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#Mesa 003 - Fire and Blood

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576 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Qui Jan 19 2017, 01:57

Josh

Skyron agachou-se próximo de Garrett, e com um olhar pesado o encarou, sem poder fazer nada para ajudá-lo. Sangue escorria nas extremidades dos lábios do pirata, acompanhando a correnteza vermelha originada na garganta. Seus olhos estavam nervosos e agitados, apesar de seu esforço em fixar seus olhares.

Em um momento, Garrett encarou Skyron, sorrindo. O capitão não pensou duas vezes e devolveu o sorriso, junto de um olhar triste, mas sem lágrimas. O velho estendeu a mão e Skyron apertou-a firmemente, do mesmo modo como faziam desde que se tornaram companheiros e quase irmãos, há muito tempo.

O loiro lembrou dos tempos em que ambos eram mais novos e o velho Garrett era ainda mais ousado e brincalhão. Os dois tornaram-se amigos automaticamente ao se conhecerem. Skyron ainda tinha nitidamente na memória o dia em que se conheceram em uma estalagem, quando os homens caíam em risadas com o Garrett cantando desafinadamente. O homem de ferro, que naquele instante estava com um alaúde, acrescentou uma melodia à música sem sentido do ousado pirata, que se empolgou ainda mais, dançando enquanto cantava, e aquele momento durou horas e mais horas. Aaron apenas observava o momento sorrindo, enquanto abraçava-se com duas mulheres de cada lado.

"Quero passar os últimos momentos da minha vida cantando!", dizia Garrett, agitado. Infelizmente, não poderia fazer isso. Mas Skyron tinha certeza que, se Garrett pudesse vociferar uma última vez, cantaria alguma de suas canções aleatórias de pirata.




 
Spoiler:

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577 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Qui Jan 19 2017, 03:30

Prime

─ Temo que omiti coisas de você, Talia, mas logo entenderá o porquê ─ disse Droenn, após entrarem nos aposentos da rainha. O queixo caído sobre o peito indicava que estava buscando as palavras certas para não soar como um louco. Rina sentava-se numa cadeira ao lado da sua, não quis mandá-la de volta para o quarto. ─ O que eu chamo de visões me incomoda há muito. Calçávamos luvas negras quando elas começaram e, como torço para que assim seja, creio que finalmente acabaram. De certo modo, é uma herança dos Filhos da Floresta, seres que uma vez habitaram este continente e acabaram influenciando os Primeiros Homens com suas crenças nos Deuses Antigos. Àquele que tem esses sonhos é dado o nome de vidente verde ─ ergueu os olhos à rainha, para ver se ela estava seguindo. ─ Enfim... Sonhei com a barbárie, com o fogo, com o gelo, com a abstração de cenas que até hoje me desafio a deslindar. Rezo para deuses quaisquer, para que certas cenas limitem-se ao imaginável, e apenas. Há algum tempo, num sonho, contemplei um Aerion maior sobrevoando Portões da Lua, e o que vi se concretizou. E nada me faz tirar da cabeça que Sor Duncan estava dizendo qualquer coisa menos a verdade quando disse que Jan Baratheon está morto, pois o vi no campo de batalha, avançando à frente de sua cavalaria. Estava tão vivo quanto o Targaryen contra o qual guerreava ─ encarou Talia, sem saber o que esperar. Lembrou-se de repente de Rhaego, esperava que quando Daeron voltasse, trouxesse consigo o guarda real que também era seu companheiro mão negra.



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578 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Sex Jan 20 2017, 00:32

Babi

Estava na bancada de seus aposentos servindo-se de bebida e comida quando o amigo começou a falar de visões, olhou-o duvidando da possibilidade daquilo. Pensava que sonhos proféticos já não faziam parte da vida que tinham, mas aqueles eram tempos em que as coisas que meses atrás eram impossíveis para ela se tornaram possíveis, dragões tinham voltado a nascer, um Targaryen considerado morto tinha se mostrado vivo, ela tinha voltado a Westeros e junto com tudo isso os Outros e o inverno. Sonhos verdes não chegavam aos pés de tudo o que estava acontecendo.

Assim que Droenn falou sobre Jan ainda estar vivo sua crença no que ele dizia se tornou total. Já tinha suspeita que aquilo não fosse verdade, mas sua surpresa foi quando falou do Targaryen que lutava com o homem em seus sonhos. Sentiu sua cabeça pesando, seria possível que Daeron estivesse vivo depois de tanto tempo? Forçou o olho e caminhou até a cadeira em frente ao Stark e sua esposa sentando-se para conter a tonteira que sentiu com aquilo. Abaixou o olhar direcionando-o aos papeis em sua mesa que tinha de enviar aos seus exércitos e manteve-os lá por algum tempo.

Não sabia como lidar em saber que Daeron estava vivo, sabia que se tivessem pego sua cabeça já teriam exposto para abalar a rainha, porem pensar daquela forma a destruía mais do que imaginava. Se o homem estivesse de fato vivo, pelo tempo em que tinha passado sem que ele voltasse, provavelmente estava em perigo e não era nas mãos do Baratheon, ou já estaria morto.

─ Como você pode ter certeza que isso não aconteceu naquele bosque, Droenn? Jan estava la, e de acordo com ele, foi o responsável pela morte de Daeron ─ Falou levantando o olhar para o Stark, torcendo para que ele falasse algo que terminasse com aquela hipótese. ─ Já tinha suspeitas que meu tio ainda vivia, e além da sua palavra, isso me faz ter certeza que esta dizendo a verdade, então por favor me conte tudo com que sonhou para que possamos tomar providencias. Se Daeron esta de fato vivo, muita coisa pode mudar.



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579 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Sex Jan 20 2017, 01:31

Prime

Notou os papéis sobre os quais a rainha colocou os olhos, mas não fazia ideia alguma do que neles estava escrito. Era de se esperar que palavras abruptas como aquelas mexeriam com o bem-estar de Talia, que acabou procurando assento diante do casal.

─ Como você pode ter certeza que isso não aconteceu naquele bosque, Droenn? Jan estava lá, e de acordo com ele, foi o responsável pela morte de Daeron ─ ela o inquiriu, levantando o olhar. ─ Já tinha suspeitas que meu tio ainda vivia, e além da sua palavra, isso me faz ter certeza que esta dizendo a verdade, então por favor me conte tudo com que sonhou para que possamos tomar providencias. Se Daeron esta de fato vivo, muita coisa pode mudar.

─ Porque não era um bosque ─ respondeu o Stark. Seus olhos ficaram vagos durante o mais breve momento, enquanto buscava nas memórias aquela cena. ─ E ao lado de Daeron, estava Serena, aparentemente ferida no rosto. Apesar disso, ela montava um cavalo, e em um traje notável, empertigava-se numa postura séria como quem se prepara para uma batalha. Ainda mais notável, a armadura do rei dragão impunha poder; atrás deles, uma infantaria e uma cavalaria aguardavam ordens. Os arqueiros içaram suas armas sobre suas cabeças quando Daeron os convocou, e do outro lado daquele campo, o Baratheon respondeu com um berro e uma investida ─ depois que contou, coçou o pescoço, onde os dedos daquele ser de gelo apertaram-se. Droenn virou a cabeça, de modo que a rainha podia ver as marcas que já não estavam acentuadas como antes. ─ Isso foi um presente por ter me aventurado do outro lado da Muralha em um dos sonhos. Como vê, eu tenho minhas razões para acreditar neles. O que pode ser feito quanto a Daeron?



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580 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Sab Jan 21 2017, 22:58

Luckwearer

— É minha culpa, é minha culpa — murmurava Alfer, repetidamente, bem baixo, para si mesmo, enquanto os homens ajeitavam-se para continuar seu trajeto.

Força Lannister: http://prntscr.com/dyomvn + 1 por conhecerem o local
Força Greyjoy: http://prntscr.com/dyomxl + 1 pela quantidade de homens


Quando a noite tornou-se mais clara aos primeiros sinais de um alvorecer, a invasão já havia acabado. Em contos, duraria dezenas de dias, talvez centenas para os bardos mais exagerados, mas o ataque durara apenas algumas poucas horas. Tão rápido, mas com tantas perdas.
Os soldados espalharam-se pelos corredores do Rochedo, iluminando os locais que tiveram suas chamas apagadas pelos inimigos, subindo por escadas ou elevadores, avançando mais e mais para o topo da montanha, conquistando cada andar e salão, matando cada inimigo que tentava pará-los. E no exterior, as coisas eram mais igualadas, mas também estavam indo bem, restando apenas passar pela ponte que dava na única entrada do grande local, mas que seria impossível de atravessar sem perder milhões de soldados pelas duas grandes torres em seu final, haviam duas no começo também que causaram algumas dezenas de mortes antes que fossem dominadas.
Quando o portão se abriu, os soldados das torres viraram-se para ver quem saía e ao verem os piratas, ficaram tão surpresos quanto os inimigos, mas não tão felizes, nem mesmo tentaram reagir, apenas soltaram suas armas e desceram, se rendendo. Aaron foi o primeiro a entrar na ponte, caminhando em direção ao irmão que carregava o corpo de seu melhor amigo, Garrett, com uma feição triste. O rei apenas acenou tristemente para seu irmão mais novo que continuou andando, com sua tripulação seguindo-o, atrás, pela ponte larga suficiente para que uma carroça e alguns homens passassem lado a lado.
Rochedo Casterly estava sob comando de Aaron Greyjoy a partir daquele dia.



Rhaego[Dwight]
Vestimenta: Trapos rasgados, fedidos e sujos, em seu peito há uma grande marca de sangue que fora onde a espada atravessara e agora havia outra marca de sangue, mais recente, com mais um furo de onde a adaga penetrara.

Daquela vez a escuridão não durara tanto. Um pouco antes de ser puxado de volta ao mundo real, algumas imagens de seu pai vieram em sua mente, lembrava-se que falavam sobre a fidelidade do homem para com o rei, sobre como estava numa época ruim e cheia de falhas, mas não recordava-se das palavras exatas.
Resfolegou desesperado, virando o rosto para o lado e vendo o sacerdote jogando-se na parede, sentado no chão e apoiado com as costas nela, virando sua garrafa de cerveja.
— Por que estou vivo? — questionou Rhaego, erguendo-se com dificuldade. Por ser a segunda vez, o pânico durara apenas nos primeiros instantes após acordar. Porém, sentia-se mais cansado, tanto fisicamente quanto mentalmente, na verdade, sua mente parecia completamente exausta e não podia culpá-la.
— Ele resolveu poupá-lo, provavelmente para te torturar pela eternidade — respondeu o sacerdote, soltando uma risada irônica. — Se eu fosse você, tentaria me matar novamente, e novamente, e novamente, até cansá-lo de ressurreições para finalmente ter paz.
Rhaego sentou-se, tentando organizar sua cabeça, confusa devido sua morte, fora a febre que parecia ter voltado e a dor de cabeça insuportável. Mas o que lhe incomodava mais era não conseguir lembrar das exatas palavras que seu pai dissera à ele, sabia que eram importantes, que trouxera consigo durante a vida inteira, mas simplesmente não conseguia lembrar-se delas. Não conseguia lembrar-se de muitas coisas, mesmo recentes, como quando conheceu Alayne e seus dois filhos, tentava trazer de volta as lembranças, mas não fazia ideia de como os conheceu, apenas que fora em um banquete. Nem mesmo sabia o que conversaram.
E ao contrário da primeira vez, aquela segunda parecia ter lhe impactado mais. Sentia muita mais raiva, ódio e frustração, assim como o cansaço, a tristeza e a exaustão estavam triplicados.
— Nunca entendi vocês, cavaleiros. Lutam e entregam suas vidas por homens que nem mesmo lembrarão de vocês. Seu rei fugiu e não voltou por você, e provavelmente nunca vai. Grande recompensa por seu sacrifício. — Prestando atenção no rosto do sacerdote, ele parecia bastante cansado e pálido.





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581 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Dom Jan 22 2017, 00:18

Babi

Assim que o amigo terminou de falar olhou novamente para os papeis sobre a mesa. Acreditava em tudo que tinha dito sonhar, e seu pescoço só deixava aquilo mais real. Pensava que os sonhos verdes eram como um plano intangível, mas assim que ele tinha mostrado, sua preocupação e surpresa tinham ficado claras.

Queria perguntar a ele sobre o que mais tinha sonhado, mas levaria aquilo devagar, já tinha tido uma sobrecarga de informações no dia, e estava completamente abalada. Acreditava que Daeron estava vivo como o Stark tinha dito, mas seus pensamentos levavam-a no caminho de que aquilo seria bom de mais para ser verdade, e que provavelmente o rei dragão não voltaria como tinha saído. Olhou para os dois em sua frente, antes de falar sobre o Tagaryen e seus planos, tinha que pedir para que Droenn não voltasse para la como tinha feito. Olhou para sua esposa percebendo que a conexão dos dois tinha aumentado, de modo a não parecer um casamento forçado como tinha sido, ficava feliz por aquilo, e sabia que ela também pensava o mesmo no que a rainha tinha a dizer. Suspirou encarando o amigo antes de falar:

— Quero te pedir para que não fique tentando ter esses sonhos, apesar de ter vezes como agora, que eles podem ser úteis para ganhar uma guerra, você claramente corre perigo neles. Por isso quero que prometa-me não correr esse risco se não for extremamente necessário, você é mais que um mercenário agora, Stark. — Falou dando um pequeno olhar para Rina. Agora Tem uma família também, pensou, mas se conteve ao que já tinha dito, deixaria o amigo decidir o seu próprio futuro sem que ela intrometesse, mas esperava que ele entendesse o que ela quis dizer. — Sobre os outros assuntos, Lucan tem certeza que seus homens queimaram Jan, mas creio que ele também tenha certeza que matei Lysa. O nosso querido Arryn fez uma emboscada milagrosa no meu tio e agora propõe que eu chame todo o exercito para um grande banquete de comemoração, mas sabemos o quanto essas coisas nunca dão certo para nós. Então primeiro... — Falou se inclinando e pegando um dos papeis já com selo em cima da mesa. —Tenho que diminuir mais meu ciclo de confiança...—rasgou a carta ao meio — E me garantir que dessa vez quem se surpreenda sejam eles. — Jogou os pedaços de papel e deu um sorriso para Droenn, mas assim que pensou no próximo assunto escondeu-o e engoliu a seco. — Sobre Daeron, onde quer que ele esteja, tenho certeza que corre perigo, e não ficarei esperando que por milagre ele volte. Enviarei homens para as redondezas do campo de batalha, mas não como se soldados procurassem por seu rei. Levarão suas armas para caso achem o meu marido em uma situação que possam eles mesmos ajuda-lo, mas servirão também como meus passarinhos, e infiltrados como comuns irão pedir por reforço caso encontrem Daeron em uma situação de dificil resgate. — Deu uma pausa olhando para eles — De resto, não podemos deixar que mais ninguém saiba disso, ou teremos mais do que meus homens atrás do rei. Falarei para Serena, mas gostaria que apenas nós e os homens que enviarei saibam disso.



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582 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Dom Jan 22 2017, 22:46

Dwight

Rhaego respirou lentamente, deixando o ar sair como um sopro de seus pulmões, firme e pesado, — mas não tão desesperador quanto na primeira vez. Quando seus olhos se abriram subitamente, memórias de seu pai afagaram-lhe a mente: como um sonho parcialmente perdido, mas extremamente vívido; memórias sobre como falavam da fidelidade do homem para com o rei, sobre como estava numa época ruim e cheia de falhas, mas não recordava-se das palavras exatas.
— Por que estou vivo? — Sua voz demonstrava uma firmeza que não era compartilhada por seu corpo. Inúmeras batalhas havia lutado, inúmeros ferimentos carregava em seu corpo, mas nunca havia enfrentado tamanho cansaço, físico e mental. Se existia qualquer limite, sabia que estava o mais próximo possível dele.
— Ele resolveu poupá-lo, provavelmente para te torturar pela eternidade — O sacerdote estava ao seu lado, sentado ao chão e apoiado na parede, virando sua garrafa de cerveja. Sua risada inflou o coração do tyroshi com raiva. — Se eu fosse você, tentaria me matar novamente, e novamente, e novamente, até cansá-lo de ressurreições para finalmente ter paz.
Ou talvez eu devesse matar você, e terminar com a diversão dele. As palavras escorregaram até a ponta de sua língua, mas deram volta. Antes de tudo aquilo as diria sem pensar duas vezes, mas talvez o cansaço lhe desse mais tempo para pensar agora; quem sabe realmente o matasse se a oportunidade aparecesse, ou quem sabe ele poderia vir a ser útil.
Rhaego sentou-se, e nada disse ao homem. Sua cabeça estava confusa, — tinha agora certeza que ardia em febre, — e doía como nunca. Mas, além disso, incomodava-lhe profundamente não lembrar-se das palavras de seu pai; eram importantes, bem sabia, suspeitava que lembrou-se delas por toda a vida, mas agora escapavam-lhe. Sentia que faziam parte de quem ele era, mas... quem o era?
Sua memória estava despedaçada, não se lembrava de muitas coisas, antigas e recentes, fugiam-lhe como sonhos que desapareciam logo ao acordar, deixando apenas pequenos fragmentos para trás. Como quando conversara com Alayne pela primeira vez, tinha memórias muito específicas sobre o momento: um vestido vermelho vinho com pontilhados brancos, os cabelos loiros presos em um coque trançado, o banquete e as crianças correndo em volta; mas sobre o quê haviam conversado? Como era o rosto sob os cabelos loiros? E o de seu pai? Lembraria ele os meios de navegar ao mar? Borrões nublavam sua memória, diferentes partes dela desvaneciam, e por um instante se sentiu a ponto de chorar num misto de raiva e frustração, ódio ressoava no fundo de seu peito. Não gostava nem um pouco da sensação de vulnerabilidade a qual sentia, abalado e exausto. Apertou os olhos com os dedos.
— Nunca entendi vocês, cavaleiros. Lutam e entregam suas vidas por homens que nem mesmo lembrarão de vocês. Seu rei fugiu e não voltou por você, e provavelmente nunca vai. Grande recompensa por seu sacrifício. — Prestando atenção no rosto do sacerdote, ele parecia bastante cansado e pálido.
"Cavaleiros", ecoou na sua cabeça, e riu por dentro, — somente na ironia podia encontrar agora algum divertimento.
— Não sou nenhum cavaleiro, — Decapitei todos os quais conhecia, — e pouco ou nenhum valor dou para a tão dita honra que os mesmos carregam. A honra de um cavaleiro é paga com a dor dos derrotados, heróis deslumbrantes que mascaram o derramamento de sangue que trazem. Não foram quaisquer votos vazios que me fizeram libertar Daeron ao invés de fugir, foi uma crença maior do que isso, mas não espero que você entenda. Caralho, acho que nem eu entendo. — Seu pai entenderia, tinha certeza disso. — Mas o que um homem como você pode falar sobre cavaleiros? A hipocrisia é equivalente. Um bêbado moribundo que serve como um cão, que ao ser chutado não ousa morder seu mestre. Você não parece um monstro como Kean, parece mais um de nós para ser sincero, como consegue dormir a noite sabendo que sua complacência frente aos desejos dele ajudam a torturar o espírito de tantos homens? Qual é a recompensa pelo seu sacrifício?



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583 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Seg Jan 23 2017, 00:40

Luckwearer

O sacerdote soltou uma risada ao ouvi-lo, deu outro gole e limpou a boca.
— Você está certo, sor — disse numa entonação claramente provocativa —, eu sou um maldito bêbado moribundo hipócrita. Tantos nomes para um homem tão simples quanto eu, sinto-me lisonjeado. — Tomou outro gole, dessa vez bebendo o bastante para que escorresse pelo canto de sua boca e o obrigasse limpá-la novamente. — Minha recompensa é viver diariamente com culpa. Não pelos horrores que já vi, mas sim pelos qual cometi. Eu sou um covarde, sor. Um homem que trai seus companheiros para sobreviver, porque tem medo demais de morrer. Nem mesmo uma gota de sangue escorreu de mim, bastou uma faca encostada na minha bochecha e eu já havia contado aos homens de Kean onde estava meu grupo. Sobrevivi porque meu líder ficou famoso por estas terras como alguém que reviveu pelas magias de um sacerdote vermelho e estou vivo até hoje porque a magia ainda funciona, mesmo que não tão bem quanto meses atrás. Acho que viver o resto da minha vida agoniado é uma boa recompensa para meus falecidos companheiros. — Sorriu tristemente ao dizer aquilo.
Ele tomou outro gole mais duradouro, passando da metade do que restava, limpou sua barba grisalha e virou os olhos para a pequena janela na porta, observando o tempo nublado lá fora.
— Um homem tão covarde quanto eu, que tem até mesmo medo de acabar com sua própria vida, não tem propósito algum. Mas, e quanto a você? — Virou o rosto em direção a Rhaego. — Eu sou um ninguém, fraco e medroso. Você é um cavaleiro da Guarda Real de um Targaryen, que diz não ser um cavaleiro, mas ainda assim luta numa rebelião que não é sua, pelo que vejo, e se mantém fiel até o último minuto. Você não é fraco. Mas me parece alguém que vive uma vida guiada pelos outros. Eu sei exatamente quem eu sou e pelo que vivo. Já parou para pensar pelo que você luta, pelo que você vive? Por que? O que lhe traz de bom? Se vale a pena? Você tem alguma ideia de quem infernos é você... sor? Se é que já soube disso com certeza alguma vez na vida.
E bebeu outro gole.





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584 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Qua Jan 25 2017, 21:46

Dwight

— Você está certo, sor — disse numa entonação claramente provocativa —, eu sou um maldito bêbado moribundo hipócrita. Tantos nomes para um homem tão simples quanto eu, sinto-me lisonjeado. — Tomou outro gole, dessa vez bebendo o bastante para que escorresse pelo canto de sua boca e o obrigasse limpá-la novamente. — Minha recompensa é viver diariamente com culpa. Não pelos horrores que já vi, mas sim pelos qual cometi. Eu sou um covarde, sor. Um homem que trai seus companheiros para sobreviver, porque tem medo demais de morrer. Nem mesmo uma gota de sangue escorreu de mim, bastou uma faca encostada na minha bochecha e eu já havia contado aos homens de Kean onde estava meu grupo. Sobrevivi porque meu líder ficou famoso por estas terras como alguém que reviveu pelas magias de um sacerdote vermelho e estou vivo até hoje porque a magia ainda funciona, mesmo que não tão bem quanto meses atrás. Acho que viver o resto da minha vida agoniado é uma boa recompensa para meus falecidos companheiros. — Sorriu tristemente ao dizer aquilo.
Ele tomou outro gole mais duradouro, passando da metade do que restava, limpou sua barba grisalha e virou os olhos para a pequena janela na porta, observando o tempo nublado lá fora.

Rhaego ouviu as palavras do homem em silêncio, descobrindo muito sobre o mesmo no processo. Quando o dia chegasse, — se o dia chegasse, — e tivesse outra oportunidade como aquela da floresta, se certificaria de sua morte.
Seus olhos acompanharam os do sacerdote, observando pela fresta o tempo nublado e o homem que guardava a porta pelo lado de fora.
— Um homem tão covarde quanto eu, que tem até mesmo medo de acabar com sua própria vida, não tem propósito algum. Mas, e quanto a você? — Virou o rosto em direção a Rhaego. — Eu sou um ninguém, fraco e medroso. Você é um cavaleiro da Guarda Real de um Targaryen, que diz não ser um cavaleiro, mas ainda assim luta numa rebelião que não é sua, pelo que vejo, e se mantém fiel até o último minuto. Você não é fraco. Mas me parece alguém que vive uma vida guiada pelos outros. Eu sei exatamente quem eu sou e pelo que vivo. Já parou para pensar pelo que você luta, pelo que você vive? Por que? O que lhe traz de bom? Se vale a pena? Você tem alguma ideia de quem infernos é você... sor? Se é que já soube disso com certeza alguma vez na vida.
Ele não sabia, de fato nunca soubera, e parecia agora estar perdendo o pouco que descobrira durante a vida. O mercador de escravos, Salladhor, Brandyn, Daeron... e quando tentava dar um significado maior para isso tudo, lutava por seu pai. Mas nunca por si mesmo.
— Eu era um escravo, marcado com ferro em brasa como um animal quando jovem. — Ele virou o tronco, mostrando uma marca na altura das costas. — Não importa quantas vezes me matem, isso sempre vai estar lá, um segredo escondido, mas não menos verdadeiro por isto. Eu servi, servi fielmente, até o final como você disse. — Meu pai também, pensou ele, lutou com honra, foi fiel, até o fim. E meu pai morreu. — Se vale a pena? Certamente não, nunca valeu, não fui feito rico, não ganhei terras, nunca me casei, nunca tive o castelo de minha família, minha única recompensa foi essa. — Falou, a mão mostrava as marcas de sangue onde havia sido morto, duas vezes. — E não tomo isso como uma coisa ruim, não. Minha vida não é guiada pelos outros, a serviço dos outros talvez, mas eu fiz cada uma das minhas escolhas que me trouxeram até aqui. Várias delas erradas, sem dúvidas, mas ainda todas minhas. Eu não tenho certeza de quem eu sou, o que eu sou, para onde eu vou; e sinto que cada vez mais perco as poucas certezas que eu tinha sobre isso. Mas eu sei que, quando minha hora chegar, terei vivido pelas minhas próprias regras, sem baixar minha cabeça covardemente, sem ser propriedade de alguém novamente. Não importa quantas vezes Kean me mate, você me traga de volta, ou Brack me surre, eu sou o homem que não vai ser quebrado, não por ele. — Ficou em pé, com esforço, a atenção ainda voltada para a fresta na porta — e você, quer se importe ou não, vai morrer como um covarde: seja nas minhas mãos, se eu tiver a menor das oportunidades; seja nas de Kean, caso sua bruxaria pare de funcionar.



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585 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Sab Jan 28 2017, 18:12

Luckwearer

Serena agarrou uma bolsa e jogou algumas roupas dentro, arrumando-a para mais espaço, pretendia pegar comida e garrafas de água também. Pouco antes, Talia chegara em seu quarto contando-lhe sobre tudo, sua primeira reação foi um sorriso de quem achava que era uma brincadeira, mas ao ver o rosto sério da amiga, levou a sério e não demorou para acreditar, mesmo que ainda com muita dificuldade, já havia visto um cadáver reviver no outro lado da Muralha, como vira também um dragão nascer.
— Serena, você vai morrer lá fora — disse Melisandre simplesmente, sentada numa cadeira em frente à lareira, que consumia os pedaços de madeira aos poucos, em chamas que ardiam forte e soltavam fagulhas no ar.
— Se meu irmão está lá fora, perdido e provavelmente ferido, o mínimo que posso fazer é ajudá-lo — respondeu a garota, terminando de arrumar a bolsa e preparando-se para sair do quarto. — E não é só ele. Desmond cuidou de mim a vida inteira e quando eu tomei flechadas correndo na floresta foi Rhaego quem me salvou. É o mínimo que devo à eles.
— Se for verdade o que Talia contou, os inimigos ainda estão lá fora. Se Daeron ainda está respirando, é porque está escondido em algum lugar, se não teria sido morto há muito tempo. É suícidio sair desse castelo. — Melisandre falava com mais firmeza após saber das visões, sentia-se mais esperançosa e viva ao saber que seu rei estava vivo, mas também questionava-se sobre seu próprio deus, afinal ela quem deveria ter noção daquilo. — Ele está ao seu lado na visão e vai continuar vivo até esse dia chegar, lembre-se disso.
Serena não chegou abrir a porta, apenas virou-se de volta ao quarto e jogou a bolsa na cama, sentando-se e enfiando o rosto nas mãos, com a cabeça pesada e frustrada. Queria estar ao lado de seu irmão, ajudá-lo, salvá-lo, mas os bons meses que passara em Dorne foram suficientes para que aprendesse a pensar mais e agir menos, a ouvir mais e falar menos.
— Algo está errado — murmurou Melisandre, olhando profundamente as chamas, mas apenas sentindo um calafrio em seu corpo. Estava congelando, esfregava as mãos ou alisava seus braços ocasionalmente, morrendo de frio.
— É claro que algo está errado. Nesses últimos dias os lordes nortenhos começaram saudar a Talia com respeito ao invés de a olharem torto, Droenn tem visões vermelhas... verdes, sinceramente, não sei.
— Verdes — respondeu a sacerdotisa.
— Isso. Meu irmão está vivo, Lucan pode estar contra nós, Jan foi morto do nada e agora ele não está morto, porque fingiu sua morte e na verdade está vivo. E meu dragão está tão inquieto que me parece ter enlouquecido. — Serena soltou um gemido agoniado, como se sua cabeça estivesse explodindo de tanta coisa para processar. — Essa guerra tá uma loucura — disse ela, agora em voz baixa, começando arrumar suas coisas.
Conforme tirou as roupas da bolsa, de uma delas caiu uma peça negra, do jogo de tabuleiro antigo que jogara com Doran Martell, mas que fora dado de presente à ela pela filha do homem. Pegou na mão e encarou por um tempo.
— É a peça de Ennaria? — questionou Melisandre virando o rosto para Serena.
A mão da garota fechou na peça.
— É.
— Pretende levar o conselho a sério?
Serena virou-se para ruiva, vendo-a morrendo de frio.
— Não. Primeiro não sou uma traídora. — Andou até a janela aberta. — Segundo, o dia que eu quiser reinar algo e me sentar num trono, não serei mais eu. — Jogou a peça que representava a rainha para fora da janela, vendo-a sumir rapidamente no abismo. Fechou-a e virou-se para mulher que agradeceu o gesto. — Você costumava ser seu próprio calor.
Em dias passados, a ruiva que esbanjava beleza por onde passasse, com seus cabelos e olhos tão vermelhos quanto fogo, agora era pálida e de cores mortas, mesmo que ainda fosse linda.
— Eu costumava ser muitas coisas — disse ela numa voz triste.
— Você teve outra pontada no peito desde aquele dia? — questionou Serena, preocupada.
Ela apenas balançou a cabeça negativamente.
Serena jogou-se na cama e fechou os olhos, não tinha sono, mas precisava pensar. E tudo que lhe vinha em mente naqueles momentos difíceis e que precisava refletir, era Doran Martell, que ajudara-lhe tanto naquelas coisas. Perguntava-se se um dia poderia jogar novamente com ele.


Sentou-se em frente ao homem, no outro lado da mesa quadrada e pequena que estavam, em cima dela havia um tabuleiro com várias peças ao seu lado.
— Cyvasse? — questionou Serena, costumava jogar com seu pai. Era boa ou pelo menos achava que era, talvez o pai a deixasse ganhar, nunca entendera bem as peças.
— Não, algo semelhante. É um jogo muito antigo que foi entregue à mim por um dos amigos de meu pai, tem semalhanças com Cyvasse, mas não é. — Doran Martell era muito carinhoso e atencioso com ela, via nele uma genialidade que mesmo tentando esconder, era visível, e por causa daquilo, ele a leu muito bem, deixando que tudo relacionado ao casamento andasse devagar, para que ela se acostumasse. — Quer jogar?
— Quero, mas não sei como e nem o que cada peça faz — respondeu confusa, olhando as peças que dividiam-se nas cores vermelha e negra. — Aliás, qual o nome disso?
— Elas não tem nome, nem o próprio jogo. Por isso, eu e meus irmãos as nomeamos por nós mesmos. Mas não se preocupe, lhe explicarei uma por uma, enquanto jogamos.
Serena acenou com a cabeça, ajudando-o arrumar as peças no tabuleiro, tinha tomado para si as negras. Notou que em cada uma delas havia dois números. Quando terminaram de arrumar, ele começou explicar e ela tentou prestar o máximo de atenção possível, talvez houvessem dicas que poderia aproveitar-se. Ele primeiro começou explicando as regras, dizendo que os números escritos em cada peça representavam seu poder em campo, o ataque e a defesa, que o objetivo era o mesmo dos outros jogos, capturar a principal peça no tabuleiro ou a rendição do oponente, mas que haviam algumas limitações e meios de crescimento, e essa era graça para ele. O jeito de destruir as peças adversárias era acertando-a por turno, diminuindo sua defesa até nada. Quando finalmente chegou o momento de falar das peças, Serena ajeitou-se na cadeira e estalou o pescoço, atenta.
A primeira peça, a principal do jogo, que eu gosto de chamar de Rei, é a única que pode mover-se para qualquer direção, com maior número de ataque. Mas sua defesa é pouca, então é sábio movê-la com cuidado. É a peça mais importante do jogo. Por poder se mover para qualquer direção, quantas casas quiser, ela pode salvar uma de suas peças inferiores, o que é o papel do rei, cuidar de seus homens e seguidores.
Mas quando seus olhos chegaram nas fileiras de corpos nos corredores do Rochedo, pequenas comparadas as da cidade, Aaron Greyjoy questionou-se sobre isso, se cuidava de seu povo realmente. Poderiam ter conquistado aquele lugar, mas perderam muitos homens no processo, muitos pais, irmãos e filhos. Lembrava-se de ver uma mulher, uma das escudeiras, com o cadáver de seu marido no colo, chorando como uma criança, e quando o viu, dirigiu olhos ferozes à ele, que mesmo rei e tão corajoso, encolheu-se, mesmo que internamente.
A partir daquele dia seria lembrado pelo resto da vida como um dos maiores ou talvez o maior conquistador Greyjoy, mas para si mesmo, talvez se recordasse como o seu pior erro.


A segunda peça é a Rainha, não tão importante quanto o Rei, mas tão poderosa quanto ele, de forma diferente. Ela não pode atacar, mas em compensação, seu número de defesa é gigantesco, por isso é sempre bom colocá-la ao lado de algo que você não queira perder. O que representa a rainha de fato, alguns podem subestimá-la, mas isso é bom, porque no fundo, ela é a mãe do reino, dos homens e de seu próprio rei. Ela não precisa de uma espada para derrotar seus inimigos, ela precisa de sua mente e sua genialidade, paciência e calma, e a rainha que sabe disso vai viver por muito tempo com o poder na palma de sua mão.
Estava caminhando por um dos corredores, naqueles últimos dias era mais difícil, lutar uma tarde inteira num campo de batalha lhe trazia menos dor na manhã seguinte do que a que carregava diariamente em suas costas e pernas, as vezes queria matar as malditas crianças quando começavam se mexer demais dentro dela. Seus olhos encontraram com um rosto familiar, o qual não saia de sua mente fazia algum tempo, mas que só ganhou dela um sorriso ao passar em seu lado no corredor, sorrindo para ela também. Quando Lucan sumiu de vista, o sorriso de Talia foi junto e sua mente voltou aos planos.


Outra peça, que tem várias delas, é o Soldado ou o Guerreiro, como você quiser chamar. Ele pode mover-se apenas uma casa, seu ataque e sua defesa são moderados, nem grande, nem pequeno. Na vida real, ele é considerado por muitos como uma "peça", que se move ao gosto de seu dono, seu lorde, seu rei. Mas eu os vejo diferente. Para mim, os homens que lutam por nós, líderes, são tão importantes quanto nós mesmos. Podemos criar um caminho para que sigam, mas nesse caminho sempre há obstáculos e coisas inesperadas, que destroem algumas das trilhas que traçamos, e eles passam por tudo isso, recriam seus próprios caminhos e as vezes seus próprios planos que concluem com sucesso o que queremos. Eles sangram, perdem amigos, familiares, perdem a si mesmo, mas nunca fraquejam, continuam em frente, lutam até o fim e muitos são fieis até o último minuto. Alguns caçoam deles e riem deles, mas nunca faça isso, Serena, porque talvez, no final, sejam eles os verdadeiros heróis. Não os cavaleiros de manto branco e armadura brilhante, lindos como nos sonhos das donzelas, mas sim os mutilados, cobertos de sangue, tanto deles mesmo, quanto dos inimigos e de seus próprios amigos.
O homem assoviou ao escutar sua ameaça e soltou uma risada, bebendo outro gole.
— Que esse dia chegue logo, então, meu caro sor.
— Soroht, saia daí logo, Kean acabou de chegar no castelo — gritou um homem de fora da cela.
O sacerdote jogou a garrafa de bebida para Rhaego.
— Tome proveito dela, você vai precisar. — E saiu.
Quando as portas se abriram, meia hora depois, Brack e outro homem o agarraram, arrastando-o para fora. Sentia, no fundo, que talvez aquele dia fosse seu último. Pensava bastante em toda aquela conversa e perguntava-se sobre o destino de Daeron, se havia escapado ou se tudo aquilo fora a toa. Mas o que deixava-lhe agoniado de verdade, era não lembrar-se das palavras de seu pai.
Gelou ao escutar um rugido e o grito de uma enorme plateia vindo da arena para onde era levado, mas ao mesmo tempo, não sentia-se tão quente por dentro assim há muito tempo. E não era por ter agido ou pelo gosto de sangue, mas um calor que não sentia desde a noite chuvosa que correra com Serena em seus braços. De certa forma, aquilo o tranquilizou.


O Sábio é uma peça curiosa, ele não tem força e sua defesa é baixa, mas tem o poder de destruir qualquer peça a duas casas dele ou paralisá-la a quatro, mas depois dessa única vez, ele vira um soldado normal. E eu creio que isso não represente nenhuma classe especifica, mas sim uma pessoa, uma que sabe das coisas, que se for paciente e esperto, pode utilizar-se do que tem e vencer o jogo. É uma peça pequena que pode fazer grandes feitos, afinal.
Droenn caiu na cama, colocando as mãos no rosto, estava cansado daquela vida dentro do castelo e de toda dor de cabeça que tinha, mas infelizmente não tinha opção se não fazer de tudo para que sobrevivessem. Viu Rina sorrindo para ele e perguntou-a por que sorria.
— Orgulhosa de você, por ter acreditado em si mesmo e ter usado aquelas visões para algo bom.
O Stark soltou uma risada meio morta, não tão animado quanto aquilo, se fosse verdade de fato, talvez dormisse ao lado do inimigo. Mas sua esposa, por mais atenciosa e boa que fosse, não tinha noção do que estava metida.
E naquela noite, quando ela dormiu, o Stark permaneceu acordado, sentindo aquelas marcas no pescoço com os dedos, perguntando-se o que significavam.


Quanto a essa peça, apesar de sua aparência feroz e ameaçadora, sua defesa é maior que seu ataque, que é um pouco maior que dos soldados. Nomeo-a como Guardião. Ela paralisa os dois turnos seguintes a cada vez que você a usa. Seu nome é Guardião porque o papel de um é ser forte, de proteger. Ao contrário das outras peças que em sua grande maioria são divididas em ataque ou defesa, essa serve para ambos. Nota-se outra peça igual a ela, porque são duas. E esse é o segredo dela, porque a cada dano desferido em uma, a outra recebe a metade em ataque. Não é da família e amigos que tiramos forças pra lutar dia após dia, sangrar o quanto precisar? Porque no final, tudo que queremos é protegê-la de todo mal que possa feri-la.

Alayne adentrou na sala do lorde Lannister que foi arrastado para uma das celas, abriu uma das gavetas e viu um colar com o rosto de um leão, era velho e mesmo assim devia valer muito, mas fechou a gaveta, abriu outras em busca de tinta e achou. Pegou um papel e começou escrever.

Rochedo Casterly não é mais seu, nem de sua família e nunca mais será. Os cadáveres de seus soldados estão espalhados pelos corredores e nas ruas fora deste lugar. Sua família está despedaçando-se aos poucos como você fez com a minha. Meu pai, meu tio, o pai de meu amor e meu próprio amor. Seu filho foi primeiro, agora seu irmão, o dedo que estou enviando dentro dessa carta é dele e espero que encare o resultado de seus atos com prazer, pelos dias seguintes.
E não ache que acabou aqui. Sou uma nortenha e o Norte não esquece, eu vou destruir o resto da sua família aos poucos, pedaço por pedaço, deixar que você olhe todos do seu sangue caírem aos seus pés mortos, e então, vai ser você.
Esta carta vem do que um dia foi sua sala, seus corredores, sua casa, sua cidade, suas terras. Mas não são mais. E nesta mesma carta, trago um aviso: se eu ouvir que seus pés tocaram nessas terras, vou enviar pedaços do seu irmão que sobrou e de seus sobrinhos, um por vez, até que suas cabeças cheguem às suas mãos.
Durma bem, Jordan Lannister, sua morte te espera e não vai demorar muito para que chegue.
— Alayne Karstark, Senhora de Karhold

Fechou o papel e encaixou no envelope, enfiou o dedo ali dentro e foi atrás de um corvo para entregar. Quando o pequeno animal sumiu nas nuvens, Hugar gargalhou atrás dela e a mesma sorriu.
Menos um.


Quando terminou de falar das peças, Doran iniciou outra explicação, dessa vez sobre os tipos de jogadores, explicando os métodos e táticas, para que ela escolhesse um e seu próprio jeito de jogar.
Dizem que os melhores jogadores são aqueles mais quietos, mais distantes e afastados, os mais misteriosos. Falam que se o inimigo não sabe o que esperar de você, já está muitos degraus acima dele. Talvez isso seja verdade, talvez não. Mas lembre-se de uma coisa, Serena, nunca subestime seus oponentes, talvez não os conheça o suficiente para isso.
Existem aqueles que tentam te enganar com blefes, expressões e muitas outras coisas.

Lucan sorriu para Talia ao passar em seu lado, mas logo voltou a ficar sério quando afastou-se suficiente dela. Sentia nojo daquele mulher, pensava que a conhecia, que seus insultos contra o tio eram um sinal de que era diferente. Mas no final, o homem e a mulher eram o mesmo, faziam qualquer coisa que os levasse para vitória e o meio entre aquilo não importava.

Existem os que esperam o momento perfeito para te atacar e, enquanto isso, deixam você fazer todas as suas jogadas.
Jan sentava-se no chão, comendo um pedaço de carne de algum animal, estava delicioso e a cerveja que acompanhava deixava tudo melhor, mas a única coisa que tinha sua atenção, era a imagem de seus inimigos mortos ou aprisionados. E por mais impaciente que fosse, naquele momento, naquela situação, o melhor era esperar.

E existem aqueles que são pacientes, calmos e frios, que ninguém sabe exatamente o que esperar deles, por não mostrarem muita emoção. Há alguns desses na vida real, alguns que ficam nos bastidores, o que faz com que poucos os vejam, mas que na verdade são os mais perigosos. Aqueles que você mais deve temer.
Jordan Lannister deixou o envelope cair na mesa junto do dedo com o anel de sua família, o anel de Tyros, seu irmãos mais novo. Ao terminá-la de ler, depositou-a na mesa também, enquanto sua irmã pegava e lia o conteúdo para ela mesmo. O lorde e Mão do Rei saiu da cadeira e moveu-se em direção à saída do salão.
— O que você vai fazer? — questionou Elyse Lannister, olhando o irmão.
Jordan virou-se, mostrando no rosto uma expressão um tanto furiosa, surpreendendo Elyse.
— Enviarei cartas para o leste, o oeste e o sul. Chegou a hora de acabar com as brincadeiras de Jan e dar logo um fim a essa guerra — respondeu num tom de fúria, saindo do local em seguida.
Era raro ver algo naquele rosto fora a frieza rotineira, muito menos escutar algum tom de voz que não fosse a  ameaçadora calma. E eram poucos os homens que provocaram aquilo e agora estavam vivos para contar história.

— Por que você está me falando isso? — questionou Serena, confusa.
— Você me disse que queria ser útil, ajudar sua família e seus amigos. Estou lhe explicando no que você está se metendo, Serena.
Ela olhou-lhe por alguns segundos, mas voltou os olhos para o jogo, conseguindo matar um dos Guardiões com seu Arqueiro, uma peça que podia atacar qualquer casa a quatro de distância, nada antes disso, e só podia mover-se para os lados.
— O que você espera que aconteça após o fim dessa guerra? Supondo que vocês ganharam. — Doran jogava também, calculava suas peças, mas na maior parte do tempo focava em Serena e suas próprias palavras.
Não precisou pensar duas vezes para respondê-lo, era algo que lhe vinha em mente desde o momento que quase afogara-se num dos portos do Norte.
— Eu gostaria que se fossemos os vencedores, houvesse um banquete com todos nossos amigos reunidos, muita comida, muita bebida, muitas risadas, muita felicidade. Muita canção — explicou com um sorriso lindo em seu rosto. — Que comemorássemos por dias... mas eu acho, que no fim dessa guerra, ganhando-a ou não, não teremos um banquete com muita comida e risadas, apenas uma pilha de corpos em nossos pés. Dos nossos inimigos. Dos nossos amigos. — Serena sorriu tristemente para ele quando terminou de falar e abaixou a cabeça, voltando sua atenção novamente para o jogo.
Doran sorriu bem levemente de canto, a garota era jovem, impaciente, impulsiva e muitas outras coisas, mas era esperta e madura, e via nela um futuro promissor.
— Você está certa — respondeu-a, ganhando sua atenção do jogo.
Toda vez que uma guerra começa, há mais perdas que ganhos. Sejam inimigos ou aliados, os homens que caem são homens que possuem famílias, que possuem amigos, todos com planos e sonhos pro futuro. Você luta, luta e luta, mas quando alcança o que quer, quando o poder finalmente é alcançado, você se pergunta: valeu a pena?
Colocaram o corpo de Garrett em cima de uma pequena plataforma de madeira que partiria-se no toque de algumas ondas, cobriram-lhe de algas e outras coisas do mar. Skyron olhou para o rosto de seu melhor amigo por uma última vez, lembrava-se de todas aventuras que embarcaram juntos, de todas confusões que meteram o outro e tiveram que se ajudar para escapar. Recordava-se exatamente de como o conheceu, em uma de suas primeiras viagens, um rapaz magricelo e desajeitado que passou vomitando durante toda navegação. Sentia orgulho de ambos, eram diferentes no começo, eram jovens e idiotas, e cresceram juntos, tornando-se o que eram hoje. Talvez não fosse do mesmo sangue que ele, mas sempre o considerara e sempre o consideraria como seu irmão.
— O que está morto não pode morrer, mas volta a erguer-se, mais duro e mais forte — ecoou a tripulação.
Alfer empurrou o corpo de seu pai em direção ao mar, após despedir-se e voltou para junto da tripulação. E Skyron apenas pôde ver o que fora seu melhor amigo um dia afastar-se nas ondas, até que uma das fortes o acertasse e o jogasse de volta para o mar.
Limpou os olhos lacrimejados e deu alguns tapinhas no ombro de Rodrik que chorava bastante, afastando-se dali.

É o momento que descobrimos que o fim da linha, a vitória, é tão vazia quanto a derrota. Quando descobrimos que uma coroa ou terras não compensam os corpos de nossos amigos estirados no chão, a quantidade de sangue em nossas mãos, os traumas, os pesos e as cicatrizes que carregaremos pelo resto da vida. Quem chega nesse ponto nunca mais é o mesmo, é quando você realmente vira um homem e deixa de ser um rapaz verde. E o triste que isso só chega quando você nota que está completamente vazio por dentro.
Daeron caminhou pelo que um dia já fora um vilarejo, mas que agora não passava de destroços, algumas casas ainda estavam desabando, em chama, mas tudo já estava acabado, em cinzas. Desviou de inúmeros cadáveres no chão, alguns queimados, outros apenas de homens mutilados e mulheres desnudas. Era claro que Kean chegara ali horas antes.
Encontrou o homem que vira correndo na floresta durante sua própria fuga, sentado no chão, com uma garotinha em seus braços e uma mulher bem ao seu lado, ambos cadáveres estavam irreconhecíveis por estarem queimados, mas ele parecia ter reconhecido.
— Cheguei tarde demais — disse ele, enquanto lágrimas rolavam por seu rosto. — Cheguei tarde demais.
Sozinhos naqueles destroços, em volta de morte e a quietude de apenas algumas chamas, a brisa e alguns pássaros, o rei olhou para o homem com tristeza.
— Sinto muito, Arthur.

Quando todos seus inimigos estiverem em seus pés, todos seus desejos em suas mãos, você vai notar que perdeu demais, que nenhuma daquelas vitórias compensará isso. Nunca.
No fim, finalmente percebemos que no Jogo dos Tronos não há vencedores, apenas perdedores. Esse é o nome do jogo que estamos jogando e do jogo que você vai entrar quando voltar para sua família.

Serena abriu os olhos e olhou para o teto de seu quarto. Queria ter dito aquela hora que já tinha esse vazio há muito tempo, mas não queria estragar sua felicidade, aquele pequeno momento que ergueu os braços para o alto e soltou um gritinho de vitória, rindo.
— Você venceu — observou Doran, surpreso.





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586 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Dom Fev 05 2017, 18:20

Luckwearer

Talia[Babi]
Vestimenta: Roupas quentes.

Droenn[Prime]
Vestimenta: Roupas quentes.

Um corvo chegou com notícias da conquista de Rochedo Casterly dias após seu sucesso, trazendo muita felicidade aos habitantes do castelo, que já cheia de esperanças devido o ataque sorrateiro e efetivo nos acampamentos de Jan, levando-o a morte, já tinham certeza que aquela guerra estava ganha, que estavam a salvo. Mas estes eram apenas os soldados e servos em sua grande maioria, um pequeno pedaço, sabia muito bem do que lhes aguardava pela frente, que havia muito mais. E alguns poucos, sabiam que o Rochedo Casterly fora a única conquista daquele mês.

Lucan anunciou um grande banquete, chamando todos lordes e nobres do Vale, espalhou por todo castelo a notícia desse evento. Pela demanda e a distância de alguns nobres da região, aconteceria apenas duas semanas depois, talvez um pouco mais, talvez um pouco menos.


Rhaego[Dwight]
Vestimenta: Trapos rasgados, fedidos e sujos, em seu peito há uma grande marca de sangue que fora onde a espada atravessara e agora havia outra marca de sangue, mais recente, com mais um furo de onde a adaga penetrara.

Aquele dia estava muito frio, a brisa era suave, mas gélida como as águas do Norte em suas épocas mais frias, o céu estava nublado e toda paisagem mais mórbida do que de costume.

Rhaego foi arremessado no chão pelos dois homens que o arrastaram de sua cela até o interior da arena. Estava em um dos espaços entre as seis fileiras de mármore, cheias de pessoas, em grande maioria soldados, esperando que a diversão começasse. A arena em si era pavimentada em areia, cercada por uma murada de pedra que possuía algumas cercas improvisadas em seu topo. Abaixo dele, escutava alguns rugidos meio sufocados, que chutou ser o tal urso que ouvira uma vez, enquanto trabalhava.
— Olá, guardinha — escutou a voz de Kean e viu seus pés quando ergueu os olhos, estavam bem em sua frente, olhando-o de cima.
Rhaego deu um sorriso irônico de alguns segundos para ele, enquanto se levantava para ficar em pé em sua frente.
— Eu realmente espero que hoje você esteja com toda sua glória, se não será menos divertido do que espero — comentou ele, sorrindo, dando alguns tapinhas no peito de Rhaego para limpá-lo da sujeira, não que adiantasse de algo, usava aquelas vestes desde antes de sua primeira morte, fediam como só os mendigos das piores ruas das piores cidades fediam, cheia de marcas de sangue. — Você realmente me fodeu dias atrás, sabe.
Olhando em volta, ao noroeste viu Cetim sentado num dos bancos, olhando-o aflito, no outro lado viu o ferreiro para quem trabalhara e sua filha, havia algumas crianças em meio aquela multidão, alguns moradores dali.
— Não encontramos seu reizinho, mas ainda estão procurando e quando o acharmos, vamos no mínimo arrancar algumas coisas dele. Eu pensei em fazer isso com você, mas eu teria que escolher entre um prazer imediato com sua dor ou algumas risadas não só de mim, mas de todos daqui, vendo-o nessa arena. Então, talvez você não tenha notado, mas eu gosto de rir. Minha escolha foi fácil e óbvia. — Envolveu os braços ao lado de Rhaego e começou puxá-lo em direção à arena, ao seu lado vinham Brack e outro homem, por segurança. Kean estendia o braço esquerdo, com a palma da mão aberta, deslizando-o da direita para esquerda, destacando o local que estavam, enquanto falava que ao chegarem ali, a arena estava deserta e bastante acabada comparada com o que estava naquele dia atual.
Rhaego notou que para onde ia, vários passados para esquerda e para direita, em cada lado havia um homem, com uma manivela conectada a um sistema de correntes, que pela experiência de seus trinta e poucos anos de vida, já sabia que serviriam para abrir e fechar um portão.
— Você me magoou de verdade, meu guardinha, me irritou como poucas pessoas conseguiram. Mas eu sou alguém calmo, sabe? Então consegui respirar fundo e ficar tranquilo. E eu parei pra pensar, por que te machucar mais, por que te matar novamente se tudo que eu quero é que seja meu amigo? Não é verdade, Brack?
— Sim, senhor.
— Então, eu decidi, ele errou comigo, mas eu errei com ele também, obrigando-o matar todos seus amigos. Eu acho que podemos ser felizes com o outro, agora que estamos no mesmo degrau. Estou certo, Brack?
— Sim, senhor.
Kean foi para trás de Rhaego e virou-o para encará-lo, colocou as mãos em ambos ombros do homem e abriu um de seus maiores sorrisos. Estavam muito perto das cercas de madeira.
— Eu te perdoo pelo que você fez, espero que você faça o mesmo. Perdão é algo muito bom, certo, Brack?
— Sim, senhor.
A vontade de arrancar um lasco do pescoço de Kean com uma mordida era insuportável de se controlar por parte de Rhaego, e nem ele sabia por que se controlava naquela altura. Seu ódio e raiva eram de um nível que ele nunca sentira na vida, tão grande que a segunda posição devia estar centenas de degraus abaixo, porém seu medo era muito grande, sua tristeza também, simplesmente estava tudo no limite. Ao mesmo tempo que queria atacar todos ali, não queria mexer um músculo, apenas continuar parado ali.
— Seremos grandes amigos a partir de agora, meu guardinha. — Kean dizia tudo aquilo com um grande sorriso, mas quando o mesmo diminuiu e se tornou um de canto, seu tom de voz ficou mais zombeteiro: — Caso você sobreviva.
E tirou as mãos dos ombros de Rhaego e saiu de sua frente. Nisso, Brack acertou um fortíssimo chute no peito do Velaryon que voou para baixo da arena, ao acertar as costas na cerquinha e quebrá-la. Perdeu completamente o ar quando bateu de costas na areia, ficando alguns minutos ali, atordoado.
— Por favor, não sobreviva, eu realmente não quero fazer nada do que disse, como perdoá-lo, viu? — berrou Kean enquanto andava para onde sentaria, gargalhando. — Joguem a maldita adaga como ordenei.
E no outro lado da arena, uma pequena adaga caiu na areia. A arena era bem grande.
Rhaego ergueu-se ao mesmo tempo que o portão, então quando viu o urso por trás da porta de madeira, os gritos dos soldados começando e alguns jogando pedra no animal para atiçá-lo — algumas das quais foram jogadas em Rhaego também, outro rugido saiu da fera, dessa vez mais furioso, enquanto ele levantava-se e caia de quatro, pronto para iniciar uma corrida atrás do único ser vivo em sua frente: Rhaego.

Mapinha: http://prntscr.com/e4wsmc


Alayne[Mary]
Vestimenta: Um bom couro sob uma cota de malha, vestia-se muito bem para aquecer-se. A Adaga de Obsidiana pendurada em seu pescoço.

Aquele dia estava mais frio que de costume, mesmo sob o sol quente da região. Alayne estava sentada num banco da praça, no centro da cidade, amolando sua espada com uma pedra. Atrás dela tinham inúmeros degraus de pedra que subiam até o pequeno septo de Lannisporto.

— Malditos mensageiros, você os envia para entregar uma maldita carta aos seus filhos e esposa, e após semanas, o maldito não volta com nada! Deve ter enfiado a carta na bunda e sumido por aí! — berrou Hugar, anunciando sua chegada com o jeito típico dele. — E quanto a você mulher, tem filhos lá também, conseguiu falar com eles?


Skyron[Josh]
Vestimenta: Roupas normais.

Sua tripulação estava numa área da praça da cidade portuária, sentados ou em pé, bebendo ou comendo, todos conversando, mas por mais interessante que fosse o assunto de seus homens, Skyron prestava bastante atenção no resto da população das Ilhas de Ferros, havia uma metade que estava feliz pela conquista, mesmo com tantas perdas, havia outra que estava tão furiosa com seu irmão que chegou escutar alguns rumores de que tentariam uma rebelião, mas ninguém deu muita atenção para isso.

Alfer estava ao seu lado, deitado de costas para o chão, com as mãos atrás da cabeça, apoiando-a nelas. Provavelmente pensando, desde a morte de Garrett o rapaz estava mais quieto e distante, só algumas vezes que mostrava sua língua afiada e sua arrogância com pitadas de estupidez. Se culpava pela morte do pai, e talvez estivesse certo. O clima da tripulação, mesmo que animado, não era mais o mesmo. Wyllam que sujou-se levemente com o sangue do velho amigo, ficou mais triste, era desajeitado e possuía sempre uma estranha animação, mas desde aquele dia estava estranho. Rodrik não bebia, as vezes dizia que sim para se sentir menos ridículo, mas nunca bebia, e o motivo era o fato de que quando começava, não parava, então quando o homem chegou numa das tavernas da cidade e encheu-se de bebida, tiveram que obrigá-lo parar para que não se entupisse de cerveja e morresse. Sua esposa Mearow sempre lhe dizia para não beber e que se bebesse o castraria, era uma boa e carismática mulher com um temperamento forte, que o amava muito e ele retribuía em dobro, mas que se soubesse disso, o mataria sem hesitar.

Quando começaram falar sobre o rei e tais rumores sobre rebelião, aquilo chamou atenção do rapaz alguns metros de distância de Skyron.

— A notícia da nossa conquista já se espalhou por todo continente, mas pelo que vi, todos agradecem e dão os créditos ao rei, sendo que fomos nós quem conquistamos o lugar, andar após andar, até abrir os portões para que ele entrasse — comentou Alfer sentando-se e chamando toda atenção da tripulação. — Quem merecia os créditos somos todos nós, lutamos e perdemos milhares dos nossos dentro daquele lugar. E nem mesmo o nome do nosso capitão é citado nessa cidade. — O rapaz virou-se para Skyron, confuso. — Por que você não parece se importar com isso? Era o mínimo que deveria ganhar.





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587 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Qui Fev 09 2017, 13:58

Josh

O peso no olhar do Greyjoy era visível. Se as coisas houvessem ocorrido de outra forma, Skyron e seus homens poderiam estar comemorando junto com Garrett e a alegria por ali seria muito maior. Mas o clima estava triste e obscuro, havendo pouco menos que a metade dos homens realmente felizes naquele dia.

Skyron estava mais distante do resto da tripulação, em uma das extremidades da praça, com Alfer deitado perto dele, olhando para o céu. O loiro tocava uma música relaxante em sua harpa, movimentando seus dedos levemente. Esperava que o garoto estivesse tão calmo quanto ele, vendo-o tendo um momento de reflexão que provavelmente envolvia seu pai. Mas Skyron não se deixaria enganar.

Depois de alguns homens iniciarem assuntos sobre o rei e supostos rumores de rebelião, Alfer interrompeu sua reflexão para prestar atenção no que diziam. Então, envolvido no assunto, resolveu falar.

— A notícia da nossa conquista já se espalhou por todo continente, mas pelo que vi, todos agradecem e dão os créditos ao rei, sendo que fomos nós quem conquistamos o lugar, andar após andar, até abrir os portões para que ele entrasse — comentou Alfer sentando-se e chamando toda atenção da tripulação. — Quem merecia os créditos somos todos nós, lutamos e perdemos milhares dos nossos dentro daquele lugar. E nem mesmo o nome do nosso capitão é citado nessa cidade. — O rapaz virou-se para Skyron, confuso. — Por que você não parece se importar com isso? Era o mínimo que deveria ganhar.

— Todos que lutaram merecem créditos igualmente, mas lutamos em nome do rei, e o rei lutou por nós. Para quem foi dado os créditos não importa. Recebemos a recompensa da Independência da mesma forma. E com a conquista do Rochedo e seu ouro, nosso povo poderá ter uma qualidade melhor daqui em diante - Skyron disse, apesar de ainda lhe incomodar o fato do domínio do Rochedo. Preocupava-se com as consequências.




 
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588 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Qui Fev 09 2017, 22:25

Dwight

— Por favor, não sobreviva, eu realmente não quero fazer nada do que disse, como perdoá-lo, viu? — berrou Kean enquanto andava para onde sentaria, gargalhando. — Joguem a maldita adaga como ordenei.

O animal rugiu, e seu rugido ressoou pelas muralhas do castelo. Rhaego agarrou a adaga com certo desespero e deslizou o olhar pelos bancos: Cetim, o ferreiro e sua filha, Kean, uma multidão de pessoas e reações. Alguns pareciam apreensivos e assustados, a grande maioria gargalhava. Pedras eram lançadas na arena, desviava das que podia, mas o urso não tinha a mesma agilidade. Rugiu novamente e lançou o corpo para o alto — em pé, era tão grande quanto Gregor Clegane, e possivelmente mais esperto, — causando um estrondo ao impactar as patas dianteiras de encontro ao chão. Por sorte o animal não correu diretamente a ele, aparentava certa precaução, — talvez de fato fosse mais inteligente que qualquer Clegane, — encarando-o com olhos famintos, saliva escorria de sua boca.

Suas chances não eram boas: podia ser destroçado em um golpe, de modo que seria sábio manter distância; mas tinha apenas uma adaga em mãos, e lançando-a dificilmente mataria o animal, obrigando-o a aproximar-se. Teria de fazer algo estúpido, de uma maneira ou de outra. A fera arrastou a pata no chão uma, duas vezes, e se pôs mais perto, Rhaego dançava em volta dele que acompanhava-o com atenção. Já havia enfrentando ursos antes, mas nunca com apenas uma adaga, e nem tão enfraquecido, sabia que sua melhor chance de sobreviver seria acertando-lhe por um ponto cego, em suas costas.

Tirou sua camisa esfarrapada e amarrou-a na cintura, nenhuma proteção lhe daria, mas talvez pudesse ser útil se ele não morresse na primeira investida. Poucos metros agora separavam os dois. A mesma tática do Clegane, ele pensava, nunca pare de se mover, ataque e afaste-se. Mas não foi ele a tomar a iniciativa, o urso avançou sobre ele e tentou abocanhar seu peito, mas Rhaego saltou para o lado e rolou sobre o solo. Sua mão livre agarrou um punhado de areia ao levantar, virando-se rapidamente para o urso e lançando-a nos olhos. O animal atacou com raiva, mas sem direção, suas garras passaram rentes ao rosto do tyroshi, mas bastou um passo para o lado e a fera estava exposta a adaga, mesmo que por um breve momento. Cravou-a na ponta da espádua e arrastou a lâmina ao longo do braço. Puxou-a com dificuldade e por pouco a adaga não ficou presa na grossa pele do urso; o animal urrava enraivecido, e só não despedaçou-lhe com a pata contrária pois não conseguiu manter o peso sobre a machucada, dando-lhe tempo para se afastar.

Muito aprendera nas arenas, sobre ursos inclusive, e sabia que o peso deles era suficiente para esmagá-lo se caísse sobre ele. Sua tática fora, então, fazê-lo sofrer com a própria vantagem, agora sentia muita dor para firmar o corpo na pata machucada, e seus ataques por mais ferozes que o fossem estariam mais lentos. Tinha um flanco para atacar, e com um pouco de cautela a vitória até então improvável estava encaminhada. Das muitas batalhas tivera na vida, a maioria delas eram em desvantagem, mas sempre era confiante de uma vitória. Nessa, no entanto, ela poderia se tornar uma agradável surpresa.



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589 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Sex Fev 10 2017, 22:30

Luckwearer

Não deixou que sua mente terminasse de processar as coisas que estavam acontecendo naqueles últimos minutos, Rhaego virou-se de costas e iniciou uma veloz corrida em direção à adaga, retirando sua camisa no caminho e amarrando-a na cintura. Escorregou pela areia, agarrando-a a tempo de virar-se para ver a fera bem atrás dele, pronto para abocanhá-lo.

Você precisa tirar 7 (2 + 5 porque é um fodendo urso) para escapar do ataque.

http://prntscr.com/e75gfw + 2


Enquanto a plateia urrava, gritando para que o urso o destroçasse, como se o animal fosse entender, o homem rolou pela areia, desviando da boca da fera. Pegou um punhado de areia e acertou os olhos dele, deixando-o confuso.

Você precisa tirar 14 (11 + 3 porque é um fodendo urso, porém confuso e sem visão) para acertar o braço dele.

http://prntscr.com/e75j89 + 3


O braço foi mutilado, mas em consequência o animal como reflexo atacou-lhe com a pata contrária, de forma desajeitada e desesperada, que acertou Rhaego de forma leve, principalmente devido o fato dele ter pulado para trás no último instante. Porém, mesmo uma ferida leve, ainda era um golpe das garras de urso e as três fendas no peito dele começaram sangrar bastante, enquanto a dor talvez fosse uma das mais insuportáveis que já sentira.

Ao mesmo tempo que surpresos, a multidão gargalhou e urrou novamente, ao vê-lo ferido. Era notável o desagrado dos moradores do castelo, bem quietos durante toda cena, alguns deles gritavam e riam, porém eram apenas estes, de resto a plateia resumia-se em soldados.

Você precisa tirar 9 (6 +3 porque é um fodendo urso e tá ferido) para matar o urso.

http://prntscr.com/e75p7h + 3


Queria que fosse rápido para que não corresse mais riscos do que já estava correndo, mas foram dez minutos completos até que aquela luta pela sobrevivência tivesse seu fim. Correu para longe aproveitando-se da pata ferida, rolou pelo chão, quase foi morto ao tropeçar e vê-lo em cima dele, de pé, desviou para o lado, só parando de rolar quando o medo finalmente morreu, e morrera a tempo, pois levantara-se logo no momento que a fera aproximava-se. Tudo isso só tirou mais berros e gritos desencorajadores da plateia, rezando e pedindo por sua morte, uma lenta e dolorosa morte, enquanto os moradores bem quietos saíram aos poucos. Das pessoas em silêncio ou que conhecia, apenas Cetim sobrara nos bancos, mas nada que Rhaego pudesse ver, estava ocupado demais.

Então, quando a oportunidade chegou, quando o urso tentou atacá-lo e desengonçou-se pela pata ferida, abaixando sua guarda, Rhaego Velaryon arriscou-se como sempre fizera, talvez pela última vez na sua vida, colocando-se bem em frente à ele, faltando um palmo para que encostasse-se nele, e cravou a adaga bem no centro da cabeça da fera, afundando-a até o final e torcendo um pouco.

O rugido de dor do urso, os gritos da multidão e qualquer outro barulho silenciaram-se naquele segundo. Parecia que todo castelo estava mudo, nem mesmo a brisa trazia sons macabros pelas milhares de rachaduras do local. E ironicamente, não em qualquer momento da batalha, mas naquele após o sangue do animal espirrar em seu rosto e o cadáver dele cair na areia, só ali que todo ódio, adrenalina, dor, medo, tristeza e muitos outros sentimentos acertaram-lhe em cheio.

Rhaego encheu os pulmões e berrou alto para que todo castelo escutasse, tão feroz quanto o animal que enfrentara. E matara.

E acompanhado do grito, um rugido mais feroz ecoou não pela arena ou pelo castelo, mas alto suficiente para que todos numa margem de muitos quilômetros escutassem. O sorriso e a admiração de Cetim durara pouco, assim como a surpresa da toda multidão, um choque que poucas coisas na vida traziam. Porém, era Kean quem sentia o maior peso em sentimentos ali, uma raiva que nenhuma palavra poderia explicar, uma frustração tão grande quanto, percebendo que talvez reviver aquele homem tantas vezes tivesse sido a pior decisão de sua vida e nem mesmo sabia por que, afinal ele poderia mandar arqueiros acertarem flechas nele a qualquer instante... mas por algum motivo ele temeu Rhaego naquele momento, temeu como se estivesse de mãos vazias e o inimigo de espada.

Todos da arena viraram-se para direção do rugido e de repente uma série de gritos espalharam-se por todo castelo, até mesmo de partes inabitadas, talvez até os fantasmas estivessem amedrontados pela visão de um dragão naquele lugar novamente. Rhaego não soube muito bem como reagir, não sabia se sorria ou chorava, se temia ou admirava, mas de qualquer maneira, ficou paralisado ao ver Aerion, o grande dragão branco de Daeron, surgiu pelo céu, maior ainda, tão grande que até mesmo os mais corajosos cagariam-se. (Ele tá bem grande mesmo, mas não tanto quanto nesses fotos: essa e essa, porém foi assim que vocês o viram e foi assim que provavelmente sentiram o maior frio na barriga em toda vida.)

O dragão pousou na Torre da Viúva, ficou ali por um tempo e da arena puderam ver uma figura em seu topo, que Rhaego soube quem era no momento que o vira e nunca sentira-se tão feliz de ver o rei como naquele momento. Geralmente apenas trazia notícias ruins. Quando a fera saltou, abriu a boca e dela soltou um jato de chamas que inundou a plateia em segundos, queimando centenas dos soldados e alguns moradores. Por um momento, temeu que Cetim tivesse sido consumido junto, mas viu-lhe correndo para fora do alcance das chamas a tempo. As chamas nos quais espalharam-se levemente pelo interior da arena também, bem fracas, mas ainda perigosas. No meio daquele ataque de Daeron, as chamas espalharam-se mais do que apenas pela arena, acertaram as torres e outros lugares também, não fora só o tamanho do dragão que crescera, mas também as ondas de chamas que saiam de dentro dele. E quando Rhaego viu que o peso do dragão havia feito muito mal aquela torre, a mais surrada de todas, já era tarde demais, ela já estava despedaçando-se em sua base e caindo em direção à arena.

Tentou correr em direção contrária de onde estava na arena, de onde tinha sido jogado, para tentar escalar, mas a torre mesmo tão grande, caíra tão rápido quanto impérios passados. Seu topo acertou em cheio a Torre da Viúva, entortando-a mais ainda, porém impedindo-se de cair no chão e ficando "pendurada" nela. O jato de chamas de Aerion fora tão forte que na explosão muito da torre ficou em chamas e vários de seus destroços por estar tão acabada, caíram dela quando bateu contra a outra torre e ficou presa nela. Vários dos destroços, caíram na arena e um dos muitos, alguns dos pedaços menores, bem menores, acertaram as costas de Rhaego e outro menor ainda, sua cabeça, de raspão. Caiu no chão com uma dor insuportável nas costas, o impacto na areia fez com que seu peito desnudo e ferido ardesse mais ainda e a dor sem descrição em sua cabeça, que sangrava, atordoou-lhe tanto que sua mente tornou-se uma confusão imediatamente.

Sua visão estava tremula como de um velho prestes a ficar cego, sua audição captava apena zumbidos agoniantes, o resto dos sons como explosões, gritos e outras coisas chegavam ecoando, doendo-lhe a cabeça, de forma confusa. Seu corpo todo doía. Virou suas costas pra areia e deixou seu rosto para cima. Seus olhos estavam cerrados, via com muita dificuldade os destroços caindo aos poucos por toda sua volta, despedaçando no chão, espalhando as chamas, alguns caiam ao seu lado, via as chamas voarem sobre seus olhos pelo ar, sentia o calor bem perto dele, e escutava acima de tudo o topo restante da torre caída deslizando pela Torre da Viúva, logo cairia pro chão. Em cima dele.

Naquele momento, soube que se não levantasse, logo seria esmagado pela torre, e se levantasse, teria que lutar por sua vida novamente. Tinha toda força para levantar, tinha toda falta dela para não levantar. Sua escolha era uma dilema, seus sentimentos eram um dilema. E em toda aquela desesperança, em todo aquele frio congelante que dominava seu corpo, uma faísca saltou do nada e para o nada, e diante de seus olhos lembrou-se de algo que havia esquecido com tantas mortes. Pulou em sua mente a imagem de seu pai com as mãos no rosto, era uma época muito ruim, estava errando demais para com o rei, erros que traziam cada vez mais problemas e prejuízos, recebia inúmeras repreendas e as pessoas falavam pelas suas costas, perguntando-se por que não abandonava o cargo logo. E lembrava-se claramente da imagem de vê-lo com as mãos no rosto, chorando, em algum canto do cais.

Rhaego escutou alguns gritos, provavelmente de Cetim, estava perto demais para que estivesse fora da arena e irritou-se ao saber que o rapaz pulara ali pra dentro, provavelmente para ajudá-lo. Lembrou-lhe muito de si mesmo, em dias passados, talvez os dias atuais antes de tudo aquilo. E quando as mil memórias que sumiram pularam diante de seus olhos, um pequeno sorriso brotou em seu rosto, junto de algumas lágrimas que escorreram pelos cantos dos seus olhos e caíram no chão.

Tantas memórias que haviam se perdido, que talvez nunca tivesse dado muita importância, mas que naquele momento aqueceram seu coração como nunca.

https://www.youtube.com/watch?v=kfrar1D0upc
(A cena basicamente é isso aqui de Vikings, para quem não viu os últimos episódios, recomendo não abrir.)

O começo de tudo aquilo, quando estava sentado com as costas apoiadas numa rocha, amolando seu velho arakh e observando o khalasar, grande como nunca vira antes.

De ter que limpar as lágrimas do rosto quando chegou sua vez de jogar uma das tochas em Brandyn Blackhand, o velho mercenário que considerara como seu segundo pai, que descansava em sua pira.

Dele e Droenn serem derrubados por um javali, cobrindo-lhes de vergonha conforme escutaram as risadas crescerem, principalmente de Talia que destacava-se entre muitos pela gargalhada única de sua família.

Sair no meio da chuva para o pátio de um castelo qualquer, junto de Serena, para agachar-se ao lado de Daeron e ajudá-lo passar pelo momento difícil, era sua primeira lembrança de fato que sempre lembrava do homem, e em seguida recordou-se de quando viu-lhe pela última vez, tão diferente, tão ferido, surpreso de vê-lo solto.

A primeira vez que conheceu Alayne, após seus filhos o atacarem sem querer, e da última vez antes de sair com o exército, quando acenaram com um sorriso para o outro, mal sabendo que talvez fosse a última vez que se veriam.

De correr pela escuridão da floresta, por muito e muito tempo, mesmo após seu corpo, principalmente seus braços, não aguentarem mais, e mesmo assim tirando força de onde não existia, tudo para sobreviver e salvar Serena ferida em seus braços.

O apertar de mãos com Daven, a última vez que o vira. E também quando salvou Droenn de cair da ponte por sua mão também, na invasão nas Gêmeas. Lembrou-se de disputar com Talia quem mataria mais inimigos e arrepender-se, junto dela, ao serem muito feridos e terem de ficar de cama muitos dias após aquilo.

Dos juramentos que fizera, junto de amigos e desconhecidos.

- Serei um de seus homens enquanto seu reinado for o que promete, comandarei uma parte da frota como bem disse e prometo recompensá-lo, não falharei - disse Rhaego, ajoelhando-se e estendendo seu arakh.

- Na batalha serei um de seus cavaleiros, na sabedoria serei um de seus conselheiros. Serei fiel à você, vossa graça - disse Shaddan repetindo o mesmo processo dos anteriores.

- Pela minha família irei segui-lo, para vingá-los do futuro trágico que tiveram, para salvar minha irmã. Prometo que o ajudarei a tomar o norte, serei seu lorde e o ajudarei na conquista do sul - jurou Droenn, ajoelhando-se e mostrando sua espada com empunhadura de lobo.

Quando Barristan cumpriu sua promessa de fazê-lo um membro da Guarda Real, colocando uma capa qualquer, mas muito significante, em suas costas após o fim do juramento e muito depois quando fez o mesmo com Kevan, iniciando-lhe como um irmão.

De ganhar a luva de Desmond e conversar com todos seus irmãos da Guarda Real.

Lembrou de cair de joelhos na chuva, ao ver o corpo mutilado de Shaddan.

E dias após aquilo, numa tempestade semelhante, ir até Ponta Tempestade para capturar a filha de Jan, onde conhecera pela primeira vez Cetim que lutara tanto ao seu lado.


— Senhor! Levanta, senhor! — gritava Cetim, ao seu lado, balançando-lhe.

Lembrou-se de todas lutas, das mais insignificantes às mais importantes. Do festival de cem anos da companhia, onde trocou alguns socos com companheiros antes da traição, de lutar para sobreviver dali, de vingar a morte de Brandyn ao matar o filho mais querido do Khal, das arenas em sua idade jovem, de vingar a traição de sua companhia matando Thoren Skullhead, dele e Cetim serem cercados no norte por inimigos e caírem juntos no chão, feridos, sobre seus cadáveres, de vingar a morte de Shaddan ao matar Gregor Clegane e muitas outras.

— Levanta, Rhaego! — escutou a pequena Serena gritando, chamando-o para o banquete.

E a última memória, a mais importante, que carregara durante toda sua vida, fora de aproximar-se de seu pai com as mãos no rosto e tentar ajudá-lo. Perguntar por que não desistia como todos pediam e receber a resposta que lhe fazia se erguer da cama todo dia, não importasse o que lhe aguardava.

— Não temo ser chamado de covarde, Rhaego, não é por isso que não desisto — respondeu com um sorriso. Limpara as lágrimas rapidamente, quando o viu chegando. — Nenhum de nós vive sem tropeçar e cair, não importa se uma vez ou milhares, nada disso são erros, são coisas normais, o verdadeiro erro é continuar no chão e não erguer-se. Se você quer algo, você tem que lutar por isso e é assim que a vida funciona, Rhaego. Ou você luta ou você fica pra trás. E não importa o que falem, o que digam pelas nossas costas, o que querem, o que importa é o que você quer e pelo que você vai lutar. Nunca se deixe ficar no chão, sempre se erga, Rhaego. Nem seu pai, nem você ficarão para trás, certo?

— Levanta, moleque, levanta, caralho! — gritava um dos mestres dos escravos para Rhaego, numa das suas primeiras lutas em arena, quando estava no chão, ferido.


— Levanta, senhor, a torre vai cair! — escutou Cetim gritando em seu ouvido, praticamente.

E acordou, recobrando sua consciência.

Spoiler:
Your choice, levantar ou ficar aí mesmo, deitado. Caso levante, é só dizer que correu com o Cetim pra fora da arena, o resto é comigo. É pra ser um post pequeno mesmo.





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590 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Sex Fev 10 2017, 23:21

Dwight

Levanta.



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591 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Dom Fev 12 2017, 14:21

Luckwearer

— Precisamos sair daqui, senhor — disse Cetim, ressaltando o óbvio.
Ambos avançaram o mais rápido que podiam para fora da arena, apoiados no outro, os ferimentos de Rhaego e seu cansaço estavam dificultando bastante sua caminhada, enquanto ouviam os destroços que seguravam a torre na outra caírem aos poucos, deixando-a escorregar lentamente, cada vez mais próxima de cair naquela área.

O braço que se estendeu da parte superior da arena foi de Daeron, agarrando a mão de Cetim após o mesmo pegar um impulso com ajuda de Rhaego, já lá em cima, o rapaz pediu para o rei segurá-lo pelas pernas enquanto estendia-se para baixo, afim de agarrar as mãos de Rhaego e puxá-lo para cima, como acabaram fazendo.

Não tiveram tempo de conversar, a torre logo cairia, então começaram correr, o Velaryon menos confuso e atordoado, porém com bastante dor ainda, tendo que circundar a arena para saírem dali, sob a enorme sombra da torre prestes a cair. Pouco depois que afastaram-se suficiente, a construção finalmente caiu no chão, levantando uma enorme onda de poeira que acertou-lhes com força e em cheio. Tossiram, balançaram os braços no ar para afastar a poeira, tiveram de limpar os olhos, seguindo o caminho pelas ruas de Harrenhal, mas quando finalmente sairam da fumaça, encontraram-se num pátio um pouco grande, imediatamente reconhecido pelo trio, fora ali onde as execuções aconteceram pela mão de Rhaego.

Lá haviam cerca de duas dúzias de soldados de Kean, em frente ao lugar de onde ele saíra junto do sacerdote a primeira vez que o viram. Quando notaram a presença deles, todos viraram-se para eles, as duas dúzias, dos quais pouco menos da metade sacou suas espadas e avançou em direção. O dragão não estava ali, mas distante em outras áreas do castelo que Daeron sabia onde havia um número mais concentrado de soldados, sob ordens do mesmo de maneirar suas chamas para não destruir o lugar ou matar mais do que o necessário. As ruas acertadas pelas chamas de Aerion possuíam apenas soldados, os moradores não estavam ali e nem deixavam que os homens entrassem.

Naquela área em especifico estava uma verdadeira confusão, uma revolta dos trabalhores que em número muito maior que os soldados, começaram atacá-los. Espadas, machados e outras coisas não faltavam, afinal eram eles quem faziam. Mas, naquele pátio onde o trio estava, eram apenas eles e os soldados que avançaram correndo para matá-los.

Só pararam quando uma figura entrou no caminho deles, com duas espadas, uma em cada mão. Edam viera de um dos três caminhos do pátio, fixando-se entre os sete homens e o trio, olhando-lhes sério. Os homens entreolharam-se, riram e continuaram seu caminho, um deles mais a frente, para cuidar do idiota sozinho.

Ele foi o primeiro a morrer. Edam lançou sua espada em direção ao peito do homem e atravessou-lhe, deixando o corpo mole cair de costas no chão e escorregar um pouco na lama. Correu em direção ao homens e escorreu também, mas de propósito, decepando uma das pernas do mais próximo durante o deslize, pegando a outra espada no peito do cadáver e erguendo-se rapidamente, começando defender-se da onda de investidas e estocadas dos homens em volta. Era uma visão surpreendente e impressionante para o trio, mas muito nostálgica e satisfatória para Daeron. E quando mal completou-se um minuto após o inicio daquilo, todos sete estavam no chão, mutilados e mortos, enquanto Edam coberto de sangue e com as duas espadas em mão, virou-se para os soldados que durante a cena prepararam-se para intervir, mas agora estavam amedrontados.

Ficaram mais alertas ainda quando uma dúzia ou menos de moradores surgiram de onde Edam viera, colocando-se ao lado dele.
— O que estão fazendo, caralho? Ataquem! Ataquem! — berrou Kean saindo de dentro do lugar e chegando no pátio, enfiando-se entre seus soldados e ficando a frente deles, finalmente vendo a dúzia de trabalhadores, Edam e bem atrás o trio. Começou rir, enfurecido. — Matem-nos, vão!

Edam iniciou uma série de passos em direção ao grupo, os trabalhadores mesmo com medo, engoliram em seco e avançaram atrás dele. Os soldados sem outra opção soltaram gritos de guerra e pularam contra seus inimigos, iniciando um combate entre todos ali. Daeron avançou contra o que foi em sua direção e começou uma troca de golpes com ele. Cetim correu para alcançar uma espada e ajudar o homem quando outro surgiu. E apenas Rhaego ficou sem uma arma nas mãos, com os olhos fixos em Kean que ao notá-lo encarando-lhe, soltou uma risada e começou recuar bem lentamente, andando para trás enquanto seus olhos estavam fixos em Rhaego. Entre os dois havia a confusão da batalha, mas havia espaço para que Rhaego atravessasse.

Spoiler:
Tem espada, machado e escudo caídos no chão, no caminho, caso queira, o Kean tem uma espada na bainha, na cintura, mas não vou rolar dado nem nada, tu faz o que quiser, desde uma batalha épica dos dois se fodendo até você conseguir matar ele ou só quebrar o pescoço dele com as mãos mesmo. Seja com arma ou com suas próprias mãos, tá aí sua vingança.

Na hora que você chegar nele: A) Ele vai começar gritar por ajuda, mas ninguém vai vir porque tá geral ocupado ou morrendo. B) Vai sacar a espada, mas ele não é lá um bom lutador não. C) Qualquer outra coisa, ele pode recuar com medo, virar as costas pra fugir.

Mapinha: http://prntscr.com/e7sjw0





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592 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Dom Fev 12 2017, 19:22

Mary

O Sol estava tão vívido quanto nos outros dias de calor, que eram maioria por ali. Mas naquele dia em especial, pôde sentir por instantes como seria estar em Karhold novamente, ao fechar os olhos e ser agraciada com o ar frio e fresco que predominava mesmo nos dias de verão nortenho. Ali, a brisa que fez muitas das pessoas vestirem suas peças de manga comprida, chegava até a pele desnuda de seus braços expostos, pelas mangas levantadas de sua blusa de linho, como um esperado convidado.

Amolava e recuperava cuidadosamente o fio de sua espada que pouco havia sido desgastado, apesar da quantidade de vidas que ceifara. Alayne sentia tanto quanto sua lâmina, que por pouco não havia continuado intacta. Os homens que matou não eram inofensivos, e haviam concordado com a morte ao levantarem de suas camas naquele dia, assim como Alayne fazia. Muitos deles possuíam tamanhas atrocidades escondidas por trás de suas armaduras, que não mereciam a morte rápida e indolor que lhes havia proporcionado. E muitos deveriam ter pensado o mesmo da loira, ao tentarem ataca-lá. Mas contava com uma pequena diferença: desde muito, os Deuses estavam ao seu lado. E até que percorresse tudo que lhe fora traçado, por eles, não haveria mãos fortes e lâminas afiadas o suficiente que a fizesse parar.

Alguns degraus acima do banco em que sentava-se, estava o septo. Hugar havia praguejado na direção do lugar de adoração aos Sete, desde o momento em que puderam enxergar o interior da grande cidade. O exterior era adornado com janelas coloridas, repletas de figuras desenhadas que reluziam à luz do sol forte que banhava as ruas da cidade. As grandes portas polidas destacavam-se com mínimos detalhes em ouro, que multiplicavam-se de acordo com a iluminação. Poderia ser considerada uma ostensiva construção para aqueles que agradavam-se com aparências e primeiras impressões, como deveriam fazer os povos do Sul. Mas assim não fazia Alayne e os seus Deuses, e o povo por qual olhavam. Não agradavam-se com tais futilidades; assim como Hugar, que havia surgido ao lado de Alayne, bufando em direção ao septo.
- Malditos mensageiros, você os envia para entregar uma maldita carta aos seus filhos e esposa, e após semanas, o maldito não volta com nada! Deve ter enfiado a carta na bunda e sumido por aí! E quanto a você mulher, tem filhos lá também, conseguiu falar com eles?
Manteu-se quieta por alguns segundos para processar os berros juntamente com a voz tempestuosa do homem, que caminhando ao seu redor, bloqueava os raios de sol.
- Também não. Aparentemente, de todos os mensageiros enviados, nenhum voltou. Nem o mais lento cavalo demoraria tanto tempo para voltar. Todos os dias penso na possibilidade de ir pessoalmente apenas para certificar-me de que estão bem e seguros. Não acredito que estes piratas conseguiriam notar um sumiço. - Deu um sorriso triste enquanto Hugar deliciava-se em estrondosas risadas, como sempre fazia ao depreciarem os homens de sal. - Falando neles, são poucos os que me parecem confiáveis. Alguns da maioria restante aparentam ter vindo apenas pelos puteiros das cidades onde passamos e devemos passar. - Suas palavras carregavam uma ligeira preocupação. Assim como o resto dos nortenhos que acompanhavam, não apreciava estar junto com homens como aqueles. Hugar talvez fosse, o que deixava seus sentimentos em relação aos piratas totalmente explícito. Preparou-se para a enxurrada de coisas que o homenzarrão teria a falar.



 

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593 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Dom Fev 12 2017, 20:10

Luckwearer

Alfer apenas fez uma expressão de desagrado e balançou a cabeça mostrando que havia entendido, ergueu-se e caminhou para longe.
— Qual é, volte jovem! — gritou Croan, um homem normal com uma barba enorme e um cabelo longo, ambos grisalhos.
— Deixe-o sozinho — respondeu Rodrik descansando a cabeça no chão, devido a alta dor de cabeça que tinha.




Você enviou um mensageiro um dia após o anuncio do banquete, afim de esperar que as coisas se acalmassem no castelo. Fora entregue à ele um dos cavalos mais rápidos, porém, passou-se uma semana e você não viu nenhum sinal dele voltar, nem sozinho, nem com o exército.

Nessa semana que passou, chegaram alguns lordes do Vale que já não estavam ali, trazendo muitos homens e soldados, mas também suas famílias, como esposa e filhos. Os primeiros a chegarem formaram uma pequena arena improvisada com cordas ao redor de terra para que cavaleiros e briguentos disputassem por ouro, para que o tempo passasse.

Em números no interior do castelo, Talia devia ter 2/3 de Lucan. Tinha mais antes do ataque surpresa à Jan, porém devido a chegada de uma cavalaria relativamente grande, o número do inimigo estava maior.

O castelo em si não era muito grande, era modesto, usado apenas para que os habitantes do Ninho descessem para morar ali enquanto o inverno congelava o topo da montanha. Possuía três andares: o primeiro onde havia uma área para cavalos e animais perto de sua entrada (usado apenas em momentos como o cerco ou muito frio, fora isso ficavam numa área no exterior), pequenas salas (como de armas, estoque de comida, etc), o salão principal do castelo (onde ocorreria o banquete) e inúmeros corredores; o segundo andar era composto de muitos corredores também, porém em sua grande maioria de quartos, era onde havia mais deles, e onde todos nobres ficavam — pela grande quantidade deles, muitos estavam vazios; o terceiro andar era o topo do castelo, onde possuía as duas grandes torres de vigia e as ameias.




Hugar gargalhou com os comentários de Alayne, qualquer coisa que ofendesse os piratas era um belo agrado aos seus ouvidos.
— Vê como estão furiosos com seu rei? — perguntou Hugar, rindo. — Ouvi dizer até que pretendem uma rebelião ou coisa do tipo, e por mais que eu gostasse de ver esses merdas se matando, isso vai nos trazer problemas. Mais do que esses filhos da puta já trouxeram. Se ousarem nos trair e abandonar essa guerra depois de ganharem ouro, eu vou atrás desse loiro veadinho que chamam de rei e vou enfiar aquela espada brilhante no cu dele, pra ver se o maldito nota que não parece um homem e sim uma donzela vestida de homem.

As pessoas em volta olharam para o brutamontes assustadas, enquanto Alayne tinha uma expressão um tanto quando envergonhada e, bem levemente, assustada com a fúria do homem que estava sendo muito maior que esperado.

— Essa guerra já está por um fio, se piorar estamos mortos. Não acredito que a rainha consiga cuidar dessa guerra e como aquele Targaryen louco que chamávamos de rei morreu, tudo está pior ainda. Mas pelo menos existe algo bom nisso tudo: com essa dominação do Rochedo, seu dono deve vir aqui. — Sacou seu machado. — Deixe-o vir, vou arrancar seu pau e fazer com que engula, então vou decepar sua cabeça e fazer com que seus familiares comam no jantar! Vingaremos o Casamento Vermelho, garota.

Alayne diria algo se não fosse pelos primeiros flocos de neve que caíram sobre ela, desviando completamente sua atenção do brutamontes para os pontos brancos que surgiram das nuvens, naquele dia frio e nublado. Horas depois, quando Rochedo Casterly e Lannisporto foram apresentados pela primeira vez à neve depois de tanto tempo, a loira sentiu-se acomodada como não sentira há muito tempo.

O inverno havia chegado, afinal.





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594 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Dom Fev 19 2017, 16:38

Luckwearer


Quando o exército de Talia finalmente chegou ao Ninho da Águia, faltavam pouquíssimos dias para que o banquete acontecesse, porém o que mais a intrigara era a ausência de seu enviado, nem mesmo aparecera nos acampamentos, de acordo com os comandantes fora outro homem quem entregara a carta e sumira durante a ida para lá.
Os vários lordes do Vale que chegaram aos poucos trouxeram com si inúmeros homens e alguns trouxeram suas famílias também, mas pouco importavam diante dos números que aos olhos de Talia, analisando-os, deveriam ser um pouco menos da metade do exército dela. E dentro do castelo em si, sabia muito bem que cada homem que possuía, Lucan tinha o triplo. Ordenou que todos comandantes espalhassem para seus soldados que as chances de que alguém dali os traísse ou mesmo ocorresse um ataque de fora eram enormes, e que se quisessem viver mais um dia recomendaria que não bebessem mais do que alguns copos ou mesmo que não bebessem uma gota. Os homens tentaram descobrir mais, perguntando-lhe coisas, mas logo os calou dizendo que sabiam o suficiente.

Chegado o dia do grande banquete, tudo já estava muito bem organizado. Inúmeros barris de bebida chegaram das mais variadas regiões do Vale (alguns por encomenda, alguns por gestos nobres dos lordes que foram convidados), dezenas de carroças de carne e outros alimentos, algumas arenas improvisadas foram feitas para entretenimento e todo exterior quanto o interior do castelo estavam completamente enfeitados e bem arrumados.
O sol estava se pondo quando começou, o céu laranja e o clima mais frio que de costume, o grande pico que jazia o Ninho coberto de neve denunciava o inverno, assim como os pequenos flocos de neve que caíam sobre os campos e Portões da Lua, não suficiente para que transformasse a região em branco ainda.
O clima festivo começou cedo no exterior do castelo e pouco depois dentro do salão onde ocorreria o banquete real. A grande maioria dos lordes nortenhos estavam todos ali dentro com suas armas e cheios de suspeita, devido o aviso de Talia que poderiam haver traidores entre si e sua desconfiança grande de que Jan ainda estivesse vivo, mas junto deles estavam todos lordes do Vale também, dezenas de soldados dos Arryn e dezenas de soldados de Talia também. Porém havia um detalhe que a mulher notara naquele mesmo dia, as famílias tinham pessoas jovens, mas todos na margem de dezesseis anos e rapazes verdes que aparentavam saber usar uma espada, as esposas eram mulheres com pouca aparência de esposas reais.

Quando o salão encheu-se de vozes, risadas e outros barulhos de qualquer banquete comum, Serena, Talia e Droenn estavam fora dele, no corredor que levava tanto à ele quanto a saída do castelo, conversavam sobre o que fariam ali, sobre estarem atentos, mas que não garantiria sucesso algum e que de qualquer jeito não puderam encher o castelo de mais homens, pois o espaço era curto e já tinha muitos de Lucan, o que só piorava a segurança deles ali dentro. Porém, toda essa conversa foi pelo ralo ao verem um grupo de duas dezenas de homens dirigirem-se para o salão, todos piratas pela aparência, um pouco mais arrumada que de costume para disfarçar, mas ainda desarrumados, separando-se dos irmãos Greyjoy apenas quando Talia chamou ambos em voz alta.
— Olá, querida, há quanto tempo. — Aaron respondeu o chamado sorrindo.
Droenn tirou os olhos dos irmãos aproximando-se e viu dois lordes nortenhos que conhecia muito bem dirigindo-se para o salão também.
— Karstark! Hugar! — exclamou Droenn, chamando-os.
— O que foi, moleque? — questionou o brutamontes, mal humorado, chegando junto de Alayne. A mulher estava com sua pequena adaga de obsidiana em seu pescoço como sempre, mas aquela fora a primeira vez que Droenn e Talia a repararam de verdade.
— Que porra vocês estão fazendo aqui? Mandei que fossem para Essos em busca de mais homens — questionou Talia, confusa e um pouco irritada, enviara uma carta à Rochedo Casterly há um tempo, pedindo que fossem até o Banco de Ferro em busca de um exército, mas ali estavam, os homens que deveriam estar no outro lado do mar.
— Sim, e eu li, um dos meus homens mais confiáveis está indo para lá nesse momento, mas você me mandou uma outra carta sobre o banquete também e depois de tudo que passamos contra os Lannisters, acho que eu e meus homens merecemos um bom banquete — respondeu o loiro com uma sobrancelha levantada. — Qual o problema, vossa graça?




Os corredores estavam mais ou menos movimentados, tem lordes nortenhos ali, soldados do Vale aqui, um ou dois de Talia ali, mais soldados do Vale aqui, algum lorde do Vale, vários servos correndo para lá e para cá e por assim vai.

Mapão (ignorem aquela mensagem ali embaixo, parada não queria exportar o mapa e nem uma imagem dele) : http://prntscr.com/eassje

Muitas áreas ali tem quartos e cômodos sim, como eu descrevi no meu post acima, mas não vou ficar dizendo todos. Aquele quadradão ali ao lado do salão no meio dos corredores é onde vocês estão, indo direto pra baixo é a saída do castelo.

Mapinha: http://prntscr.com/easwuq

Talia[Babi]
Vestimenta: Um vestido simpático, mas bonito para o banquete e assim como em seu casamento, vestia uma calça por debaixo para sentir-se mais confortável.

Os seios inchados e doloridos, a exaustão além dos limites diária, as dores, as tonturas, a dificuldade para respirar ou dormir e todo descontrole de sua bexiga estavam mais presentes que nunca naquelas últimas duas semanas e um pouco mais, sentia há muito tempo já que estava em contagem regressiva para o parto, e ao mesmo tempo que sentia-se aliviada de se livrar daquela barriga logo, estava muito nervosa de parir numa época como aquela e também pelo parto em si, vira alguns na vida, nunca imaginara-se tendo que suportar ou lidar com aquilo, nunca importara-se com aquilo durante todos meses grávida, porém tão perto como estava de chegar sua vez, o medo estava dominando-a completamente.


Droenn[Prime]
Vestimenta: Roupas nobres para o banquete.
Armas: Espada com a cabeça de um lobo gigante esculpida em seu punho, nomeada de Netuno. No guarda-mão, as dizeres de sua casa grafados: O inverno está chegando.

Escolheu deixar sua esposa aos cuidados de Tobin e outros dois guardas nortenhos em seu quarto, seja lá o que acontecesse naquele fim de tarde ou mesmo durante a noite, não queria vê-la em perigo.


Alayne[Mary]
Vestimenta: Um vestido vermelho, muito bonito e bem bordado, confortável e nada volumoso, deixando que a movimentação ocorresse normalmente. A adaga de obsidiana está pendurada em seu pescoço pelo cordão como sempre.

Ela e Hugar chegaram acompanhados dos piratas naquelas terras e atravessaram muitos quilômetros de terra até chegarem no Ninho da Águia, passando pelas milhares de barracas e pavilhões espalhados pelos campos dali, até chegarem no castelo, onde foram chamados por Droenn. Sua espada estava no cinto de Hugar que carregava por ela, afinal seria difícil num vestido.

Seu cabelo estava bem arrumado também, sempre bem ajeitado para banquetes e isso chamava bastante atenção dos homens, as vezes de mulheres também.


Aaron[Chris]
Vestimenta: Roupas nobres e bonitas para o banquete e também para chamar atenção das mulheres.
Armas: Uma espada longa de aço valiriano com o lema Greyjoy forjado e uma adaga cujo pomo é a lula gigante da casa.

Algumas dezenas de piratas estavam lá fora, mas sua tripulação adentrara o castelo e fora em direção ao salão, festejar ali dentro, estavam felizes com aquilo, apesar de estarem no meio de dois povos estranhos e provavelmente preconceituosos em relação à eles, ainda assim comemorariam e festejariam, o mínimo de recompensa que deveriam receber por vencer grande parte daquela guerra pela rainha, além do ouro.

Recebera a tal carta e enviaria seu irmão, mas ao receber a outra quase de imediato, falando do banquete, resolveu ir com um enviado e deixar que ele assim como o irmão aproveitassem o banquete.


Skyron[Josh]
Vestimenta: Roupas nobres para o banquete.
Armas: Espada grande de aço valiriano com o pomo esculpido em forma de lula gigante.

Despediu-se de sua tripulação recebendo alguns tapinhas no ombro de Rodrik que estava ansioso para beber e um aceno de Wyllam chamando-lhe de "senhor, meu senhor" como sempre, prometendo que tentaria impedir o homem de se embebedar novamente. Riu de seus homens que ficaram mais animados com o passar dos dias, ele mesmo ficara também, mesmo que a dor do luto ainda estivesse de pé. O único que não fora para o salão era Alfer que estava adentrando no castelo quando começaram conversar naquele grupinho.



Última edição por Luckwearer em Sex Jul 21 2017, 00:34, editado 1 vez(es)




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595 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Dom Fev 19 2017, 22:54

Babi

Levantou-se naquela manha extremamente incomodada, sentia dor em seus seios e seu estado era de fadiga, mas apesar de saber que a qualquer momento poderia ter a criança, não poderia ficar em seus aposentos descansando. Aconteceria uma traição naquele dia e tinha que tentar estar a frente do Arryn que até o momento tinha se mostrado um bom jogador. O homem tinha matado seu enviado e feito seu exercito chegar ao castelo esperando uma feliz confraternização de vitória, mas aproveitou-se dos dias de antecedência de seus aliados para alerta-los. Todos os seus comandantes sabiam que uma traição iria acontecer naquela noite e que poderia trazer ataques não só internos como externos. Os generais espalharam para os homens, e mesmo que tinha escolhido não contar ser Lucan o traidor para que o mesmo não virasse isso contra ela, esperava que seu exercito a ouvisse ou estariam em apuros.

Retirou-se do castelo observando os preparativos para aquela noite. O céu mostrava-se cinzento e o sol escondia-se por trás das nuvens, como uma pequena mancha luminosa. Olhou para o seus homens e suas barracas espalhadas pelo lugar, o exercito que tinha era apenas sombras do que um dia tinha visto em Karhold, mas esperava vê-lo aumentar com os homens que Aaron traria de Bravos. Torcia para que o branco da neve que caia não enterrasse o vermelho de sangue aliado e que aquele banquete lhe trouxesse a primeira vitoria em batalha como líder daqueles soldados. Fechou os olhos por alguns segundos sentindo o vento frio batendo contra o seu corpo e fazendo seu manto balançar ao vento. Que os deuses tragam forças a nossas espadas, sejam eles quais forem. Pensou dando as costas para o acampamento e voltando para o castelo, torcendo para que pelo menos dessa vez eles a ouvissem suas preces.


Com a chegada dos nobres do Vale naquele entardecer o salão ganhou vida e encheu-se de risadas e o calor da gordura de diversas comidas sendo cozinhadas, o banquete tinha começado. Abandonou o salão cheio de nobres e juntou-se a Droenn e Serena no corredor. Precisavam decidir o que fariam agora, alertara aos mesmos que só comessem da comida que vissem homens de Lucan comendo, não duvidava que o homem tentasse vingar-se envenenando-os. Mesmo que ele também tinha trago ao salão dezenas de soldados assim como Talia, todo cuidado era pouco.

Enquanto discutiam viu uma movimentação no corredor se surpreendendo com os piratas ali. Mostravam-se mais arrumados que o normal e caminhavam em direção ao salão. Talia gritou os irmãos sem entender o que faziam ali. Aaron aproximou-se com o mesmo sorriso zombeteiro de sempre cumprimentando-a. A mulher perguntou irritada o que faziam ali vendo o resto dos homens do Greyjoy dirigindo-se ao salão. Não acreditava que tinham desrespeitado o trato e não foram até Bravos como mandou, mas logo ele explicou que tinha mandado um de seus homens para o lugar. O que não foi de grande serventia, por que agora tinha mais dezenas de soldados desinformados caminhando a uma armadilha.

— Qual o problema, vossa graça? — Perguntou o loiro com uma sobrancelha levantada. Talia cerrou o maxilar antes de falar, não sabia por onde começar e não entendia como o Rei Greyjoy tinha sido burro a ponto de confiar em uma carta sem a assinatura da mulher. Respirou fundo, não era momento para aquilo. Não só os piratas como os nortenhos que tinham chegado mereciam explicação.

— Não fui eu quem enviei a segunda carta a você, Aaron, temos um traidor em meio a nossos aliados. Traidor esse que pretende desconsiderar a lei dos deuses e matar-nos em sua própria casa. — Tirou o olhar de Aaron e virou para Alayne e Hugar. — Mas não deixarei que mais um casamento vermelho aconteça. — Começou a correr os olhos por todos na roda — Lucan provavelmente fez um acordo com Jan e agora meu tio esta supostamente morto, em uma emboscada milagrosa do Arryn. Porém, sei que ele não esta morto e que o nosso querido lorde do vale não é tão querido.  — Focou nos piratas e o Mormont que costumava ser espalhafatoso — O homem sabe que sei de sua traição, mas a dias estamos fingindo sermos amigos e preparando nossos lados, e a não ser que tenham alguma sugestão magica sobre como lidar com isso, espero que não entrem naquele salão e ataquem-o sem que ele tente algo primeiro. Precisarei de vocês para alertar seus homens e  prepara-los para o que esta por vir. Porem alem disso peço apenas que tomem cuidado com o que comem e bebem naquele salão e preparem suas espadas para o pior.



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596 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Seg Fev 20 2017, 23:44

Luckwearer

— Ei, seu fodido, vem cá e me traz logo essa garrafa — gritou um dos soldados no grande grupo ao redor da fogueira, todos bem servidos de comida, esperando que o jovem escudeiro trouxesse a bebida.
O rapaz correu o mais rápido que pôde em direção ao homem, mas tropeçou no meio do caminho, derrubando todo líquido no chão. Os soldados caíram na risada, zombando do rapaz que enrubesceu, completamente envergonhado. Todos eram do exército Targaryen, comemoravam, mas comemoravam com muito cuidado, aquele era apenas um pequeno grupo do grande número de homens que arriscou-se a beber.
E os soldados de Lucan haviam notado aquilo, conversavam entre si, olhando os sóbrios com completa desconfiança.

— Por que Lucan está contra nós? — questionou Alayne.
Talia olhou para ela, então para o restante do grupo encarando-a, abriu a boca para falar, mas aquietou-se.
— Não importa, o que importa agora é que estamos numa situação que não podemos sair e temos que nos virar para sobrevivermos, então todo cuidado é pouco — retrucou Serena, ao notar a pequena hesitação da amiga, disfarçando-a para os outros e livrando-a de responder.
— Vocês fizeram merda de novo, não é? — comentou Hugar com o tom de voz um pouco elevado e irritado.
Alguns guardas do Vale olharam para eles.
— Hugar, não grite, vai chamar atenção — pediu Droenn dando uma olhadela para os guardas.
— Você não me manda fazer nada, seu moleque, você...
— Cala a boca, Hugar, não é momento pra isso — repreendeu Alayne, com a voz um pouco furiosa, mesmo que não estivesse.

Alguns guardas que estavam no grande corredor em volta de montanhas que levavam ao vale onde o castelo e o acampamento jaziam, observavam meio sonolentos a floresta em frente. Queriam dormir, mais do que tudo, e quando finalmente o conseguiram, foi pela eternidade, ao terem as gargantas cortadas por homens silenciosos e furtivos do Vale.
Então, quando uma grande quantidade de homens em cavalos surgiu galopando e gritando, um dos homens cuidando do fim do corredor soprou a trombeta com todo fôlego que tinha, alertando todo acampamento que estavam sendo atacados.

— Garota, você... — Hugar preparou-se para elevar a voz com Alayne, mas calou-se e virou-se como todos ali ao escutarem a trombeta.
— Eles já estão aqui, então — comentou Talia com toda calma do mundo, trocando um olhar com Serena e Droenn.

https://www.youtube.com/watch?v=W8uyMJQH9pY
(Se eu sincronizei bem, recomendo ouvir enquanto lê, vai ajudar no clima e se o final sair certinho, vai ser muito final de episódio de série.)

Eram dezenas e dezenas de homens em cavalos atravessando o corredor, em busca de acertarem o acampamento em cheio. Porém, ao chegarem na metade do corredor, tiveram uma desagradável surpresa.
— Atirar! — gritou um dos comandantes da Companhia Dourada, um dos poucos que restaram.
Seus arqueiros soltaram as flechas e acertaram muitos dos cavalos e homens, os que continuaram após terem a sorte de sobreviver as flechas, foram surpreendidos também, dessa vez por barris de óleo quente que foram derrubados das áreas baixas das montanhas em volta, usadas desde muito séculos atrás como uma das maiores defesas dali, caindo no chão numa explosão que ao serem acertadas por flechas em chamas, não só se incendiaram, mas incendiaram todo óleo que já estava espalhado pelo solo, criando uma grande onda de chamas que dominou quase todo corredor.
Os inimigos berraram de dor conforme eram consumidos pelas chamas e os sobreviventes interromperam sua corrida na mesma hora, impedidos pelo mar de fogo em sua frente.
— A rainha estava certa, vieram de fora do Vale também! Vitória por enquanto, soldados! — berrou o comandante, erguendo seu arco no ar e urrando de prazer.
Os arqueiros gritaram de prazer e comemoraram também, felizes da vitória naquele momento. Riam e zombavam dos soldados esperando as chamas morrerem, furiosos.

Mas ao mesmo tempo que Talia ganhou aquele turno, Lucan ganhou o segundo. Aproveitando os soldados de Talia preparando-se para o ataque de fora, os soldados do Vale organizaram-se rapidamente e atacaram-lhes pelas costas, iniciando uma grande confusão no acampamento. Mas, apenas inicialmente tiveram vantagem, os guardas da rainha já estavam preparados para algo dali de dentro também, mesmo não bebendo, não estavam armados, apenas alguns, o que fazia com que os inimigos sentissem-se mais tranquilos. Mas a ordem da rainha de menos barris de bebida para seus homens não impediu que o mesmo número dos barris dos inimigos chegasse aos seus homens também.
A diferença era que muitos dos barris de seus homens estavam cheios de espadas, machados, adagas, bestas e outras coisas, fora o próprio interior de vários pavilhões e cabanas.

— Espera, se o ataque do exterior já começou.. — observou Aaron, virando-se para onde estava o salão.
Virando-se finalmente para o salão, o grupo viu apenas um guarda que pegou calmamente uma das duas grandes portas e levou-a até uma certa distância, dirigindo-se para outra. O olhar que o homem deu à eles foi de uma zombaria e prazer tão gratificante, tão único entre os olhares mais sombrios que já viram, que até mesmo o mais corajoso ali arrepiou-se. Skyron pensou em toda sua tripulação ali dentro, desavisada e em grande maioria desarmada, bebendo até quase desmaiarem, aconchegados, felizes de comemorarem algo, de que logo voltariam para suas famílias e tudo que pôde fazer foi não conter-se, iniciando uma corrida muito rápida em direção aquelas portas, mas quando finalmente chegou, o homem havia acabado de fechar ambas, trancando-a por dentro. Tentou abri-la duas ou três vezes, acertou-a com os ombros, tentando arrombá-la, mas já era tarde demais quando os gritos começaram. E a coisa que mais acertou-lhe por dentro foi ouvir uma gargalhada, que poderia ser de qualquer um, homem ou mulher, criança ou fantasma, mas que todos anos de convivência em alto mar o fizeram identificar como a gargalhada de Rodrik, e nenhuma espada jamais causou um ferimento tão profundo quanto ouvir aquela risada morrer de repente, sendo engolida por gritos e berros.
Aaron que seguiu o irmão segundos depois parou na metade do caminho, deixando os passos rápidos morrerem aos poucos, ao ter o mesmo choque de todos ali ao ouvirem os gritos e berros. Sua tripulação estava ali também, a que lhe acompanhava desde que era um homem comum, não um comandante e nem um rei, que o seguiram de Pyke até os mares sombrios de Valiria.
Droenn, Alayne e Hugar sabiam também que todos lordes nortenhos que estavam com eles desde o inicio daquela guerra, todos que sofreram do Casamento Vermelho, talvez estivessem no mesmo papel de seus pais naquele momento.
— Protejam a rainha! — gritaram alguns guardas quando uma enxurrada de soldados de Lucan invadiu o corredor, acertando-os com lanças, matando-os com espadas ou bestas.
O grupo virou-se rapidamente para saída do castelo ao verem uma grande quantidade de soldados inimigos correndo pela ponte que era a única coisa que conectava o castelo e os campos. Portões da Lua podia ser um dos castelos mais modestos dos Sete Reinos, mas nem mesmo Winterfell possuía um fosso tão poderoso quanto aquele, que eram todo abismo que ia daquela altura até os pés da grande montanha onde o Ninho ficava. Muitos inimigos foram acertados por flechas dos soldados designados por Talia de ficarem nas torres tomando cuidado, mas logo tiveram que lutar pela própria sobrevivência ao serem atacados por soldados do Vale ali em cima mesmo.
E tudo que saiu do grupo naquele exato segundo, veio da boca de Serena:
— Ai, caralho.




Mapinha: http://prnt.sc/ebdt1t

Como digo sempre, o mapa não é totalmente fiel ao tamanho do lugar e ao que tá rolando em seu interior, dá uma ideia.

E agora é chegado o momento do que falei no grupo do whatsapp, o FB sempre foi um RPG sem enrolação, direto ao ponto em questão de posts, mas agora vai ser diferente. Eu vou colocar pika no caminho pra vocês, vou fazer isso e aquilo, mas não vou pré-determinar nada, a iniciativa em vários casos vai ser de vocês, não vai ter nenhum NPC guiando nenhum de vocês, então quem vai tomar o rumo e decidir o que fazer dentro desse castelo... são vocês. Então sim, agora chega de ser direto, é bom que todos vocês postem agora, acredito que tenham bastante coisa pra escrever e reagir agora. De resto, é o que falei no grupo, evitem conversar fora do jogo, o que tiverem pra falar, falem dentro dele, e agora é com... vocês KKKKKK. E caso o grupo todo se mova de lugar, podem escolher um representante entre vocês pra postar a ação, mas já aviso pra não postarem nada do tipo "chegamos no inferno", mas sim que irão pra lá, porque o que tem no caminho é comigo.

Um aviso, se jogarem tudo nas mãos dos NPCs... bem, veremos o que vai rolar.

Desejo um bom RPG e boas mortes pra vocês Razz <3





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597 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Qui Fev 23 2017, 20:49

Josh

Skyron fora sem muita vontade para o banquete, não aproveitando tanto da festa quanto Aaron e seus homens. Depois de observar uma discussão sobre conflitos internos no lugar com Baratheon e outros, a atenção do Greyjoy foi chamada quando ouviu a trombeta. Foi quando soube que o ataque havia começado. Ao ver um homem com um olhar peculiar com o objetivo de fechar a porta do salão e atacar todos lá dentro, Skyron correu para tentar impedi-lo, mas foi tarde demais. Esforçou-se para abri-la algumas vezes, mas estava trancada.

Tudo que o Greyjoy pôde fazer foi ouvir os gritos de terror de dentro do local, junto com Aaron que vinha logo atrás, com tristeza dentro de si.

— Protejam a rainha! — gritaram alguns guardas quando uma enxurrada de soldados inimigos invadiu o corredor, acertando-os com lanças, matando-os com espadas ou bestas.

Skyron teve que pensar rapidamente enquanto os inimigos se aproximavam e a saída provavelmente também estava cheia deles. Aproveitou que Aaron estava próximo para que começassem a se defender, dirigindo-se para o inimigo mais próximo da direita para ajudar os guardas ali presentes.

— Aaron! Alfer! Vamos limpar esse lado! - Skyron gritou para eles, enquanto puxava sua longa espada e corria com o objetivo de fazer o primeiro ataque.




 
Spoiler:

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598 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Qui Fev 23 2017, 21:41

Mary

Desde o início o final esteve claro. Uma traição ocorreria, e apesar de todos naquele recinto serem intensamente preparados para situações como aquelas, a pressão e a desconfiança pairavam em seus ombros como moribundos que possuíam o dever de carregar. A maioria já havia sofrido por traições; fossem elas grandes, ou pequenas, e acostumados ou não, preparados ou não, ter aberto uma chance para uma rasteira doía tanto quanto a apunhalada que a seguiria.

O soar da trombeta anunciou o inevitável, antecipando gritos e sons de batalha que não haviam sido ouvidos antes, denunciando o aproximar furtivo dos soldados inimigos. As portas do Grande Salão foram fechadas, propiciando o ambiente que precisavam para cometerem um massivo ataque, que Skyron havia sem sucesso, tentado interromper. Todos permaneceram quietos, sentindo por seus amigos e irmãos que morriam sem sequer saber pelas mãos de quem.
Os corredores ao redor preencheram-se com homens armados, enquanto Alayne, a Rainha e os demais permaneciam no centro, encurralados. Rapidamente retirou sua espada do cinto do Mormont, avançando em direção ao homem que estava perigosamente perto das costas de Talia. Rapidamente caminhou até o lugar onde a mulher estava, trocando suas posições, fazendo com que a Rainha ficasse protegida, entre Serena, Droenn e Hugar.

Simultaneamente, Alayne e seu adversário soltaram gritos ferozes quando suas lâminas chocaram-se, no alto, acima de suas cabeças. Alayne abaixou sua lâmina em um rápido reflexo, antecipando o golpe do homem que visava atingir seu abdômen. Deu um pulo felino para trás, bloqueando instintivamente os golpes restantes. Em um instante, a Karstark não apenas bloqueou, mas deslizou sua lâmina contra a do inimigo, provocando um tinir agoniante e excitante. Aproveitou sua brecha, e para o mesmo lado para que sua lâmina fora, a mesma havia retornado, cortando o pescoço do homem em um único e preciso movimento.



 

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599 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Sex Fev 24 2017, 11:19

Prime

A iminência do banho de sangue deu-se por confirmada enquanto o anúncio ressoava pelos corredores até onde se encontravam os aliados. Naquele mesmo instante, Droenn foi atingido por uma pancada de preocupação. Embora tivesse deixado a esposa sob o cuidado do amigo cranogmano, temia pelo bem-estar de ambos desde o instante em que os deixara com os guardas na ala dos quartos.
Com grande pesar, assistiu as portas do salão fechando-se diante de um rosto provocativo que os fitava com regozijo. Ali, por entre aquelas mesas e por entre qualquer resquício amistoso de vitória, a natureza nortenha e ferrenha de almas vitoriosas e de homens guerreiros seria diminuída à tolice, ao sangue e ao escárnio.
Naquele tempo frio, o punho da espada era um aconchego que aquecia sua palma cerrada ao envolvê-lo. Os companheiros já agiam quando o Stark projetou-se rumo ao seu norte, tentaria fazer seu caminho de volta aos quartos. Quando ele e o inimigo mais próximo entreolharam-se, Droenn se lançou, e a energia pela qual tanto ansiava lhe foi entregue quando o encontro das lâminas propagou-se pelos seus braços com a violência de uma chicotada. O oponente atou suas mãos no punho da espada e ergueu, como que confiasse em alguma afinidade com a arma. O Stark bloqueou colocando a sua no caminho e, com a deixa, mesmo sem antes notar, tinha acertado um pontapé no tórax do homem, que falhou na missão de recuperar a posição e pagou o preço com a vida - certamente soube daquilo quando sentiu o fio gélido abrir caminho pelo seu peito e o sangue quente subir-lhe pela garganta.



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600 Re: #Mesa 003 - Fire and Blood em Sex Fev 24 2017, 11:56

Luckwearer

— Que porra vocês estão fazendo? — gritou Serena para os irmãos Greyjoy e o rapaz que correu em direção à Skyron.
Enquanto Hugar correu para ajudar Alayne e Droenn dirigiu-se para a mesma direção, a garota virou-se rapidamente para Talia e a pegou, pretendendo puxá-la pela mão e iniciarem uma corrida, devagar pela gravidez, para fora dali.
— Vamos morrer aqui! — exclamou ela.





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