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Clube do Filme - Koe no Katachi

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1 Clube do Filme - Koe no Katachi em Dom Dez 23 2018, 21:57

Luckwearer



Sinopse: A história gira em torno de Shōko Nishimiya, uma estudante do primário que sofre de surdez. Ela é transferida para uma nova escola, mas acaba sendo intimidada por seus colegas. Shouya Ishida, um dos valentões responsáveis acaba forçando-a para mudar de escola. Como resultado dos atos contra Shōko, as autoridades escolares tomam medidas sobre o assunto, Shouya é condenado ao ostracismo como punição, sem amigos para falar e não ter planos para o futuro. Anos depois, Ishida tenta reparar seus erros, para redimir-se com Nishimiya.

Direção: Naoko Yamada




Download: http://www.keroseed.com/post/koe-no-katachi-download-torrent/



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2 Re: Clube do Filme - Koe no Katachi em Sex Dez 28 2018, 04:04

Gulielmus

Acho que um simples “gostei” não definiria bem minha opinião, talvez um “me envolvi” seria melhor.

Faz tempo que não vejo um filme desse tipo, geralmente eu costumo passar longe de romance/melodrama e passo mais longe ainda de anime, embora nos últimos tempos eu tenha começado a abrir cada vez mais exceções. Eu diria que o filme até que não levou muito tempo para me prender, mas não sei dizer se isso é por eu já estar começando a me acostumar mais com essa mídia ou se é pela qualidade.

Julgar a parte técnica me é meio complicado, não vi tantas animações japonesas em filme pra entender muito essa parte, mas achei a animação e a trilha sonora bonitinhas. A parte mais de roteiro também acho meio complicada de dar um veredito “técnico”, mas mais pela forma que a história é contada. Em vários momentos eu fiquei incomodado com algumas coisas, mas não sei dizer se o incomodo foi com a forma que a história estava sendo contada ou se era um incomodo mais direto com os personagens e com as ações deles ali dentro.

Se conectar com o protagonista obviamente não foi muito fácil de início, com ele sendo colocado na posição de “escroto” da história e lentamente indo se invertendo, o que foi uma transição de ponto de vista muito boa. O que mais me ficou de problemático mesmo foi a passividade dele, que em alguns momentos me deixou bem irritado. Nos tempos modernos esse arquétipo parece ser bem popular com japoneses, deve trazer uma identificação bem forte com o jovem médio de lá, então não dá pra dizer que ele não seja acreditável ou coerente como pessoa.  

Mas é foda, porque praticamente todo o drama que rola no filme é causado pela falta de assertividade e bom senso dos personagens. De certa forma isso ilustra bem como são imbecis os problemas do cotidiano: coisas idiotas que são elevadas a extremos enormes por pura ânsias e sentimentalismos nossos. Não que isso impeça a história de ser envolvente, mas ainda me gera pensamentos do tipo:

“Empurra esse baixinho da sua frente e vai falar com ela, porra!”
“PORQUE TU DEU A SUA BICICLETA, IMBECIL?!”
“Por que ele já não foi direto desde o início e se desculpou logo?”
“Caramba, beija logo ela!”
“É SÓ FALAR QUE NÃO DÁ PRA ENTENDER ELA E QUE SE COMUNICAR COM SINAIS É MAIS FÁCIL!”
“Puxa ela pelo braço e chama pra ir na roda gigante COM VOCÊ”
"PORQUE CHAMOU ESSE MONTE DE GENTE PRA IR JUNTO?"
“Não, porra, essa imbecil tá falando merda, desmente o que ela disse e pronto!”
“Sim, você vacilou cara, agora bola pra frente"
“Por que esse imbecil tá dando papo pra uma maluca que ele não vê a anos?”
“POR QUE VOCÊ TÁ PERDENDO TEMPO E TIRANDO O SAPATO PRA ENTRAR EM CASA? CORRE LOGO E PUXA ELA DA SACADA!!!!!!!!”

Enfim, o filme me envolveu e nisso há mérito, fora ter umas baita GOSTOSAS pra incrementar a experiência. Acho que meu problema é mais de me identificar demais com esses tipos de conflitos mundanos, quase a ponto de me esquecer um pouco que estou assistindo uma história de ficção e começar a envolver minhas opiniões pessoais sobre o que está acontecendo na tela, e em como EU faria aquilo diferente. O fator cultural deve ter pesado bastante em mim, talvez se os personagens fossem mais jovens eu me incomodaria menos, porque porra, DEZOITO ANOS na cara. VIRA HOMEM!

3.5/5 no filmow.



 

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3 Re: Clube do Filme - Koe no Katachi em Sex Dez 28 2018, 18:29

Dwight

Spoiler:
Bah, que filme complicado de se comentar. Suspect

Ele tem vários pontos fortes e vários pequenos defeitos. Tenho alguma mínima noção sobre os (sérios) problemas de bullying, depressão e suicídio no Japão, mesmo que principalmente por meio de outras obras de ficção, e enquanto achei Koe no Katachi incrivelmente realista e sensível em alguns aspectos, me pareceu um pouco inverosímel em outros.

Em aspectos técnicos não há nada a se reclamar, o filme já abre com uma imagem linda de alguns peixes e, logo depois, tocando The Who. Apesar de eu não ser o maior fã desse tipo de character design, é fofinho e a qualidade da animação é de alto nível, assim como a trilha sonora que ajuda em várias cenas a compôr o clima de tristeza/exclusão. Não que eu entenda de direção, especialmente em animações, mas eu gosto quando a câmera foca em alguns pequenos detalhes, como a mão do personagem apertando o grafite da lapiseira ou segurando o bagageiro da bicicleta. Dá algum toque de realidade àquelas situações cotidianas.

No primeiro ato o filme é bem introduzido, não demorou a me fisgar e a me fazer sentir raiva do protagonista, mas ali já começaram as pequenas coisas que me incomodariam mais para a frente. Eu consigo comprar que as crianças são inerentemente criaturas diabólicas e inclinadas a atos de pura maldade, então eu aceitei a ideia de que quase todos ali agiam de má fé, se "divertiam" e, na hora do aperto, foram unânimes em encontrar um bode expiatório para pôr a culpa. Incluo nessa até mesmo o professor omisso, que diz claramente que todos sabiam que era ele, mas não fez nada para impedir. (Fiquei esperando essa discussão surgir, mas ela acabou caindo noutra personagem ainda mais filha da puta)

Acho que o filme podia ter explicitado um pouco mais o porquê deles se "incomodarem" com ela nessa parte, o fato de causar alguns (váriasaspas)atrasos(váriasaspas) para a turma e que seria a (váriasaspas)justificativa(váriasaspas) para o bullying, mas tudo bem. As pistas estavam lá.

Já na transição do primeiro pro segundo ato me vi perdido em alguns momentos. Na parte da Sahara e da Ueno, por exemplo, tinha entendido que estudavam longe dos protagonistas e não se viam a cinco anos, mas logo estavam se cruzando coincidentemente e saindo juntos. Não que isso seja um grande problema, claro, mas me deixou com a sensação de que alguns assuntos ficaram superficiais pelo fato de a mídia original (mangá) ter muito mais tempo para desenvolver história e personagens, mesmo sem eu tê-lo lido. O personagem ruivo, por exemplo, vem de lugar algum e vai para lugar nenhum, sem acrescentar absolutamente nada a trama. Esperei também algo com relação ao amigo loiro dele que ajudou a o culpar, mas só teve uma cena de segundos e uma citação no final. Não sei se essas coisas são discutidas no mangá, na verdade, mas são coisas que eu senti falta. O ponto principal do filme, contudo, que é a redenção do Ishida, foi muito bem lidada. Eu terminei o primeiro ato torcendo pra ele se foder muito, mas em certa parte eu estava torcendo por ele, então pontos ao filme por isso.

Em certo ponto quando se encaminhava para o final eu fiquei com o medo do filme cagar tudo com a morte do Ishida salvando a Shouko. Seria transformar a vítima, a Shouko, numa culpada, e o filme naquele momento flertou com essa possibilidade. Mesmo que não tenha acontecido, essa cena me incomodou por um motivo que eu não tinha pensado até ali: eu não sabia o porquê de a Shouko querer se matar. Ok, tinha o bullying e ela meio que explica depois, mas é de forma superficial, e eu notei ali que a gente sabe muito pouco sobre ela no decorrer do filme. Talvez isso seja por eu não ter me identificado tanto com o Ishida, tenho noção de que é um ponto completamente pessoal, mas eu sinto que o filme perdeu uma oportunidade de se fazer ainda mais relevante se tivesse focado no ponto de vista dela. Os dramas dele, o isolamento (e gostei muito do aspecto visual dos X's nos rostos, podiam ter se usado mais de artifícios do tipo para a linguagem de sinais) e a depressão, foram interessantes, mas eu acho que ela tinha muito mais a oferecer como personagem do que o mostrado.

Sobre as reclamações do Guliel, nada daquilo realmente me incomodou. É o "só falar para ela, funciona comigo", se o mundo fosse simples assim... Com exceção do sapato, discordo das outras situações, ainda mais tendo em mente a realidade japonesa. Achei o filme bem realista nesse sentido das relações humanas. Porra, se tu pensou “PORQUE TU DEU A SUA BICICLETA, IMBECIL?!”, tu não tava entendendo era porra nenhuma do arco do personagem. Suspect

Agora, o que talvez mais me incomodou, foram as personagens Kawai e Ueno. A primeira, e aqui talvez também pelo pouco tempo disponível, parece ser inocentada pelo filme o tempo inteiro, quando na verdade é uma das personagens mais escrotas ali. Ela praticamente personifica aquele comportamento de empurrar a culpa em cima de outro enquanto chora para tirar a atenção de cima de si, completamente manipulativa, mas acaba com a pinta de boazinha. Ela fez merda (e o filme não ignora isso, tanto que a Ueno a acusa de rir e depois apontar o dedo), nunca admite ou aceita seus erros, e isso não tem qualquer tipo de consequência. Já a Ueno representa bem os meus sentimentos mistos sobre o filme, as vezes ela é a personagem mais realista ali, a única a falar o que realmente se pensa, mas por outras parece que pesaram a mão ao vilanizarem ela. Por mais que eu acredite que nós somos ruins, faltou qualquer tipo de justificativa mínima para mim acreditar que ela é aquela pessoa horrível que fica o tempo todo diminuindo, humilhando e abusando psicológica e fisicamente de uma pessoa que ela não via a 5 anos, simplesmente porque sim. Por vezes, me lembrou o maior vilão de todos os tempos, DIO BRANDO WRYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYYY.

Sobre o final, apesar de compreender que o filme não é necessariamente um romance, ele introduz o conceito e não o conclui. Terminou o filme e ele continuou sem entender o que ela disse quando entregou o presente, o que me deixou com o sentimento frustrante de ter um assunto não acabado quando o filme chega ao fim e não há nenhum indício efetivo de relacionamento dos dois. Ainda assim, a cena final foi muito bonita, eu realmente gostei daquela sacada dos X's.

Enfim, já falei pra kct e não disse quase nada. Eu também dei 3.5/5, mas realmente gostei do filme. Quando se vem escrever aqui é sempre muito mais fácil falar daquilo que incomodou do que tecer elogios, mas na verdade eu achei que o filme chega muito mais próximos de criar situações realistas do que inverossímeis. A maior pena, talvez, tenha sido o fato de ser um filme, quando a história caberia melhor num anime, com pelo menos uns 10 episódios para explorar a história e seus personagens à pleno.

Mas as perguntas que ficam são: Por que caralhos o rosto da irmã dele nunca aparecia e o que foi aquele negão brasileiro? Suspect

@Gulielmus escreveu:
“Empurra esse baixinho da sua frente e vai falar com ela, porra!”
“Caramba, beija logo ela!”
“Puxa ela pelo braço e chama pra ir na roda gigante COM VOCÊ”

Spoiler:
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4 Re: Clube do Filme - Koe no Katachi em Sex Dez 28 2018, 19:21

Gulielmus

@Dwight escreveu:Sobre as reclamações do Guliel, nada daquilo realmente me incomodou. É o "só falar para ela, funciona comigo", se o mundo fosse simples assim... Com exceção do sapato, discordo das outras situações, ainda mais tendo em mente a realidade japonesa. Achei o filme bem realista nesse sentido das relações humanas. Porra, se tu pensou “PORQUE TU DEU A SUA BICICLETA, IMBECIL?!”, tu não tava entendendo era porra nenhuma do arco do personagem. 

Que nem eu falei, o envolvimento que o filme gerou comigo trouxe as coisas a quase nível pessoal mesmo, minha ótica tava bem menos como a de um telespectador assistindo a um filme e mais pra de um observador vendo "eventos reais". Vendo as coisas desse ângulo mais externo, sem qualquer imersão direta com a história, eu também não vi nenhuma incongruência de personagem no protagonista. A pessoa que ele se tornou depois de tudo que passou é plenamente coerente, ele me incomodou foi a nível pessoal mesmo. A barreira cultural que deve ter pesado bastante nesses meus incômodos, a nossa realidade aqui é bem diferente da do japonês médio.

Mas nesse ponto de retratar a "realidade" das relações humanas o filme foi realmente bem-sucedido, apesar de eu ainda achar que se os personagens fossem alguns anos mais novos todas as situações e conflitos, além da falta de maturidade deles, teriam me sido mais tragáveis e "acreditáveis". E o lance dos X também achei uma bela sacada, tinha esquecido de citar.
Spoiler:
E muito gostosa aquela irmã da surdinha, ein? Como que, nesses textões todos, nós esquecemos de citar isso?



 

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5 Re: Clube do Filme - Koe no Katachi em Sex Dez 28 2018, 23:59

Leonard

Eu vi o filme alguns meses atrás e apesar de ter gostado não me despertou o interesse de vê-lo novamente, dei algumas lidas e revi algumas cenas para comentar. Um ponto que me incomodou como o Guliel citou é a passividade do protagonista, principalmente quando envolvia a puta da Ueno. Uma parte que o Guliel citou em específico: “Não, porra, essa imbecil tá falando merda, desmente o que ela disse e pronto!” também me incomodou pra caralho, faz você perder a vontade de simpatizar com o protagonista. A cena da montanha russa que envolve a Ueno e a surda também é irritante, ele simplesmente ficou olhando.

O excesso de personagens também é um problema como o Swift citou, vejo muita gente falando que seria melhor um anime mesmo. Mas como o foco era a redenção do Shouya eu acabei nem ligando para os demais, exceto pelo gordinho.

No geral achei o filme muito bom, conseguiu passar bem a temática de bullying+redenção, bem como achei a interação dos dois decente apesar da passividade do protagonista. Fiquei sentindo um vazio com a relação ao final, igual o Dwight, deu a entender que tem romance mesmo e não o conclui, mas é um costume das animações e até mesmo dos filmes asiáticos desse gênero, então relevei.

Já vi muita animação e trilha sonora péssimas, beirando o amador, essa conseguiu se sobressair, gosto também como o Swifjt de cenas focando em coisas aleatórias, minhas preferidas são quando envolve paisagens e lagos. Então aspectos técnicos não tenho nada demais para falar.

Qualquer merda desse gênero, seja anime ou filme eu vou gostar mais do que deveria. No dia que assisti esse, por exemplo, todos esses pontos que citei eu simplesmente nem percebi ou não me incomodaram, exceto pelas cenas da Ueno/Kawai, então foi válido rever esses pontos hoje.



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6 Re: Clube do Filme - Koe no Katachi em Seg Dez 31 2018, 21:11

Minusmensch

Spoiler:
Um bom filme. Está longe de ter a profundidade e a qualidade de outras animações mais renomadas, mas se encaixa perfeitamente no estilo leonardiano de animações nipônicas, como AnoHana por exemplo.

Tecnicamente falando, decente. Dinâmico, vivo e contido. É competente em gerar os sentimentos que se propõe a fazer — Shouko de cabelo preso é realmente b-bonita — e sabe devanear nas horas certas, mesmo que por vezes caia no repetitivo, como nas cenas dos passeios de bicicleta. Shouko e a linguagem de sinais são expressas com perfeição: com serenidade e expõem o necessário da fragilidade. Releva-se os monólogos expositivos pois, infelizmente, são necessários para o entendimento.

O roteiro tem alguns problemas, pode-se detectar que a maioria é fruto da necessidade de se cortar algumas arestas para adequar a história a uma limitação temporal. Outros, no entanto, caem no levantado pelo Gulielmus, e típico em animações leonardianas: conflitos pueris e um drama que por vezes beira o piegas.

Confesso que tinha uma visão mais expectativa em relação a esta animação, por mais que ela faça parte de um círculo mais mainstream. Planejava vê-la já faz um certo tempo e, após a recomendação no Clube, eu perdi completamente essa visão. Sabe-se lá o porquê.



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7 Re: Clube do Filme - Koe no Katachi em Qua Jan 02 2019, 23:21

Prime

O que sempre me cativa nessas animações são os visuais, e a atenção ao detalhe é legal e bem satisfatória. Gostei bastante dos personagens e pra mim a história é muito bem contada, apesar de quaisquer dificuldades pra entender alguma minúcia eventual. O ponto forte pra mim é a direção que ele vai tomando, contrária à expectativa: eu achava que tudo se resumiria ao bully que se redime e se apaixona pela vítima no final. Por mais que tenha sido meio isso, na sequência final e em algumas partes prévias eu entendi que toda a história trata sobre o inferno que o protagonista fez com a própria vida e seus esforços pra lutar contra a vontade de desistir e, eventualmente, conseguir superar isso, como mostra a cena final - ele chora de felicidade quando percebe que descobriu finalmente o que é ter amigos, conseguir se relacionar com todos e que suas razões pra viver tão bem ali na frente dele.



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