele tirasse Todd do meio da multidão antes que se virassem e voltassem a espancá-lo. Enquanto ouvia Tyler discursar que eles não deviam começar matar o próprio povo, bastasse os terráqueos, Thomas pisou em cima de uma pistola enquanto carregava o rapaz ferido para fora do aglomerado, sem perceber, ouvindo-o xingar as pessoas que o machucaram, completamente tonto.
— Foda-se, ele merece a morte! — gritou uma garota e muitos gritaram juntos concordando.
Foi quando escutaram o som de uma porrada e viraram-se para ver, um pouco distante de toda aglomeração, Todd com o braço esquerdo em volta do pescoço de Thomas enquanto o braço direito firmava a mão tremendo com a pistola apontada para cabeça do asiático.
— Quem se aproximar, ele morre! — gritou Todd, desesperado.
— Não se mexam! — gritou Tyler para as pessoas que ousaram movimentar-se, sabendo que pouco importavam-se com a vida do amigo. — Você não precisa fazer isso, cara — pediu Tyler, soltando sua própria arma no chão, erguendo as mãos para ele.
— Vocês me deixam ir e ele vive! — berrou, afastando-se aos poucos.
No outro lado da multidão estava Peter, ao lado de Caterine, ambos observando a cena quietos. Peter viu os olhos de seu melhor amigo chegando aos seus, notando como o rapaz estava desesperado e amedrontado. Sua própria cabeça estava tão ferrada pelo estresse, culpa e tristeza que parecia prestes a explodir. Sentia a culpa de ter deixado Jason sacrificar-se por ele e agora sabendo por Tyler que as chances do rapaz estar morto eram maiores que tudo, a tortura aumentou. Sentiu culpa e raiva de si mesmo por não poder ajudar sua amiga e saber que agora a perderia junto com Jason. Estava tão atormentado, triste e abalado que ao pensar em perder Thomas que tornara-se com o tempo, seu melhor amigo e seu irmão, mexeu com todos seus princípios. O rapaz estava com ele desde que era criança.
Viu a surpresa de Caterine quando ele agarrou a pistola de sua cintura e mirou em direção à Todd que gritava para Tyler coisas que ele não prestava atenção, enquanto os adolescentes voltavam a gritar coisas para amedrontá-lo, principalmente ameaças de que o encontrariam.
— Hey! — gritou numa voz impetuosa, chamando atenção de todo acampamento.
Todd virou o rosto para ele, mas a visão do rapaz com cabelos prateados foi a última que teve. Peter disparou sem dizer mais nada e acertou as costas do rapaz. O acampamento que estava uma confusão aquietou-se novamente, acompanhando o rapaz soltar o asiático que afastou-se rapidamente dele, acertando os joelhos no chão, antes do rosto seguir o mesmo caminho.
Caterine olhando-o com preocupação, tirou a arma das mãos tremendo de Peter que continuou estático, encarando onde Todd estava em pé.
Dentro da nave, o guarda abriu os olhos ao ouvir o tiro.


Alice correu para debaixo da cama quando sua mãe mandou que fosse, sabia que seu pai entraria a qualquer momento. Quando o homem entrou, a garotinha observou uma discussão começando, até que ele acertou um tapa no rosto de sua mãe, pegou-a pela gola e acertou mais, antes de mandá-la deitar na cama e tirar a roupa. Chorou quieta, com as mãos na boca, enquanto via e escutava a cama balançando junto dos gemidos dolorosos de sua mãe e os prazerosos de seu pai. E tudo que podia fazer era rezar para si mesma, dizendo que aquilo acabaria, uma vez atrás da outra.
Acordou quando foi jogada num tipo de piscina, emergindo desesperada para respirar. A surpresa foi quando descobriu que aquilo era na verdade sangue, uma grande poça de sangue num grande buraco quadrado, com inúmeras pessoas dentro. Alice vomitou no instante que sentiu o cheiro insuportável dentro dali, sentiu algo bater nas suas pernas e viu uma cabeça de porco decepada, podre, gritou de susto e afastou-se, acertando uma pessoa com os olhos vazios, em pé, sem se mexer, falando consigo mesma, afastou-se dela também e viu um corpo de boi sem cabeça alguns metros de distância, boiando, fazendo-a vomitar novamente. Correu pelo sangue, enquanto mais adolescentes eram jogados na poça de sangue e os já acordados gritavam por socorro, alguns enchendo a poça com seu próprio vomito e outros cagando-se. O lugar se resumia à isso, um cheiro de sangue, cadáveres, merda e vomito, algo insuportável. Quando ela alcançou uma das frestas naquelas paredes grossas feitas de estacas, tentou respirar por ali, mas não a ajudou. O desespero ficou incontrolável quando viu sombras passando pelas frestas, riam alto dos gritos dos adolescentes, risadas tão malignas que a deixavam amedrontada, finas e estridentes. Alice começou bater com as mãos nas estacas, gritando por socorro, mas sabia que ninguém viria e tudo que podia fazer, era esperar sua morte.

Gente, esse capítulo ficou muito grande, foi mal, mas também teve coisa pra caralho. Seria bom começar tendo né, mas pelo trabalho do caralho que teve nesse, espero comentários grande e gostosos, que não sejam só duas linhas. Cat

Testei muito nesse capítulo o lado emocional da minha escrita, já que dos outros teve muito do lado ação, espero que me digam se tá bom. Sobre erros, novamente não vou reler nada por preguiça, principalmente porque esse aqui tá gigante, nem que me paguem que eu leio.

De resto, o final do capítulo tem muito ar de tá resumido porque se não a parada ficaria mais gigante do que já é, mas dei meu melhor pra não capar as parada e ficar bem desenvolvido.

Boa leitura, pessoal.

RIP ???? Smile



Última edição por Luckwearer em Dom Out 02 2016, 19:20, editado 1 vez(es)




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30 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Out 02 2016, 18:45

Chris

Cacete voador, dios mío, santa Guadalajara.

Primeiramente achei muito bom os flashbacks rolarem antes de algum acontecimento ou pensamento de personagem, ficou muito bom principalmente pra ver sobre o passado de alguns e até vir algumas justificativas, tipo o Adam ser do jeito que é. Mostrou também que o Tyler era um zé bunda, fica julgando o Hunt mas sentava a porrada na galera dentro da Arca, pelo menos agora tá gente boa.

Sobre o Jeremy, interessante essa parada de dupla personalidade, acho que será maneiro ver ele tendo uns surtos bipolares em futuras situações com o grupo. Achei uma boa sacada também ele não se juntar ao grupo direto, provavelmente irá aos poucos para o bando de delinquentes.

A Catarina e o Adão, embora tiveram menos participação nesse capítulo que nos outros, renderam bons flashbacks e foram utilizados na medida certa, sem uma forçação de barra pra dar espaço pra personagem. O Tyler foi a ponte com o Jeremy, a sementinha da amizade, e graças a ele que o cara abriu a boca pra falar algo. :grin:

Por último mas não menos importante, bem pelo contrário, Alice e Peter foram os destaques do capítulo devido as surpresas que ocorreu com ambos. Nesse capítulo se iniciou um puta pontapé evolutivo para ambos os personagens, se a Alice não morrer, claro. Acho que você descreveu bem toda a angústia do garoto serelepe de cabelos prateados, não pode ajudar o Jason, a melhor amiga que fez ali foi levada e o japa tava com uma arma apontada na cabeça, boa sacada ter feito ele atirado no Todd. Vamos ver agora como será o desenrolar disso tudo porque a tinta prateada tá começando a sair.

Spoiler:

Enfim, acho que a história progrediu muito bem nesse episódio e foi muito bem escrito, fora grande. Realmente dá pra perceber uma certa pressa no final para encerrar, mas só isso, continua muito bom. E vamos ver agora se o grupo decide ir atrás da Alice ou se o Tyler vai impedir devido ao que o Jeremy/Cross/aaa falou. Peter talvez queira ir atrás mesmo assim, não sei. Espero que a Alice esteja viva, aguente firme que o resgate está a caminho, eu acho. feel




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31 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Out 02 2016, 19:28

Josh

Ótimo capítulo. Gostei principalmente da cena tensa no final, com a Alice nadando em uma piscina de sangue com pedaços de corpos e de animais. Estou curioso para saber como vai ser o confronto direto com esse povo, e se o grupo vai conseguir vencê-los sem muitas perdas.

Achei interessante os flashbacks, para comparar a vida deles antes com a de agora. Ambos, passado e presente, estão em uma situação ruim, mas uma é pior que a outra em aspectos diferentes. Na maioria dos personagens, o passado era pior emocionalmente. O presente, agora, trata-se de sobrevivência e o bem estar físico. O emocional é mais consequência, quando alguém morre ou está em perigo (a situação de Peter atirando para proteger Thomas). Ambos os aspectos tendem a ficar piores, principalmente com esse grupo de canibais que Cross avisou que eles torturam física e psicologicamente. Os personagens ficarão mais fortes, ou mais loucos, dependendo de como vão lidar com esse novo mundo obscuro. Mas é certo que vão ser bem escassos os momentos onde eles vão poder sorrir como nos primeiros episódios.

A história está sendo bem desenvolvida. Apesar de eu ficar confuso em algumas situações, tendo que reler algumas vezes para entender totalmente, acho que você está indo muito bem. Mal posso esperar para a segunda temporada, onde você vai colocar os elementos que você mais gosta na história.




 
Spoiler:

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32 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Out 02 2016, 21:27

Babi

Putaqueopariumeudeusdoceumeajudaestousempalavras.

Muito bom, Gabriel. Acho que esse capítulo foi o melhor de todos, superando até mesmo os anteriores em questão de tensão, pelo menos pra mim. Gostei muito de vc ligar o passado dos personagens dando um gancho com o presente e aprofundando cada vez mais neles. E como disse o Chris anteriormente, foi uma boa forma de desenvolver o Peter e a Alice, caso ela sobreviva (amem).

Gostei muito de ver a relação dos personagens também. Achei muito maneiro o Adam se culpando e a Catarine apoiando ele a voltar ao grupo (já shippo os 2), e curto muito as amizades já existentes e as que podem vir a existir, como por exemplo do Peter e da Alice e a possivel entre o Tyler e o Cross (mano mutcho loco).

Agora é aguardar ansiosamente pelo próximo capítulo pq eu tô com uma puta vontade de le-lo. E sem RIP dessa vez pq ainda tenho esperanças pela Alice e tô pouco me fodendo se o Todd vai descansar em paz. Prossiga com essa maravilha, Gabriel, pq não é seu aniversário mas vc está de parabéns.



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33 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Seg Out 03 2016, 00:29

Dwight



Foi um dos melhores, se não o melhor, até agora; achei válida a parada dos flashbacks porque era algo que teria que ser mostrado eventualmente, e foi bem colocada (especialmente pela transição no flashback da Caterine, boa rapaz Wink )

Em ordem, → flashback do Adam foi eu que fiz, então foda-se, mas foi bem desenvolvida a situação (que eu tão resumidamente expliquei Very Happy ). Achei maneira a relação com a mãe ser 100% fodida e ele viver na enfermaria, além da dor que ele guarda pelo pai. Cê ainda colocou uns easter eggs maneiros, da Caterine nesse e do Peter/Thomas no outro, boas sacadas também.

No presente, fiquei surpreso que a cagada da Lisa não deu em nada, apesar de poucos ainda saberem, mas a Caterine tá certa sobre não ter o que culpar. Algo que a Babi falou, de que isso seria algo pra repercutir mais no interno do que no externo, faz muito sentido nesse caso.

→  flashback do Tyler ??????????? caralho tinha que ser do Josh que loucura. O cara era um traficante/gangster espacial que acertava contas for hire que no final decide se tornar um herói, até aí tudo bem.

→ flashback da Caterine, and that is some fucked up shit. Eu já sabia da história, mas não tinha entendido qual era a opinião dela sobre o guarda, o que agora ficou esclarecido, pelo jeito ele é meio cuzão e acordando prevejo mais cagada coming. A relação com o irmão até que é fofinha, se vivo tomara que apareça no futuro, fico surpreso é de ela ainda não ter ido enlouquecidamente atrás dele.

Sobre o presente: Achei interessante o conceito sobre a tribo, como havia dito antes acho que ela foi o que de mais legal você criou/adicionou a mitologia so far. Já sobre o Cross, acredito que seja o personagem mais interessante até agora; apesar dessa parada da dupla personalidade ser algo batido ao ser tratado como revelação, enriquece bastante quando se usa apenas como conceito (Gotham usa um conflito interno parecido pra desenvolver o Nygma, e eu acho muito foda), onde tem um lado mais ativo "empurrando" o lado mais empacado à agir: se de um dos lados ele tem potencial para ser um puta de um aliado pro grupo, por outro ele pode virar um grande filha da puta/vilão também. O cara tá completamente instável e claramente tem uma necessidade de auto-provação ali.

→ flashback do Peter. Vsf. :grin:

A outra horda e toda ação foi bem descrita, bem como o sequestro da Alice e o desespero dos outros em (tentar) salvá-la. Por mais que me doa não ter levado uma surra do Adam antes, ainda bem que o Todd morreu logo, e foi realmente inesperado o Peter tê-lo matado pra salvar seu Robin. O guarda ter acordado poderia ser problema, mas acho que ele não vai ter força pra incomodar agora.

→ flashback da Alice, that's some fucked up shit, again. Perturbador porra, e tu tentou disfarçar, mas tava demorando pro primeiro sexo a força né. Razz

No presente

Absolutely disgusting, misturar merda com vômito, bicho morto e o caralho; mas acho até que não precisava ter cortado, deixando mais do desespero dela ali. É algo que ainda pode ser mostrado no próximo, porém. Quero ver como tirar ela dali, agora. Rubinho



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34 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Seg Out 03 2016, 15:54

Gulielmus

Começando pelos comentários ao The Hundred, que eu tô devendo... 

Apesar de ter sido um cap meio curtinho, que serviu mais para apresentar o Cross e já criar um gancho pro seguinte, me agradou bastante. Eu tava com uma expectativa bem grande em ver como você encaixaria todo esse background que eu criei, e não tem como eu dizer que fiquei decepcionado. Admito que tava esperando que isso seria mais explorado, talvez ser contado aos poucos pra ir criando um suspense pro resto dos leitores, mas entendo sua escolha de já ter mandado na lata. Gostei pra cacete do primeiro flashback e da forma que você usou ele pra reunir tudo o que definia essa primeira fase do personagem, contando a maioria dos fatos com uma sutileza muito foda e intercalando muito bem com o segundo, que mesmo sendo um pouco mais apressado, não falhou em narrar toda essa trajetória do cara. 

Como já fazia nos RPGs, tu contou o que eu escrevi de uma forma MUITO melhor que eu, adaptando perfeitamente o personagem que eu tentei passar na ficha. 

E agora sobre esse último cap, que para mim foi o melhor até agora...

Apesar do Hell Begins ainda ser o mais chocante, esse com certeza foi o mais completo, trazendo uma puta construção e desenvolvimento dos personagens, com uns flashbacks muito bem escritos e encaixados na narração toda. 

A fic só tá no começo, mas o contraste que tá se abrindo entre o presente e passado da galera ficou bastante perceptível. Os que mais tão evoluindo como pessoa aí são a Cat e o Tyler que, talvez por já serem os mais maduros em comparação ao resto, tão realmente assumindo esse posto de "adultos". Apesar disso, não duvido que o Adam seja o que mais cresça entre todos, principalmente por ele já ter toda essa rixa com o Tyler, que pode facilmente crescer pra um embate direto com o cara, que já tá pegando o posto de líder do grupo e se tornando alguém importante na comunidade. Não duvido que toda essa situação merda com a morte da Lisa ainda volte pra alimentar a rivalidade desses dois. 

Como o Dwight, eu também tô achando esses nativos bastante interessantes. Toda essa cultura deles é bastante sinistra, e se você continuar revelando ela aos pouquinhos, em meio a todo esse suspense, com certeza vai marcar eles como antagonistas bem marcantes. Tô doido pra teorizar em cima deles, mas preciso de mais, então continua essa porra. Clô Só quero ver como caralhos a Alice vai sair disso, porque se ela não fosse protagonista, já seria uma morte certa pra mim. A galera do acampamento mal tem ideia de como se guiar dentro da floresta, tão em menor número, mal conseguem se defender dos ataques e devem estar com uma moral baixíssima, não vejo forma de eles terem sucesso num ataque direto. Além disso, se eu não estiver enganado, o lugar para onde eles tão trazendo os capturados parece ser numa caverna, igual à aqueles Reapers da série, o que só dificulta ainda mais a tarefa de se achar o local. 

Toda essa sequência do poço foi muito foda, por sinal, achei incrível o seu auto-controle em não descrever uma cena da Natalie Dormer sendo estuprada por canibais, parabéns. E tô curioso pra ver o que vai rolar com o Peter daqui pra frente, foi uma sacada muito bem bolada em fazer ele matar o Todd, conseguiu me surpreender.



 

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35 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Seg Out 03 2016, 20:16

Babi

Antes que eu me esqueça: CADÊ A FUCKING CAMERA DA ALICE?????



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36 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Seg Out 03 2016, 20:19

Luckwearer

Tá no seu cu kkk

Spoiler:
Ela jogou pro lado no meio da ação, vai estar com o Peter no próximo capítulo. Wink





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37 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Ter Out 04 2016, 19:10

Babi

Espero que nada entre no cu de ninguém, obrigada.



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38 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Ter Out 04 2016, 22:37

Luckwearer

S01E07 - Remains

Spoiler:
Foram necessários poucos dias para que acostumasse com o inferno que o lugar enfiava em suas narinas, mas a agonia e o terror não iam embora em momento algum. Alice tinha passado apenas alguns dias dentro daquele lugar e sabia que sua mente começara andar os degraus para que se quebrasse, eram mais de sessenta horas mergulhada em sangue, com cadáveres de animais boiando ao seu redor, junto à mijo, merda e vomito, e pessoas gritando por socorro, notou ali o quão esperançoso alguém pode ser, mesmo com os dias passados, cada vez mais claro que não teriam um resgate, muitos adolescentes ainda gritavam e berravam por socorro. Isso não a irritava, no começo havia gritado tanto quanto eles, talvez mais alto, só parou quando sentou-se na beirada da cabana, deixando o sangue subir até seus seios, enquanto deitara seu queixo sobre os braços erguidos pelos joelhos, balançando de leve o corpo, murmurando repetidamente, por horas, para si mesma que mataria todos eles.
— Vou matar todos eles, eu vou matar todos eles, eu vou matar todos eles — repetia incansavelmente para si mesma, murmurando numa voz fraca, devido a garganta seca.
Os únicos momentos que vira a luz do sol foi pelas frestas do teto da cabana, assim como só bebeu água quando a chuva escorreu por elas, aumentando lentamente a poça, mas agradando sua garganta também. O problema foi que o cheiro dela e das pessoas ali pioraram, acompanhado dos cadáveres que pioraram. Fedia muito, mas não sabia se vinha de seu corpo ou daquela poça, talvez dos dois. Segurou toda vez que sentira vontade de fazer suas necessidades, mas os outros não fizeram o mesmo e chegou a ver num momento, algo boiando alguns metros dela, foi onde vomitou pela milésima vez desde que chegara ali.
No quinto dia, ela e outras pessoas foram puxadas para fora da cabana. Foi jogada na terra, levantou-se amedrontada, não sabendo o que esperar e enxergou-se cercada de muitas pessoas, algumas das quais eram crianças. Todas sorriam e a olhavam com curiosidade. Alice reparou em cada pessoa. As crianças eram sujas de terra e lama, algumas tinham pinturas no peito, os rapazes mais velhos tinham uma pintura branca descendo pelo olho, como se fosse uma garra. As mulheres eram todas pintadas de várias cores, desde branco à vermelho, amarelo e azul, algumas estavam grávidas e outras não, todas nuas, vestiam um tipo de casaco de ossos. Os homens que ela julgou serem os guerreiros tinham as pinturas semelhantes as crianças, mas no lugar da garra branca no olho, era uma vermelha, e todos tinham objetos de madeira que serviam de brinco enfiados na orelha, num buraco obviamente deformado com o tempo e feito com muita dor, alguns tinham pedaços de madeira atravessados no nariz e no queixo, poucos tinham nas bochechas. Todos possuíam os assustadores olhos amarelos.
Sua visão ficou turva ao receber uma pedrada na cabeça. As crianças começaram rir, jogando coisas nos adolescentes e homens, que pareciam terráqueos também, ajoelhados. Lançavam pedras, excremento e barro, tudo isso sem parar, e quem caísse no chão ou tentasse se proteger virava alvo da maioria, sendo acertado por todos. Alice, com sangue descendo pela cabeça, olhou para o lado e viu Edward, um rapaz bom e tímido do acampamento, chorando a cada ferimento que recebia, oposto à ela que só queria chorar e gritar para que parassem, mas escolheu continuar quieta, firme e forte. Uma pedra a acertou na barriga, outra em seus seios e uma no seu braço, sem contar que as merdas voavam em seu rosto e corpo ocasionalmente, assim como o barro.  
E foi assim que Alice lidou com tudo aquilo até que fosse jogada novamente na cabana junto ao restante.


Peter sorriu ao ver um dos vídeos gravados pela amiga em sua câmera, estava sentado sozinho, num canto do acampamento.
— Ei, Peter, segura essa — gritou ela, jogando uma pequena fruta no rapaz, que pegou com a boca e levantou os braços para o ar, gritando de vitória. — Esse é meu garoto!
Ela havia gravado mais vídeos dos dois brincando e divertindo-se na Terra, quando ainda achavam o lugar maravilhoso, outros arquivos mostravam Jason escondendo o rosto com as mãos e Caterine dando um olhar sério para garota, mal humorada como estava nos primeiros dias. Teve que segurar-se para não rir alto ao vê-la gravando Tyler colocando um animal morto ao lado do rosto de Jason dormindo, que pelo cheiro acordou e gritou de susto, pulando para fora da cela correndo. O sorriso de Peter morreu quando percebeu que aqueles dois, a idiota com a câmera e o garoto desajustado, não estavam mais entre eles, ambos mortos pela mesma tribo. Não teve o que fazer após o desaparecimento de Alice, ninguém quis arriscar-se a sair pela floresta sem saber onde procurá-la, nem correr o risco de topar com algum grupo de canibais e juntar-se à ela. Sua única opção foi sentir luto.
— Você não está quebrando a privacidade dela fazendo isso? — perguntou Tyler, com a voz bem humorada, ao brotar em seu lado sorrindo.
— Até agora não vi nenhum vídeo dela transando, então eu creio que não — respondeu, devolvendo o sorriso, mesmo que não tão verdadeiro como antes.
Tyler sentou-se ao seu lado, esfregando as mãos para aquecê-las, os últimos dias foram dias de chuva e agora o clima estava frio.
— Como você está lidando? — disse Tyler, quebrando o silêncio.
— Melhor do que esperava — respondeu Peter, sendo sincero. — Pra falar a verdade, eu me sinto bem, mas ao mesmo tempo sinto que perdi algo dentro de mim.
— Você está em choque ainda, é normal.
— Talvez, cara. Eu fico me perguntando repetidamente como as coisas chegaram à esse nível.
Tyler virou os olhos para ele.
— Todd é o culpado disso, não você — disse numa voz consoladora.
— Todd está morto. Por mim. E eu sinto que ele levou uma metade de mim junto.
Ficaram quietos por alguns instantes.
— Eu nunca matei alguém até nosso primeiro contato com os terráqueos, escapando na floresta — falou Tyler, tirando os olhos de Peter e focando nas pessoas caminhando pelo acampamento. — Sabe o pior? É que eu não sinto nada ao ter matado dois homens. Sim, eram nossos inimigos, mas eu simplesmente não sinto nada. Isso é bom ou ruim? Me pergunto desde aquele dia.
— Você não pode ter uma batalha interna como estou tendo agora, Tyler — disse Peter, encarando o vazio.
— Como assim? — questionou Tyler, virando-se para Peter.
— É tão difícil de perceber que você é quase nosso líder? Olhe aquelas muralhas sendo construídas, as pessoas calmas para a situação que estamos. Tudo isso veio de você e suas palavras.
— Eu não sou e nem quero ser um líder, apenas estou fazendo o que é necessário para que todos sobrevivam — respondeu com uma certa incerteza na voz.
Antes que o acampamento voltasse à loucura, ele tinha se aproveitado do choque que a morte de Todd trouxera para finalmente tomar a voz ali, dizendo que aquilo fora um erro, mas seria o primeiro e último a ser cometido, que se começassem se matar, poupariam o trabalho dos terráqueos e que se queriam sobreviver, precisavam agir como adultos. Então, sua primeira ordem que saiu como um pedido, foi de construírem uma muralha para protegê-los. E enquanto a dupla conversava, pegavam os cobertores que haviam encontrado na nave, esticando-os e prendendo-os entre as estacas presas no chão, pegando placas de metais dos destroços da queda e as portas caídas, tudo para formar alguma proteção, mesmo que mínima, aos ataques.
— Creio que muitos não o querem como líder também, mas é aquele velho ditado: você não é o líder que queremos, mas é o que precisamos — recitou Peter, soltando uma risada sarcástica. — O problema é que você precisa mostrar-se logo, porque a qualquer momento podemos ser atacados e o desempenho de nossos caros amigos está um lixo.
Realmente estava, os planos eram aqueles, mas apenas as estacas e os cobertores tinham sido colocados, faltando até algumas estacas para colocarem cobertores. Toda essa demora se dava ao fato dos delinquentes estarem cansados mentalmente, extremamente tristes e desanimados. Peter estava certo, se continuassem naquele ritmo estariam acabados. E foi ali que Adam enfureceu-se. O rapaz ajudava a esticar um cobertor, quando escutou muitos dos adolescentes conversando entre si, planejando fugir no próximo ataque com armas, para bem longe, alguns diziam que estavam todos acabados e que aquela muralha era uma perda de tempo. O que falou das armas recebeu um soco na garganta que o fez ajoelhar-se no chão, engasgando.
— Qual seu problema? — gritou um deles, empurrando Adam para longe com as mãos, procurando briga.
Mas o brigão não deu oportunidade daquilo.
— Meu problema são todos vocês, seus merdas! — gritou Adam para todo acampamento, furioso. — Fazem dias que estão andando como mortos-vivos, tramando fugas e repetindo para seus amiguinhos que qualquer coisa que façamos aqui será inútil. Eu digo à vocês uma coisa para repetirem à seus planejadores e amiguinhos: vão tomar no cu. Seus amigos e amados foram capturados, levados para sabe-se lá onde, provavelmente para serem comidos vivos, e tudo que fazem é tramar como fugir? Vocês preferem fugir do que se preparar para vingar seus amigos? Vocês são uns merdas medrosos, eu quero que todos se fodam, me dá nojo conviver com gente como vocês.
Adam largou o cobertor no chão e empurrou quem estivesse em sua frente para longe, enfiando-se entre as árvores e sumindo, tinha uma arma escondida na cintura e realmente esperava encontrar alguns canibais, o que mais queria é matá-los naquele momento. Sentia-se inútil, sentia raiva de si mesmo. A culpa de matar Lisa só piorara ao não conseguir salvar a irritante Alice. Importava-se com elas mais do que devia e não sabia lidar com o sentimento. Não sabia lidar com o fato de mesmo com tanto pouco tempo, sentir-se bem entre aquelas pessoas. Eram seus amigos, sua mente dizia.


Alice fez tudo que podia para aguentar o choro subindo a sua garganta alguns dias depois do primeiro encontro com o mundo exterior. Ao ser jogada lá fora, daquela vez tinha sido diferente, as crianças reuniram-se nela e começaram agarrá-la, rasgando suas roupas, até que ficasse nua. Protegeu os seios com as mãos e fez uma careta, tentando impedir que lágrimas escorressem por seu rosto e demonstrasse todo pavor, medo e angustia que sentia naquele momento. Pensou que queriam igualá-la às mulheres do acampamento, mas viu que todos outros que acompanhavam na cabana também foram despidos. Eles queriam machucá-los em todos pontos possíveis, até mesmo expondo seus corpos para o mundo.
Soltou gritos de dor sufocados ao ser acertada nas costas com varas de madeira, tomando um, dois, três, quatro, cinco, seis e sete golpes até que parassem rindo do sangue escorrendo por trás dela, pelas várias feridas. Todos seus companheiros de sofrimento choravam, imploravam e gritavam, mas ela não, mesmo que parecesse uma maluca, encarando o nada, com os olhos esbugalhados, o corpo tremendo, principalmente as pernas que a apoiavam. Isso chamou atenção daquelas pessoas, principalmente uma que destacava-se entre o restante, que aproximou-se lentamente. O homem diferente dos outros vestia-se de forma pomposa com relação ao que os outros vestiam, com um crânio em sua cabeça.
— Você, forte — disse ele, numa voz grossa e amedrontadora.
Alice não conseguiu esconder a completa surpresa ao ouvi-lo falando a mesma língua que ela.
— Wi kuwat! Wi kuwat! — berrou o homem, estendendo os braços para cima, balançando o cajado de osso que carregava, gargalhando e trazendo gritos da multidão que gritaram a mesma coisa.
Ela não atreveu-se a dizer algo sobre aquilo, aquele homem sabendo falar sua língua ou não. Escutou-lhe gritando mais coisas, sem entender, até que ele virou-se para ela, ajoelhando-se em sua frente e dizendo:
— Você... ver todos eles mortos... você morrerá depois — murmurou ele, sorrindo, colocando as mãos no rosto dela, dizendo que ela seria a última morrer e que veria todos seus companheiros morrerem antes dela. Pulou para longe dela, assustando as crianças intrigadas pelo que ele falava, fazendo-as rirem.
Então, nua, teve de andar protegendo suas partes íntimas até a cabana. Onde voltou a repetir para si mesma que mataria todos eles.


Caterine não entendeu seus próprios sentimentos ao encontrar Pietro acordado, por um lado ficou feliz que o homem estava vivo e por outro queria que ele nunca acordasse pelas péssimas lembranças que tinha ao seu lado. Evitou-o na tentativa de beijá-la e isso o deixou com uma das sobrancelhas arqueadas, quando explicou sobre o que havia acontecido a Arca, ele demorou alguns minutos para aceitar aquilo, então pediu para sair, mas ela não deixou, dizendo que seria melhor ele ficar mais um tempo na cama. Foi quando perguntou à ele sobre seu irmão que ele fugiu da resposta, querendo explicar o que havia acontecido na Arca antes e por isso a garota chamou quem confiava. Tyler ficou ao seu lado, esperando ouvir o que o homem tinha a dizer, de braços cruzados.
— Se vocês pretendem procurar os adultos, recomendo que desistam — disse ele, finalmente.
— E por que disso? — questionou Tyler.
— Se realmente toda Arca caiu na Terra, não foi por acidente.
Tyler e Caterine trocaram olhares de quem não tinha entendido nada.
— Como assim, Pietro? — questionou Caterine, dessa vez.
— O motivo de eu ter ido para estação onde fica a prisão foi porque era o único lugar seguro naquele momento. Desde os primeiros sacrifícios na Arca, o povo estava revoltado com o Conselho, até mesmo com Sebastian, o tão amado pelo povo. As pessoas revoltaram-se, os trabalhadores, então toda zona começou. Tentaram invadir o lugar onde mantinham o Conselho salvo, quando não conseguiram, foram atrás da família de cada um. Foi onde, nós guardas, fomos chamados. Tivermos a ordem de executar qualquer rebelde. Eu não faço ideia por que a Arca começou a ter problemas e muito menos de como ela parou na Terra, mas estava uma maldita guerra naquele lugar. Eu não queria morrer, nós guardas eramos como uma dúzia de pessoas contra centenas. Estávamos mortos se ousássemos atacá-los, muitos dos meus colegas seguiram seu trabalho, mas eu corri. Corri para seu irmão, sabia que você estaria preocupada com ele.
— E onde ele está? — perguntou ela, ansiosa e nervosa.
Pietro ficou em silêncio, olhou para Tyler que ao receber o olhar já tinha a resposta, então virou de volta para Caterine, engoliu em seco e disse:
— A primeira estação que soltou-se da Arca foi a que seu irmão estava — disse ele, com a voz triste.
Caterine que tinha um meio sorriso formado de esperança o perdeu na hora. Primeiramente, a garota não mostrou reação nenhuma, apenas olhou para o chão, com os olhos vazios, em choque. Pietro levantou-se e Tyler colocou a mão em seu ombro, para consolá-la, mas ela apenas afastou-se dos dois.
— Eu estou bem, não se preocupem — falou ela com a voz fraca, adentrando no quarto e empurrando com gentileza o guarda para cama, cobrindo-o com a coberta e sorrindo para ele, enquanto uma lágrima escorria por seu rosto. — Continue deitado, descanse.
— Caterine — chamou Tyler.
— Tudo bem, Tyler, obrigado pela preocupação, mas eu estou bem — respondeu ela com o rosto coberto de lágrimas. — Agora se me dão licença, eu preciso dar uma volta.
Caterine saiu do quarto, afastando-se dos dois sem nem olhar para trás.
— Eu estou bem, eu estou bem — sussurrou para si mesma, começando soluçar, enquanto as lágrimas escorriam ferozes.
Adentrou em uma cela qualquer, longe das demais ocupadas, sentou-se na cama e colocou a mão sobre a boca. Não conseguiu segurar mais, começou chorar como havia chorado no dia que perdera sua mãe, tendo que apertar a mão contra a boca para tampar os soluços que saiam alto. As lágrimas desciam e desciam, mas nunca paravam. Seu pequeno irmão que cuidara a vida inteira estava morto, nunca mais ouviria o garoto chamando-a de irmã e dizendo que a amava, nunca mais poderia chamá-lo de irmãozinho, nem abraçá-lo ou beijá-lo, fazer cócegas até que ele não aguentasse mais rir e começasse bater nela. Tinha falhado com ele e sua mãe. Soltou um grito sufocado de dor ao tirar a mão da boca e começou bater as mãos contra o rosto, sentindo tantas emoções naquele momento que sua mente estava um inferno. Enfiou o rosto no colchão e gritou com tudo que tinha. Saiu de perto dele e caiu num canto da cela, enfiando o rosto entre as pernas, enquanto ainda chorava.
Escutou alguém entrando na cela e viu Pietro.
— Eu mandei você ficar deitado! — berrou ela, com a voz chorosa.
O homem apenas aproximou-se e a puxou para um abraço, agora de pé, que aceitou sem muito esforço.
— Meu irmãozinho está morto, meu irmãozinho — gaguejou, começando chorar mais ainda ao realizar novamente o que tinha perdido.
— Tudo bem, você tem a mim, pode chorar o quanto quiser — murmurou ele em seu ouvido, apertando-a num abraço.a
O abraço durou por alguns minutos, enquanto ela chorava, até que quando diminuiu, ele interrompeu aquilo e colocou as duas mãos no rosto dela, encarando-a com um pequeno sorriso, antes de beijá-la na boca. Tudo aconteceu rápido demais, a garota não resistiu ao beijo, mas ao sentir as mãos do homem deslizando pelo seu corpo, já sabia o que ele queria.
— Fica longe de mim, porra — gritou ela, empurrando-o para longe.
— Que foi?
— Você tá maluco? — questionou furiosa, dirigindo-se para fora do quarto.
Pietro agarrou-a pelo braço, impedindo-a.
— Fica comigo — disse com a voz serena que fazia desde que relacionavam-se na Arca, escondendo as ordens que dava à ela.
Caterine apenas aproveitou-se que ele estava sem camisa para enfiar os dedos na ferida do destroço, fazendo-o gritar de dor e caírem na cama. Ficou por cima dele, começando mexê-los dentro da ferida, que o fez gritar de dor novamente e soltá-la, sem forças.
— Se você tocar em mim de novo, eu te mato, entendeu, seu doente? — ameaçou ela com os dentes cerrados.
O guarda responderia algo, mas naquela voz furiosa sentiu algo que nunca sentira antes da garota, por mais que uma ameaça sempre se resumisse como uma ameaça, a da garota mostrava-se num tom tão verdadeiro que ele refletiu seriamente se ela falava a verdade de fato.


Vou matar todos eles, vou matar todos eles, vou matar todos eles. Alice murmurava para si mesma durante todo tempo que passou pendurada num tipo de poste de madeira, por cordas. O que pareceu ser o líder da vila tinha agarrado o primeiro adolescente que estava completamente quebrado e ela, prendendo-a para vê-lo ser comido aos poucos, ter cada parte de seu corpo arrancada enquanto ainda estava vivo. Toda vez que ela desviou os olhos por um longo tempo, querendo evitar a visão, o homem fazia algo doloroso ao rapaz. Primeiro foi um mamilo, depois um olho e a última vez que ela teve coragem de desviar os olhos foi a língua. Mas nas duas últimas vezes, ela não tinha desviado os olhos por nojo ou medo, a garota aproveitara a altura que estava para olhar em volta e durante toda visão que teve, viu que a vila tinha muralhas de madeira feitas de estaca como em volta daquela nave que haviam encontrado, eram muitas casas feitas de palha e madeira, inclusive um tipo de santuário maior que as demais com portas de madeira. Não era um lugar grande. Mas a coisa que chamou completamente sua atenção foi crianças correndo para um canto da muralha, enfiando-se num tipo de buraco cavado para fugir para floresta.
Seus pensamentos foram cortados juntos com a corda que a segurava, caiu no chão num baque doloroso e viu o líder em pé em sua frente, no qual a agarrou pelos cabelos, puxando-a para ficar em pé.
— Forte — notou ele, sorrindo.
Alice cuspiu em seu rosto, fazendo os homens em volta começarem pular em volta dela, soltando maldições. O líder apenas tirou a mão dos cabelos dela e limpou o rosto, sorriu novamente, mostrando os dentes podres, acertou um fortíssimo tapa no rosto dela, que a fez cair no chão e mandou seus homens fazerem algo. Ao voltarem, jogaram Edward em sua frente.
— Um vive, um morre — falou o homem, tirando a adaga de dois homens e jogando-as para eles.
Ela apenas olhou a adaga no chão, querendo ignorá-la, mas sua mão foi rápida ao pegar a sua quando o rapaz pegou a dele. Ficaram alertas, encarando o outro.
— Não precisamos fazer isso, Ed — pediu ela, com a voz suplicante.
Os homens em volta começaram gritar e cantar, rindo, a crianças vieram correndo para observar a cena e juntaram-se. Edward só deixou lágrimas escorrerem pelo rosto.
— Precisamos — respondeu simplesmente, avançando contra ela.
Alice desviou do primeiro golpe.
— Por favor, para — pediu novamente.
Mas no segundo, recebeu um corte leve no estomago, que só fez escorrer sangue. Estavam os dois nus, afinal.
— Para com isso! — implorou ela num berro que só impulsionou o rapaz pular sobre ela, que num reflexo bom desviou dele e penetrou sua adaga nas costelas do rapaz que soltou um grito de dor, sem esperar que ele se virasse, a tirou e a penetrou na garganta dele, tirando-a rapidamente também.
Seu rosto estava pasmo ao vê-lo cair no chão com sangue espirrando do pescoço, tentando respirar, mas engasgando-se. Alice não soube o que a fez sentar sobre ele e começar uma sequência de golpes com sua adaga no peito dele que não parou por muito tempo, soltando gemidos que tornaram-se gritos e berros a cada golpe. Quando o peito do rapaz estava algo deformado e encharcado de sangue, assim como o corpo dela, deixou a adaga cair no chão e encarou suas mãos cobertas do líquido carmesim do rapaz. Ouviu os homens gritando e rindo, pulavam e dançavam ao redor dela, enquanto as crianças jogavam barro nela e algumas pedras.
Alice quebrou ali, deixando as lágrimas escorrerem sem que notasse até que começou chorar como uma criança.
— Vou matar todos eles, vou matar todos eles, vou matar todos eles — murmurou em voz alta para si mesma, chorando. — Vou matar todos vocês! Vou matar todos vocês! Vou matar todos vocês! — berrou para eles, que só riram mais alto e continuaram dançando.


Peter estava sentado no mesmo lugar que estivera durante os últimos dias, sozinho e perdido em seus pensamentos, Thomas tentara animá-lo, mas o rapaz apenas pediu para ficar sozinho. Sentiu sua cabeça prestes a explodir, queria se matar de tanta agonia. Acordou de sua própria dor ao ver pernas surgindo em sua frente, levantou o rosto e viu uma garota em sua frente, com um sorriso tímido. Era bonita, esguia e não aparentava ter muito corpo, mas ainda assim bonita e com um sorriso lindo.
— Oi — disse ela, nervosa.
— Oi — respondeu Peter.
Um silêncio constrangedor permaneceu entre eles até que o rapaz resolveu quebrá-lo.
— Nunca te vi por aqui antes, quem é você?
— Não sou muito social e como já estava acostumada com minha cela, preferi ficar a maior parte do tempo nela mesmo, principalmente depois dos ataques — respondeu ela, ainda sorrindo. — Ah! Me desculpa! Sou Lily Pate, prazer — apresentou-se, estendendo a mão, a qual Peter devolveu o gesto.
— Peter, mas pode me chamar de Pete — respondeu Peter, mesmo que ninguém realmente o chamasse de Pete como pedia.
— Quer ser meu amigo? — perguntou ela, empolgada.
Peter estranhou a garota, mas apenas acenou com a cabeça e a viu quase saltitar de felicidade, abrindo ainda mais aquele sorriso que o estava conquistando sem notar. A atenção dele foi tirada da boca dela quando começaram gritos e pessoas reunindo-se com algumas armas, no que devia ser o portão do acampamento.
— O que foi? — gritou Tyler correndo para o portão, procurando entender o que acontecia.
— Um terráqueo sozinho! — gritou um dos adolescentes.
Tyler tirou-os do caminho, encontrando ninguém menos que Jeremy um tanto quanto nervoso, distante deles.
— Cross? O que você está fazendo aqui?
— Um exército de terráqueos está vindo para cá, Tyler — respondeu ele, de forma direta.
Então, o motivo pelo qual fazia tanto tempo sem um ataque, foi entendido.

Esse capítulo foi focado mais nos personagens do que na progressão da história em si, apesar de alguns elementos que serão importantes até mesmo fora dessa temporada.

Como sempre, não reli porra nenhuma e é isso aí. Espero comentários gostosos e que não demorem um ano Clô .

Boa leitura, pessoal.





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39 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Ter Out 04 2016, 23:21

Chris

Apesar de ser um capítulo morno e somente para focar nos personagens em si, achei muito interessante, principalmente pela parte dos índio uga uga. Gostei.

Algo que me chamou bastante atenção nesse capítulo foi como mostrou que o grupo todo está quebrado, totalmente vulneráveis. Adam tá em crise por causa da Lisa, Catarine pelo irmão, Peter pelo Todd e Alice. Ainda bem que o Tyler tá raciocinando direito, por enquanto. E já puxando um gancho, acho que você descreveu muito bem a dor, aflição e angústia dos personagens.

Sobre os grounders, eu não imaginava que eles seriam tao nativos assim, bastante legal eles serem esses indígenas. Causa um conflito diferenciado contra o grupo, já que eles mal sabem se comunicar e nem agir civilizadamente. Fora os hábitos e crueldades que ele fazem, de maneira nojenta também, mas legal essa diferenciada dos grounders da série.

Sobre a Lily: Eu apostei no Adam e no Tyler para ela iniciar conversando, fui surpreendido novamente. Veremos se ela será somente uma personagem de apoio para o Peter ou se terá papel importante, mas acredito que servirá para a evolução do personagem.

Agora vamos ver o que você tem em mente nesse oitavo capítulo que como você mesmo disse, acha que será o melhor da season. Vamos ver, hein. Wink



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40 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Ter Out 04 2016, 23:37

Babi

Putz, a Alice ta na merda literalmente, pelo menos sobreviveu a mais um capitulo e espero que continue sobrevivendo, pq to torcendo pra ela matar uma caralhada desses mano. Espero também que o Tyler pare com essa viadagem de "não sou o lider e não quero ser", pq a galera do acampamento ta fodida, não da pra saber as proporções, nem se é uma tatica do Cross de ser carente de atenção, mas precisarão de alguém e já vimos que o Tyler é o menos conturbado apesar de ser um personagem do Josh Laughing . Agora to curiosa pra saber se o irmão da Catarine ta vivo e pra saber quem é essa mina que ta dando em cima do meu migo (Achei suspeita).

Enfim, acho maneiro ter capitulo assim focado nos personagens. Deu pra perceber que todos mudaram desde quando chegaram na terra. O Tyler ta tendo que assumir uma posição de liderança, o Adam ta tendo que sentir o peso de não conseguir impedir duas mortes, o Peter ta tendo que lidar com o fato de ter matado alguém, a Caterine vai ter que superar a provável morte do irmão e se impor com o cara abusado e a Alice vai ter que ser forte pra sobreviver com esses caras.

Mais uma vez elogio a sua escrita, tu manda muito bem e escreve de uma forma que lendo flui bem rápido. E também ta mandando benzão na fic que to achando muito interessante e espero que continue dessa forma, pq ta muito daora.

Ah, tenho uma reclamação a fazer que tinha esquecido: Atualiza a lista de personagens, obrigada, de nada



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41 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Sex Out 07 2016, 20:55

Josh

Achei muito maneiro todo esse clima nas cenas com a Alice. Estou gostando de ver mais sobre esse grupo selvagem. Achei que a Alice iria morrer igual o Jason, mas fico feliz por ela ser o campo de visão sobre toda a crueldade doentia que esse povo faz com quem eles conseguem pegar. Com certeza a Alice vai sobreviver, não sei se inteira, mas vai. Quero ver como vai ser o conflito quando ela tiver a oportunidade de atacá-los.

Achei interessante ver essa aproximação entre Tyler e Peter. Parecem personagens semelhantes passando por situações diferentes, mas sofrendo do mesmo sentimento. Acredito que uma amizade entre os dois seria interessante, apesar de achar que uma entre ele e o Adam seria bem mais, por causa desse conflito estranho que existe entre os dois.

Esse papo do Tyler não querer ser líder me incomodou, porque a situação deles está muito ruim e estão precisando de um líder. Não tenho certeza se o O'Neil seria o melhor para liderar um grupo de adolescentes em uma terra desconhecida com canibais em volta, mas deve ser o suficiente.

De resto, além de querer esse Piettro morto, estou curioso para saber como vai ser esse ataque dos terráqueos. Provavelmente eles são em um número absurdo, o que vai destruir muito o grupo se ficarem para lutar. Gostaria de saber se o Cross vai ajudar em algo, já que ele com certeza não querer ver mais um grupo de jovens ser morto.

Enfim, estou com expectativas para esse capítulo 8, já que você falou que este provavelmente será o melhor capítulo da temporada e que deve acontecer muita coisa.




 
Spoiler:

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42 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Sab Out 08 2016, 14:08

Dwight

> Parte da Alice: Com todo o respeito, acho que descrever momentos escrotos é a sua especialidade, não que seja uma coisa ruim, talvez pela influência de GoT você se sai muito bem nisso. Tudo de desagradável e sofrido que ela passou foi muito bem descrito, assim como a luta com o Edward, e a "desculpa" pra manter ela viva é bastante convincente.

> Parte do Pietro: Relação conturbada pra kct, o cara parece um merda, mas sabe mais do que o grupo sobre o que acontecia quando a Arca caiu. Fico um pouco disappointed se o garoto realmente estiver morto coitado, mas não é algo 100% garantido ainda assim. No final, assim como a Alice, a Caterine começa a indicar algum crescimento ao reagir, achei esse capítulo especialmente útil para as duas.

> Parte da Lily: Meio esquisito de fato, mas acho difícil de não ser o que diz ser, provavelmente só tenha uma personalidade um tanto peculiar mesmo. Talvez sirva para não deixar que o Peter caia de cabeça nesse poço de sofrimento, veremos.

Capítulo com menos Adam = Capítulo com menos qualidade. Wink

E não posso esquecer, o melhor do capítulo:
Spoiler:
Wi kuwat! Wi kuwat!



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43 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Sab Out 15 2016, 22:45

Luckwearer

S01E08 - Killer Within

Spoiler:
Chorou durante horas, deitada em sua cela, com o rosto enfiado no travesseiro da cama. Caterine estava extremamente mal e por mais que tentasse esconder isso do acampamento, sabia que eles tinham noção de como estava acabada. A perda de alguém que tanto amava estava a destruindo aos poucos. Afundou o rosto mais ainda ao escutar os sons de tiro do exterior. Tentou dormir, mas a verdade era que a agonia e o tormento eram tantos que olheiras chamativas alojaram-se sob seus olhos, devido as poucas horas de sono que tinha por dia. Pietro devia estar ensinando os adolescentes a atirar naquele exato momento, tentara falar com ela outras vezes, mas o afastara em todas, preferindo ficar sozinha. Só queria ficar sozinha, até conseguir engolir toda dor para que pudesse mostrar-se aos outros sem sinal de fraqueza.
— Caterine — escutou Tyler chamando-a, batendo de leve na porta encostada.
Limpou o rosto rapidamente e levantou-se, abrindo-a.
— Bom dia, Tyler — cumprimentou com um sorriso forçado.
— Bom dia — respondeu devolvendo o sorriso, este verdadeiro. — Vou atrás de Jeremy e pensei que você gostaria de sair do acampamento um pouco.
Pensou em negar a oferta, mas forçou-se a sair daquela cama, precisava melhorar e não se fortaleceria chorando no colchão. Apenas acenou que sim, instantes depois, então começou segui-lo. Ao chegarem no primeiro andar, viram Thomas e Lily deitados ao redor de um buraco no chão, com o piso ao lado, estavam com o rosto enfiado ali.
— Morreu aí dentro, Pete? — berrou Thomas no buraco, ecoando pelos túneis por baixo da nave.
Lily soltou uma risadinha.
Caterine sorriu, não lembrava de ter visto a garota nos primeiros dias na Terra, mas eram muitos para que visse todos e de qualquer maneira estava feliz de tê-la ali, o rapaz de cabelos prateados estava voltando a ter seu humor com a presença dela e do melhor amigo. Estava feliz por ele. Tirou os olhos do dupla e colocou as mãos em frente ao rosto, ao sentir os raios de sol surgindo dentre as nuvens recuperando-se de uma noite chuvosa. Ao ajustar-se a claridade, notou o segundo grupo de rapazes mostrando se poderiam portar uma arma ou não, as chances não eram muitas, sabiam que apenas os candidatos com certeza que poderiam resultar em bons atiradores se juntariam ao grupo para o treino, a vida de todo acampamento estaria nas mãos deles e entrar por pura curiosidade estaria colocando tudo em risco. Além destas condições, cada pessoa ganhava apenas três balas. No final, o melhor atirador do acampamento foi Peter que fora chamado por Tyler para experimentar uma arma novamente e acabara acertando um ponto vital do alvo de primeira, não que a surpreendesse, a primeira vez que o rapaz tinha colocado uma arma em mãos e atirado, mesmo distante, acertara o alvo num lugar especifico suficiente para que a morte não demorasse a chegar.
— As muralhas estão finalizadas, pelo jeito — comentou ela, observando a construção feita de inúmeras estacas de madeira emaranhadas com cobertores para tampar os buracos e pedaços de nave para assegurá-la mais, como estilhaços e portas soltas.
— Finalizamos ontem de tarde, antes da chuva chegar. O resultado não foi o que esperávamos, mas ainda nos dá uma ótima proteção — respondeu Tyler, sorrindo para algumas pessoas no caminho, principalmente às garotas que o olhavam acenando com a mão.
Caterine revirou os olhos ao ver que ele estava começando a diminuir os passos e empurrou-o para que continuassem o caminho até o portão.
— Todo mundo merece uma patinha da camelo — disse virando-se para ela com um sorriso, no qual a garota apenas respondeu com uma expressão mal humorada que virou uma risada.
— Sinto falta do Tyler sem piadas obscenas — disse Caterine.
— Meu humor tá em defeito esses dias, uma hora eu paro — respondeu Tyler rindo. — Abram o portão, precisamos sair.
O casal que cuidava do portão entreolhou-se por alguns segundos, mas obedeceram, puxando os dois para abrir uma pequena fenda que poderiam passar um de cada vez.
— Onde a senhorita pretende ir? — questionou Adam dirigindo-se à Caterine, ao surgir de repente, com uma submetralhadora presa, pela bandoleira, ao seu corpo.
— O que você quer, Adam? — perguntou Tyler de forma grosseira, sem paciência para ele naquele momento.
— Falei com a Caterine, cowboy, não com você — respondeu Adam sem sequer virar os olhos para Tyler. O apelido viera de uma brincadeira que o rapaz fizera para as mesmas garotas, sacando a arma de forma igual, o que causou risadas altíssimas de Hunt.
— Estamos saindo para ir atrás de Jeremy, ele conhece os terráqueos melhor que ninguém — respondeu Caterine, após suspirar com a desavença entre os dois.
Adam ergueu a arma em frente o rosto e, com um sorriso malicioso, disse:
— Então aqui está o protetor de vocês. Vamos?
Caterine e Tyler entreolharam-se, mas apenas viraram-se para o portão e saíram do acampamento, acompanhado de Adam.


Estava dobrando suas roupas com a ajuda de sua mãe quando seu pai chegou em casa, nem mesmo virou-se para cumprimentá-lo ou vê-lo, sabia que a mulher ao seu lado pediria que não, então a obedeceu. Começou escutar a voz do homem aumentando e parou de dobrar as roupas, ao ouvir os primeiros gritos apertou os punhos e ao escutar o tapa jogou-se contra o homem, empurrando-o para longe de sua mãe.
— Para com essa porra! — berrou Alice num berro furioso. Fazia muito tempo desde que começara ajudar sua mãe, interferindo várias vezes.
— Não, querida, não — pediu sua mãe, com o lábio sangrando.
O homem avançou para a mãe dela novamente, mas ela pulou nele, jogando-o para longe pela segunda vez.
— Se tu me tocar de novo! — ameaçou ele com os dentes cerrados.
— Vai fazer o que? — perguntou Alice, sentia medo do homem, mas obrigava-se a ser corajosa.
Seu pai avançou contra ela, empurrando-a no chão e quando a mãe num reflexo tentou pará-lo, acertou um soco no rosto dela, quase quebrando seu nariz.
— Vocês são duas vadias! — gritou furioso, agarrando o cabelo da esposa, enquanto ela pedia para que ele parasse.
Todos daquele corredor sabiam das agressões do homem, do que acontecia no quarto, mas mesmo assim, ninguém ajudava, por ele ser da guarda. Então, quase completando vinte anos, tinha como escolha apenas rebelar-se contra ele, sem esperar ajuda de outra pessoa. Levantou-se do chão e empurrou-o novamente, afastando-o de sua mãe, mas o que ela não esperava, é que recebesse um soco no rosto, levando-a de volta ao chão, atordoada. Escutou a voz de sua mãe gritando para que o homem não fizesse nada e só foi entender os berros da mulher quando sentiu as mãos do homem começando rasgar suas roupas.

Permaneceu quieta quando vários homens adentraram na cabana, agarrando cinco adolescentes, alguns que gritaram por socorro e outros que ficaram quietos, catatônicos, tirando-os dali de dentro e nunca mais colocando-os de volta. Observara pelas frestas uma grande quantidade de nativos organizando-se com espadas, clavas, maças e arcos antes de saírem da vila e tudo que Alice pôde fazer foi temer que aquele agrupamento tivesse como objetivo ir atrás de seus amigos, sabia que as armas da mala não seriam suficientes para protegerem-se. Três dias depois fazia o mesmo desde que fora jogada naquele fim de mundo: estava sentada num canto da cabana com os braços em volta das pernas, enquanto escondia seu rosto nelas. Em parte sentia-se mal pelo assassinato de Edward, lembrava-se muito bem do sentimento de perder um grande pedaço de si ao ver suas mãos mergulhadas no sangue do medroso, mas não daria aos canibais o que queriam, eles não teriam o prazer de vê-la quebrada. Lágrimas desceram, mas sua mente ainda estava focada em apenas uma coisa. A morte de todos eles.


O dia estava clarejando rapidamente, algo que agradava Jeremy, desde toda tragédia na Terra, as belezas do planeta que eram infinitas eram a única coisa que davam ao seu coração um pouco de felicidade e tranquilidade, cada vez que encontrava uma planta ou alguma paisagem nova era como se chegasse à Terra pela primeira vez novamente. Em sua mente sentiu um sorriso formar-se no rosto, mas quem estivesse observando-o veria que o rosto continuava inexpressivo, enquanto os olhos mortos encaravam a lâmina roçando de leve contra madeira. O maior passatempo em todo seu tempo na floresta além de caçar e sobreviver, era artesanato, no começo fizera coisas horríveis, mas com o tempo aprendera a como criar coisas decentes e seu esconderijo era cheio delas. Ali, escorado numa árvore, distante do acampamento dos delinquentes, esculpia a estação que pôde ver por alguns instantes ao ir avisá-los do perigo, mas não passara muito tempo lá, impossibilitando-o de ter uma lembrança clara de como era. Ergueu os olhos dali ao escutar três pessoas aproximando-se de forma completamente barulhenta, mas como viam por trás, não pôde vê-los, então só voltou a olhar pro que fazia.
— Poderíamos ser terráqueos — comentou Caterine, notando a calma do homem.
— Terráqueos não fariam tanto barulho quanto vocês — respondeu de forma rude, sem paciência para eles. Ao seu lado, Cross falou algo sobre tratar melhor as pessoas.
Adam mostrou uma surpresa irônica com a arrogância do selvagem, soltando uma risada e saindo de perto do resto, olhando em volta.
— Estamos aqui para pedir sua ajuda — disse Tyler —, você conhece aqueles homens melhor que qualquer um de nós.
Jeremy preferiu continuar esculpindo do que responder.
— Não nos ignore, você sabe que a qualquer momento o exército chegará e aí será tarde demais.
O homem se levantou e se distanciou um pouco para que não precisasse encará-los.
— Eles virão com cerca de duzentos e mais pouco de homens, o exército deles já foi maior, mas devido o ataque de outros clãs acabou que o número nunca pôde crescer após perderam uma grande quantidade conosco — explicou Jeremy, pausando em alguns momentos e gaguejando em outros, mas conseguindo passar o que precisava de forma clara.
— Conosco? — questionou Caterine com uma sobrancelha levantada.
Jeremy encarou a poça de água na lama por um certo tempo, refletindo se revelaria à eles sobre os cem e tudo que aconteceu. Esbugalhou os olhos ao ver Cross no que devia ser seu reflexo na água, esfregou seu rosto com a mão e a ilusão havia sumido, estava enlouquecendo mais a cada dia que passava. Ergueu-se, respondendo-a num impulso que não entendeu de onde veio:
— Eu era da Arca também.
Adam que estava vigiando as redondezas virou-se com a mesma expressão de surpresa dos outros dois jovens.
— O Conselho enviou cem presos para Terra com objetivo de descobrir se havia alguma jeito de viver nela — explicou antes que perguntassem, mostrando o bracelete.
Agarrou sua escultura do chão e preparou-se para afastar-se dali, mas foi impedido quando Adam entrou em seu caminho.
— Onde você pensa que vai, Tarzan?
— Adam, para! — repreendeu Caterine, irritada com o desejo crescente do rapaz de colocar apelidos.
— Tudo que eu sei, já disse — disse Jeremy, preparando-se para voltar a sua trilha de distanciamento deles.
— Eu sei que você não confia em nenhum de nós e nem deveria, todos somos criminosos e adolescentes estúpidos, mas precisamos de seu conhecimento sobre os terráqueos. Precisamos saber como funciona o ataque deles, o que usam e tudo mais — exclamou Tyler chamando a atenção do homem definitivamente. — O que você nos recomenda fazer?
Jeremy não pôde conter a sensação nostálgica e estranha de escutar aquelas palavras novamente, a última vez que as ouvira foi quando Brenda as disse com tensão, quando todos confiavam nele e o respeitavam por sua adaptação rápida à Terra. Agora, o procuravam por sua sabedoria da Terra e seus perigos. Cross que estava ao seu lado e silencioso até então, apenas virou-se para ele com uma expressão curiosa.
— Ele está pedindo seus conselhos, volte com ele para o acampamento e você poderá conquistar todo respeito que perdemos quando os salvarmos do ataque — disse Cross. — E não me venha dizer que é impossível, porque dia após dia desde que perdemos todos nossos amigos, você reflete e reflete sobre planos que poderiam ter os salvado, mesmo naquele situação.
E era verdade, ele tinha um mar de ideias em mente, coisas que ele planejou durante as caminhadas pela floresta e, principalmente, durante a criação das covas para os adolescentes. Jeremy suspirou, então perguntou:
— O que vocês tem em mente até agora?
— Peter está nos túneis da estação, procurando combustível para usarmos como explosivo.
Adam pareceu surpreso com aquilo, não tinha noção dos planos de Tyler.
— O combustível da estação é hidrazina — explicou Tyler olhando para Hunt. — Estamos fazendo granadas e temos alguns planos para o combustível. Só precisamos saber o que enfrentaremos e adaptar nosso plano à isso.
Jeremy encarou-o por alguns segundos, sem notar que não desviou os olhos. Por fim, acenou com a cabeça positivamente, sinalizando que os ajudaria.


Peter gritou ao surgir da escuridão do túnel que enfiara-se atrás de combustível, assustando aos dois amigos que pularam para longe de susto. Gargalhou vendo Lily com a mão no peito e Thomas aborrecido. Estava sujo de poeira e graxa, porém os óculos de natação protegeram seus olhos de qualquer coisa entrasse neles.
— Isso que dá ficarem enchendo meu saco, eu demorei porque tava fazendo uma coisa importante! — exclamou, saindo do buraco com um frasco cheio de combustível. — Sabem o nome desse conteúdo no frasco?
— Hidrazina, o Tyler repetiu umas mil vezes — respondeu Thomas.
— Não, isso se chama "o combustível que o Peter achou e por isso vocês estão devendo a vida à ele" — respondeu com um sorriso, esticando um dos braços com o polegar levantado, piscando para os amigos.
— Nosso herói — brincou Lily soltando uma risadinha.
Peter fez uma expressão sacana e mordeu o lábio, dando uma piscadela à garota exclusiva. Os dois ficaram encarando-se enquanto Thomas balançou a cabeça para cima e para baixo fazendo beicinho, ao ver que estava de vela ali.
— Peter, conseguiu o combustível? — gritou Tyler adentrando na nave.
— Nenhum de nós é surdo, cowboy — reclamou Adam ao seu lado.
O trio surpreendeu-se ao ver Jeremy entre eles, claramente nervoso ao ser olhado por todo acampamento enquanto dirigia-se para dentro da estação.
— Aqui, senhor — respondeu Peter prestando continência.
Tyler soltou uma risada e passou direto por eles, dando alguns tapinhas no ombro dele.
— Dispensado, soldado — brincou também, indo em direção à uma das celas.
— Dispensado é o cacete, quero saber o que vocês pretendem — disse Peter, curioso, juntando-se ao grupo que ia em direção à cela.
Ao chegaram na cela, Tyler tirou uma canetinha encontrada na nave dos cem e começou rabiscar o cobertor branco, fazendo o mapa do acampamento e da região em volta.
— Eles irão focar no portão, serão poucos que tentarão vir pela lateral — disse Jeremy.
— Então focaremos nossos atiradores nos portões... o problema é que precisamos de proteção contra os arqueiros — disse Tyler, roendo a unha do polegar enquanto pensava.
— Eles não usam arqueiros.
— Como assim? Arqueiros são uma das partes mais essenciais de um ataque.
— De um ataque buscando assassinar os alvos, não capturá-los — respondeu Jeremy.
— Então, o que você nos aconselha?
— Eles atacarão em dois grupos, um grande e um menor, o primeiro para adentrar e destruir as muralhas, além de matar alguns dos nossos se for preciso, o segundo para finalizar.
— Nosso objetivo é destruir o primeiro grupo antes de adentrarem? — questionou Thomas.
— Se possível, se não, vocês precisarão estar preparados para o segundo grupo — falou Jeremy.
— Podemos focar a grande maioria das nossas armas no primeiro grupo com o auxílio das granadas, que terão o combustível que aumentará a explosão, acredito que será suficiente — salientou Tyler para todo grupo.
— E o plano reserva? — questionou Peter.
— Tudo isso será suficiente — respondeu Jeremy, surpreendendo-os.
— Me parece simples demais pra ser o suficiente, vocês não pensaram nisso? — questionou Adam, referindo-se aos cem.
— Não.


Alice sentiu lágrimas escorrerem dos olhos ao sentir suas roupas rasgadas e o homem preparando-se para arrancar seu sutiã, durante esses minutos tentou bater nele, mas era forte demais para ela, então  suas mãos começaram moverem-se desesperadamente até que acertaram a arma de choque que carregava na cintura, no qual antes dele poder deixá-la nua, eletrocutou-o, fazendo-o cair para o lado enquanto ela ergueu-se e distanciou-se. Sua mãe veio em sua direção, colocar os mãos em seu rosto inexpressivo e perguntar se estava tudo bem com ela, mas seus olhos apenas guiaram-se para um dos cantos do quarto, desfocando-se do pai agonizando no chão.
Quando alcançaram a porta da cabana abrindo-se, rastejou-se para longe, vendo dois homens agarrando um terráqueo e um adolescente, observou-os tirando-os da cabana igual aos outros cinco, mas ao fecharem a porta e a deixarem tranquila de olhar pelas frestas, notou que ao contrário dos outros que juntaram-se ao exército, aqueles iam para o santuário, onde toda vila parecia se reunir, adentrando-a, enquanto o dia começava entardecer. Meia hora depois, Alice tampo os ouvidos ao escutar as cantorias e risadas, misturadas com os gritos altíssimos das duas pessoas sendo devoradas vivas.
— Vou matar todos eles, vou matar todos eles, vou matar todos eles — repetia em voz alta para si mesma, tentando esconder os sons.
Quando os homens vieram novamente, agarrando mais pessoas, ela notou que parecia haver um ritual naquele santuário. Alice também notou que eles provavelmente voltariam para pegar mais gente, os mesmos homens, a mesma quantia e com apenas as espadas em mãos para asseguraram-se que ninguém tentaria nada.


Tyler caminhou pelo acampamento conversando com as pessoas, tentando tranquilizá-las de uma vitória e um futuro próspero, se fossem completamente dominadas pelo medo durante a batalha, aquilo não terminaria bem. Com o tempo, tomou o posto de líder sem notar, talvez fosse algo natural dele, cuidar de quem gostava. Quando falou com as garotas, a mais nervosa recebeu um beijo dele e uma piscadela, que a deixou vermelha, enquanto as outras riam e algumas sentiam inveja. Realmente, romance era a última coisa que ele pretendia enfiar em sua vida naqueles dias, mas qualquer um precisava de algum agrado, uma hora. Sua atenção foi em direção aos gêmeos, eram dois irmãos de doze anos, os mais jovens do acampamento, ambos presos desde pequenos, ao serem pegos roubando comida. Não tinham mãe, não tinham ninguém, quem poderia culpá-los? Era o que se passava na cabeça de Tyler e que aumentava sua raiva para com o Conselho que deveria ter pensado o mesmo antes de prendê-los.
— Tudo bem aqui, pessoal? — perguntou Tyler.
— Quero minha irmã — chorou o mais novo. Uma das adolescentes fora generosa suficiente para tomar conta dos dois desde a chegada na Terra, mas fora uma das coitadas levadas pelos terráqueos.
Tyler pensou no que dizer, recebendo um olhar desesperado do mais velho.
— Sabe algo que planejamos e sabemos, que ninguém sabe? — questionou às crianças que acenaram negativamente com a cabeça. — Sabemos que eles demoram meses para fazer algo de mal a quem capturam. A irmã de vocês está viva e quando vencermos eles, iremos atrás dela e salvaremos todos nossos amigos.
— Promete?
Ficou receoso por alguns segundos, mas resolveu continuar com a mentira:
— Prometo — respondeu sorrindo, bagunçando o cabelo do mais novo que pareceu aliviado, até o mais velho aparentou acreditar. — Aqui para vocês — disse entregando duas adagas, uma dele e outra que tinha agarrado de um idiota que estava tentando usá-la num amigo. Quando os rapazes pegaram, uma para cada, observaram-as com fascinação. — Sempre que estiverem com elas em mão, pensem o seguinte: elas serão suas guardiãs, nunca temam ninguém, entenderam? Vocês são invencíveis com elas.
As crianças apenas acenaram que sim, sorrindo, então pularam em Tyler, abraçando-o, que surpreendeu-se com aquele ato repentino. Abraçou-os de volta, esfregando o cabelo de ambos e empurrando-os de leve para o centro do acampamento.
— Contarei para todos nosso plano, então fiquem na primeira fila para terem uma visão privilegiada.
Quando todo acampamento reuniu-se, Tyler colocou-se em frente à todos, sozinho, gostaria que Jeremy estivesse ao seu lado, pois o mesmo tinha os ajudado bastante, mas o homem não queria enfrentar uma multidão e preferira ficar numa das celas.
— Os inimigos atacarão em dois grupos, o primeiro com objetivo de acabar com nossas muralhas e o segundo para acabar com o trabalho. Eles virão para nos desmaiar com as mesmas armas, só que em maior número, mas de qualquer maneira, considerem que serão mortos, porque se perdemos, teremos algo pior que uma espada atravessada no peito — discursou Tyler, vendo que as últimas palavras amedrontaram alguns. — Mas não se preocupem — voltou a falar, sorrindo de forma verdadeira — temos granadas feitas com pólvora e hidrazina, a explosão será devastadora, usem-as apenas em aglomerados, os matarão de uma só vez. Mas para isso, para o primeiro grupo, precisaremos de muitos atiradores. Quem vai se voluntariar?
Um silêncio permaneceu entre os adolescentes, algo que deixou Tyler nervoso. Esperou por mais tempo e como antes, ninguém aparentou mover um pé. Foi quando dentre a multidão surgiu Adam, caminhando em direção a Tyler.
— Pode contar comigo, cowboy — salientou, posicionando-se alguns metros ao lado dele, mas atrás.
Tyler virou-se para o restante do grupo e viu algumas pessoas conversando entre si, suspirou ao ver uma por uma saindo do grande grupo e juntado-se à Adam, após pegar uma arma no chão, notou principalmente o grupo que Hunt brigara, tomando coragem e acenando com a cabeça para o rapaz, colocando-se ao seu lado.
— Talvez sobrem algumas duzias de terráqueos quando a munição e as granadas acabarem, mas serão pouco para nossa quantidade, estarei em frente à vocês com um machado, mataremos todos eles — finalizou acenando com a cabeça para todos eles, virando-se para apertar a mão de cada um dos voluntários, agradecendo-os, menos Adam que ao ver que Tyler não apertaria a sua, deu o dedo do meio, no qual o rapaz respondeu com o mesmo gesto.
O acampamento teve toda atenção chamada quando tambores alastraram-se pela floresta, revelando a chegada do exército. As pessoas engoliram em seco e ficaram nervosa, mas todos reuniram-se na entrada do acampamento, após abrirem o portão. Tiveram de cortar muitas árvores para fazer a muralha, aproveitaram para tirá-las também para diminuir possíveis proteções dos terráqueos, algo que naquele momento deu à eles a oportunidade de ver um  grupo prendendo cinco adolescentes numa árvore. Tyler teve que pular na frente do gêmeo mais novo para impedi-lo de correr até a garota que considerava como irmã, ao vê-la sendo amarrada na árvore, o mais velho ficou ao seu lado, enquanto o novo tentava sair do agarro de Tyler que apenas encarou os adolescentes sendo amarrados nas árvores.
Um dos terráqueos, diferente do restante e mais pomposo, olhou para todos eles com uma feição demoníaca, sorrindo como uma besta.
— Vocês terão morte, igual eles! — gritou, revelando saber a língua deles também, algo que chocou todos. — Kuru oh, nate oh!
Alguns adolescentes estavam catônicos, outros já gritavam por socorro, esperando que seus amigos e amados os ajudassem, algo que queriam, mas não eram idiotas, seguravam-se com tudo que podiam, choravam e fechavam os olhos, mas tinham que aguentar vê-los naquela situação, cobertos de sangue e fezes, nus. Mas, não importasse quem estava calado ou gritando, quando os nativos atearam fogo nas árvores, queimando-os vivos, todos berraram e bateram as cabeças contra o tronco, remexendo o corpo como se pudessem escapar da pele sendo engolida pelas chamas rapidamente, enquanto a carne começava ser consumida por elas também. A namorada de um dos adolescentes caiu no chão chorando muito, Tyler enfiou o rosto do mais novo no peito enquanto o velho encarou tudo aquilo sem desviar os olhos, o melhor amigo de um dos mais jovens desmaiou e os outros dois causaram o mesmo efeito nos amigos. Peter e Adam entreolharam-se, felizes que Alice não estava entre aquelas pessoas, mas também tristes ao estarem cientes que aquilo significava sua morte. Caterine olhou com pudor e pena, fechando o rosto com tamanha crueldade. Jeremy estava na entrada da nave, observando toda gritaria de longe, tendo noção que sofriam pela crueldade dos terráqueos. Tyler apenas encarou as vítimas deixando de gritar conforme as chamas engoliram-nas por completo, ouvindo o gêmeo em seu peito chorar alto e não parar.
— Vamos nos vingar? — perguntou o mais velho, olhando para ele.
Tyler não trocou o olhar, só fixou os olhos nos nativos pulando e rindo, ao voltarem pro acampamento, adorando o sofrimento alheio.
— Vamos.


Escutou sua mãe perguntar repetidamente o que ela estava fazendo e se estava bem, mas Alice apenas ignorou, atravessou o quarto e agarrou uma das facas de cozinha de sua mãe que não entendeu primeiramente, mas ao colocar-se ao lado do pai e encará-lo recuperando-se, olhando-a com feição de quem a faria sofrer por aquilo e ainda pior com sua mãe, apenas sentou-se em cima da barriga dele que tentou levantar os braços para tirá-la de cima dele, mas já era tarde demais, a primeira facada penetrou fundo no peito do homem, a segunda veio num lugar próximo, a terceira expeliu um jato de sangue da boca dele e as próximas fugiram da mente dela, apenas acertava-o sem parar, enquanto sua mãe gritava de horror, sem saber o que fazer. Quando Alice parou e notou o que fizera, soltou a faca das mãos e olhou-as, cobertas de sangue do cadáver de seu pai, engoliu em seco e levantou-se, virando os olhos para mãe que estava em pé, paralisada. A garota sorriu tristemente com o rosto coberto de sangue, aproximando-se da mulher e a abraçando.
— Eu te amo, mãe, espero que sua vida melhore — falou à ela, sentindo as lágrimas escorrendo pelo rosto. Quando a soltou, viu a mulher caindo no chão, desacordada.
Ali, Alice deitou, ao lado da mulher, alisando seus cabelos, enquanto chorava como uma criança, até que a porta do quarto fosse aberta por guardas e ela fosse levada para prisão. No final, a vida de sua mãe não melhorou e a mulher escolheu se sacrificar para que a Arca continuasse viva, mas não por motivos nobres, sim por encontrar uma chance de acabar com seu próprio sofrimento.

A teoria de Alice confirmou-se quando outras duas pessoas após aquelas foram pegas. Sabia que anoitecendo, mais duas seriam pegas. Esperou-os pacientemente, então quando viu pelas frestas eles se aproximando, apertou o osso que tinha arrancado de um dos cadáveres dos animais, ajoelhou-se o mais próximo que pôde da porta, fingindo estar catatônica e sorriu internamente ao vê-los adentrarem sem suspeita alguma. Quando um deles a pegou pelo cabelo, Alice apenas ergueu-se da poça de sangue, tirando a mão com o osso escondida no líquido e enfiando o que usava como arma na garganta do homem, que engasgou-se com o próprio sangue. Tirou a espada de suas mãos e viu o  segundo furioso, aproximando-se dela. Alice agarrou uma das fezes boiando na água e jogou no rosto dele ao aproximar-se suficiente para ela não errar, fazendo-o distrair por alguns segundos ao levantar as mãos de reflexo para limpar o rosto, no qual ela aproveitou-se para abrir-lhe o estomago, deixando suas tripas escorrerem e mergulharem no sangue. Observou friamente os corpos boiando ao seu redor e virou-se para as outras pessoas na cabana, que já estavam quebradas e não mostraram reação nenhuma ao feito dela.
Como piedade, Alice aproveitou-se de toda vila enfiada no santuário, para cortar a garganta deles um por um.


Adam estava na muralha com o resto dos rapazes, olhando o lugar uma vez pela mira da arma e outra por seus próprios olhos, o ataque começaria a qualquer momento e agradecia a ideia de espalharem tochas em alturas elevadas nas árvores, para iluminar o lugar mais do que o preciso. Seus comentários maliciosos estavam de volta há dias, mas sua cabeça ainda era atormentada por Lisa e Alice, a culpa e a incompetência. Por mais que achasse que não tinha culpa de nada, que tinha feito tudo que podia, ao mesmo tempo sentia um ódio de si. E perguntava-se por que, mas nunca tinha uma resposta, apenas que importava-se mais do que esperava com aquelas pessoas. Seus pensamentos foram interrompidos quando o rapaz que socara dias atrás posicionou-se ao seu lado.
— E aí — cumprimentou. Tinha uma das granadas presas na cintura.
— Pensei que você ia roubar armas e vazar daqui — respondeu Adam, de forma mal humorada.
O rapaz ficou quieto, acenando com a cabeça que tinha entendido o recado. Momentos depois, ele voltou a falar:
— Eu pretendia, mas você está certo, precisamos nos vingar e ganhar essa batalha — respondeu o rapaz.
— Diga isso à todos eles — falou Adam apontando para o restante dos atiradores espalhados na muralha, todos estavam amedrontados e tremendo.
Dentro da nave, onde estavam a grande maioria dos desarmados e alguns portando armas, a situação estava a mesma, durante todos dias uma coragem surgira, mesmo durante a explicação do plano, mas depois dos assassinatos e a realização que o ataque ocorreria em qualquer minuto, as pessoas mergulharam num profundo mar de medo. Tyler observou isso nervoso, enfiando o rosto para fora da cortina que servia de porta para nave uma vez ou outra para ver a situação ali fora, voltando-se para dentro e vendo o nervosismo ali também. Não demorou para que as pessoas voltassem a teorizar o que aconteceria e toda energia negativa também retornasse, piorando a situação. Caterine estava sentada num dos cantos, escutando as pessoas murmurando e amedrontando as outras, pensava como sempre em seu irmão, mas tudo em volta estava a tirando a concentração.
Lá fora, Adam começou notar os movimentos nas árvores e soube que o ataque começaria logo, preparou-se ao resfolegar para a batalha e notou o rapaz ao seu lado com a mão tremendo, algo que acabaria com a mira. Olhou para todos na muralha com o mesmo tipo de medo e notou que ele também estava, sua mão também tremia e temia pelo pior, mas não podia continuar com aquilo, precisavam lutar com tudo que tinham, lutar contra a possibilidade do pior.
— Medo não vai ajudar nenhum de nós! — berrou Caterine levantando-se do chão e enfiando-se no meio da multidão.
— Medo é necessário, é o que nos impede de pular essa muralha e correr para o acampamento deles, mas precisamos controlá-lo, precisamos domá-lo! — gritou Adam para todos companheiros.
— Eu não vou morrer hoje amedrontada, eu vou lutar até meu último segundo de vida, até minha última gota de força. Sou magra e sou pequena, posso não ser muito forte, muitos ou talvez todos vocês sejam melhores, mas ainda assim eu continuarei firme — continuou Caterine, com a atenção de todos nela.
— Se fraquejarmos hoje, morreremos. Se fraquejarmos hoje, não vingaremos nossos amigos. É isso que querem? — berrou Adam para todos soldados que gritaram que não.
— Eu tenho um irmão mais novo que estava em outra estação e o homem que ensinou vocês a atirar disse que é provável que ele esteja morto. Mas eu tenho esperança, eu tenho esperança de reencontrá-lo, que ele não está morto. Tenho certeza que todos vocês tem amigos e familiares na Arca também!
— Vocês querem ser lembrados como covardes que perderam a batalha sem lutar e fadaram todos amigos à morte? — voltou a gritar Adam, recebendo outro não.
— Tenham esperança também, porque nós conseguiremos! — gritou Caterine, finalizando o que tinha para dizer.
— Então, vamos foder esses filhos da puta! — berrou Adam, recebendo gritos de apoio, incentivados.
Os primeiros inimigos vieram em grandes números, cerca de dúzias lado a lado, indo em direção ao portão em linha reta. Os adolescentes atiraram e mataram todos, facilmente. O segundo grupo foi o mesmo, mas com vários outros vindo pelas laterais. Novamente os adolescentes conseguiram cuidar deles. Os próximos minutos continuaram assim, algo que os tranquilizou, os terráqueos pareciam um bando de imbecis. Foi quando tudo começou a mudar, o grupo seguinte inicialmente fez o mesmo, mas quando prepararam-se para atirar, dividiram-se um para cada lado, deixando de seguir em linha reta. Muitos delinquentes achando que poderiam continuar com o mesmo desempenho começaram atirar, mas conforme mais atiravam, mais munição ia embora e menos acertavam. O momento que conseguiram aproximar-se das muralhas durante o recarregamento das armas foi que Adam lembrou que já haviam enfrentado aquilo anteriormente, haviam enfrentado os cem. Eles tinham um plano também, reparou Adam amaldiçoando a estupidez deles. Alguns rapazes começaram jogar as granadas que ao pegar no chão, explodiram como uma bomba nuclear, o problema é que estavam usando em desespero e ao invés de matarem grupo, estavam exterminando um ou dois. Hunt assustou-se quando uma flecha acertou um outro rapaz no seu lado, espirrando sangue em seu rosto, então tiveram uma infeliz surpresa ao verem uma saraivada de flechas indo em direção à eles. Por causa do terreno, as muralhas de dentro do acampamento eram menores enquanto no exterior eram maiores, então Adam apenas agarrou o rapaz que havia socado pela roupa e os empurrou para baixo, vendo as flechas voarem sobre eles e acertarem o chão, enquanto outros adolescentes nas muralhas eram acertados e outros não.
— Seu filho da puta, você disse que não tinham arqueiros! — exclamou Tyler, agarrando Jeremy pelo colarinho.
— Não tinham, juro — respondeu Jeremy.
Era mentira, tinham de fato, mas seu plano só iria conforme o planejado se o primeiro grupo invadisse as muralhas e matasse alguns dos adolescentes.
Adam correu pra longe do portão quando o mesmo foi derrubado, caindo para dentro, virou-se para ver os inimigos adentrando e surpreendeu-se ao ver que o idiota do rapaz tinha continuado ali, paralisado, agora preso no portão. Correu para ele, tentando tirá-lo dali e salvá-lo, mas os terráqueos já estavam ali. Não perderia outro companheiro. Atirou no primeiro que apareceu, atirou no segundo e atirou no terceiro, então logo grandes números vieram. Tinham outros adolescentes ao seu lado atirando também, ajudando-o, jogando granadas que voavam pelo que devia ser o portão e explodindo que aproximava-se, mas ele continuava parado em frente ao rapaz debaixo do portão, até o momento que teve outra oportunidade de puxá-lo. Faltando pouco para tirá-lo, levantou os olhos e deparou-se com uma grande quantidade de homens no portão. Sentiu um dos companheiros agarrando-o pelo ombro e gritando que precisavam afastar-se, mas seus olhos só viam o rosto desesperado do jovem rapaz e os inimigos subindo pela porta, adentrando levemente no acampamento. Só puxou o gatilho e atirou, atirou até que a munição acabasse e tivesse de carregar rapidamente, metralhava todos que aproximavam-se do rapaz. Acordou da chacina que estava fazendo quando seus apertos no gatilho resultavam apenas em sons. A arma estava descarregada.
Tyler observou o que acontecia lá fora com uma expressão um tanto aterrorizada, o portão estava caído e os inimigos adentravam, a derrota estava mais próxima que o esperado. As pessoas em volta começaram desesperar-se e nem Caterine conseguiu acalmá-los. Tirou os olhos do exterior e voltou-os para dentro, topando com os de Peter que o encarava. Apenas acenou com a cabeça e virou-se para todo grupo desesperado. Respirou fundo, se era pra ser o líder, que fosse.
— Pessoal — chamou-os, mas ninguém deu atenção. — Pessoal — chamou novamente, mas ninguém deu atenção, a confusão estava tão alta que parecia esconder os tiros do exterior. — Pessoal! — berrou alto, chamando a atenção finalmente para ele. — Não podemos ficar amedrontados.
— E você espera que façamos o que? O portão caiu! Estão invadindo! — gritou uma garota.
— Estamos mortos, caralho! — berrou um garoto, colocando as mãos na cabeça.
Todo caos aumentou e Tyler olhou novamente lá para fora, notando como tudo estava piorando. Acertou o punho na parede de nave e encostou a testa nela, estressado, com seus ouvidos aguentando todo desespero das pessoas. Foi quando tudo que tinha passado surgiu em sua cabeça e ele virou-se para todas pessoas ali.
— Vocês estão certos em ter medo, mais do que certos, eu também estou, mas sabem o curioso? Esse medo a cada segundo que passa e um dos meus amigos morrem lá fora, sacrificando-se por nós, só vira ódio e fúria! — gritou para todos que estavam ouvindo-o agora. — Aqueles malditos mataram dois dos meus amigos mais importantes na Terra, nos fizeram encarar nossos companheiros sendo queimados vivos, riram de nossa tristeza ao ouvir nossos amados gritando por dor, nos fizeram ter que lidar com a perda deles, nos fizeram desde que chegamos nesse maldito lugar temer por nossas vidas e correr! — Tirou o machado da cintura e segurou-o com força. — Eu nunca fui de me apegar muito às pessoas, principalmente pessoas que conheci a tanto pouco tempo, mas eu finalmente entendi por que eu me importo tanto com vocês e as pessoas que já foram. Eu me importo porque na Terra palavras são apenas meios de comunicação, o que conta de verdade é quem está ao seu lado na luta pela sobrevivência. Eu não vou deixar que ninguém mais seja levado por esses filhos da puta, nunca mais eles rirão de nós. Nós iremos rir da morte deles, da perda deles! Nós seremos o caçador e eles a caça! Essa noite terminará conosco em pé na pilha de cadáveres dos nossos inimigos. Nós somos os terráqueos agora, a Terra é a nossa!
Adam olhou silencioso quando os pisões dos nativos acertaram a cabeça do rapaz até a morte, mesmo quando aquela pressão em cima dele fez com que a granada explodisse e levasse uma grande quantidade de inimigos juntos. A fumaça foi atravessada por terráqueos que saltaram com clavas e espadas, avançando, seu ouvido estava tampado pelo zumbido da explosão e ainda estava em silencio. Tinha falhado novamente. Pela terceira vez, tinha falhado. Sentiu uma mão no seu ombro e num instinto tirou a arma das mãos do rapaz, empurrando-o para longe e voltou atirar, sem parar, acertando todos que adentravam no acampamento, com o rosto enfurecido e os dentes cerrados, enquanto os olhos moviam-se para todas direções rapidamente. Não ouvia seu redor, nem interessava-se nele, apenas saciava sua sede por vingança, sua fúria e sua frustração. Quando a munição acabou novamente, ele acordou para o mundo pela segunda vez e viu um nativo com uma espada em sua frente, pronto para acertá-la nele. Nesse momento, um machado passou ao lado de seu ouvido e acertou o peito do agressor.
— Abaixa! — gritou Tyler, jogando-se sobre ele. Quando caíram no chão, uma segunda saraivada de balas voou sobre eles, acertando os vários terráqueos que adentravam no acampamento. O último cadáver inimigo que caiu no chão estava junto a munição escassa. Agora tinham um tiro ou outro e armas brancas.
Tyler tentou criar algo desesperadamente, sabendo que o segundo grupo viria em seguida, mas estava difícil, então viu Peter atravessando sua vista e derramando o líquido que tinha sobrado do combustível pela entrada, colocando uma granada no meio dela.
— O que você está fazendo? — questionou Tyler.
— Jeremy mandou que eu explicasse o plano B e isso é apenas um adicional meu.


Alice saiu da cabana lentamente, escorando-se na parede para esconder-se, olhou em volta e viu que a vila estava de fato vazia, todos estavam dentro da cabana. Olhou para direção que lembrava do buraco onde as crianças atravessaram e de fato existia, ainda estava lá. Preparou-se para ir para lá, mas algo a fez parar, algo a fez virar para trás e escutar bem todo barulho no santuário, algo a fez analisar o lugar e ver que igual a todos outros locais do acampamento, era feito de madeira e palha. Lançou um olhar obscuro ao lugar e pousou a espada no chão, indo em direção as tochas que poderia encontrar. Perto do santuário já haviam cerca de cinco tochas e era o suficiente para ela, três  foram jogadas nas paredes e duas nas portas. No momento que as chamas tomaram proporção suficiente para chamar atenção das pessoas distraídas e divertindo-se ali dentro, as portas já estavam mergulhadas em fogo e as paredes eram consumidas aos poucos. Alice com a espada de volta as mãos olhou para trás no buraco e viu as portas sendo derrubadas. Viu algumas crianças em chamas gritando de dor ao saírem correndo desesperadamente do santuário, assim como outros adultos. Alice encarou tudo aquilo e apenas sorriu. Um sorriso frio e de prazer que logo sumiu quando escutou vozes de adultos e pessoas apontando para direção dela. Tinham a visto.


O segundo grupo de terráqueos adentrou pelos portões da vila calmamente, surpreendendo-se ao ver uma quantidade gigantesca de cadáveres, principalmente de adolescentes, todos espalhados. Alguns canibais chutaram os primeiros corpos, os que tinham a flecha no rosto e logo julgaram que o restante estava morto também, o líder deles pareceu frustrado pelo desperdício e começou gritar numa fúria, só parando quando viram inúmeras sombras passando pelas cortinas dentro da nave, o que lhe fez sorrir e olhar para todos outros companheiros, avisando-os que avançariam lentamente e pegariam as pessoas ali dentro. Então começaram andar por dentre os cadáveres.
Peter estava deitado no chão com o olho na mira de seu rifle, estava muito tenso e suas mãos tremiam, o que acabava com a estabilidade da mira. Ao seu lado estavam Thomas e Lily, cada um num lado. Atrás deles pessoas seguravam lanternas enquanto outras passavam pela frente delas para formarem as sombras e chamarem atenção dos inimigos.
— Eles estão se aproximando, Peter, você precisa atirar — pediu Thomas.
— Eu não sei se vou conseguir — reclamou furioso com si mesmo, tirando o olho da mira.
— Por que não? Você se mostrou o melhor atirador do acampamento — questionou Lily.
Peter não soube como responder aquilo, a ideia tinha sido sua, algo complementar para o plano de Jeremy, mas agora ele estava prestes a falhar com tudo. Sabia que estava nervoso com aquilo pelo trauma de seu primeiro assassinato, portar uma arma era a última coisa que queria, principalmente matar mais gente. Mas não tinha escolha.
— Todos nós precisamos de você agora, Peter. Por favor — pediu Lily.
— Vamos lá, cara, você é nosso sniper, honre seu titulo — disse Thomas.
Peter colocou o olho na mira por alguns segundos, mas tirou depois, querendo desistir.
— Peter! — exclamou Lily, chamando a atenção do rapaz. — Nossa vitória e a vida de todos nossos amigos estão em suas mãos, as nossas próprias estão em suas mãos. A sua própria. Eles vão notar logo, você precisa acertar.
Peter a encarou, tenso, então quando a garota viu que ele ainda estava nervoso, simplesmente agarrou seu rosto com as mãos e o beijou, algo que ele devolveu.
— Seja nosso herói, Peter, só dessa vez.
O rapaz colocou o olho de volta na mira e viu alguns homens começando suspeitar de fato, então soube que precisava acertar ali, agora, tinha apenas um tiro, um erro e o próximo tiro seria tarde demais. Não conseguira salvar Jason, não conseguira salvar Alice. Mas salvaria seu povo. Colocou a mira onde deveria estar e atirou, fechando os olhos no mesmo instante e rezando por alguns milésimos que tivesse acertado, então quando o som de uma fortíssima explosão surgiu, os adolescentes no interior da nave gritaram de prazer. E lá fora, o restante soltou um grito de guerra.
— Agora! — berrou Tyler agarrando seu machado e levantando-se, acertando a perna do terráqueo ao seu lado. Junto com ele, todos adolescentes fingindo-se de cadáveres ergueram-se também e começaram atacar os inimigos próximos, iniciando uma longa e violenta carnificina.
O machado acertou o peito do seguinte, enquanto a clava que Adam tinha roubado acertou muitos metros de distância a cabeça de um dos terráqueos quebrando seu crânio, a espada de Caterine alojou-se nas partes íntimas de um homem e ao tirá-la o restante derramou-se no chão, enquanto ela girava a espada na barriga de outro e iniciava uma corrida para o próximo.
Atravessou as fileiras de árvores no meio da escuridão, sabendo que os canibais ainda a seguiam. Alice estava desesperada, tinha errado de ter ficado tanto tempo na vila quando poderia ter fugido, agora as chances de morrer estavam de volta e todo seu esforço, toda sua sorte seria para nada. Pulou alguns galhos e continuou correndo.
Caterine terminou sua corrida pulando sobre um dos inimigos, derrubando-o no chão, iniciando uma sequência de penetradas em seu peito com a espada, enquanto gritava de fúria. Atrás dela Adam passou correndo, salvando um adolescente que seria atacado pelas costas, ao acertar a clava na perna do homem, quebrando-a, e encravando-a na cabeça dele depois. Tyler que estava não muito distante enfiou o machado na cabeça de um terráqueo e amaldiçoou-o quando a lâmina ficou presa nela, sentiu um braço em volta de seu pescoço e acertou a cabeça no homem que tentava enforcá-lo, quebrando-lhe o nariz e deixando que outro adolescente atravessasse-o com uma lança, mas notou que outro vinha atrás dele para aproveitar-se de seu machado ainda preso, sem opção, largou a arma num último instante e jogou-se contra o homem, derrubando-o no chão.
Jeremy e Peter jogaram para o lado e observaram a cena. Peter olhava a cena com nojo e angustia, seus amigos mais do que nunca pareciam besta. Jeremy, porém estava satisfeito que seu plano tinha ocorrido como planejado: mentir sobre os arqueiros para que tivessem além de cadáveres do próprio povo, alguns dos adolescentes para que acreditassem que os fingindo eram reais, enquanto pessoas chamavam atenção por trás da cortina e tudo só ficou mais fácil de acontecer quando o rapaz de cabelos prateados teve a ideia de colocar um explosivo.
— Tivemos que nos tornar animais para sobreviver na Terra — comentou Cross ao seu lado. — Eles já são.
E era verdade.
Tyler enfiou uma das bochechas do homem embaixo dele na boca e arrancou-a com uma mordida, atordando-o, começou socá-lo no rosto até que suas mãos ficassem feridas e o rosto deformado, voltou para o cadáver com seu machado e o tirou de vez, escutando algum tipo de imploração dele. Adam acertou a clava na perna de um e na cabeça de outro, no terceiro que entrou em seu caminho desviou de um golpe da clava inimiga e acertou-o um golpe entre as pernas que apenas pelo impacto, o grito de dor do homem, notou que havia esmagado o que tivesse ali. Caterine mostrou-se ótima com a espada, para surpresa dela, girou e abriu o estomago de um, penetrou o peito de outro, cortou a garganta de um terceiro e o quarto que deu trabalho, ela conseguiu abrir sua costela e aproveitar-se da dor do homem para mutilar seu rosto. Os gêmeos pularam em cima de um homem e derrubaram no chão, começando esfaqueá-lo com as adagas no peito, enquanto ele cuspia sangue e espirava neles, que continuaram penetrando-o até que estivessem cobertos de sangue e satisfeitos. O mais velho fazia aquilo com um sorriso. Alguns adolescentes arrastavam os nativos para as chamas causadas pela explosão e enfiavam o rosto deles para que fosse derretido enquanto queimavam.
Tudo estava um mar de mutilações. E os adolescentes nunca haviam se sentido tão bem quanto naquele momento desde o primeiro ataque dos terráqueos.
Tyler enfiou o machado no peito do homem implorando por misericórdia, acertando-o mais vezes. Adam ao ver o homem eunuco ajoelhado no chão deu o primeiro golpe em seu crânio que foi suficiente para abaixá-lo no chão, deu um segundo em seu rosto e viu sua mandíbula deformar-se, ficando torta, deu um terceiro e deixou um dos olhos pulando para fora, e depois do quarto foi por puro desejo de continuar com aquilo. Caterine derrubou outro no chão e começou usar a lâmina de porrete, deformando o rosto a cada descida da espada, enquanto gritava como uma louca, tendo sangue sendo borrifado em seu rosto sereno sem parar.
Então, quando finalmente todos inimigos estavam mortos, a carnificina acabou.
— Conseguimos! — berrou Tyler para todos eles.
Em resposta, ele e todos outros começaram gritar de vitória, um estranho grito de prazer em meio aqueles cadáveres, miolos, tripas e outras coisas. Estavam mergulhados em sangue como Tyler prometera e estavam felizes.
— Para o acampamento! — gritou um dos rapazes e o grupo logo começou mover-se.
Foi a hora que a caça virou o caçador. Desceram gritando de prazer e rindo, ensaguentandos, procurando por mais sangue, enquanto os homens restantes do acampamento dos nativos só tiveram como opção fugir desesperados.


Alice estava numa área que o mato era tão grande que a cobria inteira, mas sabia que logo seria encontrada, pois tinha certeza que os perseguidores tinham acabado de entrar no matagal. Jogou-se no chão, tão exausta que não conseguiria correr mais, resfolegando desesperadamente, com a garganta seca e dolorida, os pulmões completamente doloridos. Olhou para o céu negro e as estrelas, quis chorar, mas resistiu, não choraria novamente, nunca mais. Aceitaria a morte, mas aceitaria de forma honrada, sabendo que tinha levado vários com ela.
E, então, o céu negro teve sua escuridão atravessada por manchas rosas. Alice ergueu-se um pouco para ver o que era e viu todo lugar sendo iluminado pelo rosa. São fogos, notou ela. Algo a fez virar-se e começar rastejar para longe, tendo certeza que os perseguidores estavam tão surpresos quanto ela.
No acampamento, os adolescentes tiveram seus urros interrompidos pela mesma visão, algo que os calou. Era a Arca?, perguntaram-se.

Esse é o melhor capítulo da temporada como sempre disse, pra mim honrou o que eu queria e espero que vocês gostem tanto quanto eu. Sério, pessoal, espero comentários grandes e gostosos, porque porra, depois disso eu mereço.

Boa leitura, povo.





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44 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Out 16 2016, 01:41

Chris

Puta que pariu, mermão, QUE CAPÍTULO. Pena que eu não gostei.

Primeiramente sobre o progresso da história, sensacional. A batalha foi foda, ocupou uma parte foda bacana do capítulo dividido com os flashbacks da Alice que faziam sentido serem mostrados, sem falar que foram interessantes. Fora o que você havia dito no chat, sobre cada um ter seu espaço no capítulo, não deixando ninguém mais apagado ou de fora.

Sobre o Adão, legal ver como ele está lidando e interagindo com o grupo, e também da forma que sua mente é perturbada pelos acontecimentos da Lisa e da Alice, e essa relação de ódio com o Tyler que está virando amizade é bacana também.

Sobre a Alicia, já falei que gostei dos flashbacks dela e de como ela estava lidando com a situação, mas dessa vez foi surpreendente. Desceu do salto e tacou o puteiro nos selvagens. Espero que eles não alcancem ela né, bicho, nadar nadar pra morrer na praia num dá. Ela tem que reencontrar o Peter e os outros. Feel Crying 3 Fora que é a personagem que provavelmente mais vai evoluir na personalidade.

Sobre a Catarina, acho que é a que menos tem pra comentar desse capítulo mas teve um papel importante na motivação, junto do Adam. Vimos também ela lidando com a notícia do irmão mais novo, que apesar do que o Pietro disse, acho que terá um encontro emocionante dos dois.

Sobre o Tales, cara virou malandrilson total KKKKKKKKK, brincou com a cara dos mkl kkkkk! Mas brincadeiras a parte, legal ver o personagem no cargo de líder, apesar das merdas que rolaram, não foi culpa dele e ele se saiu bem, mas tem que deixar os discursos motivacionais para o Adam/Caterine. Volto a apontar que quero ver a relação dele com o Jeremy, acho que vai rolar uma rivalidade foda após tudo o que rolou.

Sobre o Jeremias, to achando muito maneiro essa parada de dupla personalidade, e apesar de ser um filho da puta tentando virar líder do grupo, o personagem é maneiro. Estou começando a achar que ele vai acabar se tornando um vilão futuramente, na próxima season quem sabe, difícil prever um mano com duas personalidades. Mas vamos ver o que vai rolar, espero bastante dele na próxima season, nessa acho que ele deve encerrar de uma forma morna.

Sobre o Pedro, melhor personagem. Pensei que a depressão dele iria durar mais, mas pelo menos ele tem o japa e a Lily que deram uma animada. Mas se bem que com a volta da Alice agora, a morte do Todd vai sendo esquecida por completo. Daí a luz do grupo estará de volta por completo. Clô E claro que quem salvou o dia foi ele, não preciso nem dizer. Clô MAS AINDA ACHO QUE ELE QUE DEVERIA TER SAÍDO COM O MACHADO


Realmente foi o melhor capítulo até agora, muito bem escrito, principalmente nas cenas de ação que passaram uma puta adrenalina pro leitor. E criou o terreno pra ti finalizar a season com seja lá o que pretende, mas que me deixou ansioso e curioso sobre a parada rosa que eu não lembro se tem a ver com a Arca, mas se for, vamo que vamo.

Parabéns pelo capítulo, Gabriel, como você prometeu, foi foda pra caramba.



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45 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Out 16 2016, 01:55

Babi

Meu deus do céu, realmente, o melhor da temporada. Cada segundo do capitulo foi perfeito, os momentos da batalha se superaram viu. Foi uma leitura fácil e impossível de não gostar. Adorei como vc descreveu tudo, me fez ter a imagem de uma forma muito daora na cabeça,Sendo que eu consegui imaginar tudo como se realmente fosse uma serie de TV. Tem uma parte em que a Alice ta correndo e ja muda pra uma cena da Caterine correndo e pulando pra cima de um selvagem. Sem contar que gostei muito da forma que vc mostrou como os personagens estavam, no momento que geral tava com medo eu também senti a tensão.

Agora falando sobre a historia no geral, ta muito bom vei. Fiquei muito curiosa com o final e totalmente empolgada durante. Achei fera a forma como eles se viraram e acabaram com a galera no acampamento e que apesar de certos filhos da puta manipuladores, eles tiveram um bom plano e boas cenas de luta contra os selvagens.Também fiquei surpresa com o desenvolvimento não só da historia mas os futuros desenvolvimentos para os personagens depois dessa parte. E falando sobre eles, vou começar pela minha por ter simplesmente surtado com a parte dela:

Alice: a junção da historia com os acontecimentos fez mostrar o lado mais violento dela. Curti pra caralho a hora que ela sorri vendo os selvagens (mesmo que crianças) queimando, e que assim como com o pai, fica satisfeita com a vingança por tudo que eles fizeram ela passar. Podem não ter quebrado ela da maneira que planejavam, mas revelaram o pior nela, o que fez com que grande parte deles rodasse. Achei daora como ela lidou com os outros adolescentes tbm, apesar de ter sido uma atitude totalmente fria, ela percebeu que não tinha mais salvação para eles e só acabou com o sofrimento que eles teriam ao se comidos vivos. Agr é aguardar ansiosamente pra ver como ela vai lidar com os caras no pé dele, e manter a curiosidade para a cara de pastel que a galera do acampamento vai fazer quando verem ela viva.

Adam: Apesar de ser o cara mais babaca no grupo tem sido pra mim um dos mais interessantes. No inicio não imaginei que ele se importaria tanto com o povo. Com os acontecimentos de ele não ter impedido as mortes acho que o personagem deu uma desenvolvida boa e provou isso nesse capitulo sendo um dos a se manter firmes e ajudar no discurso para os outros. Sem contar que o cara mitou na chacina né, metralhou geral.

Catarine: Catarine apesar do discurso que fez junto do Adam e de como lutou daora também acho que vai ter mais foco nos proximos caso ainda tenha esperança de ver o irmão vivo com a queda da arca rosa.

Tyler: Mais um que teve um desenvolvimento que curti. Largou a frescura de não ser líder e tomou frente na parada, fazendo um discurso que ajudou os manin a lutar e consequentemente ganhar a luta. Mas me surpreendi com ele cantando as menininhas, esse personagem do Josh realmente não esta batendo com os personagens de costume do Josh.

Peter: O que dizer desse cara que mal conheço mas ja considero pakas? Se mostrou muito mais que um rostinho bonito, Peter também é mira e estrategia. Muito daora isso que ele pensou da nave, poderia dar muita merda se ele errasse o tiro, mas boa Pete. E obrigada por se lembrar da Alice, só vc e o Adam que fizeram Crying or Very sad . Agora ele devia abrir o olho pq essa namoradinha dele é a personagem mais suspeita possível, além de ser só amor ninguém nunca viu ela.  "não lembrava de ter visto a garota nos primeiros dias na Terra". Sinto uma espiã.

Cross: Cara filho da puta. entendo ter deixado uns morrer pra conseguir matar o resto dos selvagens, mas duvido que ele tenha feito esse plano simplesmente por boa vontade. O mano deve ser realmente obcecado em ter algum poder, e isso pode vir a ser um problema mais tarde pro grupo, já que parece que ele vai querer ser o lider e foda-se o resto.

Enfim, posta o proximo logo viado, ta bonzão, serio.



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46 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Out 16 2016, 09:54

Josh

@Babi escreveu:esse personagem do Josh realmente não esta batendo com os personagens de costume do Josh.

Que perseguição.

Bom capítulo. Consegui imaginar bem as cenas de ação e foi bem bolado essa parte do plano. Achei que eles poderiam perder essa batalha, com a maioria dos adolescentes mortos e só sobrar os principais, mas que bom que de certa forma eles venceram.

O destaque foi para a Alice. Teve um passado sombrio que finalmente foi mostrado através dos flashbacks, junto com o motivo dela ter sido presa. Ela superou a situação com os canibais da mesma forma como lidou com a do seu pai, sanguinária, querendo acabar com aquilo logo e parando de sofrer. Achei interessante como ela conseguiu fugir, apesar de não estar totalmente livre e segura ainda.

Estava pensando que a Alice iria se tornar a mais fria e sanguinária do grupo, mas todo o grupo se mostrou da mesma forma na hora da batalha, matando os inimigos de forma brutal. Não são mais adolescentes. Não são mais pessoas fracas. Com essa personalidade, em conjunto, com armamento e um bom plano, tenho certeza que conseguem vencer qualquer grupo, não importando a quantidade ou o quanto eles são fortes. Mas talvez o Jeremy atrapalhe um pouco, como fez nesse. Talvez ele seja perigoso, não só para o grupo como também para ele mesmo.

Fiquei curioso com esse final, com essas manchas rosas no céu. Estou ansioso para o futuro da história, onde talvez eles encontrem uns terráqueos mais inteligentes, com uma estrutura firme de sociedade. Talvez esses fogos simbolizem isso.




 
Spoiler:

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47 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Sab Out 22 2016, 01:49

Dwight

Não esqueci. Very Happy

Capítulo grande, nem sei por onde começar. Foi realmente muito bom, não sei se colocaria como o melhor, não por não o ser, mas por achar que desde o início foi mantido um certo nível de qualidade. Em questão de acontecimentos, porém, foi aquele capítulo em que tudo vai pro caralho, e nisso realmente foi o melhor (a parte da batalha ficou foda). Como nos outros, vou analisar por partes/personagens:

*Alice — Interessante ver mais flashbacks dela, já que foi bastante breve no capítulo passado e aqui pôde se aprofundar mais. Relação fodida sinistra na família, mas serve além de mostrar mais da personagem, para ver como a Arca não era mesmo aquela maravilha toda. Achei interessante novamente o paralelo da forma que ela matou o pai, explicada agora, com a forma que ela matou o rapaz lá, no capítulo passado. Fez mais sentido pelo menos para mim toda a violência no ato.

Mostrou inteligência e frieza pra caralho, certamente vai sair muito mudada dessa porra toda, e foi uma certa "recompensa" para quem lê ver ela se vingar dos Wi kuwat!

Tyler — O maluco ficou full malandrilson KKKKKKKKKKKK porra muito bom. Ainda bem que aceitou logo a condição de "líder", e como o Gabriel que tá escrevendo acho que não vai ter o desenvolvimento cíclico do Rick de negação x aceitação. Laughing

Peter e Jeremy — O Peter parece já ter superado o trauma, ou pelo menos distraído a cabeça disso, provavelmente por causa da Lily. Apareceu um pouco menos mas teve um momento de grande destaque perto do final, onde achei bastante interessante para o personagem poder se auto-provar. Já o Jeremy... já deu pra ver que o cara não se preocupa em quebrar alguns ovos, e essa parada do fim justificar os meios é preocupante, a possibilidade dele virar um vilão me parece mais real ainda agora.

*Caterine e Adam — Foram os com "menos destaque", mas ainda assim tiveram algum tempo. Ela felizmente se mostrou resiliente e, apesar do abalo inicial decorrente das notícias sobre o irmão no capítulo anterior, se reergueu e foi bastante importante na batalha; matando + discurso motivacional™. Já o Adam (que aperfeiçoou a técnica do Mestre dos Magos de ficar surgindo atrás das árvores), apesar do também abalo com morte/sequestro de Lisa/Alice, mantém o controle - ou disfarça bem, - na maior parte do tempo. Teve ainda um 'mini-arco' com o moleque que tinha brigado no último (que tbm morreu :grin: ), mas tbm ajudou no matando + discurso motivacional™.

Sobre o final, entendi porra nenhuma desse cometa Camori, tenho nem ideia do que seja. Descobriremos no próximo. Moe

Spoiler:
Kuru oh, nate oh!



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48 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Sab Out 22 2016, 22:38

Mary

Os últimos epis foram muito fodas e como já dito acima, só não digo que o último foi melhor porque de fato a qualidade vem se mantendo excepcional desde o começo da fic, mas nesses, vários aspectos que são importantes pra considerar uma história boa foram explorados muito bem. A descrição da mente dos personagens e a quantidade de detalhes suficientes pra fazer a situação ser lida sem dificuldade seja pela falta deles ou por excesso.

Todos os personagens estão sendo explorados, mesmo que o plot da Alice venha tendo destaque, eu até acho bem interessante porque me parece ser o mais promissor tanto no quesito de evolução da personagem, ter testado ela ao extremo encaixando os flashbacks pra não deixar a resistência dela sem fundamento tanto quanto o "envolvimento" dela no acampamento, ela ter conseguido fugir e queimado a porra toda antes. Espero que dê merda.

Achei daora a maneira como retratou os sentimentos da Caterine em relação ao irmão, ter mostrado tanto no flashback como na situação que ocorreu no acampamento que é sua maior fraqueza e depois ter usado isso como "gatilho".

A batalha foi foda pra cacete, adorei ver os personagens no modo puro rage matando qualquer ser vivo na frente deles. Gosto dos momento em que eles podem "explodir", sem nenhuma burocracia - apesar de ter achado todos os discursos motivadores interessantes - ou regras. E a batalha foi exatamente isso, todo mundo desgovernado e bem loko com armas na mão. Falando em bem loko, Adam, Tyler e Peter tão sendo no mínimo intrigantes de se acompanhar, o Adam é aquele típico adolescente que se rebela contra Deus e o mundo durante a puberdade, mas eu gosto disso. O Peter superando tudo que aconteceu rápido pra caramba, se mostrando um dos personagens mais fortes e xonadinho :wub: e o Tyler... cara. Aceitando a liderança sem nada do tipo "eu não mereço isso" e sendo um garanhão nato tá bem foda. É realmente emocionante saber que foi criado pelo Josh.

Enfim, o capítulo foi perfeito pra fechar essa parte da história. Todos os personagens tendo a mesma porcentagem de participação e importância no enredo, a personalidade deles sendo bem explorada e os pontos fortes e fracos sendo bem evidenciados a cada capítulo.



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49 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Out 30 2016, 12:51

Luckwearer

S01E09 - A Large World [Season Finale]

Spoiler:
O cômodo que guardava as discussões do Conselho de todo restante da Arca estava mais movimentado que de costume, e mesmo sob tantos argumentos, a atenção de Sebastian, depois de um longo tempo como um dos mais influentes, naquele momento estava enfiada em suas lembranças, não nas pessoas em volta e nos problemas da Arca. Naquele momento, os conselheiros falavam sobre Adam Hunt, acusado de tentativa de homicídio e vandalismo ao incendiar o apartamento do guarda que aprisionara seu pai ao ser pego assaltando a enfermaria. Isso trazia épocas antigas da vida de Sebastian à cabeça dele. Quando pequeno, o nascimento de seu irmão tirara a vida da mãe de ambos, devido as leis da Arca, e por mais que seu atual cargo fosse aquele, seu passado era muito diferente, fora um delinquente que por vingança por ejetarem sua mãe, destruía e causava problemas à Arca diariamente, até o dia que foi preso e sua vida entrou em debate no antigo Conselho.
— Sebastian, não vai dizer algo? — perguntou o velho e gordo Leon, acordando-o de seus próprios pensamentos.
Notou todos encarando-o, alguns surpresos por seu silêncio durante toda discussão.
— Parece que alguém se distraiu aqui, desculpem-me — respondeu com seu típico sorriso travesso. — Onde pararam?
— Eu estava tentando dissuadi-la de procurar perdão para esse rapaz. Conheço muito bem o tipo dele, não vale a pena gastar ar e suprimentos aprisionando-o numa cela confortável — respondeu Leon, irritado.
— Quem é você para dizer quem vale ou não receber uma segunda chance? — questionou Lauren, tão irritada quanto. — Dar aos jovens uma segunda chance foi uma decisão do Antigo Conselho pensando exatamente nesse tipo de pensamento. Adolescentes são idiotas, cometem erros que num futuro podem se arrepender e desejar nunca ter feito. Todos merecem uma segunda chance.
Leon suspirou, agarrou algumas papeladas e começou a lê-las, citando todas encrencas que o rapaz havia se metido. Quando terminou de ler, Leon tirou os olhos dos papéis e virou-os para direção da mulher.
— Só no último ano, ele brigou com sete pessoas e destruiu as mesas e cadeiras de uma loja ao ser xingado pelo dono, o que virou a oitava briga. Já recebeu inúmeros avisos durante todos esses anos, chegou ser preso por algumas semanas, mas nada. E o motivo de você acreditar que ele tem alguma chance de melhorar é porque seus sentimentos estão acobertando a verdade, sabemos muito bem que era amiga dos pais dele.
Lauren preparou-se para dizer algo, mas Bryan a interrompeu, tomando a palavra.
— Não importa se ele é merecedor ou não, Leon, só descobriremos isso ao colocá-lo numa cela até que chegue na idade adulta. Sempre fizemos isso, não mudaremos agora.
A ruiva suspirou aliviada, enquanto o velho pareceu frustrado com a decisão, enquanto Sebastian permanecia silencioso, observando tudo aquilo.

A última porção de terra foi jogada na cova pela pá que segundos depois alisaria levemente o terreno para que ficasse com uma aparência decente. Adam estava cansado, tanto fisicamente quanto mentalmente. O peso do sangue em suas mãos estava absurdamente grande, acreditava que todas mortes que causara dias antes não mereciam ocupar sua mente ou atordoá-la, mas a naturalidade que esperava ter ao matar tantos terráqueos não existia. O medo de matar alguém nunca estivera em seu coração, sabia que se precisasse mataria, e matou, mas nunca esperou que tirar a vida de alguém fosse um fardo tão pesado assim. E isso fazia dele uma das poucas pessoas que não tiveram prazer na chacina, grande parte do resto do acampamento andava mergulhado no sangue seco daquela noite com tamanha normalidade que o surpreendia toda vez que topava com os adolescentes que cagaram-se antes da batalha. Encravou a pá no chão e deu uma olhada para seus braços cobertos de carmesim, suas roupas acompanhavam da mesma cor também. Para as pessoas em volta ainda era o idiota que surgia para atormentá-las com apelidos ou comentários maliciosos, mas por dentro estava atordoado, o estresse era tanto que parecia estar com febre de tão quente, os olhos ficaram pesados e a falta de vontade de mover-se era demais, tudo pelo sentimento de impotência.
Para ele, seu maior erro ao colocar os pés na Terra foi criar laços com aquelas pessoas, a perda de alguns, a maioria que tentou salvar, mas não conseguiu, só deu à ele o sentimento que mais odiava: de ser inútil, um fardo entre tantos. Talvez fosse seu destino ser isso, afinal, nascera como um fardo na vida de seus pais, crescera como um e agora era um para as pessoas que, inesperadamente, se importava.
— Tudo bem, cara? — perguntou Peter, encarando-o com curiosidade.
Adam acordou de sua cabeça conflituosa, voltando a sua postura padrão.
— Sim — respondeu, simplesmente. Notou que o rapaz alguns metros de distância, estava cavando outra cova, perguntou-se de quem era até seus olhos chegarem a placa caída no chão, escrito "Alice". Seus olhos pularam para fora da placa ao sentir-se mal, mas disfarçou. — Não temos o corpo.
— Ela era minha amiga, merece ser enterrada — respondeu Peter sem olhá-lo, focava na pá enfiando-se no chão e arrancando um pedaço para o montinho de terra formando-se.
Adam virou os olhos para o túmulo de Jason, tinham feito aquilo dias depois de voltarem para o acampamento.
— Como você está lidando com a falta dela?
Peter parou para descansar, limpou a testa com as costas da mão e virou-se para Adam com um sorriso triste.
— Não muito melhor que você. Mas esses dias eu venho pensando... — parou por algum tempo, procurando as palavras certas, até voltar-se novamente com um sorriso pequeno, mas ainda triste. — Afinal, estamos vivendo na Terra, temos que nos acostumar com perdas, não é?
Adam ouviu aquelas palavras com uma atenção que dava à poucas pessoas e soube que o rapaz de cabelos prateados, por mais idiota que fosse, tanto em aparência quanto em personalidade, estava certo.
Arrancou a pá cravada do chão e colocou-se ao lado do rapaz para ajudá-lo a terminar o túmulo vazio de corpo, mas cheio de significado.
Distante, Tyler tirou os olhos da dupla e terminou de comer o peixe que Adam havia pegado, levantando-se para espreguiçar-se, escutando alguns estalares de sua coluna. Olhou em volta, todos adolescentes estavam cobertos de sangue seco, ninguém queria arriscar-se de ir até o rio para lavar-se, nem mesmo ligavam, o fedor tornara-se algo normal entre eles, por mais que na Arca fosse motivo de chacota ou vergonha. Ele mesmo não ligava para o sangue que cobria seu corpo, que secara em seu cabelo, sua aparência parecia de um psicopata com tantas marcas vermelhas no rosto, como se tivessem escorrido, como fizeram de fato ao ter acertado o machado inúmeras vezes em inúmeros terráqueos. O que importava para ele naquele momento era levar todos aqueles adolescentes para a fonte dos fogos de artifício que julgavam ser um sinal da Arca, para eles era algo que os terráqueos tão primitivos e selvagens não teriam habilidade de fazer.
Tyler teve sua atenção chamada por Lily que deixou desajeitadamente sua mochila cair no chão, derramando algumas roupas por estar aberta, xingou em voz alta e abaixou-se para pegá-las. Caminhou até ela e agachou-se ao seu lado, para ajudá-la.
— Deixa comigo — disse sorrindo. — Pronto.
— Obrigado, Tyler — agradeceu Lily com um sorriso doce, pegando a mochila e colocando-a nas costas.
— Me pergunto por que foi presa, você me parece calma e boa demais pra ter cometido algum crime.
— Aparências enganam, Tyler — respondeu ela com um sorriso triste. — Eu fui pega com minhas amigas roubando o lugar errado, tivemos a sorte de ser presas na semana que a Arca caiu.
Tyler julgou pela expressão da garota que as amigas tiveram o mesmo destino que seus amigos.
— Sempre soube que você era uma ladra mesmo — brincou Tyler sorrindo, tentando aliviar o clima. Ao ver a expressão confusa dela, complementou: — Vê aquele rapaz — apontou para Peter morto no chão ao lado da cova, cansado de cavar —, aquele rapaz teve o coração roubado por você. E agora está nas suas mãos magoá-lo ou não, estou de olho em você.
Lily ficou vermelha e tentou dizer algo, mas gaguejou.
Tyler apenas riu e deu alguns tapinhas no ombro dela, dirigindo-se para dentro da nave atrás de sua mochila. Logo iriam embora.


Lauren caminhou para fora da sala de reunião silenciosa, estava triste pelo resultado da discussão. Ela e Sebastian tentaram convencer Bryan que a tentativa de roubar remédios para o irmão mais novo de Caterine Heartley merecia ser perdoada, a garota era nova e desesperada para ajudar uma criança mais nova, mas o Chanceler respondeu que muitas outras pessoas tinham feito o mesmo e o Conselho dera à elas o mesmo resultado de sempre: prisão ou morte, caso fossem jovem ou adulto. E, sem escolha, ela só pôde fazer o último agrado. Pegou a criança da enfermaria, onde o deixara, pois o garoto ficaria sozinho em casa, o levou até a prisão e lá encontraram Caterine ansiosa para vê-lo. A mulher observou com tristeza a jovem agarrando o irmão num abraço desesperado, enquanto algumas lágrimas começavam rolar pelo rosto, sem que ela notasse.
— Vai ficar tudo bem, okay? — falou Caterine numa voz carinhosa.
— Eu não quero te perder — respondeu Brandon, chorando.
— Você não vai, você não vai — abraçou-o com mais força, colocando o rosto sobre seu ombro e deixando-o chorar no dela. — Eu só vou passar um tempo longe, não demoro.
— Você promete?
— Prometo, seu nanico, prometo — respondeu, beijando seu rosto várias vezes.
Lauren quando ganhou a atenção da garota durante o abraço, apenas murmurou muito baixo, mas que pelos lábios eram entendíveis, que cuidaria do rapaz. E Caterine agradeceu com um sorriso triste.
Quando a garota foi arrastada pelos guardas de volta à sua cela, sem tirar os olhos do irmão sendo deixado para trás, observando ir embora, Lauren virou-se para o rapaz, pegando-o pela mão.
— O que você gosta de comer, Brandon? — perguntou sorrindo.

Sanduíche, refletiu Caterine, comendo o que restava do peixe em suas mãos. Sentia saudades de comer os deliciosos sanduíches do velho Parker com seu irmãozinho, estava cansada de peixes, mas era a única coisa que tinha para comer naquele momento e precisava de força para caminhar sabe-se lá quantos quilômetros até chegarem na fonte dos fogos.
Levantou-se, agarrou sua mochila e colocou-a nas costas, então notou sua espada ensaguentada escorada na cama e a pegou com uma normalidade que nunca esperou ter, ao matar tantas pessoas. A verdade era que tinha gostado, tinha a aliviado, e não sabia se aquilo era bom ou ruim. Preferiu julgar que vivendo uma rotina como a da Terra, era algo bom, temia que estivesse perdendo a noção das coisas e logo enlouquecesse. Saiu para fora do quarto e deparou-se com Pietro escorado ao lado, esperando-a.
— O que você quer? — perguntou Caterine, imediatamente, encarando-o com uma sobrancelha levantada.
— Queria pedir desculpas pelo que fiz.
Caterine apenas acenou com a cabeça e virou-se para ir embora, mas sentiu-lhe agarrando-a pelo braço.
— Desculpa — disse ele, afastando a mão. — Eu só sinto saudades de você, Cat.
Encarou-o por alguns segundos, então afastou-se sem dizer outra palavra, não estava com cabeça para aquilo agora e agradeceu que o homem não tentou pará-la. Na saída, deparou-se com Tyler agachado, arrumando sua mochila e colocando-a nas costas.
— Pronta pra ir? — perguntou ao vê-la.
— Sempre estive, desde o dia que cheguei aqui — respondeu, descendo pela rampa e iniciando sua caminhada para fora do acampamento.
Adam e Peter estavam esperando-os perto da pequena fogueira que ainda estava em chamas. Tyler agarrou o balde de água que usavam para pegar água do rio e sem necessidade alguma para ele, jogou a água dentro na fogueira, criando uma grande fumaça branca, enquanto juntava-se ao trio e afastavam-se com todo restante dos delinquentes para fora do acampamento. O lugar que fora o lar deles por muito tempo, mas que pouco depois ficaria em silêncio, solitário em meio ao bosque ao seu redor.


Sebastian gargalhou alto ao ouvir o crime do rapaz, ao mesmo tempo que Lauren segurou sua própria risada colocando a mão em frente ao rosto, até mesmo Bryan que sempre estava sério teve um sorriso pequeno em seu rosto por alguns segundos.
— Onde vocês veem graça nisso? Perdemos uma grande quantidade de oxigênio nesse descuido — reclamou Leon.
— É trágico, mas é engraçado. Seja quem for esse Peter Dunham, cuidar de um problema sério da Arca com fita adesiva é outro nível — explicou Sebastian, rindo.
Leon não via um pingo de graça naquilo.
— Me pergunto como um rapaz com ótimas notas e tamanha inteligência faz algo do tipo.
Bryan virou os olhos para o gordo, enquanto Sebastian continuava rindo.
— A mãe morreu ao ter um segundo filho, o irmão mais novo de Dunham, que morreu anos mais tarde, por não darmos suprimentos suficientes para ajudá-lo quando estava seriamente doente. Ele tem um histórico de vandalismo moderado, mas que continua sendo vandalismo — falou Bryan lendo o arquivo do rapaz. "Chupa, Conselho" era a frase que viera da boca do rapaz ao ser preso, o que revelava claramente o motivo pelo qual o rapaz não ligara de fazer seu trabalho da forma correta. — A verdade é que por mais engraçado que seja, Leon de certa forma está certo. A cada dia que passa, o povo da Arca fica mais rebelde em nossa relação. — Bryan olhou pela janela do lugar, vendo a Terra pelo vidro. — Um ódio crescente desse só termina em uma coisa.
Rebelião, soube o resto do Conselho.

Peter estava ao lado de Thomas, acompanhavam todos outros adolescentes caminhando pela floresta. Faziam alguns dias desde que afastaram-se do acampamento, provavelmente mais avançados do que na primeira vez que tentaram explorar a Terra. No caminho, encontraram um rio onde os jovens puderam banhar-se e divertirem-se, mas não ficaram muito tempo ali. Agora, seus olhos estavam seguindo o fascínio de Lily com a floresta, sorria toda vez que via um pássaro pulando de alguns galhos e sobrevoando as copas das árvores, sob o céu límpido e azul daquela tarde.
— Parece que alguém se apaixonou — brincou Thomas ao seu lado, rindo.
— Como não se apaixonar é uma boa pergunta, cara — respondeu Peter, o que fez com que ambos rissem e batessem a palma da mão no lado do punho. Era o gesto que faziam para o outro quando entravam em acordo.
— Vai nela, então, diga seus sentimentos.
— Calma aí, Thomas. Ela é tímida, não vou chegar nela já agarrando e beijando.
— Não vai por ela ou por estar com medinho? — provocou o asiático.
Peter apenas lhe deu um olhar sombrio.
— Quer ver eu ir agora, então?
— Quero.
— Quer ver mesmo?
— Quero.
— Então, olha só — exclamou Peter apressando os passos e indo em direção à ela.
Quando Lily virou-se para trás, encontrou Peter abaixando-se para amarrar o cadarço do tênis e sorriu tanto para ele, quanto para Thomas. Depois de virar-se para frente, Peter levantou-se e trocou um olhar com o amigo que começou a rir. Tyler que estava pelas redondezas apenas sorriu com aquela visão e aproximou-se da dupla.
— Siga o exemplo, cara. Siga o exemplo — disse Tyler passando por eles e dando alguns tapinhas no ombro de Peter que primeiramente não reagiu as palavras, mas logo sorriu e continuou assim pelos minutos seguintes.
Tyler afastou-se do grupo indo para direita, passou por Caterine e Adam conversando, a garota não calava a boca e o rapaz estava reclamando disso, mas não deu muita atenção à eles. Encontrou Jeremy caminhando vários metros de distância do grupo, silencioso e calmo como sempre, vestido de seus arbustos e engolido por lama, entre outras coisas, para que pudesse se esconder facilmente.
— Precisamos conversar — avisou Tyler colocando-se ao lado do homem sem ligar se o mesmo queria aquilo ou tomaria um susto, algo que não aconteceu quando Jeremy continuou andando, em silêncio, esperando que o rapaz continuasse. — Eu entendi porque você fez o que fez no acampamento, cadáveres dos nossos em meio dos terráqueos dava credibilidade que o restante alguns metros à frente eram cadáveres de fato, assim como o portão precisava ser derrubado. Mas independente do resultado, isso levou conhecidos à morte e eu não deixarei que isso aconteça de novo, Jeremy.
— Você aceitou o cargo de líder, então — notou, ainda avançando sem olhá-lo.
Tyler responderia no mesmo instante, se ainda não estivesse temeroso com a decisão.
— Tyler, vou te dar um conselho que os líderes dos cem deveriam ter recebido na época: saiba que não poderá mantê-los todos a salvo.
Tyler soltou uma risada irônica, interrompendo seus passos e ficando em frente à Jeremy, parando-o também.
— Eu vou fazer de tudo para protegê-los, Jeremy.
— Isso é esperança, e esperança foi o que levou os líderes dos cem onde estão agora.
— Esperança é o que faz alguém continuar, principalmente num lugar como este. Se você não a possuí, por que não se matou, então?
Jeremy ficou em silêncio, procurando uma resposta.
— Os erros do passado não se repetirão. Eles morreram no segundo ataque, nós sobrevivemos — continuou Tyler.
— Os erros do passado formam o futuro, Tyler, e o futuro é formado de erros do passado. O ser humano é a única espécie que mata e tortura por prazer, que procura mais poder incansavelmente. É um ciclo interminável que nos levará a extinção, que quase já nos levou a extinção.
— E o que você recomenda que eu faça, então? Fique de braços cruzados e observe cada um deles sendo mortos com o tempo?
— Não me importa o que você decida fazer, Tyler. Eu só estou lhe avisando da verdade.
— Sua verdade, no caso. Eu sei exatamente que tipo de ideologia você tem, Jeremy, você acredita que os fins justificam os meios, que não importa quantos e quem você sacrifique, o que ganhar vai fazer isso valer a pena.
Jeremy que estava com os olhos em outro lugar, encarou os de Tyler pela primeira vez.
— Vai chegar um dia que você terá um escolha a fazer, Tyler, e terá que decidir se vai ser com a cabeça ou com o coração. E quando a fizer, o mudará para sempre.
Os dois tiveram sua discussão interrompida quando escutaram o berro de alguma garota e dirigiram-se até lá, Tyler correndo e Jeremy caminhando normalmente, chegando pouco depois. O que chamara tanta atenção na clareira, que deparou-se ao alcançar o grupo, era que bem atrás das várias árvores e pedregulhos espalhados por seu centro, no outro lado, tinha um grande grupo de terráqueos. Os dois grupos estavam chocados de encontrarem-se com o outro, ficaram paralisados por alguns segundos, mas não demorou para que os terráqueos começassem correr em direção à eles e ao avistar esse movimento, Tyler correu dentre os adolescentes, gritando para que não fugissem e ficassem juntos, separarem-se na quantidade que estavam só facilitaria o trabalho dos canibais. Mas conforme os terráqueos aproximaram-se, descobriram que não avançavam como se fossem atacá-los, pareciam fugir de algo, principalmente ao revelarem dentre os homens fortes e armados várias crianças, jovens e mulheres. Então, de um segundo ao outro, inúmeros cavalos pularam dentre as árvores de onde os terráqueos a pé vieram. Eram dezenas surgindo, cavalgando em direção à eles com poder e ameaça. Os cavalos eram diferentes das figuras e contos, estes tinham chifres, duas cabeças, olhos vermelhos ou dentes afiados como de um tubarão, entre outras coisas.
O grupo de adolescentes só pôde observar quietos e sem reação a chegada dos terráqueos a pé ao mesmo tempo que a cavalaria acompanhou-os, atropelando-os com lanças e iniciando outra chacina.
Tyler acordou do choque e apertou com força o cabo de seu machado, mas quando viu uma lança aproximando-se velozmente dele, desviou jogando-se no chão. Levantou-se e pulou para jogar-se com uma garota no chão novamente, tirando-a do caminho de um dos cavalos. Viu como os homens montados acertavam as lanças nos terráqueos, matavam desde as crianças mais jovens aos mais velhos, sem piedade alguma. Um dos delinquentes acertou uma espadada num homem e derrubou-o do cavalo, mas em resposta outro veio atravessando a lança em sua garganta e puxando-o junto conforme cavalgava, enquanto as pernas balançavam no ar e o rapaz engasgava-se com o próprio sangue.
Não demorou para que o verde se tornasse carmesim e o ar podre de morte.


Chanceler Bryan riu, depois de muito tempo, ao escutar que estavam tocando Can't Help Falling in Love na prisão e sabia que Connor, o comandante da guarda, dirigia seus homens até lá para ver o que tinha acontecido naquele exato momento.
Quando o homem chegou lá, a porta estava trancada. Lá dentro, Tyler estava sorrindo também, enquanto a música que ele mesmo colocara para tocar estava alta e chamativa na prisão, seu objetivo era dar algo bom à rotina cansativa e entediante dos prisioneiros, sabia que pelo menos os amigos estariam adorando. E estavam. Os amigos de Tyler souberam de onde viera a fonte daquela música no mesmo momento que seus ouvidos a escutaram começar. Riram, gargalharam, alguns dançaram, felizes de terem um amigo tão idiota e dedicado quanto o rapaz. Enquanto o restante das celas e seus respectivos ocupantes tiveram reações diferentes.
Jason Perry acordou de seu sono ao escutar a música tocar e enfiou o rosto na janela para escutá-la melhor, sorrindo. Enquanto na cela ao seu lado, Caterine que estava andando de um lado para o outro na cela, impaciente e entediada, colocou-se perto da janela para escutá-la melhor também, sorrindo uma vez ou outra ao saber que alguém foi tão idiota de invadir a sala de controle para fazer aquilo.

Seus olhos seguiam toda violência ao seu redor, Caterine notou que os homens agarravam alguns dos adolescentes após nocauteá-los, colocando-os em cima do cavalo e afastando-se da confusão, enquanto os que tentavam lutar eram mortos juntos com o restante dos terráqueos que eram dizimados com extrema brutalidade. Seus olhos num certo momento chegaram num homem em cima de um cavalo, com um arco em mãos, soltando flechas dela e acertando as pessoas com muita facilidade, mas o que chamou sua atenção de fato foi quando seus olhos conectaram-se com os olhos de um rapaz da mesma idade que ela, atravessando a lança num terráqueo, mas que teve sua atenção chamada por outro e sumiu nos instantes seguintes.
— Precisamos sair daqui! — gritou Caterine para Adam, no meio daquela confusão.

Peter jogou-se na janela ao escutar a música começando e ficou escorado ali conforme ela tocava, sorrindo. Viu alguns adolescentes reclamando para abaixarem e ouviu uma garota, aos risos, gritando para que se calassem, pois ela queria gravar aquele momento. E toda essa confusão era um ótimo passatempo na vida entediante que tinha desde que fora jogado na cela.
E tudo que Peter mais sentia saudades era da vida entediante.
Correu junto com Thomas em direção ao brutamontes que jogou Lily em cima de seu cavalo, após desmaiá-la com um golpe na nuca. Tentou acertá-lo com o machado, mas foi jogado no chão sem ar ao receber um chute no estomago, quando notou, Thomas tinha sido jogado no chão também e recebera um chute na cabeça, criando uma grave ferida que o desacordou na hora. Gritou, enfurecido, e levantou-se para tentar ajudar o melhor amigo, mas o brutamontes agarrou o braço que portava o machado e com o outro o pegou pelo colarinho, acertando um soco no rosto de Peter que o deixou tonto, então quando o segundo veio, estava desacordado.

Adam estava deitado em sua cama com os olhos fechados, tentando pegar no sono, quando a música começou tocar. Ficou quieto durante todos minutos, até que perto do final, soltou um sorriso de canto imaginando que o idiota que tocara aquela música estava agora numa situação complicada.
— Peter! — gritou Adam ao ver o rapaz sendo nocauteado e jogado em cima de um dos cavalos pelo brutamontes.
— Adam! — berrou Caterine ao vê-lo pular para longe dela, atravessando a confusão.
O rapaz correu o mais rápido que pôde, mas teve que desviar de um cavalo e depois de uma lança, vendo durante a corrida que Kevin, com uma granada no cinto, acertava chutes na cara de um homem derrubado por ele, mas ignorou e continuou seu caminho, até que viu um dos homens em pé, poucos metros dele. Quando o olhar dos dois encontraram-se, Adam já tinha avançado em direção à ele com a clava pronta para acertá-lo, mas o homem mostrou-se ágil e desviou facilmente, acertando com o punho da espada o rosto de Adam, atordoando-o na hora. O homem preparou-se para enfiar a espada no peito de Adam e tudo que ele podia fazer era tentar recuperar a noção das coisas, mas estava tonto demais para isso. Foi quando Tyler jogou-se no homem, derrubando-o no chão. Colocando as mãos em volta do pescoço dele e começando enforcá-lo, gritou por ajuda e o grito do companheiro, pedindo ajuda, fez com que Adam recobrasse sua consciência e pulasse sobre o homem, colocando os joelhos em cima do braço esquerdo dele e começando socá-lo no rosto, enquanto Tyler o enforcava.
— Vai atrás do Peter — exclamou Tyler, quando o homem já estava fraco e morrendo.
Adam encarou o rapaz por alguns segundos, mas acenou e levantou-se, continuando seu caminho. Desviou de outro cavalo, jogou-se na lama, arrastou-se na grama, levantou-se e desviou de toda chacina, mas no final, pela terceira vez, não tinha conseguido salvar alguém que se importava.

Tyler sorriu no momento que notou a música terminando, temia que a interrompessem antes, mas quando a porta foi arrombada pelos guardas e ele colocou os joelhos no chão, junto com os braços atrás da cabeça, a música já tinha terminado. Observou os homens retirando seu pendrive e mesmo escutando alguns insultos, o sorriso permaneceu enquanto colocavam as algemas em seus pulsos e o prendiam, oficialmente.
O terráqueo engasgou-se com o próprio sangue ao quase gritar pela dor, quando tentou parar Tyler, colocando as mãos em seu rosto, que respondeu agarrando os dedos dele com os dentes e mordendo-os com força. Finalmente podendo soltar as mãos da garganta do cadáver, seus olhos cansados olharam em volta e viram toda aquela carnificina, tantos adolescentes sumindo e tantos morrendo, e tudo aquilo só provava como ele estava errado e como Jeremy estava certo. Cansado, apoiou-se no chão com os antebraços e encostou a testa no solo. Frustrado, soltou um grito de fúria e viu Kevin cair morto ao seu lado. Então, notou o que tinha em sua cintura.

Jeremy tentaria escapar se visse algum jeito de fazer aquilo, mas ao ver que estava cercado e logo seria confundido com um terráqueo, apenas suspirou e soube que era seu fim, nunca tinha visto aqueles homens, muito menos cavalos e homens montados neles, e soube ali que não conhecia nada da Terra, como pensava conhecer. Era um gigantesco novo mundo e os canibais eram apenas o começo.
— Assassino — escutou alguém dizer atrás dele. Quando virou-se para ver quem era, deparou-se com Jonathan e todos outros cem espalhados ao seu redor, sabia que era fruto de sua loucura, mas o medo e culpa o dominou no mesmo momento, era como um sonho que não podia acordar, por mais que tentasse. Então, ajoelhou-se no chão e escutou Cross mandando-o levantar, mas preferiu parar de adiar o que estava guardado há tanto tempo para ele, o que ele merecia.
Jeremy fechou os olhos e abriu os braços, esperando que de algum golpe viesse a piedade do seu sofrimento diário.

Caterine não queria morrer e isso criava um conflito em sua mente que não cedia em momento algum enquanto ela estivesse em pé no meio daquela confusão, queria ficar para tentar ajudar os amigos, mas ao mesmo tempo tinha uma vontade gigantesca de fugir pela floresta e não voltar nunca mais aquele local. Só parou de pensar naquilo quando seu corpo moveu-se por ela, virando-se para floresta, mas o que ela encontrou foi muito mais do que árvores, poucos metros dela um homem vinha com uma clava em direção à ela, provavelmente para nocauteá-la e levá-la como fizeram com tantos outros, e pelos poucos segundos de reação, Caterine paralisou. Foi jogada no chão por Adam que brotou atrás dela e esperou o homem vir, soltando um grito, ao desviar do cavalo e a clava inimiga, ao pular para o outro lado, acertando sua própria clava na perna do cavalo, fazendo-o derrapar no chão junto com o homem. Levantou os olhos para garota, mas sentiu os braços ao redor dele, abraçando-o.
— Sem carinho agora, você precisa sair daqui — disse ele em voz alta para que ela conseguisse escutar.
— Você não vem? — questionou surpresa.
Ele apenas deu um sorriso triste e olhou para sua própria perna, ferida. Caterine entendeu ali que o rapaz seria um fardo quando começassem correr para longe.
— Eu cuido disso, rainha — prometeu, ainda com o sorriso triste no rosto.
Caterine apenas o abraçou e devolveu o sorriso, olhando em volta uma última vez e depois sumindo nas árvores.
Adam olhou para floresta por alguns segundos, então virou-se para aquela confusão, adentrando-a novamente. Derrubou um homem de cima do cavalo, mas o mesmo jogou-lhe no chão com a força absurda que tinha e sem nenhuma arma para feri-lo, optou pelos punhos, acertando o rosto de Adam até que seu próprio sangue o cobrisse. Tentou pará-lo, mas era inútil, o terráqueo estava com as mãos em volta de sua garganta e apertava com tamanha pressão que não demorou para que Adam soltasse borrifos de sangue ao engasgar-se e sua visão começasse turvar, aos poucos, até que escurecesse completamente.
Então, a clareira que tinha apenas árvores e pedregulhos espalhados por ela, estava dominada de cavalos e cadáveres, que cresciam a cada minuto que passava.


A vastidão negra que era o céu naquela noite molhava Caterine com a chuva interminável, dificultando que seus passos lentos continuassem de maneira firme. Desde o momento que seus pés iniciaram uma corrida da clareira, a noite chegou e deu lugar ao dia novamente, e então escureceu novamente, mas até ali, ela não parou em momento algum, nem para beber, nem para comer, apenas continuava andando, com os olhos vazios e os braços balançando como se fosse um zumbi. Queria chorar, queria gritar, mas ao mesmo tempo não queria nada disso. Então, só restava aguentar o quão cansada mentalmente estava de toda aquela tragédia. Sentia-se quebrada por dentro, não tinha mais ninguém, estava sozinha naquela floresta e sem esperança. Caiu de joelhos, momentos depois, exausta, olhou para o céu e abriu a boca, deixando que algumas gotas caíssem dentro de sua boca. Deitou na lama e continuou olhando a escuridão que a cercava, estava num tipo de estrada, mas não ligava, o breu era tanto que em volta não via nada. Cerrou os olhos ao ser iluminada por dois faróis, assustando-a. Não tinha força de movimentar-se, então ficou parada com os olhos fechados até sentir uma mão balançando seu ombro.
— Ei, garota, tudo bem? — perguntou ele, preocupado.
— Sou da Arca — foi as únicas palavras que Caterine conseguiu soltar. — Sou da arca.
Com os olhos já fechados, dormiu depois de tantos quilômetros a pé sem parar.



Acordou dentro do carro, no banco de trás, viu nos poucos minutos acordada as árvores passando velozmente pelo exterior, enquanto a noite começava dar lugar para o alvorecer, e escutava a voz dos homens, falando sobre delinquentes e sobre ataques de selvagens, mas não deu atenção, voltando a dormir. Foi acordada novamente pelo homem que apertou seu ombro. Estava de manhã e ela sentia-se melhor após uma noite completa de sono, deitada. Espreguiçou-se e saiu do carro, ficando de boca aberta ao ver uma das estações da Arca projetando-se poderosa e grandiosa no meio do que parecia um campo.
— De que estação você é, menina? — perguntou o outro homem, no carro. Notou que vestiam o uniforme de guarda da Arca.
— Rural, mas eu estava na prisão — respondeu, temendo que a julgassem uma assassina.
Os homens entreolharam-se de forma estranha.
— Algum sobrevivente?
Caterine balançou a cabeça que não e os homens acenaram em silêncio. Quando começaram caminhar em direção às muralhas que circundavam a estação e o que parecia um acampamento muito melhor do que o deles, esperou calmamente as portas se abrirem e viu ali dentro uma quantidade grande de sobreviventes, desde jovens à velhos, olhando-a com surpresa. Mas Caterine só deu atenção à uma, que nunca esperou ver novamente, que nunca gostou de verdade, mas que ao vê-la de pé, tão chocada quanto ela, sentiu seu coração aquecer e tudo que fez foi correr em direção à ela. Abraçou Alice com tanta força que se a garota não tivesse feito o mesmo, estaria irritada.
— Pensei que nunca te veria novamente — disse Caterine, durante o abraço.
— Nunca pensei que ficaria tão feliz de vê-la novamente — respondeu Alice, soltando-se do abraço, mas sorrindo de uma orelha à outra. — Onde estão os outros? — questionou, olhando para o exterior dos portões, mas não encontrando nada.
Caterine como fez com os guardas, apenas acenou negativamente com a cabeça e Alice, entendendo na hora, teve o sorriso transformado numa expressão triste, mas que logo tornou-se feliz, mesmo que forçado, novamente.
— Como você chegou aqui? — questionou Caterine, intrigada.
— Longa história, que tal falarmos disso depois? — disse Alice ainda com o sorriso falso. — Quando cheguei aqui, recebi uma enxurrada de perguntas, mas o que importa mesmo é que uma delas foi sobre uma tal de Caterine com cabelos avermelhados e sobrancelhas chamativas.
Ao ver a expressão de confusa, Alice sorriu verdadeiramente, olhando para trás e procurando Lauren, encontrando-a saindo da multidão com uma criança segurando sua mão. Caterine ao ver Brandon olhando-a com o mesmo choque, ficou paralisada por muito tempo, até que mordeu o lábio e começou andar em direção à ele, iniciando uma rápida corrida que o rapaz a seguiu, jogando-se nela e recebendo um abraço fortíssimo.
— Eu nunca mais vou te soltar, seu nanico! — exclamou ela, beijando o rosto do garoto sem parar, que chorava muito. — Eu prometi que voltaria.
— Eu pensei que você estava morta — chorou Brandon, fazendo-a soltar uma risadinha devido a ironia do momento.
— Mas não estou e você nunca mais vai sair do meu lado, okay?
Brandon apenas acenou a com a cabeça e apertou-a mais ainda no abraço. Quando soltaram-se, Caterine deu mais beijos no rosto dele e disse:
— Volte para Lauren, okay? Preciso falar com minha amiga.
O garoto pareceu receoso de se afastar dela, mas ainda o fez, voltando para Lauren que deu um sorriso para Caterine que o devolveu com um tão verdadeiro que apenas sua mãe e seu irmão haviam visto durante toda sua vida. Voltou-se para Alice, ficando ao lado dela, então olhou para fora do acampamento da Arca, observando toda floresta em volta e montanhas ao norte, então acenou com a cabeça para o nada, perdida em seus pensamentos.
— O que foi? — questionou Alice.
— Nossos amigos talvez estejam vivos.
— Como assim?
— Estávamos vindo em grupo atrás dos fogos de artifício, mas fomos atacados por um bando de terráqueos em cavalos. Eu vi apenas alguns dos nossos sendo empalados pelas lanças, a grande maioria foi nocauteada e jogada em cima de cavalos. Vi Peter sendo nocauteado.
Alice ao ouvir o nome do rapaz sorriu, feliz de saber que ele estava vivo, pelo menos até aquele momento, e ao ouvir da possibilidade de continuar ficou mais feliz ainda.
— Eu não acho que sejam do mesmo povo dos canibais, Alice — disse Caterine. — Eles os levaram por algum motivo e precisamos ir atrás deles.
— O que fazemos, então? — Alice estava completamente confusa, mas mesmo assim escutava as palavras de Caterine, esperando que mais tarde as explicasse melhor.
Caterine olhou para trás e viu na entrada da estação, muitos membros do Conselho, observando-as.
— Daremos nosso jeito, sempre damos.




LEIAM AQUI PRIMEIRO COPIO MESMO A ESTRUTURA DO CHRIS FODA-SE

Não sou muito bom com esse tipo de coisa, então vou ser direto: Obrigado, galera, agradeço muito por todos comentários, dos mais pequenos aos maiores, todos foram de extrema importância para me motivar a escrever e me esforçar pra criar algo bom pra vocês, era muito bom mesmo ver vocês rindo e comentando no chat, teorizando uma vez ou outra também. Então, um segundo agradecimento à vocês pelos ótimos personagens criados, sério mesmo, tão de parabéns, consegui criar tanto tramas nessa temporada quanto nas futuras pra eles sem tantos problemas assim e isso é muito foda. Talvez eu tenha feito merda, fiz de fato com alguns no começo, mas espero ter dado um jeito e agradado vocês, se não estão agora, veremos se no futuro ficarão. De qualquer jeito, vocês são fodas.

E sim, futuras temporadas, porque com toda certeza vai ter uma segunda e também a terceira, mas claro que depende tanto de mim quanto de vocês, então continuem comentando e pá.

Minha escrita é mediana e em alguns momentos fica bem confusa, talvez por cansaço, devido o tamanho dos capítulos, mas espero que no geral tanto a temporada quanto esse último capítulo sejam entendidos por vocês. E qualquer pergunta, tamo aí.

Boa leitura, pessoal.





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50 Re: [Fic Interativa] Earth Kills em Dom Out 30 2016, 15:29

Chris

Porra, depois daquele capítulo 8 eu pensei que a season finale seria um capítulo morno só pra finalizar mesmo, me surpreendeu pra caramba.

Achei uma baita sacada ter deixado esse final em aberto dos personagens masculinos, melhor cliffhanger que esse só o de TWD. Mas sério, me deixou ansioso pra caramba pra saber se todos estão vivos, sem partes decepadas e etc. E sobre a escrita, achei que manteve a qualidade dos anteriores, tu está de parabéns por conseguir fazer capítulos dessa qualidade do tamanho que são, o que é outro ponto positivo.

Avaliando como um todo a fic, achei muito boa a forma que foi o desenrolar da história, pareceu mesmo que você tinha tudo em mente bem planejado e só ia pincelando com detalhes e improvisos básicos. Além de mim, acho que a Babi havia comentado também, sobre a diferença da fic pra série, você abordou coisas "originais" que funcionaram muito bem e foram criativas pra caramba. A parada tribal dos grounders foi bastante interessante, e agora essa nova galera tenho certeza que vai surpreender também.

Sobre os personagens, volto a apontar que da minha parte eu estou mais do que satisfeito de como você apresentou o Peter e acredito que todos devem ter gostado dos seus respectivos personagens também. Muitas vezes haviam diálogos/situações que eu achei foda pra caralho, desde o Peter e a Alice encenando enquanto o Tyler cantava, mostrando uma interação foda dos personagens, até esse diálogo do Jeremy com o Tyler de novo nessa season finale, mostrando um diálogo com mais peso dramático. Fora muitas outras coisas, como o Adam surtando, Caterine lidando com a "perca" do irmão e etc.

Mas agora vamos falar individualmente dessa galerinha da pesada:
Adão: Acho que o ponto alto do personagem foi os conflitos internos dele, como lidar com a culpa da morte da Lisa, não conseguir salvar a Alice e coisas do tipo. Mesmo a culpa não sendo necessariamente dele, tudo isso e mais o passado dele só tendem a fazer ele evoluir. Espero que esteja vivo mesmo após a surra que levou do grounder, o personagem tem mais a mostrar.
Alicia: Aeeee, sobreviveu! O plot dela com os canibais foi tenso pra caramba, mas de longe um dos melhores trabalhados. Prometeu que ia matar a galerinha e cumpriu, quero só ver as consequências que toda a tortura dos grounders causou no psicológico dela. Gostei bastante da personagem e estou curioso pra ver ela e a Caterine em ação pra resgatar os que sobreviveram.
Catarina: Uma das coisas mais interessantes que achei na personagem foi o fato dela a princípio ser a voz da razão do grupo, mas quando descobriu que seu irmão havia "morrido", se quebrou. Mas mesmo depois de tudo, motivou a galera contra os terráqueos junto do Adam. Que bom que o Brandon está vivo, assim na hora de resgatar os outros junto da Alice ela estará com as coisas na cabeça. Curioso pra ver essas duas trabalhando juntas no resgate.
Jeremias: Desde o começo tinha comentado que achei o personagem promissor devido ao transtorno de personalidade histriônica dele. (Nota:http://saude.umcomo.com.br/artigo/como-identificar-um-transtorno-de-personalidade-histrionica-1953.html). Como o Dwi havia dito no último comentário dele, o personagem é totalmente propício a virar vilão, e se não virar, deve ficar num vai ou não vai que gerará treta com o grupo da mesma forma, o que ainda assim é interessante.
Tales: O maior ponto positivo dele, ao meu ver, foi a transformação em líder. Mesmo não querendo liderar, na hora do vamo ver ele foi lá e fez acontecer, sem falar que tem um bom relacionamento com os outros personagens, até com o Adam no fim das contas. Mas em especial devo apontar a relação dele com o Jeremy, que como a gente conversou no wpp, é um Jack~Locke de sua autoria, essa dupla tem muito o que render no futuro, ainda mais se o Jeremy cagar no pau de novo, quero ver como vai ser o desenrolar desses dois. Único ponto que achei meio estranho no personagem foi a mudança para malandrilson meio repentina, foi algo meio bruto. Mas entendo que era para aproximar do que o Josh escreveu na ficha, então tá tudo certo.
E por último mas com certeza não menos importante Clô
Pedro:
Spoiler:
why peter is the best
Já falei do quão gostei dele na fic, então dispensarei comentários sobre isso. O maluco é a esperança do grupo, que anima a galera com as palhaçadas e etc. Acho os diálogos com ele sensacionais, e as situações então, nem se fala. Quero ver como vai ser o reencontro dele com a Alice, como ele vai reagir se algo acontecer com o Thomas/Lily, que já puxo um gancho pra falar que ESSA MINA É DO MAL, EU NÃO SEI PORQUE MAS EU NÃO CONFIO NELA NÃO.



Agora gostaria de sugerir uma correção de cena nessa season finale:
A galera de cavalo chega tacando o terror em todo mundo, eis que Peter pega um machado e corre na direção de um gritando:

- MORREEEE SEUS FILHO DA PUTA



Então ele corta a perna de um dos cavalos que derruba o cara que está em cima. O mano se levanta do chão e vai correndo socar a cara do Peter enquanto diz:

- CARALHO MANO TU MATOU MINHA ÉGUA

E por fim, Peter com o nariz sangrando começa a rir da cara do inimigo e responde:

- Fodasi kkkk nem ligo

Fim.



Mas brincadeiras a parte, a fic é sem dúvidas a melhor de todas desde o fórum antigo. Porque apesar da Menta ter escrito umas pirocudas e o Prime também, eram one-shots, não precisavam de desenrolar da trama capítulo por capítulo. Parabéns pela história, Gabriel, acertou na escrita, acertou na trama, acertou nos personagens. Tenho certeza de que na season 2 teremos muito mais surpresas como tivemos nessa aqui, e estou ansioso desde já pelo 2x01.

Nota para a temporada:

E uma dica para a segunda temporada:
SIGA O EXEMPLO, CARA, SIGA O EXEMPLO



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